Mais que uma Mao Estendida
Para estudar o passado de um povo, de uma instituição, de uma classe, não basta aceitar ao pé da letra tudo quanto nos deixou a simples tradição escrita. É preciso fazer falar a multidão imensa dos figurantes mudos que enchem o panorama da história e são muitas vezes mais interessantes e mais importantes do que os outros, os que apenas escrevem a história.
Uma ladainha pela sobrevivência
Para aquelas de nós que vivem na beirada
encarando os gumes constantes da decisão
crucial e solitária
para aquelas de nós que não podem se dar ao luxo
dos sonhos passageiros da escolha
que amam na soleira vindo e indo
nas horas entre as alvoradas
olhando no íntimo e pra fora
simultaneamente antes e depois
buscando um agora que possa procriar
futuros
como pão na boca de nossas crianças
pra que os sonhos delas não reflitam
a morte dos nossos;
Para aquelas de nós
que foram marcadas pelo medo
como uma linha tênue no meio de nossas testas
aprendendo a ter medo com o leite de nossas mães
pois por essa arma
essa ilusão de alguma segurança vindoura
os marchantes esperavam nos calar
Pra todas nós
este instante e esta glória
Não esperavam que sobrevivêssemos
E quando o sol nasce nós temos medo
ele pode não durar
quando o sol se põe nós temos medo
ele pode não nascer pela manhã
quando estamos de barriga cheia nós temos medo
de indigestão
quando nossos estômagos estão vazios nós temos medo
nós podemos nunca mais comer novamente
quando somos amadas nós temos medo
o amor vai acabar
quando estamos sozinhas nós temos medo
o amor nunca vai voltar
e quando falamos nós temos medo
nossas palavras não serão ouvidas
nem bem-vindas
mas quando estamos em silêncio
nós ainda temos medo
Então é melhor falar
tendo em mente que
não esperavam que sobrevivêssemos
Anjos e demônios
Dentro de mim, uma assembleia secreta.
Os anjos falam baixo, quase em sussurro, como se não quisessem interromper o ruído dos demônios.
Estes, ao contrário, gritam, esfregam suas verdades ásperas, lembram-me daquilo que eu gostaria de esquecer.
E entre uns e outros, eu.
Um corpo que pulsa, uma mente que hesita.
Ora creio no céu que me habita, ora me afundo na terra escura que me chama pelo nome.
É estranho reconhecer: não sou inteira luz, nem inteira sombra.
Sou essa travessia.
Esse campo de guerra onde o silêncio é mais cortante que o grito.
Onde cada escolha me revela ou me condena.
Mas no fundo — tão fundo que às vezes temo não alcançar — sei que até os demônios carregam um vestígio de inocência, e até os anjos guardam o perigo da vaidade.
Talvez viver seja isso: decifrar o enigma que existe no intervalo entre asas e abismos.
Espontaneidade: A Alma da Imagem
Para uma boa fotografia, o indispensável é o espontâneo.
É nesse momento que a imagem ganha autenticidade e transmite a essência do retratado.
O espontâneo quebra a rigidez da pose, permitindo que expressões verdadeiras, gestos naturais e sentimentos reais sejam capturados. É o que dá leveza, movimento e humanidade à composição, transformando a fotografia em um registro vivo, e não apenas em uma reprodução estética.
Tecnicamente, o olhar do fotógrafo precisa estar atento a esses instantes: a postura descontraída, o brilho nos olhos, a interação natural com o ambiente ou com outras pessoas. Mais do que dominar luz, ângulo e enquadramento, o segredo está em perceber o instante em que a vida acontece diante da lente.
É nessa entrega que mora a espontaneidade, a alma da imagem, aquilo que torna cada fotografia única e inesquecível.
Autoral: Jorgeane Borges
Tempo e Memória em Uma Imagem
A fotografia é uma máquina do tempo silenciosa. Cada clique captura não apenas uma cena, mas a memória de um instante, congelando emoções, gestos e atmosferas que jamais voltam a se repetir.
Tecnicamente, o fotógrafo precisa estar atento à composição, à luz e aos detalhes que carregam significado. Mas a verdadeira força da imagem está na capacidade de transmitir história, sentimento e lembrança, conectando o passado ao presente de quem observa.
Ao olhar para uma fotografia, revisitamos momentos que marcaram nossa vida, seja pela beleza, pela emoção ou pelo simples registro do cotidiano. Cada imagem é um portal que nos permite reviver sensações, perceber nuances que passaram despercebidas e sentir a intensidade do instante novamente.
A fotografia, quando feita com sensibilidade, transforma tempo em memória e memória em sentimento, tornando cada registro um legado único da vida que se desenrola diante das lentes.
Espontaneidade: A Alma da Imagem
Autoral: Jorgeane Borges
Há tempos carrego uma espera.
