Mario Quintana- Brevidade da Vida

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A vida é algo que não sabemos explicar, muito menos definir. Ela é algo que sabemos que irá ter um fim e, mesmo sabendo disso, nos apegamos a ela com unhas e dentes, como se fosse a coisa mais importante da vida.

Mas, para mim, a vida não é o nosso bem mais importante, e sim as lembranças, pois elas sempre serão eternas. Elas nos acompanham eternamente. Quem nunca se arrependeu de ter feito algo? Ou lembra de um doce especial da infância, ou daquela música do dia em que conheceu ela? E nem estou falando do cheiro do primeiro abraço.

Por mais que revivamos isso, esses momentos jamais serão os mesmos, pois, para você, essas lembranças sempre irão lhe afetar eternamente.

Porque aquela decisão da qual você se arrepende faz o peito doer, trazendo a angústia do mesmo momento. Aquele doce sempre será melhor na sua infância, independente de quão bom ele realmente era. Aquela música nunca mais será a mesma coisa, pois você não está mais naquele dia e nem com aquelas pessoas. A música não perdeu o sentido, ela apenas lembra você de como se sentiu ao notar que ela marcou o início de tudo.

E o cheiro… como falar de algo que jamais terá o mesmo significado? O toque dela, ou o sorriso que ela dava ao te abraçar, ou a paz que aquele cheiro lhe trazia, por mais simples que fosse. Ou como o seu dia melhorava ao vê-la.

Então, ao meu ver, as lembranças sempre serão eternas.

Não siga a vida pensando em como gostaria de viver ou em como deveria vivê-la. Apenas viva. Siga em frente. Teremos o mesmo fim, sendo especiais ou não, pobres ou ricos, lindos ou, às vezes, feios.

Mas viva, seja você mesmo e crie lembranças especiais das quais nunca mais esqueça, pois o que vale não é ser esquecido, e sim ser lembrado. Porque, depois que eu partir, eu sei que, por mais que seja pouco, você irá lembrar de mim. E isso, para mim, é o que mais importa.

A vida acaba, mas o que sentimos nas lembranças continua vivendo dentro da gente.

Um amigo meu me perguntou:
“Quanto tempo vale a nossa vida?”

E eu só penso nisso como se fosse uma aula de matemática básica. Simples e básico: a soma de números pra chegar a algum resultado. Nada mais e nada menos, somente matemática básica.

Vamos ser sinceros: quanto você pensa que a sua vida vai ser boa porque adquiriu itens? Então você acha que vale a pena trocar seu tempo de vida — que é o que você tem de mais precioso — por um punhado de dinheiro, pra assim comprar algo e usufruir disso?

Negativo. Sua vida seria nada mais que uma troca do seu tempo por algo que vai acabar ou, muitas vezes, nem vai durar pra sempre.

“Ah, mas aí compramos outro.”
E a sua vida? Como vai comprar outra?

Mas eu falei isso tudo pra chegar numa conclusão simples: se você acha que pode comprar outra vida e acredita nisso, sinto muito… você já se vendeu, só não sabe ainda.

Sua vida não tem preço, por isso não pode comprar outra. Somente quando entender isso vai saber que ela é única e jamais terá outra.

Então pare de se vender por itens baratos. Crie laços, coisas que não precisam de dinheiro. Construa algo em que nem mesmo seu tempo seja gasto à toa.

Enfim, isso é o que eu creio. Por isso eu sou um pobre lascado hahaha.

Posicionar-se para aquilo que Deus deseja que sejamos custa toda uma vida que precisamos deixar para trás, para viver aquilo que realmente fomos chamados a ser.

Faz bem exercitar a contemplação da vida, para tirar dela momentos especiais que, de outra forma se perdem na distração do olhar.

A falsidade da vida virtual tudo mata.

A vida é um algoritmo autocanalizado pela história, onde interações estocásticas refinam uma direção emergente.

Minha vida inteira foi marcada pela dor, e, por isso, nunca houve espaço para uma divindade.

Se cada átomo do seu corpo está morto, então o que você chama de vida é apenas uma ilusão emergente

Se deus existisse na minha vida, eu saberia. Mas nunca fui feliz, só vi dor, morte e caos.

Se existisse reencarnação, nossas memórias de vida passadas estariam todas salvas no mundo espiritual? Então a vida seria um servidor de testes?

Reclame da vida o quanto puder. Talvez um dia ela se toque pelo serviço ruim prestado e decida melhorar.

O sentido da vida não se encontra na morte, mas na perpetuação do nosso traço no mundo, transmitido pelas mãos que vêm depois de nós.

Religião promete paraíso após a morte porque sabe que na vida real só entrega culpa e dízimo.

O niilista não se mata porque, no fundo, ama demais a vida para abrir mão do sofrimento que o define.

Niilismo é negação da vida disfarçada de filosofia profunda.

O niilista ama o nada tanto que dedica a vida a espalhá-lo.

Niilistas são vampiros existenciais: sugam o sentido da vida alheia.

Religião promete vida eterna; ciência entrega vida melhor agora, uma escolha óbvia.

O niilista odeia a vida tanto que vive para odiá-la.