Mais que uma Mao Estendida

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Uma instituição pode ser opressiva mesmo quando todos os seus funcionários acreditam estar apenas cumprindo procedimentos.

Quem controla os dados possui uma forma silenciosa de conhecimento sobre os outros.

“Eu apenas cumpri ordens” nunca deveria ser suficiente para encerrar uma investigação moral.

A responsabilidade começa quando percebemos que participar de uma estrutura não elimina nossa capacidade de escolha.

Uma instituição saudável precisa permitir que alguém diga: “Este procedimento está errado”.

O silêncio institucional pode ser tão eloquente quanto uma ordem escrita.

Sartre levou a liberdade a uma região desconfortável: mesmo diante de circunstâncias, ainda somos responsáveis por nossas escolhas.

O Direito é uma das maneiras pelas quais a sociedade transforma escolhas individuais em consequências públicas.

Condenar sem compreender é fácil; compreender sem absolver automaticamente é uma forma superior de rigor.

Camus encontrou no absurdo uma pergunta sobre como viver; o jurista encontra no Direito uma pergunta sobre como conviver.

Uma Constituição é também uma aposta filosófica no futuro.

O futuro não é uma sentença transitada em julgado.

A ética examina a ação; o Direito examina a ação dentro de uma ordem social institucionalizada.

Uma sociedade não pode esperar virtude extraordinária de todos, por isso cria regras ordinárias para limitar danos extraordinários.

A lei é uma tecnologia social inventada para administrar a imperfeição humana.

No fim, o jurista filosófico descobre que fazer justiça não é simplesmente aplicar uma lei ao homem, mas perguntar que ideia de homem aquela lei está ajudando a construir.

A lei existe para limitar o poder, não para oferecer ao poder uma linguagem de justificação.

O cidadão não deve temer a lei; deve temer uma lei que não possa questionar.

Uma sociedade livre não é aquela sem leis, mas aquela em que o poder também está submetido a elas.

Nenhuma maioria deveria possuir poder suficiente para abolir a dignidade de uma minoria.