Não uma espera vazia, dessas que apenas contam os dias. É uma espera que me transformou. Que me ensinou a olhar para dentro, a compreender meus desejos, meus limites e os propósitos que Deus foi revelando ao longo do caminho.
Durante esse tempo, aprendi que esperar não é ficar parada. É preparar o coração para aquilo que se deseja viver. É cuidar da alma enquanto o tempo faz o seu trabalho silencioso. É permanecer fiel ao que acredito, mesmo quando a saudade de algo que ainda não aconteceu insiste em visitar meus pensamentos.
Tenho anseios. Tenho sonhos. Tenho o desejo de construir uma história bonita, de encontrar alguém com quem eu possa compartilhar a vida, os silêncios, os risos, os desafios e as conquistas. Alguém que compreenda que o amor verdadeiro não se sustenta apenas no encanto dos encontros, mas na decisão diária de permanecer.
Também tenho desejos que habitam meu corpo e minha alma. Sou humana. Sinto. Espero. Mas aprendi a não permitir que a pressa seja maior que o propósito. Porque algumas promessas florescem melhor quando respeitamos o tempo necessário para que criem raízes profundas.
Por isso sigo.
Nem sempre com a mesma força. Nem sempre sem questionamentos. Mas sigo. Acreditando que aquilo que Deus prepara não chega para preencher vazios, mas para somar caminhos, fortalecer propósitos e multiplicar alegrias.
Enquanto esse dia não chega, continuo cultivando quem sou. Continuo aprendendo, amadurecendo e me tornando a mulher que desejo ser quando o encontro acontecer.
Porque a minha espera não é ausência.
É preparação.
E cada dia vivido com propósito me aproxima não apenas de alguém, mas da versão de mim mesma que estará pronta para viver, com verdade e inteireza, tudo aquilo que hoje entrego em oração. 🌷
24 de janeiro 2024
Hoje resolvi revisitar uma versão de mim que ficou guardada entre anotações antigas.
Abri o bloco de notas sem procurar nada específico e encontrei pensamentos que escrevi há algum tempo. Reflexões sobre espera, propósito, conexões, desejos e sobre a forma como eu enxergava certas escolhas que estava fazendo naquele período da minha vida.
Enquanto lia, percebi que não estava apenas relendo palavras.
Estava reencontrando uma mulher.
Uma mulher que ainda tentava compreender algumas ausências, que fazia perguntas silenciosas a Deus e que buscava permanecer fiel às próprias convicções, mesmo quando elas pareciam caminhar na direção oposta à do mundo.
Foi curioso perceber que o tempo passou, mas muitas daquelas reflexões ainda fazem sentido para mim.
Outras ganharam novos contornos.
Algumas amadureceram junto comigo.
Mas todas carregam a sinceridade de quem estava tentando ouvir a própria alma em meio ao ruído das opiniões, dos conselhos e das expectativas alheias.
Talvez por isso eu tenha decidido publicar este registro.
Não porque eu pense exatamente da mesma forma sobre tudo... más, algumas não mudaram.
Acredito que existe beleza em reconhecer os caminhos que nos trouxeram até aqui.
E, ao reler essas anotações, encontrei algo que continua merecendo espaço: a honestidade com que eu escrevia sobre aquilo que habitava meu coração naquele tempo, e resolvi trazer a luz.
14 de junho de 2026
Muitos dizem "TE ADORO... TE AMO". Passe uma semana sem dar notícias pra ver quantos te procuram pra saber o que está acontecendo? Nos momentos difíceis quando você mais precisa de alguém, é que você descobre o afeto que ela tem por ti.
O homem que por sua covardia desperta o amor de uma mulher e não tem a força de ama-lá nunca obterá o seu maior valor, por mais que sejas bem sucedido em outras coisas.
Queria te dizer o que sinto por você.
Mas o medo em mim, impede te dizer.
Queria uma chance para poder falar,
Tudo o que sinto sem medo de errar.
A Linha do Extremo
Há uma espécie de agonia em viver entre o sagrado e o profano.
De um lado, tudo aquilo que escolhi preservar.
Do outro, aquilo que, em silêncio, me chama para além dos meus próprios limites.
Eu não quero me jogar ao extremo.
Aprendi a desconfiar dos excessos, a respeitar as fronteiras que construí dentro de mim.
Mas também descobri que viver eternamente recuada pode ser outra forma de ausência.
Porque há momentos em que a gente precisa negociar com o próprio limite.
Não para abandoná-lo, mas para descobrir até onde ele pode ceder sem deixar de ser nosso.
E talvez seja essa a parte mais inquietante:
saber que existe desejo,
saber que existe vontade,
saber que existe um abismo logo depois da margem...
e ainda assim permanecer ali, na beira, sentindo o corpo pedir passagem enquanto a alma pergunta se é seguro atravessar.
Não quero alguém que me arraste para o extremo.
Quero alguém diante de quem eu mesma tenha vontade de chegar até ele.
Devagar.
Consciente.
Sem perder quem sou no caminho.
