Luz Conhecimento
Abra os olhos e faça brilhar a Luz que o envolve através de Jesus!
Sinta que os momentos que passam, tristes ou alegres, mas tudo passa e saibamos que tudo que plantamos, colhemos.
Olhe dentro de você e sinta a orquestra vibrando seu coração, que sempre reflete suas emoções. Então faça harmonia nos seus sentimentos e vibre cada instante de sua vida, pois vida é milagre!
A Luz ilumina os caminhos à frente , então caminhe certo , onde na verdadeira direção ela nos conduz, mesmo que por vezes seja pesado o peso da nossa cruz .
João Batista Barbosa
A luz pairava amarelada
Até surgir o breu da escuridão
Esconderijo de aranhas, bichos ,escorpiões
Fúnebre lugar na memória
Onde o medo era tamanho
No dilúvio tão rompante
O horror pairava nos gritos
No meio do nada uma confusão
Que assolou toda cidade
Numa imensa devastaçao .
Mas o tempo passou
A luz hoje tem novo brilho
Aquele lugar antes nefasto
Virou lugar de esperanças
Onde fazem festas
Música , flores, danças ...
Creio que o tempo muda
Sacode a
imaginação
Numa nova estação
E da um novo sentido
Às coisas antes vertiginosas
Onde impurezas foram lavadas
Agora até o cheiro de rosas
No ar locomove toda gente
No pulsar eloquente
Transformando pesadelos
Num jardim cheio de sonhos
Hoje os medos sumiram
No amarelado chão de lama
Fantasmas se foram
Pois esperanças marcaram
Uma era de realizações
Um brado de recomeçar !
Nas mãos puseram emoções
Das lágrimas limparam corpo e alma
Tristezas foram pra longe
Com aranhas , bichos ,escorpiões
Antes o que era sujo amarelado
Hoje as cores da alegria
Brilha no caminho antes doloso
Agora se refaz tudo de novo
Iluminada gente desta Mimoso .
João Batista Barbosa
CICLOS DE VIDA
O princípio mesmo é milagre!
Mas ao nascermos surge a luz
Ecoando pelo choro da vida
Ou seria com medo de enfrenta-la?
A infância quase sempre inocente
Um mundo na imaginação
Pois mesmo em meio a dificuldades
Enxergamos tudo sem maldade...
Mas o tempo vai levando embora
Toda pureza que na gente mora
Começam os conflitos de realidade .
Surgem então tentações da serpente
Confrontos entre o bem e o mal
Escolhas que assim de repente
Pode mudar o curso de nossas vidas.
Daí entre espinhos e rosas
Muitas vezes choramos amargos
Outras vezes sorrimos vitórias
Das escolhas acontecem resultados
Que processam variadas emoções .
No rolar do tempo ao arremesso
Na maturidade através da idade
Sempre entre acertos e desacertos
Levando sempre pagar algum preço.
Assim conforme o livre arbítrio
Geram variados altos e baixos
Que fazem girar transformações
De acordo com as diversas escolhas
Fazendo entre lágrimas ou risos
Entre harmonia ou desavenças
Levando a reflexões ,depressão
Na possibilidade de novos rumos
Ou no despencar dos pesadelos...
Muitas vezes resultados desastrosos
Até mesmo com preço mortal.
De qualquer forma a morte certa
Para todos de forma inevitável
No desfecho de uma vida incerta
Somente certo o final de todos ...
No ciclo entre os que agora nascem
E os que partem a todo instante
História que o mundo vai registrando.
Assim quando chegamos a velhice
Começamos assim como crianças
Sentir o mundo de certa maneira
Retornando a um certo estágio
Para que aos poucos sem entender
Possamos ter as emoções tão simples
Como que aprendendo a andar...
Nossas palavras refletem no olhar
Como buscando algum equilíbrio
Para tentar entender uma nova etapa
Que processa uma nova criança
Mas que ao inverso do princípio
Carrega seu fardo ja muito cansado
Ao destino dessa breve andanca
Ao novo mundo que no partir assim se encerra
No ciclo divino que nos leva da terra
Ao novo mundo que no rasgar do véu
Daí acreditamos que existe o céu !
JOÃO BATISTA BARBOSA
MIMOSO DO SUL ES
POESIA E PENSAMENTOS
PENSAMENTOS
A noite surpreende o dia. A água desperta a terra.
