Mal
Arrependimento, pra que serve...?! Pode alguém se arrepender de algum mal praticado? Não existem pessoas perfeitas, existem momentos perfeitos, proporcionados por pessoas imperfeitas. O erro está presente em nossas vidas, e sempre estará "batendo" à nossa porta, eis que então entra a nossa escolha. Abriremos ou não, a porta...? O arrependimento existe, não para continuarmos a errar e nos arrepender, mas sim para redimirmos de toda culpa por algo causado. Intentar o mal, e praticá-lo em resposta à algo ou alguém, nos torna tão errantes quanto aos que erraram conosco. É certo, que algumas coisas, as vezes pensamos que não são passíveis de esquecer somente pelo dito arrependimento do outro. Mas, devemos nos esforçar para esquecermos e perdoar, pois quando liberamos o perdão, a nossa alma se torna leve, e o nosso caminhar passa a ter paz. Não se paga o mal com o mal, antes fazei o bem, e o bem voltará a si mesmo. Digo por mim, e de mim!
Tédio
Tédio...
pra vida não há remédio,
drama dos dias divididos,
mal vividos,
desiludidos.
silêncio que ecoa no vazio,
sombras de um tempo perdido.
Trama da vida,
mil começos,
nenhuma saída...
vida demasiadamente longa,
demasiadamente breve,
(des)afortunadamente,
quem a escreve sabe o que escreve
Às vezes, o céu parece pensar por nós. As nuvens avançam lentas, desmontando formas que mal nasceram, como ideias que o coração inventa para suportar o peso do julgamento. Em uma praia sem nome, vi um caranguejo caminhar de lado, e entendi que nem toda verdade segue em linha reta. Há destinos que chegam por desvios, marés e silêncios.
O tempo, nesse lugar invisível, não corria: respirava. Ele pousava sobre a pele como sal, entrava nas lembranças, abria portas antigas e deixava à mostra as cicatrizes que fingimos esquecer. Cada marca tinha sua própria luz, como se a dor, depois de amadurecida, aprendesse a iluminar.
Então percebi que viver é aceitar a estranheza das coisas. As nuvens não pedem permissão para mudar, o caranguejo não se desculpa pelo seu caminhar, e o julgamento mais duro quase sempre nasce dentro de nós. O tempo apenas revela o que já era semente: que as cicatrizes não são o fim da pele, mas a caligrafia secreta daquilo que conseguiu permanecer. E, quando a maré recua, sobra no chão uma espécie de oração muda, lembrando que até o vazio pode ser abrigo.
A Mulher da Mão Grande
No segundo ano primário, em 1955, eu estava muito mal na escola. Tinha muitas dificuldades com letras e números. Só notas baixas.
Naquela época — não sei se ainda é assim hoje — os alunos tinham que levar o boletim para casa, mostrar para os pais, recolher a assinatura e devolvê-lo para a professora. Era assim que os pais acompanhavam a vida escolar dos filhos.
No meu caso específico, quem cuidava dessa parte era minha irmã. Era ela quem assinava o boletim. Para piorar a situação, trabalhava no Grupo Escolar Carmela Dutra e me controlava no dia a dia também.
Num determinado mês, a coisa, que já estava ruim para o meu lado, ficou pior. Meu boletim vermelhou de vez.
Aí tive uma ideia brilhante.
Transformei tudo que era três em oito. Bem fácil. E os quatro viraram nove. Fácil também. Só que as notas continuaram vermelhas, infelizmente.
Esperei minha irmã ficar ocupada com os afazeres da casa e, no momento certo, pedi para ela assinar o boletim. Ela nem percebeu a besteira que eu tinha feito.
No dia seguinte, cheguei à classe e coloquei o boletim sobre a mesa da professora.
Depois de um tempo, ela me olhou, pegou o boletim e saiu da sala. Voltou acompanhada da diretora e da minha irmã.
Fui guinchado, literalmente, pelas orelhas. A diretora de um lado e minha querida irmã do outro. Levaram-me até a sala da diretora.
Depois de confessado o crime, veio o veredito.
A diretora, uma mulher com a mão maior que a minha cabeça, parecendo um pão caseiro, desferiu um tapa na minha cara com tanta força que, mesmo passados todos esses anos, ainda sinto o impacto da bofetada.
As lágrimas molharam o piso da sala.
Depois do castigo físico, veio o psicológico: tive que ficar grudado na parede, exposto para que as outras crianças me vissem.
