Mais que uma Mao Estendida

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Toda saudade é uma ontologia daquilo que já não está, mas ainda nos constitui.

A saudade é o eco temporal de uma presença que o tempo não conseguiu abolir.

Uma despedida somente se torna definitiva quando o nome deixa de encontrar morada em alguém.

Há gestos tão antigos na memória que um simples cafuné imaginado ainda restitui à alma uma espécie de eternidade.

A ternura é uma força sem aparato, porque sua grandeza prescinde do exercício do poder.

O afeto autêntico não calcula equivalências: reconhece no cuidado uma finalidade em si.

Toda semente contém, em silêncio, uma hipótese sobre o futuro.

“Toda vez que o poder transforma uma pessoa em meio para seus próprios fins, o Direito é convocado a lembrar ao mundo que a dignidade humana não é instrumento, propriedade nem concessão: é limite.”

A beleza não repousa nas coisas como uma propriedade imóvel; nasce no encontro secreto entre o objeto e a consciência que o contempla.

Talvez a maior liberdade intelectual seja suportar uma pergunta aberta sem violentá-la com uma resposta prematura.

Entre aquilo que percebemos e aquilo que acreditamos existir há uma distância que nenhuma linguagem consegue abolir.

A certeza humana é frequentemente apenas uma dúvida que adquiriu memória suficiente para parecer antiga.

O amor deseja a presença do outro; o casamento pode transformar esse desejo em uma gramática de pertencimento.

Casar é, algumas vezes, transformar a espontaneidade de uma escolha cotidiana na solenidade de um compromisso que pretende sobreviver à própria vontade.

O amor é uma experiência da liberdade; sua institucionalização é a tentativa humana de conferir estabilidade jurídica ao que nasceu sem contrato.

Casar é confiar ao futuro uma promessa formulada no presente, ignorando que nenhum dos amantes conhece inteiramente a pessoa que será amanhã.

O casamento tenta domesticar o acaso; o desejo, porém, conserva sempre uma parcela de sua antiga e indisciplinada natureza.

Existe uma melancolia particular na passagem do ‘quero permanecer contigo’ para o ‘devo permanecer contigo’: quando o desejo cede lugar ao dever, alguma coisa do amor se transforma.

O homem deseja conhecer o absoluto, mas carrega dentro de si uma razão construída para navegar apenas pelas margens do possível.

Uma sociedade verdadeiramente civilizada não pergunta apenas o que pode fazer com o indivíduo, mas aquilo que jamais deveria fazer dele.