O céu beija o horizonte . A Luz acorda as trevas.
Vida dia e noite, sol e chuva beijando a Luz que espanta os males e as trevas!
João Batista Barbosa
Na varanda do quintal
Igual a tantos ontens
Hoje escondo um olho à luz do Sol
E vejo um pouco mais aquém
E penso por um segundo
Que nunca olhei tão profundo
Enxergo em olhar marimbondo
Levando pra sob o telhado
A alguma coisa que Deus lhe deu
E concluo aqui comigo
Se esse voar fosse meu
Eu voava até o fim do mundo
Chegando o final do dia
Dizia pro meu amor
Por favor, se ainda não me esqueceu
Se eu fosse você, não esquecia.
Abelha a fazer mel na telha
Desde que sumiste
A chama da vela
Bailando tão triste
Madrugada que ainda clareia
Na areia das horas
Caminho de volta
Não há nada que eu faça
Ou que possa fazer
O monstro da Santa Agonia
É fumaça de vela a também ir embora
Aquilo a que tanto eu queria
Vou querer por mais outro dia.
Edson Ricardo Paiva.
Lições.
Eram coisas que brilhavam
Pendiam da luz que vinha do alto
Eram brotos, eram sementes
Espalhadas pelo chão
Eram pedras à beira-mar
desde que o mundo era mundo
Eram folhas mortas
Eram gotas de chuva
Eram pássaros nos galhos
Havia também estradas
Idas e voltas
Atalhos
Eram ponteiros que giravam
A vida tiquetaqueou cada segundo
Eram coisas sem brilho também
Era avô, era pai, era filho
Era amor, era odor, era trem, era trilho
À espera do que não vinha
Mas que de tanto esperar
Também veio
Mas não tinha ninguém à porta
Era só diversão e passeio
Não havia tempo pra aprender
A lição das estrelas
distante demais para vê-las
Tampouco das folhas mortas
Que outro dia eram só sementes
As pedras caladas e ausentes
Os Pássaros cantantes
Tamém não diziam nada
Os caminhos também já não podem
Levar aos lugares que conduziam
Era tanta lição para ser aprendida
Eram coisas caladas
Que estavam ali, somente pra serem vistas
Era tanto tempo
A ser preenchido à toa
Que não dava tempo
E a boa lição desta vida
Não pode mais
Ser aprendida
Por aqueles que tudo já sabem
E que vão dormir infelizes no final do dia
Suplicando aos seus deuses
Que as estrelas desabem do Céu
E que a todas elas
Esmaguem.
Edson Ricardo Paiva.
Hoje a Lua brilha
Sobre o meu quintal.
A luz do Sol que trilha,
Mas não deixa rastro
Sobre a escuridão.
Eu penso nas noites passadas,
Penso sobre densos nevoeiros,
Flechas atravessadas
Quando os olhos pouco viam.
Do pouco que viram,
Traduziram pouco… ou quase nada.
Um cinzeiro sobre a mesa,
A luz da Light na calçada,
Tantas diferenças,
Tênues relevâncias.
A noite flutuante
Paira sobre a noite enluarada.
Madrugada avança sobre horas de sonhos,
Meu sono acanhado,
Meus olhares, cada vez mais poucos,
Traduzindo a cada noite
Muito mais do que enxergam —
Pouco ou quase nada.
O silêncio da noite
Chega a ser maior, mais denso
E mais abrangente que a própria noite.
Até que sobre pouco:
Muita luz, muita neblina, silêncio demais.
Paz por sobre a rua,
Luz do poste, que,
Goste ou não goste, não passa da esquina.
Meus olhares cansados também não.
Edson Ricardo Paiva
DA MEDIUNIDADE ANIMAL À LUZ DA DOUTRINA ESPÍRITA.
A investigação da suposta mediunidade no reino animal exige, antes de qualquer conjectura apressada, um rigor metodológico que se harmonize com os princípios da epistemologia espírita, cuja base repousa na observação sistemática, na universalidade do ensino dos Espíritos e na prudência analítica diante dos fenômenos. Não se trata de matéria que se resolva por impressões subjetivas ou sentimentalismos afetivos, mas por criteriosa exegese das fontes primárias da Codificação e dos registros experimentais consignados nos anais do Espiritismo nascente.