Mas existe a lei do retorno. Ou pelo menos eu gosto de acreditar que existe.
Meu pai, um homem abrutalhado e pouco dado a conversas com os filhos, vez ou outra contava algumas histórias. A maioria delas era de fantasmas.
Naquele momento de sofrimento físico e psicológico, lembrei-me de uma delas.
Ele falava de uma "reza brava" que conhecia. Era tão perigosa que não podia ser rezada diante de um espelho. Podia dar um revertério e virar contra quem a rezasse.
Segundo ele, aquela oração espantava todos os tipos de assombração: mula-sem-cabeça, Saci-Pererê, Boitatá. Também matava cobra venenosa, curava cachorro louco, amansava cavalo xucro e mais um monte de coisas.
Naquele instante, tudo o que eu desejava era saber aquela reza.
Queria fulminar aquela mulher da mão grande e, de lambuja, a minha irmã também.
Mas o que fazer?
Eu não sabia a oração. Meu pai nunca a ensinou aos filhos.
Então tentei outras rezas domésticas, improvisadas mesmo, implorando às entidades que castigassem aquela mulher.
Nada.
Ela entrava e saía da sala, olhava para mim, ria da minha situação e comentava o caso com as outras professoras. E elas riam também.
Algumas até diziam que o castigo deveria ter sido maior.
O tempo passou.
Repeti de ano.
E eis que a lei do retorno resolveu trabalhar.
Aconteceu uma tragédia na cidade.
Os sinos da igreja ficaram mudos.
O padre desapareceu.
E eu nunca mais vi a mulher da mão grande.
A mulher da mão de pão caseiro.
As pessoas confundem a facilidade que eu tenho de não guardar raiva ou rancor quando me fazem mal, com falta de vergonha na cara ou safadeza. Minha mãe nos criou para sermos fortes e resistentes aos problemas, não as pessoas!
Para o calvinista, conceitos como pecado, mal, evangelismo, empatia e santidade são relativizados pela crença de que o destino de tudo já foi traçado por Deus. Essa premissa fatalista tende a enfraquecer logicamente a necessidade do testemunho pessoal, do esforço evangelístico e do engajamento em obras sociais.
A crença na doutrina calvinista dissolve a noção de contingência, transformando o mal e a virtude em meras expressões da necessidade divina. Logo, a responsabilidade moral perde seu alicerce, pois o agente é apenas o instrumento — e não o autor — de suas próprias escolhas.
No calvinismo, o mal e o pecado acabam sendo vistos como parte da vontade decretada de Deus, o que levanta o problema da teodiceia: como Deus pode ser justo ao punir algo que Ele mesmo determinou? Em contrapartida, a Bíblia e a Ortodoxia defendem que o pecado resulta do livre-arbítrio e da rebelião da criatura. O mal, portanto, é consequência da queda humana, e jamais da vontade ativa do Criador.
“Veneráveis bípedes! Quando dizeis que o mal se paga com o bem, vós vos enganais. O mal é uma qualidade que vos é inata. E por isso de pouco valor. O bem, vós inventastes e pagastes terrivelmente caro. E em virtude disso o bem é uma coisa valiosíssima, rara. Conclusão: colocar num mesmo plano o bem e o mal é inconveniente e inútil. E eu, em verdade, em verdade vos digo: pagai o bem com o bem somente! E nunca além do recebido, que é para não estimular no homem a tendência à usura. Porque o homem é avido! Tendo recebido uma vez além do que lhe é devido, da próxima vez vai querer receber ainda mais. Mas não lhe pagueis menos do que lhe é devido. Porque, se o enganais uma vez, o homem é rancoroso; ele dirá de vós: são uns falidos! E deixará de respeitar-vos. E da próxima vez não será mais o “bem” que ele vos fará. Ele se contentará, simplesmente, em vos dar uma esmola. Irmãos! Não há nada mais triste sobre a terra, nem mais repugnante, do que um homem dando uma esmola ao seu próximo. Pagai o bem estritamente com o bem. Quanto ao mal, pagai cem vezes mais. Sede pródigos ao retribuir ao próximo pelo mal que ele vos ocasionou. Se quando pedirdes um pão vos derem uma pedra, descarregai sobre sua cabeça uma montanha!”
Quando um cabeça de vento se encontra com um boca de esgoto contaminam o ambiente e espalham mal cheiro e excrementos sobre tudo!