Porque talvez a verdadeira entrega não esteja em ultrapassar todos os limites.
Talvez esteja em encontrar alguém com quem até o limite se sinta seguro para negociar.
Há uma paz que só nasce depois de muitas despedidas
Nem tudo o que deixei para trás era ruim. Algumas coisas eu amava profundamente. Mas a vida me ensinou que crescer também exige coragem para soltar aquilo que já não pode caminhar ao meu lado. Há dores que não desaparecem; apenas encontram um lugar mais silencioso dentro de nós. E talvez seja essa a forma mais bonita de seguir: continuar, sem negar o que foi vivido, mas sem permitir que o passado impeça o futuro de florescer. Porque a maior força não está em nunca cair, e sim em preservar a delicadeza do coração, mesmo depois de tudo.
"O barulho do mundo é apenas uma tentativa desesperada de nos distrair do monólogo ensurdecedor que vive dentro de nós."
Ouvi uma frase que dizia:
“A dor, se bem usada, vira direção.”
Mas que direção?
Tem dor que não aponta pra lugar nenhum.
É só queda.
É só poço.
Um buraco escuro onde tudo ecoa e nada responde.
Você cai.
Debate.
Luta.
Resiste.
Aflige.
E quanto mais se move, mais se afunda.
Como se a dor ganhasse força da sua tentativa de sair.
Até que o corpo cansa.
E a alma… desiste um pouco.
Você não sobe.
Não desce.
Fica.
Boia.
Mas não respira alívio.
Porque a dor ainda está lá.
Não do lado de fora, mas dentro.
Espalhada.
Silenciosa.
Em cada célula que vibra frágil,
como se estivesse cansada de sentir.
Há dores e há a Dor.
Aquela que não se nomeia.
Que atravessa os dias sem pedir licença.
E se instala.
E se mistura ao que você é.
Nesse caminho sem fim,
nesse beco sem saída,
cadê a tal direção?
Se você se perde…
Encontra-se perdido.
E não há rota de retorno.
Você olha pra frente,
mas o fim parece distante demais.
E ainda assim, você o deseja.
Não o fim da vida,
mas o fim da dor.
O fim desse ciclo em espiral.
Daria tudo pra desviar.
Só um pouquinho.
Dar uma pausa na dor,
sentar à beira da alegria por uns instantes.
Mas não dá.
Porque a dor não espera.
Ela é presente.
Constante.
Persistente.
Mas, no fundo…
Bem no fundo,
você ainda sonha:
E se, no meio disso tudo,
a felicidade também estivesse vindo ao seu encontro?
E se ela também estivesse tentando te alcançar,
com a mesma intensidade com que você tenta sobreviver?
E se, numa curva do caminho,
ela estendesse a mão,
te olhasse nos olhos,
e dissesse baixinho:
“É por aqui. Eu te guio.”
Talvez a dor seja o começo.
Talvez a direção não esteja fora,
mas no que ela revela.
Talvez, ao se deixar sentir,
você esteja, sem perceber,
seguindo…
Em direção a si.
Quando uma mulher diz que está com frio, ela está pedindo um abraço forte, uma proteção, um carinho... é isso que os homens precisam entender.
"Cobiçar a felicidade dos outros, é como saborear uma torta de chocolate pelo vidro da confeitaria."
Ela é libriana! Ela é complexa!
É feito com uma dose de delicadeza, humor, justiça, bondade, amor, impaciência e indecisão.
Tem um lado frágil e outro tão forte que ela mesmo nem sabe de onde vem!
Ela tem um jeito diferente no olhar, jeito doce que tranquiliza só de conversar. Mas, ao mesmo tempo, ela é tão sincera que chega a assustar!
Quando apaixonada faz de tudo para ver seu parceiro feliz, é daquelas que arregaça as mangas e anda ombro a ombro com você, é tipo meio ogra, meio princesa!
Só não tente forçar ela a decidir algo, ela odeia se sentir pressionada.
Ela é cheia de manias, numa hora quer toda sua atenção e carinho. Noutra quer ficar no seu cantinho isolada.
Ela é leveza na alma e tempestade ao mesmo tempo.
Ela não quer ser entendida, até porque nem ela entende.
Ela é bem estranha, mas acredite é Intensa em tudo que faz.
#Andrea_Domingues
#A.Domingues
Será que um homem que ama o seu Senhor estaria disposto a ver Jesus vestindo uma coroa de espinhos, enquanto ele mesmo almeja uma coroa de louros? Haveria Jesus de ascender ao trono por meio da cruz, enquanto nós esperamos ser conduzidos para lá nos ombros das multidões, em meio a aplausos? Não seja tão fútil em sua imaginação. Avalie o preço; e, se você não estiver disposto a carregar a cruz de Cristo, volte à sua fazenda ou ao seu negócio e tire deles o máximo que puder, mas permita-me sussurrar em seus ouvidos: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?".
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