Desde as primeiras deliberações da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, observa-se que a questão da mediunidade animal foi tratada com notável circunspecção. Longe de qualquer afirmação categórica precipitada, o exame foi conduzido sob o crivo da razão disciplinada, conforme o próprio princípio kardeciano de que "os fatos, eis o verdadeiro critério dos nossos julgamentos" e que, "na ausência dos fatos, a dúvida é a opinião do homem sensato". Tal diretriz metodológica estabelece um paradigma que afasta tanto o dogmatismo afirmativo quanto a negação arbitrária.
No que concerne às obras fundamentais, particularmente nas questões 234 a 236 de "O Livro dos Médiuns", delineia-se com clareza a distinção essencial entre sensibilidade orgânica e mediunidade propriamente dita. A mediunidade, em sua acepção rigorosa, pressupõe não apenas receptividade fluídica, mas igualmente uma estrutura psíquica capaz de elaborar, traduzir e exteriorizar conteúdos inteligíveis oriundos do plano espiritual. Tal faculdade exige memória organizada, capacidade simbólica e desenvolvimento intelectual suficiente para a articulação de ideias.
Ora, os animais, embora dotados de notável sensibilidade e de um instinto refinado, não possuem ainda tais atributos em grau que permita a comunicação consciente. Sua atividade psíquica permanece circunscrita ao domínio do instinto e da percepção imediata, desprovida da abstração reflexiva que caracteriza o Espírito humano.
O célebre relato publicado na "Revista Espírita" de junho de 1860 ilustra com singular clareza essa distinção. O comportamento do cão que aparentava reconhecer o antigo proprietário desencarnado não foi interpretado como manifestação mediúnica, mas como expressão da extrema acuidade sensorial própria à espécie. Conforme esclarecido pelo Espírito comunicante, "a extrema finura dos sentidos pode levar a adivinhar a presença do Espírito e até a vê-lo", sendo o olfato e o chamado fluido magnético os principais veículos dessa percepção.
A explicação posterior, atribuída ao Espírito Georges, aprofunda essa análise ao introduzir o conceito de ressonância fluídica. Segundo ele, "a vontade humana atinge e adverte o instinto dos animais", estabelecendo uma comunicação indireta que não se realiza por vias intelectuais, mas por intermédio de impressões vibratórias que alcançam o sistema nervoso do animal. Tal fenômeno revela uma interação sutil entre os planos material e espiritual, mediada pelo perispírito e pelas correntes fluídicas que permeiam ambos.
Dessa forma, o animal não percebe o Espírito por visão objetiva, mas por uma espécie de intuição sensorial ampliada, na qual o conjunto de seu organismo reage à presença invisível. Trata-se, portanto, de um fenômeno sensitivo e não mediúnico, instintivo e não consciente.
A análise torna-se ainda mais complexa quando se examinam os relatos de manifestações pós-morte de animais, como o caso da cadelinha Mika, descrito na "Revista Espírita" de maio de 1865. O testemunho, corroborado por múltiplas percepções independentes, sugere a possibilidade de uma forma de sobrevivência do princípio inteligente animal. Todavia, a interpretação doutrinária mantém-se prudente.
O próprio codificador observa que "os fatos desse gênero não são ainda nem bastante numerosos, nem bastante averiguados para deles deduzir uma teoria afirmativa ou negativa". Tal afirmação revela uma postura científica exemplar, que se recusa a transformar casos isolados em leis gerais.
A comunicação espiritual recebida em 21 de abril de 1865 introduz o conceito de "estado de crisálida espiritual", no qual o princípio inteligente animal se encontra em fase de elaboração e transição. Nesse estágio, o perispírito não possui forma definida nem estabilidade suficiente para sustentar manifestações duradouras. As eventuais aparições seriam, portanto, efêmeras, desprovidas de consciência reflexiva e incapazes de estabelecer comunicação estruturada.
Esse entendimento coaduna-se com a noção de progressividade da alma, segundo a qual o princípio inteligente percorre uma escala ascensional que vai do instinto à razão. Somente ao atingir o grau humano adquire as faculdades necessárias à mediunidade, entendida como instrumento de intercâmbio consciente entre os dois planos da existência.
Importa ainda considerar a teoria das criações fluídicas, exposta na "Revista Espírita" de junho de 1868. Segundo essa concepção, o Espírito pode plasmar formas no envoltório perispiritual, produzindo imagens que possuem realidade relativa no plano espiritual. Assim, certas manifestações atribuídas a animais podem, em verdade, ser projeções fluídicas criadas por Espíritos, utilizando formas conhecidas para fins didáticos ou experimentais.
