Marido Desligado de Fernando Pessoa

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O mundo foi-se tornando aos poucos um enorme leque escancarado de mil possibilidades (…). Aprendi o jeito de também ser lindo.

Como a vida é tecelã imprevisível, e ponto dado aqui vezenquando só vai ser arrematado lá na frente

Fiz fantasias. No meu demente exercício para pisar no real, finjo que não fantasio. E fantasio, fantasio. Até o último momento esperei que você me chamasse pelo telefone. Que você fosse ao aeroporto. Casablanca, última cena. Todas as cartas de amor são ridículas… E eu estava só começando a entrar num estado de amor por você. Mas não me permiti, não te permiti, não nos permiti.

Portanto a idade que tenho agora, ou que tinha naquele sábado, deveria ser exatamente o dobro da idade contada a partir daquela perda. E de alguma forma, por ser justamente naquele sábado de chuva, em novembro, na tarde, essa perda — ou partida, ou ausência, ou separação, ou como queiram chamá-la — atingia seu justo dobro.

Por que, então, cultivar roseiras se, quando tudo está crescido, é nelas que você se corta?

Mas quero te contar umas coisas. Mesmo que a gente não se veja mais. Penso em você, penso em você com força e carinho.

Seja como for, continuo gostando muito de você - da mesma forma...

Eu disse que sim, claro que sim, muitas vezes que sim

Sonhei que você sonhava comigo. Depois que sonhei que você sonhava comigo, continuei sonhando que você acordava desse sonho de sonhar comigo.

Ontem tomei um táxi e me distraí tanto olhando pela janela que no meio do caminho estendi a mão para o banco vazio do lado querendo pegar tua mão. Tô com saudade.

"Chega um momento em que você não quer mais saber o que vai acontecer, chega um momento em que você consegue se libertar de todo esse formalismo e rigor, e consegue, finalmente, arriscar-se pensando somente no agora.... por isso o agora chama-se, literalmente, presente..."

Agora você me tem, agora eu tenho você. Nada mais importa. O resto? Ah, os restos são restos. E não importam.

Uma urgência inadiável de ser feliz. Ser feliz agora, já, imediatamente.

as coisas só adentram em mim quando podem escapar em seguida

eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia (...)

mas quando desvio meu olho do teu, dentro de mim guardo sempre teu rosto e sei que por escolha ou fatalidade, não importa, estamos tão enredados que seria impossível recuar para não ir até o fim e o fundo disso que nunca vivi antes...

Acontece porém que não tinham preparo algum para dar nome às emoções, nem mesmo para entendê-las.

E o amor, o amor, cara. O que eu faço com isso?

O melhor Mestre não é o que dá as melhores respostas, mas o que faz as melhores perguntas.

Le GraAll (1978)

Penso e repenso e trepenso em você.