Mal
A fé num deus que orquestra o mal cotidiano é a maior obscenidade intelectual, uma ilusão que mascara a crueldade inerente à natureza, tornando os crentes escravos dum monstro invisível que ri do sofrimento humano enquanto finge benevolência.
Um cristão tentou me ofender me chamando de "gay". Mal sabe ele que isso não me atinge. Ofensa, para mim, seria ser chamado de "cristão" e ser associado à religião que carrega o histórico mais sangrento e hipócrita da humanidade. Disso, eu sim teria extrema vergonha.
E se o "Criador" for o único jogador e você for apenas um NPC mal programado? Dói aceitar que sua consciência é apenas uma simulação menor e menos real?
Amar o inimigo não é virtude; é irresponsabilidade moral. O mal não se cura com afeto, mas com limites.
A trindade cristã é uma metáfora mal compreendida: o diabo é o caos inevitável, o pai é a tentativa falha de ordem, e o filho é só um instante raro de simetria.
Se não existe bem sem o mal, então o diabo, com sua maldade, também emana bondade, como exemplo do que não fazer. Louvemos, então, a bondade que vem do mal.
O problema do mal não é um problema para os ateus. É um problema para quem tenta conciliar um deus amoroso com um mundo que parece ter sido projetado por um sádico.
O mal não busca amizade, busca refúgio: duas pessoas de má índole se unem para que nenhum precise sentir vergonha de quem realmente é.
Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.
(Salmos, 23) Você nunca estará só, aquele que prometeu é infinitamente mais, do que a nossa humildade pode compreender...
"Nunca faça o mal, a quem só te faz o bem, Deus deu bons frutos, a boas árvores, as árvores com frutos ruins, só servem para o uso do fogo"
Eu sou o bem e o mal, o doce e o amargo, a luz e as trevas, o amor e o ódio,eu sou uma espécie de yin yan. Eu sou de peixes.
Como a espada que corta
Este verso maldizente quer:
Que o mal que você fez
Contra um animal de rua
Volte em triplo simplesmente,
Para que o quê você fez seja
- lembrado eternamente -
Como o escudo que protege
Este verso de maldição
Vai colocar juízo na sua cabeça
E também no seu coração!
O poeta é o protetor da Humanidade,
Que tem na poesia a sua artilharia
E nas letras a mais nobre infantaria.
O poeta é o som do violão,
Que toca na tua mão
E no teu pobre coração.
O poeta é o agricultor da espiritualidade,
Que vive de plantar o amor
Na estrada da Humanidade...
Como a porta que se abre para a luz,
Permita-se a claridade!
Lembrem-se muito bem lembradinho:
Que maltrato à animais de rua
Ou qualquer um animal
Vai muito além do crime...,
É expressão escandalosa de crueldade!!!
O LIVRO DOS ESPÍRITOS - QUESTÃO 632.
SOBRE O BEM E O MAL SEGUNDO A LEI NATURAL.
A questão seiscentos e trinta e dois de O Livro dos Espíritos, traduzido por José Herculano Pires, situa-se no âmago da ética espírita, onde a consciência humana é convocada a discernir, com rigor, o bem e o mal. O questionamento é direto: sendo falível, poderia o ser humano enganar-se, atribuindo ao bem aquilo que, em profundidade, é mal?
A resposta dos Espíritos superiores, sintetizada pela remissão ao ensino do Cristo, é lapidar e absoluta: tudo se resume ao critério do que desejaríamos receber. Este princípio, enunciado como medida universal, evita sofismas e protege o espírito contra ilusões morais. O erro humano não se origina na lei, mas na deformação dos desejos e na projecção egoísta das próprias paixões.
A lei natural, conforme elucidada por Kardec em mil oitocentos e cinquenta e sete, é inscrita na consciência. O equívoco ocorre quando o homem, em vez de consultá-la, inclina-se à sombra de seus interesses, perdendo a clareza interior. A ética espírita, entretanto, oferece um método: a diligência reflexiva, o autoexame diário, a comparação entre aquilo que faço e aquilo que gostaria de receber caso estivesse na posição oposta. É um retorno permanente à simplicidade da sentença do Cristo.
A aplicabilidade deste princípio é inalterável. Não depende de época nem de circunstância, pois se funda na reciprocidade moral que estrutura a convivência e regula o progresso espiritual. Toda ação que resiste ao teste da reciprocidade revela-se legítima; toda ação que o reprova denuncia desvio.
“O perdão é a força serena pela qual a consciência escolhe não perpetuar a cadeia do mal, transformando a dor em aprendizado moral.”