Essa hipótese explica a aparente materialidade de certas aparições sem implicar a presença efetiva de um Espírito animal individualizado. Trata-se de imagens fluídicas que, embora perceptíveis, não possuem autonomia consciente.
Diante desse conjunto de elementos, a Doutrina Espírita estabelece com notável coerência um princípio hierárquico no desenvolvimento espiritual. A mediunidade, enquanto faculdade complexa e consciente, pertence ao estágio humano da evolução. Os animais, embora sensíveis às influências espirituais, não dispõem ainda dos instrumentos psíquicos necessários para exercê-la.
Contudo, longe de rebaixar o valor do reino animal, essa compreensão o insere numa perspectiva grandiosa de continuidade evolutiva. O animal não é um ser estático, mas um Espírito em formação, destinado a ascender progressivamente na escala dos seres. Sua sensibilidade aguçada, sua capacidade de afeição e sua percepção sutil constituem indícios dessa trajetória ascensional.
Assim, ao perscrutar os limites entre instinto e inteligência, entre sensação e consciência, o pensamento espírita revela uma ordem universal regida por leis sábias e graduais. Cada ser ocupa o lugar que lhe corresponde, não por privilégio, mas por mérito evolutivo, avançando silenciosamente na direção de uma lucidez cada vez mais ampla e profunda.
E é nessa harmonia progressiva, onde nada se perde e tudo se transforma, que se descortina a grandeza da criação, convidando o espírito humano a contemplar, com reverência e responsabilidade, o vasto encadeamento da vida."
ENTRE A LUZ E A SUPERSTIÇÃO: A VERDADE ESSENCIAL SOBRE O QUE O ESPIRITISMO É E O QUE ELE JAMAIS FOI.
O VAZIO DAS FORMAS E A PUREZA DA IDEIA ESPÍRITA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .
Há um desvio silencioso que, pouco a pouco, infiltra-se nas consciências menos vigilantes: a substituição do estudo pela aparência, da essência pelo símbolo, da verdade pela ornamentação ilusória. No campo do Espiritismo, tal desvio revela-se particularmente grave, porque atinge o núcleo de uma Doutrina que se fundamenta na razão, na moral e na simplicidade.
O Espiritismo não se edifica sobre formas exteriores. Não necessita de sinais, talismãs, objetos, vestimentas especiais, consagrados ou fórmulas ritualísticas. Toda tentativa de materializar o invisível por meio de instrumentos simbólicos constitui regressão às práticas supersticiosas que a própria Doutrina veio dissipar. A relação entre o mundo corporal e o mundo espiritual não se estabelece por meios mecânicos, mas por afinidade moral, elevação de pensamento e sinceridade de intenção.
A crença em objetos dotados de poder espiritual é expressão inequívoca de desconhecimento das leis que regem a comunicação entre os Espíritos e os homens. A matéria, por si mesma, não exerce ação sobre os Espíritos. Atribuir-lhe tal capacidade é reduzir o princípio inteligente a uma submissão que ele não possui. Espíritos não se atraem por amuletos, nem se afastam por símbolos. Aproximam-se ou se distanciam conforme a qualidade moral daqueles que os evocam.
Essa verdade, embora simples, exige disciplina intelectual para ser assimilada. E é justamente essa disciplina que muitos evitam. Preferem o caminho breve das crendices ao esforço contínuo do estudo. Onde falta investigação séria, proliferam invenções. Onde escasseia o compromisso doutrinário, surgem práticas híbridas, destituídas de fundamento, mas revestidas de aparente espiritualidade.
O resultado é uma adulteração da Doutrina. Introduzem-se elementos estranhos, mesclam-se conceitos inconciliáveis, e o Espiritismo, que é ciência de observação e filosofia moral, passa a ser confundido com um sistema de crenças arbitrárias. Essa deformação não apenas compromete a compreensão individual, mas também obscurece o caráter da Doutrina perante aqueles que a observam de fora.
É preciso afirmar com clareza: O Espiritismo repele toda forma de superstição. Não há dias propícios, objetos sagrados, palavras mágicas ou rituais secretos. Há, sim, consciência, responsabilidade e elevação moral. A mediunidade, quando existe, manifesta-se de modo natural, sem aparato, sem teatralidade, sem necessidade de qualquer suporte material.
