Luto Morte
No Lamento Da Sua Partida... Recolho-me Nas Lembranças Que Agasalham A Minha Saudade
Meu amor... Por que você partiu assim tão inesperadamente? A tempo de fazer-se ausente por todo meu presente... Queria tanto te contar alguns segredos de nós dois, segredos de um tempo que ainda tínhamos para viver. Em tudo que eu vivo, ainda sinto teu cheiro a me perfumar, as tuas mãos em sincronia a me contemplar, as tuas formas em movimento com amor a me trajar, sentidos a me envolver em carinhos e afagos que sempre estarão guardados na plenitude da imaginação...
Independente de onde e quando com você eu puder estar, tão longe estarei de esquecer o mais perto o quanto um dia nós dois juntos podemos ficar, sempre juntos vivos em fotos não tiradas de momentos que no futuro emoldurei, em dizeres expressados que nunca um dia te falei, em beijos e abraços imaginados que eu nunca te dei, em lembranças a descolorissem-se no soluço que me traz o vazio no qual por vida mergulhei.
Meu amor, por que você partiu assim tão inesperadamente? Foi tudo assim tão de repente que tudo aconteceu, ficou tudo tão diferente depois que você se foi... Queria mais tempo com você do que foi um dia poder estar... Hoje, o que me resta é a companhia da tua falta por muito no tecer da vida me acompanhar...
Pra mim alma é como um paraíso, é a eternidade pra se chamar de casa e ser eterno. Aqueles que tocam e entram na alma vivem pra sempre.
Eu quero acreditar que as pessoas que amamos estão em um lugar onde existe amor eeu acho que você e eu somos cheios dele.
Pai
Sinto tua falta de uma forma suave, mas profundamente viva em mim.
Nas manhãs que se desenham, o novo se abre na beleza do que plantaste dentro do meu ser.
Durante a Pandemia, a comunidade científica se debruçou em torno da COVID-19. Isso foi e é necessário, mas há outra Pandemia ocorrendo simultaneamente, o luto. Do ponto de vista psicológico, o luto coletivo é, também, na medida em que afeta a saúde mental, outra Pandemia.
AMOR E DESPEDIDA
Um adeus que não se deseja professar, prolonga as noites de nossa alma
Ora! Não que sejam as noites uma ausência de luz, ou mesmo a dissipação do calor esplendoroso
Mas, a presença de uma luz calma como a lua, na qual os olhos podem penetrar em profunda contemplação, numa ausência de si mesmo
Uma espécie de inclinação devota, rendida e vulnerável a algo que se revela infinito, no efêmero de nossa experiência terrena...
O amor puro, sem matéria.
O único e verdadeiro amanhecer de nossas almas!
A dor da perda de alguém rasga a alma em pedaços, desconstrói esperanças e só as boas lembranças são o caminho da cura.
Em cada palavra que ensinou, a professora Silvaneide semeou dignidade; que sua partida não seja silenciada pela rotina cruel do descaso, mas ecoe como um grito por justiça e respeito àqueles que sustentam a educação com o próprio corpo.
Se o Sentimento
Não Tiver Força para Continuar
Não há Sentido, Nele, Conter Amor.
Pelo amor até se encontra morte. Há luta.
Mas à sua desistência, sua morte. Há luto.
A dor da ausência é um peso que fica,
um eco de riso perdido no ar,
mas o amor, forte, nunca se enfraquece,
guarda memórias que vêm confortar.
Cada lembrança é um toque suave,
uma chama que insiste em não se apagar,
pois quem tem saudade traz força e coragem
pra honrar o amor que não vai mais voltar.
"Só quem ama sente saudades,
só quem perdeu sente a dor forte.
Não importa se é a distância que separa
ou é a própria morte.
Dois de novembro
No silêncio íntimo que invade o Dia de Finados, a saudade se debruça. Ela não tem pressa, é senhora do seu próprio compasso. É o dia em que a ausência brinca de ser presença, quando os que partiram voltam, não em carne, mas em sopro, como se sempre estivessem apenas a um afago de distância.
