Mario Quintana- Brevidade da Vida

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O que me resta da vida? Como é estranho, só me resta aquilo que dei aos outros.

O verdadeiro prazer da vida é viver com gente que nos seja inferior.

Muito pouco se padece na vida, em comparação do que se goza; aliás, não sendo assim, como se viveria?

É necessário ter amor pela vida para o prosseguimento vigoroso de qualquer intento.

Sê alegre apenas depois de dares a volta à vida toda. E regressares então a uma flor, ao sol num muro, a um verme no chão. A profunda alegria não é a do começo mas a do fim.

Vergílio Ferreira
FERREIRA, V., Escrever, Bertrand, 2001

Quando a morte é o termo de uma vida, a felicidade depressa é banida.

Com os seres vivos, parece que a natureza se exercita no artificialismo. A vida destila e filtra.

Tirai ao homem comum as ilusões da sua vida e roubais-lhe a felicidade.

Há homens que parecem grandes no horizonte da vida privada e pequenos no meridiano da vida pública.

Quem não espera na vida futura, desespera na presente.

Vida mal soletrada
a beleza continua a viver
como tatuagem

Sombra de árvore -
Até mesmo a companhia de uma borboleta
É karma de uma vida anterior.

À medida que a vida e os anos nos maltratam, aprendemos finalmente a conhecer-nos. Mas, nessa altura, já não vale geralmente a pena estabelecer relações.

A vida é prazer ou nada. Gozemos hoje, ninguém conhece o amanhã.

A vida reluz nos olhos, a razão nas palavras e ações dos homens.

Os dados reais da vida não têm valor para o artista, são unicamente um ensejo para manifestar o seu génio.

Todas as especulações são pardas, certamente, mas eternamente verde é a árvore de ouro da vida.

A amizade é o porto da vida.

Todo o enigma da vida está fechado na cabeça de uma formiga.

O hábito é que me faz suportar a vida. Às vezes acordo com este grito: - A morte! A morte! - e debalde arredo o estúpido aguilhão. Choro sobre mim mesmo como sobre um sepulcro vazio. Oh! Como a vida pesa, como este único minuto com a morte pela eternidade pesa! Como a vida esplêndida é aborrecida e inútil! Não se passa nada, não se passa nada. Todos os dias dizemos as mesmas palavras, cumprimentamos com o mesmo sorriso e fazemos as mesmas mesuras. Petrificam-se os hábitos lentamente acumulados. O tempo mói: mói a ambição e o fel e torna as figuras grotescas.