O estudo sério constitui, portanto, o único antídoto contra tais desvios. Estudar não é acumular informações superficiais, mas compreender princípios, analisar consequências e aplicar ensinamentos à própria vida. Sem esse esforço, o indivíduo permanece na periferia da Doutrina, vulnerável a interpretações equivocadas e inclinado a preencher o vazio do desconhecimento com construções imaginárias.
Não se trata apenas de erro intelectual, mas de responsabilidade moral. Ao deturpar o Espiritismo, o indivíduo não compromete apenas a si mesmo, mas contribui para a disseminação de ideias falsas que afastam outros da verdade. A ignorância, quando assumida com humildade, pode ser corrigida. Mas quando se reveste de convicção infundada, torna-se obstáculo mais difícil de remover.
A simplicidade é, pois, o critério seguro. Onde há excesso de formas, desconfie-se da ausência de conteúdo. Onde há necessidade de símbolos, suspeite-se da fragilidade da compreensão. O Espiritismo é despojado porque é profundo. Não precisa de adornos porque se sustenta na coerência de suas leis e na elevação de seus propósitos.
Preservar sua pureza é tarefa de todos os que o estudam com seriedade. E essa preservação começa no íntimo, na recusa consciente de tudo aquilo que não encontra respaldo na razão, na moral e na observação.
Porque, em matéria espiritual, não é o que se inventa que ilumina, mas o que se compreende que transforma.
Há equívocos persistentes que atravessam os séculos, nutridos pela ignorância, pela má interpretação dos textos sagrados e pela tendência humana de associar o desconhecido ao temível. O Espiritismo, desde o seu surgimento no século XIX, tem sido frequentemente confundido com práticas mágicas, supersticiosas ou mesmo proibidas pelas Escrituras. Contudo, uma análise rigorosa, à luz da razão, da moral e da própria revelação espiritual progressiva, revela uma distinção profunda, essencial e intransponível entre a Doutrina Espírita e tudo aquilo que ela mesma condena.
O primeiro ponto que se impõe com clareza é o contexto histórico da proibição mosaica. Ao se referir ao trecho de Deuteronômio, capítulo 18, versículos 10 a 12, é imprescindível compreender que Moisés legislava para um povo rude, recém-saído da escravidão egípcia, profundamente inclinado às práticas idólatras e supersticiosas. As evocações, naquele tempo, não possuíam caráter moral, instrutivo ou elevado. Eram, ao contrário, instrumentos de adivinhação, comércio e manipulação, frequentemente associados a práticas degradantes, inclusive sacrifícios humanos.
Dessa forma, a proibição não recaía sobre a comunicação espiritual em si, mas sobre o uso indevido, interesseiro e supersticioso dessa faculdade. Tal distinção é capital. Confundir a interdição de abusos com a negação de um princípio natural é um erro de interpretação que não resiste a um exame sério.
A própria lógica bíblica reforça essa compreensão. Se Moisés proibiu a evocação dos mortos, é porque tal fenômeno era possível. Uma proibição de algo inexistente careceria de sentido. Logo, admite-se implicitamente a realidade da comunicação espiritual, ainda que mal utilizada à época.
Avançando na revelação espiritual, encontramos no Evangelho e nos escritos apostólicos indicações ainda mais claras. Em Atos dos Apóstolos, capítulo 2, versículos 17 e 18, lê-se que o Espírito seria derramado sobre toda carne, resultando em profecias, visões e sonhos. Já na primeira epístola de João, capítulo 4, versículo 1, há uma orientação precisa: "não creiais em todos os Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus". Tal recomendação não apenas admite a comunicação espiritual, como estabelece o critério moral para sua validação.
Assim, a revelação cristã não apenas não proíbe a manifestação espiritual, mas a reconhece e a regula pelo discernimento e pela elevação moral.
O Espiritismo, ao surgir, não introduz um fenômeno novo, mas explica, organiza e moraliza uma realidade que sempre existiu. Ele retira o véu do mistério e do temor, substituindo-o pela compreensão racional e pelo propósito ético. Não há nele qualquer elemento de magia, feitiçaria ou milagre no sentido vulgar. Tudo se insere no campo das leis naturais, ainda que desconhecidas em épocas anteriores.
