Marido Desligado de Fernando Pessoa

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Com todas as dificuldades da vida, o meu chão eu fiz de mola. Posso cair todos os dias, mas o resultado da minha queda... Com certeza será o meu impulso!

A parte mais doce da vida são as lembranças.

Eu gosto de você. Eu estou meio bêbado. Estou ficando completamente torto. Me dá uma chance. E parecia verdadeiro, pequenino e desamparado, repetindo: Eu gosto de você, eu gosto tanto de você.

Tanta vontade de viajar para bem longe, conhecer outras pessoas, ver outras paisagens, romper todos os laços, sem deixar endereço.

‎Agora que tudo perdeu a magia, se magia houve, e havia, eu não consigo mais ver nenhum anjo em você.

Apaixone-se todo dia, por você.

Hoje pensei sério: se me perguntassem o que mais desejo na vida, não saberia responder. Quero tudo.

Hoje eu pensei em você quase o dia inteiro, suas lembranças me tocavam, era como se eu sentisse sua presença.

Quero poder sempre te amar e ouvir o quanto sou amada, quero poder acordar com você me enchendo de beijos ou simplesmente acordar pra ver o quanto é lindo você dormindo.

O domingo está acabando — já é tarde — amanhã a gente começa de novo. Eu me sinto às vezes tão frágil, queria me debruçar em alguém, em alguma coisa. Alguma segurança. Invento estorinhas para mim mesmo, o tempo todo. Me conformo, me dou força. Mas a sensação de estar sozinho não me larga.

A vida tem caminhos estranhos, tortuosos, às vezes difíceis: um simples gesto involuntário pode desencadear todo um processo.

(...) eu tenho essa coisa de ficar mexendo com a magia.

Às vezes, temos que enfrentar nossos medos. De amar, se decepcionar e estar só! Enfrentar a escuridão, abrir as janelas, deixar a luz entrar! Mesmo que não seja fácil, podemos sempre nos curar, custe o tempo que for. Pois se não foi, não era pra ser. Talvez não nos mereciam e talvez só nos serviu pra nos amadurecer e nos ensinar a aguardar por algo melhor no futuro. Às vezes fazemos com que pequenos sentimentos cresçam muito rápido, damos um valor e uma importância muito grande a isto. Mas não podemos esquecer que são pequenas coisas, e que se apegar nisto, só nos fará sofrer no final!

É difícil olhar no fundo de seus olhos e não conseguir imaginar as infinitas possibilidades que teríamos se o destino nos permitisse.

Meu coração está ferido de amar errado. De amar demais, de querer demais, de viver demais. Amar, querer e viver tanto que tudo em volta parece pouco. Seu amor, comparado ao meu, é pouco. Muito pouco. Mas você não vê. Não vê, não enxerga, não sente. Não sente porque não me faz sentir, não enxerga porque não quer. A mulher louca que sempre fui por você, e que mesmo tão cheia de defeitos sempre foi sua. Sempre quis ser só sua. Sempre te quis só meu. E você, cego de orgulho bobo, surdo de estupidez, nunca notou.

Eu te olho sim profundamente, eu sou sim indecifrável, sempre fui um enigma, sempre fui assim, mas daí vem você e descobre meus segredos, decifra meus pensamentos, entende o meu olhar, aprende meus gostos, entende minhas manias… e você ainda me pergunta se eu amo você.

Só mudei de opinião, mas meus sentimentos continuam os mesmos.

Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda…

A gente tem o vício (eu, pelo menos) de matar a alegria com mil análises críticas que geralmente não têm nada a ver.

Perdoem o silêncio, o sono, a rispidez, a solidão. Está ficando tarde, e eu tenho medo de ter desaprendido o jeito. É muito difícil ficar adulto.

Caio Fernando Abreu
Caio Fernando Abreu: Cartas. Rio de Janeiro: Aeroplano Editora, 2002.