Marido Desligado de Fernando Pessoa

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As palavras traem o que a gente sente.

De repente – ou não de repente, mas tão aos pouquinhos, e tão igual todo dia que era como se fosse assim, num piscar de olhos, num virar de página – passou-se muito tempo.

O simples me faz rir, o complicado me aborrece.

Meu Deus como a gente se trai nessas memórias.

"Odeio amar, não é engraçado? Amanhã tento de novo. Amar só é bom se doer. Parou de chover. Não sei qual o Deus padroeiro das cartas - mas de qualquer maneira a noite de hoje foi dedicada a ele. Hoje eu queria que alguém me dissesse que eu não precisava me preocupar - como no Last Picture Show - um ombro, uma mão. Desculpe tanta sede, tanta insatisfação. Amanhã, amanhã recomeço. Te espero, te gosto, te beijo."

Estou desistindo de você, abrindo mão, renunciando, deixando pra lá, tentando esquecer.

Meu inverno quer ser primavera.

Meu coração é um mendigo mais faminto da rua mais miserável.

E resisto. Gosto de mim assim, e mesmo que não houvesse mais, só por isso. Por resistir.

Os dragões não conhecem o paraíso, onde tudo acontece perfeito e nada dói nem cintila ou ofega, numa eterna monotonia de pacífica falsidade. Seu paraíso é o conflito, nunca a harmonia.

"Ou não querer e ter. Ou não querer e não ter. Ou querer e ter. Ou qualquer outra enfim dessas combinações entre os quereres e os teres de cada um, afligia tanto."

‎Aí fui recebendo tanto carinho que fui ficando, até hoje.

Sempre chega um momento em que até o bom se torna insuportável.

Que as perdas sejam medidas em milímetros e que todo ganho não possa ser medido por fita métrica nem contado em reais. Que minha bolsa esteja cheia de papéis coloridos e desenhados à giz de cera pelo anjo que mora comigo. Que as relações criadas sejam honestamente mantidas e seladas com abraços longos. E que seja doce tudo que tiver que ser.

Eu quero me chamar Mar você dizia e ria e ríamos porque era absurdo alguém querer se chamar Mar ah mar amar e você dizia coisas tolas como quando o vento bater no trigo te lembrarás da cor dos meus cabelos você não vai muito além desses príncipes pequenos.

Pensando melhor, continuavam sem saber, fazia muitos anos, se a realidade seria mesmo meio mágica ou apenas levemente paranóica, dependendo da disposição de cada um para escarafunchar a ferida.

Só quem já teve um dragão em casa pode saber como essa casa parece deserta depois que ele parte.

Quando não há música, canto.

Eu só tenho esperas. Ele traz a tranqüilidade de mais nada esperar.

Quando desvio meu olho do teu, dentro de mim guardo sempre teu rosto.