A Doutrina Espírita afirma, de maneira categórica, que os Espíritos são as almas dos homens que viveram na Terra. Não são entidades sobrenaturais, tampouco seres demoníacos. São consciências que prosseguem sua jornada após a morte do corpo físico, conservando suas qualidades morais, seus conhecimentos e suas imperfeições.
A comunicação com esses Espíritos, quando realizada sob princípios sérios, possui finalidades elevadas. Entre elas destacam-se o consolo aos aflitos, o esclarecimento dos encarnados, o auxílio aos Espíritos sofredores e o aperfeiçoamento moral de todos os envolvidos. Não há espaço para curiosidade fútil, interesses materiais ou pretensões de domínio sobre o invisível.
É igualmente fundamental destacar que o Espiritismo rejeita, de forma absoluta, qualquer prática supersticiosa. Não há talismãs, fórmulas, rituais secretos, horários especiais ou lugares privilegiados para a comunicação espiritual. A matéria não exerce influência direta sobre os Espíritos. O que determina a qualidade da comunicação é o estado moral e mental daquele que a busca.
A evocação, quando legítima, é simples, natural e desprovida de aparato. Realiza-se pelo pensamento elevado, pela prece sincera e pelo recolhimento interior. O Espírito não é constrangido a vir. Ele comparece, ou não, conforme sua vontade e conforme a permissão divina. Tal princípio preserva a dignidade do mundo espiritual e impede qualquer tentativa de subjugação.
Outro aspecto de grande relevância é a impossibilidade de utilização da comunicação espiritual para fins egoístas. O futuro, por exemplo, não é revelado livremente. Isso ocorre porque o desconhecimento do porvir é condição necessária para o exercício do livre-arbítrio. A revelação antecipada dos acontecimentos comprometeria a responsabilidade moral do indivíduo.
Do mesmo modo, os Espíritos não substituem o esforço humano no campo da ciência, da indústria ou do progresso intelectual. A evolução do conhecimento é fruto do trabalho, da inteligência e da perseverança. A intervenção espiritual ocorre apenas como inspiração, jamais como substituição do mérito humano.
A crítica que associa o Espiritismo à magia decorre, portanto, de uma confusão entre essência e desvio. Há, sem dúvida, práticas desviadas, exploradas por charlatães e indivíduos de má-fé. Contudo, tais abusos não pertencem à Doutrina, assim como a hipocrisia não define a religião verdadeira.
O Espiritismo, ao contrário, expõe esses desvios, denuncia-os e os combate. Ele não se oculta ao exame. Seus princípios são públicos, racionais e passíveis de verificação. Não exige fé cega, mas propõe uma fé raciocinada, que se harmoniza com a ciência e com a moral universal.
Há ainda um ponto de profunda significação filosófica. Ao explicar a natureza dos Espíritos e suas relações com o mundo material, o Espiritismo oferece uma chave interpretativa para inúmeros fenômenos que outrora eram considerados prodígios. Ao compreender as leis que regem esses fenômenos, desaparece o maravilhoso, e tudo se insere na ordem natural das coisas.
Dessa forma, o Espiritismo não destrói a religião, mas a purifica. Não nega a revelação, mas a amplia. Não combate a fé, mas a esclarece.
Ele se apresenta, enfim, como o Consolador Prometido, não no sentido de substituir os ensinamentos do Cristo, mas de explicá-los em sua profundidade, retirando-os das sombras da alegoria e conduzindo-os à luz da compreensão.
E ao fazê-lo, revela ao homem não apenas a continuidade da vida, mas o sentido do sofrimento, a justiça das provas e a finalidade educativa da existência.
Porque compreender é libertar-se. E libertar-se é, enfim, aprender a caminhar com lucidez diante da eternidade que nos observa em silêncio.
FONTES CONSULTADAS.
"O Livro dos Espíritos", 1857.
"O Livro dos Médiuns", 1861.
"O Evangelho Segundo o Espiritismo", 1864.
"O Céu e o Inferno", 1865.
"Bíblia Sagrada", Deuteronômio 18:10 a 12.
"Bíblia Sagrada", Atos dos Apóstolos 2:17 e 18.
"Bíblia Sagrada", 1 João 4:1.
"Bíblia Sagrada", Isaías 8:19 e 19:3.
Traduções e estudos doutrinários segundo José Herculano Pires.