Inquisição Mata
Demétrio Sena - Magé
Muita gente mal intencionada continua gritando a favor do ensino religioso nas escolas. Isso é má intenção, porque essas pessoas querem o domínio de sua religião no país, para comandarem ainda mais a sociedade. Começam pela religião (evangélica), depois dominam pela política de direita (que é a metástase desse tumor social) e logo sequestram toda a sociedade.
Já vivemos "estagiariamente" neste sistema. Sem obrigação legal de seguir a mesma cartilha religiosa. Porém existem as coações paralelas e um sistema análogo a milícia religiosa: que fecha portas de oportunidades para quem não é evangélico, liga uma suposta salvação da alma ao voto em políticos de direita e faz das casas comerciais onde compramos, verdadeiros infernos de músicas góspeis nas alturas. Não importa de que religiões somos, ou se nem temos religião, somos obrigados a suportar. A lei e a justiça também estão dominadas pela religião que se tornou maioria e decide as eleições daqueles que distribuem cargos políticos e privilégios sociais.
Obrigar o ensino religioso (na prática, evangélico) nas escolas, é dar andamento ao projeto de uma nova inquisição. Ou o ensino religioso poderá ser diverso e atender a todas as práticas, linguagens e orientações religiosas, inclusive respeitando a recusa dos que não professam nenhuma fé? Não; não poderá. Então seremos como aqueles países dominados por terroristas que lideram a única religião permitida, com severos castigos a quem não a segue ou não adere às suas práticas. Aí teremos, inclusive, a polícia dos costumes, repressora de quem se veste fora dos padrões exigidos pela lei, que será regida pela religião. Repressora de quem fala, gesticula, respira e tem gostos diferentes.
O ensino religioso, específico e obrigatório (em essência, ensino evangélico) nas escolas seria uma prática ditatorial. Em total conflito com um país laico, de ampla diversidade religiosa (embora uma religião se ponha como a dona de tudo, e queira tornar isso legal). Quem quiser aprender sobre religião, procure um templo, terreiro, mesquita ou salão mais próximo de sua casa.
Democracia, mesmo, inclui cada coisa no seu lugar. Ninguém dever ter a obrigação da adotar, cultuar, nem de participar do sagrado que não escolheu como o seu sagrado. A ditadura religiosa é o início de todas as outras ditaduras que geram desgraças em todo o mundo.
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Respeite autorias. É lei
O mal não pode vencer o bem. O bandido não pode vencer o mocinho, assim como Tom nunca pode derrotar Jerry. Ao olhar ao redor, vemos, ouvimos e sentimos uma desesperança que tenta nos confinar — mas este é o momento de reagir e jamais aceitar.
Saber que alguém pensa na gente, que nos gosta apesar da distância, dos nosso erros, do mal humor, dos defeitos, enche a alma de paz, de serenidade. Renova o espírito! E de espírito renovado podemos enchem de força para vencer os desafios.
ASSIM É QUE É BOM
Comer apressado um churrasco mal passado;
Uma ideia entre amigos com vaquinha magra.
Pedaços contados, porções marcadas,
E atentamente vigiadas;
Assim é que é bom!
Levantar cedo, mesmo assim se está atrasado;
Vestir as roupas às avessas...
Na pressa se veste cuecas por cima das calças;
Calçar sapatos com pé para o mato;
Meias de cores diferentes, de pé trocado;
Assim é que é bom!
Vestir a calça apertada muito ligeiro:
Fechar o zíper na pele errada;
Perder mais tempo, pois é difícil a decisão,
E nem se tem a coragem de puxá-lo,
Nem para cima e nem para baixo.
Assim é que é bom!
Tomar café apressado que de tão quente fumaça,
Deixa o copo trincado;
Num gole só, se manda para dentro,
Pois, se está no limite do tempo,
Só ai se sente, que se fez a coisa errada,
Depois de se ter a língua queimada.
Assim é que é bom!
Pegar um trânsito engarrafado,
Chegar no serviço atrasado...
Encontrar o chefe na porta plantado,
Balançando o pé e a cabeça
E confirmando o que já se sabe.
Assim é que é bom!
Enfim, todo mundo passa por isso:
Não tem escolhidos;
Não se têm melhores...
Em situação de gafes, micos e embaraços.
A vida continua aos trancos e barrancos.
Num dia acontece de tudo,
N'outro não acontece nada.
Assim é a vida, é com a gente, é com o mundo.
Assim é que é bom!
Era uma linda tarde de verão, eis que uma palavra mal proferira me causa tristeza dor do coração , mas haverá sempre uma saída pela porta do amor Cristão .
