Marido Desligado de Fernando Pessoa

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Pudesse abrir a cabeça, tirar tudo para fora, arrumar direitinho como quem arruma uma gaveta.

Amor a gente não procura. É assim: você deixa a porta meio aberta, se distrai plantando girassóis e ele entra. Ele adora contrariar.

Ela é exatamente como os seus livros: transmite uma sensação estranha, de uma sabedoria e uma amargura. É lenta e quase não fala. Tem olhos hipnóticos, quase diabólicos. E a gente sente que ela não espera mais nada de nada nem de ninguém, que está absolutamente sozinha e numa altura tal que ninguém jamais conseguiria alcançá-la. Muita gente deve achá-la antipaticíssima, mas eu achei linda, profunda, estranha, perigosa.

Eu ainda acredito que depois de toda chuva surge o arco-íris. Que Deus não erra. Que se for pra acontecer, vai acontecer. Que nada nessa vida é em vão. Que todo esse sofrimento, vai se transformar em um aprendizado. Que tudo na vida é questão de fé.

Como doem as perdas para sempre perdidas, e portanto irremediáveis, transformadas em memórias iguais pequenos paraísos-perdidos.

Ando sentindo umas coisas que não entendo direito. Não gosto de não entender o que sinto. Não gosto de lidar com o que não conheço.

Não criar expectativas e nem esperar nada de ninguém é a maneira mais fácil de evitar futuras decepções.

Não fique aí remando contra a maré. Se não for pra ser, não vai ser.

Acordo com a voz safada de Cazuza repetindo em minha orelha fria: "quem tem um sonho não dança, meu amor."

Eu não tenho opinião definida sobre nada. Não acho que isso seja insegurança. Acho que é abertura, que tudo é passível de uma outra interpretação.

‎Não brinque com os outros, o mundo gira. Hoje você brinca, amanhã é brinquedo!

Ou me quer e vem, ou não me quer e não vem. Mas que me diga logo pra que eu possa desocupar o coração. Avisei que não dou mais nenhum sinal de vida. E não darei. Não é mais possível. Não vou me alimentar de ilusões. Prefiro reconhecer com o máximo de tranquilidade possível que estou só do que ficar a mercê de visitas adiadas, encontros transferidos. No plano REAL: que história é essa? No que depende de mim, estou disposto & aberto. Perguntei a ele como se sentia. Que me dissesse. Que eu tomaria o silêncio como um não e ficaria também em silêncio. Acho que fiz bem.

Peixes, logo vi, regente Netuno, ah Netuno, cuidado com as ilusões mocinha, profundas e enganosas como o mar que é teu elemento.

Acalma esse coração, pequena, que desespero nunca resolveu problema.

Minha musa inspiradora é o meu prazo de entrega.

Não importa se teu mundo está caindo aos pedaços. Quando você começa a ter mais fé, de alguma maneira linda a vida dá um jeito de ficar melhor.

Como não me lembrar do seu sorriso lindo se abrindo pra mim? Do seu olhar sem graça, suas mãos confusas, brincando com o nada enquanto você fazia o pedido mais lindo de todos: "não me olhe assim"? Como não me lembrar da sua boca se encontrando com a minha, e se afastando logo em seguida para me falar que "meu coração está disparado"? Como não me lembrar da intensidade de um abraço, de encostar a cabeça no seu ombro, e ouvir você falar que me ama? Como não lembrar da sua risada ao me pedir pra parar de bagunçar o seu cabelo? Como não me lembrar do seu desespero quando te roubei um beijo ao me despedir? Como não me lembrar da surpresa ao sentir seus braços ao meu redor, me envolvendo quando eu menos esperava? Como não lembrar da bagunça que você fez na minha vida, me mostrando que é assim que se vive melhor? Como não me lembrar de todos esses detalhes com as lágrimas saltando aos olhos e o coração apertando de saudade dentro do peito? Impossível não lembrar o quanto te quero, o quanto você me faz falta, o quanto a saudade me consome... o quanto eu te amo!

Aprendi também a não contar muito com os outros: na medida do possível, faço tudo só. Dá mais certo.

E sorrir, então, e dizer bom-dia, boa-tarde, talvez boa-noite, e convidar a sentar, como se costuma nessas situações, e explicar sempre que não há muito onde sentar, e espalhar cinzeiros, fechar a porta, escolher rapidamente um disco lento e abandonar a coisa que estivesse fazendo para sentar no canto oposto da cama, talvez cruzar as pernas, acender um cigarro, abrir um livro, olhar uma estrela e falar ouvir durante horas coisas duras e inúteis, e de repente me perceber novamente deslizando para um mar aberto feito boca, convite na esquina, veludo atrás de vidraça, e não ceder porque não seria de esperar que eu cedesse agora, nessas situações, embora me consuma, e penso. Então sorrir e afastar com delicadeza as inúteis durezas até que nos aproximemos das tardes no parque, e era sempre outono.

A angústia é parte da condição humana. Não se pode deixar que a angústia da morte nos paralise. A resposta está no convívio com os outros. Não se vive sem amizade, sem amor, sem adversidade.