" O LUTO COMO PURIFICAÇÃO AFETIVA À LUZ DO ESPIRITISMO.
“Determinamos o encarceramento nas próprias criações inferiores.” Tal advertência de Francisco Cândido Xavier, pela voz espiritual de Voltei através de Irmão Jacob, representa uma das mais profundas reflexões sobre o sofrimento humano. O luto, ante a ótica espírita, não constitui punição emocional nem expressão de fragilidade da alma encarnada. "
DA CENTELHA AO CRISTO INTERIOR.
A TRAJETÓRIA DO ESPÍRITO À LUZ DA DOUTRINA ESPÍRITA.
O entendimento espírita acerca da vida não se limita ao instante biológico do nascer. Ele amplia-se para além da matéria, alcançando as causas profundas que precedem e sucedem a existência corpórea. Assim, ao tratar do “filho de Deus”, não se fala de privilégio exclusivo, mas da condição universal do Espírito criado simples e ignorante, destinado à perfectibilidade.
O nascimento, sob essa perspectiva, não constitui um começo absoluto, mas a continuidade de uma jornada. Segundo a codificação de Allan Kardec, na questão 344 de O Livro dos Espíritos, a união da alma ao corpo inicia-se na concepção. A fecundação, portanto, não é mero fenômeno orgânico, mas um ponto de convergência entre o plano espiritual e o físico, onde o perispírito se liga gradualmente ao embrião em formação.
A reencarnação surge como lei indispensável ao progresso. Não há aprendizado completo em uma única existência. Cada retorno ao corpo físico representa uma oportunidade de reajuste, de quitação de débitos morais e de aquisição de novas virtudes. A pluralidade das existências, longe de ser punição, constitui mecanismo pedagógico da justiça divina.
O livre-arbítrio é a ferramenta que confere dignidade ao Espírito. Ele escolhe, dentro de suas possibilidades evolutivas, os caminhos que deseja trilhar. Contudo, essa liberdade não é absoluta em seus efeitos. A lei de ação e reação, ou causa e efeito, regula o universo moral. Cada ato gera consequências proporcionais, conforme ensina a questão 964 da mesma obra, estabelecendo que a felicidade ou o sofrimento decorrem das próprias escolhas.
Na sociedade, o Espírito encontra o campo de provas mais fecundo. É no convívio com outros que se revelam as imperfeições ainda latentes. As dificuldades sociais, familiares e íntimas não são castigos arbitrários, mas instrumentos de educação da alma. A dor, muitas vezes, é o recurso extremo que a consciência utiliza para despertar-se.
A resignação, nesse contexto, não significa passividade, mas compreensão ativa das leis divinas. Conforme exposto no capítulo V de O Evangelho Segundo o Espiritismo, “bem-aventurados os aflitos”, pois a aflição, quando compreendida, converte-se em alavanca de elevação moral.
O perdão, por sua vez, constitui uma das mais altas expressões de libertação interior. Perdoar é romper os grilhões invisíveis que prendem o Espírito às correntes do passado. Não se trata de esquecer mecanicamente, mas de ressignificar, dissolvendo o vínculo de ódio que perpetua o sofrimento.
A felicidade, na visão espírita, não é um estado permanente nas esferas inferiores da existência. Ela é relativa ao grau de evolução do Espírito. Contudo, pode ser antecipada na Terra por meio da consciência tranquila, do dever cumprido e da prática do bem. A verdadeira felicidade é interior e independe das circunstâncias externas.
A evolução é a lei maior que rege todos os seres. Desde os estágios mais rudimentares até a angelitude, o Espírito progride incessantemente. Não há retrocesso no princípio inteligente, apenas estacionamentos momentâneos causados pelo uso indevido da liberdade.
As influências encarnadas e desencarnadas exercem papel constante na vida humana. Pensamentos, emoções e intenções criam sintonia. Espíritos afins aproximam-se por afinidade vibratória. Assim, tanto podemos ser auxiliados por benfeitores espirituais quanto perturbados por entidades ainda presas às sombras do ressentimento. A vigilância moral e a elevação do pensamento funcionam como filtros protetores.
A proteção espiritual não se dá por privilégio, mas por merecimento e afinidade. Os chamados “mentores” acompanham o Espírito em sua jornada, inspirando, intuindo e, dentro das leis, auxiliando. Entretanto, jamais substituem o esforço individual. A assistência espiritual respeita o livre-arbítrio e atua de forma discreta, sem violar a autonomia da consciência.
