Mario Quintana- Brevidade da Vida

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Niilismo é luxo: pobres lutam pela vida, ricos questionam seu sentido.

Ateísmo vence niilismo: vida tem sentido porque é finita.

Religião transforma medo da morte em medo da vida.

Ateísmo: responsabilidade total pela vida.

O ateu ama a vida demais para inventar outra.

No final, niilismo perde: vida persiste.

Conservadores defendem a vida com fervor, desde que ela ainda esteja no útero e não pertença a imigrantes, pobres ou minorias.

Para o conservadorismo, a vida é sagrada no dogma, mas descartável na fronteira, na favela e na cela.

O apreço conservador pela vida possui critérios geográficos e socioeconômicos bem definidos.

Conservadores protegem a vida até o parto; depois disso, imigrantes, pobres e marginalizados ficam por conta da própria sorte.

A vida pode parecer vazia de propósito, mas é no impacto que deixamos nos outros que a humanidade floresce.

A grande tragédia não é que a vida termine, mas que alguns nunca se permitam amar profundamente enquanto existe.

A moral não desce das nuvens; ela surge do barro da vida cotidiana, suja e real.

A vida é curta demais para eu fingir desinteresse só para parecer interessante no seu jogo.

Prefiro o brilho curto de uma vida bem vivida ao mofo de uma eternidade suportando a mediocridade de quem não tem nada a dizer.

Minha conta é simples: uma única vida intensa vale mais do que mil anos de conversas vazias e sorrisos falsos. Se o paraíso é cheio de gente chata, prefiro que meu tempo acabe logo.

A oferta de vida eterna soa mais como uma sentença de prisão perpétua no vazio; não encontro tortura maior do que a ideia de passar a eternidade bajulando um tirano narcisista cujo único desejo é a adulação infinita de quem ele mesmo oprime. A promessa de vida eterna do cristianismo é o mesmo que ser condenado ao inferno; se o cristianismo fosse real, eu gostaria de ser absolutamente destruído.

Nada é mais agressivo à inteligência do que a ideia duma vida eterna sob o comando dum ser que exige louvor constante; se o cristianismo é real, a destruição definitiva da minha consciência é o maior prêmio de liberdade que eu poderia receber.

Se eu fosse crente, meu maior medo não seria o diabo, mas um dia descobrir que rezei a vida inteira para o deus errado!

Se milagres não acontecem na vida real, a existência divina não faz diferença. Um criador que não mexe um dedo para mudar a realidade é, na prática, o mesmo que um deus que não existe!