Os túmulos não mentem. São declarações sem palavras de que o que foi vivido realmente existiu, confessando com a solidez do mármore que a vida é frágil e que o tempo é um rascunho rabiscado à pressa. Cada nome entalhado ascende, não como uma mera inscrição, mas como um feitiço sussurrado entre as frestas do esquecimento.
Nem toda ausência é tratada pelo tempo. O tempo não se compromete com permanências. Passa por nós sem desculpas, sem aviso, sem oferecer alívio. Quando alguém que amamos morre, morre também uma versão nossa. Deixamos de existir daquele jeito. É como ter sua casa assaltada por uma ausência. Por isso, não se deve apressar a dor de ninguém. No luto, não se questiona o amor por quem partiu. No luto, deixamos de nos amar, e voltar ao amor próprio demora. Deixe a pessoa doer.
O luto não passa; somos nós que passamos por ele. É um caminho de fragilidades. Não há como sair de uma dor caminhando. Precisamos engatinhar até voltar a firmar os pés novamente. E demora até que essa dor vire saudade. Demora até que essa saudade vire gratidão. A dor é solitária, e você tem todo o direito ao seu luto, mesmo depois da licença do outro acabar. Cada um tem seu tempo de digestão.
No murmúrio de uma prece, na chama vacilante de uma vela, reside a certeza de que, do outro lado do mistério, alguém sorri — os eternos hóspedes da eternidade. Hoje, flores são depositadas por mãos trêmulas de emoção. Mas não é o frescor das pétalas que importa, e sim o gesto. É flor de ir embora. É uma homenagem ao laço que nem a morte é capaz de desfazer.
“Fico triste toda vez que preciso de algo que ainda não inventaram. Como daquela vez que procurei por uma máquina do tempo para voltar até aquele exato momento do nosso último abraço e dar mais um abraço e falar tudo o que não falei, quando pensei que aquele não seria o último abraço.”
Na verdade todos somos feitos de tristeza, choro, vários lutos e dores, mas também somos feitos de resiliência, esperança, recomeços e curas… todos vivemos uma vida interna a qual pertence somente à nós mesmos, onde construímos e desconstruímos expectativas e planos que são sagrados para nós. Onde passamos por lutos intensos disfarçados com sorrisos e aprendemos a curar feridas antigas que submergem trazendo limpeza e dando espaço à coragem de ter amor próprio e acabar com as dependências que ao longo da vida ou das vidas fomos arrastando. Cada um está passando por um processo intenso nesse momento, pode ser qualquer pessoa ao nosso lado, incluindo nossos filhos, cônjuges, pais, irmãos… sem que ninguém saiba!!! Apenas tentando lidar com seus processos interiores sem ser julgados… porque acredite, ja estão se julgando e isso dói também…
O nosso mundinho particular, com todas as coisas que gostamos, vai se desfazendo pouco a pouco. De repente, a gente olha para trás e não vê quase nada, nem os anos 80 nem os 90, nem o Chico Anísio, nem o Jô Soares, e nem mesmo o que éramos, nem mesmo os nossos pais. A gente vai morrendo aos poucos, sem perceber.
Aquilo que não tem remédio, remediado está:
Dê um passo de cada vez.
Concentre-se apenas no que estiver ao seu alcance.
Aquilo que estiver fora do seu alcance, não depende de você — ou — não pertence à você — , use o bom senso, faça aquilo que você puder fazer, da melhor maneira possível, sem jamais se prejudicar.
E siga em frente, porque as coisas se resolvem por si mesmas, naturalmente, em seus próprios tempos — cedo ou tarde, bem ou mal, mas se resolvem.
O envelhecimento é um processo de despedidas contínuas. Envelhecer é se despedir da vida, pouco a pouco. E, às vezes, isso pode gerar lutos simultâneos e até inconscientes.