E, por fim, chegamos à figura de Jesus. Não como exceção inacessível, mas como modelo e guia da humanidade. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, ele é apresentado como o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem. Sua vida sintetiza todas as leis anteriormente expostas. Ele exemplifica o uso pleno do livre-arbítrio em harmonia com a vontade divina, demonstra a resignação consciente diante do sofrimento, ensina o perdão irrestrito e revela a felicidade que nasce da união com o bem.
Ser “filho de Deus”, portanto, é reconhecer-se parte desse processo grandioso. Não é um título estático, mas uma vocação dinâmica. Cada Espírito carrega em si o germe da luz que, um dia, há de florescer em plenitude.
E assim, entre quedas e reerguimentos, entre sombras e claridades, o ser avança, silenciosamente, rumo à sua mais alta destinação, onde a consciência, enfim harmonizada, deixa de apenas existir e passa a compreender.
#geeff #cems #espiritismo #kardec #revistaespirita #vidaaposamorte #psicologiaespiritual #doutrinaespirita #mediunidade #filosofiaespiritual #consciencia #despertar #lei #moral
A FACE DA LUZ E O INVERNO DA ALMA.
Como pode a Luz que toca minha face
Trazer-me, em segredo, a mais densa escuridão?
Como pode o fulgor que o horizonte refaz-se
Converter-se em silêncio dentro do coração?
São-me estranhos os dias, estranhas as horas,
Como sombras que dançam sob o véu da razão;
As auroras parecem antigas senhoras
Que se perdem cansadas na mesma estação.
Eis que nela se encontram as quatro estações,
Primavera e verão em perfeita harmonia;
Outono de ouro e serenas emoções,
Mas em mim reina apenas a fria ventania.
Em seus olhos florescem os jardins da existência,
Em seus gestos repousa a ternura sem fim;
Mas em minha alma cresce a gélida ausência,
E o inverno prolonga seus domínios em mim.
Há distância nas formas, nos tempos, nos rumos,
Há distância nos sonhos, nos risos e no olhar;
Há distância até mesmo nos mais doces perfumes
Que tentamos, em vão, entre lágrimas guardar.
Como podes, ó Deus, permitir semelhante sorte?
Que mistério governa tão severa lição?
Por que a vida aproxima com mãos de conforto
Aquilo que se afasta do alcance da mão?
Neste instante derradeiro, entre a prece e o pranto,
Ergo a voz que vacila na dor que me conduz;
E recordo Bach, em seu sublime canto,
Quando implora ao Eterno a permanência da Luz.
Não aparteis de mim a Vossa santa face,
Nem me deixeis sozinho nos desertos do ser;
Que a esperança, ainda que ferida, renasça,
E me ensine, na noite, novamente a viver.
Se o inverno é o caminho que hoje devo trilhar,
Que eu encontre em seu gelo uma secreta missão;
Pois a neve mais fria, ao tempo de se calar,
Também guarda invisível a semente do verão.
Mensagem:
Há momentos em que a alma contempla a luz e, paradoxalmente, percebe mais intensamente as próprias sombras. Contudo, nenhuma noite possui autoridade sobre a eternidade do amanhecer. Aquilo que hoje parece ausência pode ser apenas o labor silencioso de Deus preparando novas flores para o espírito. A luz não abandona quem a procura; às vezes, apenas ensina a enxergá-la para além das aparências.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro
Fontes de Inspiração.
Obra musical e espiritual de Johann Sebastian Bach.
Salmo 27:9 — "Não escondas de mim a tua face".
Reflexões filosóficas sobre a dor, a esperança e a transcendência.
#poesia #poesiafilosofica #poesialugubre #melancolia #introspeccao #espiritualidade #fe #esperanca #johannsebastianbach #reflexao #alma #existencia #literatura #poesiaautorais #marcelocaetanomonteiro
- Relacionados
- Pensamentos de Natal para refletir e celebrar esta época de luz
- Seja luz: frases que incentivam a brilhar
- Frases de brilho próprio que destacam toda a sua luz
- Frases sobre conhecimento e evolução profissional para inspirar sua jornada
- 57 frases sobre conhecimento para alimentar a mente
- Luz
- Frases sobre luz própria que revelam o brilho das pessoas
