Luis Fernando Verissimo Sonhos

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Estou aberta e sabendo muito bem quem sou e o que pretendo sem ilusões enlouquecidas, a não ser as necessárias pra se curtir uma boa.

Fiquei ali parado, procurando alguma coisa que não estava nem esteve ou estaria jamais ali.

Ai. Saudade é uma coisa azul e amarga com carne por fora e espinho por dentro.

Abra os olhos e veja, feche-os e sinta, toda a tranquilidade e paz ao seu redor, desfaça de seus pensamentos e não deixe se dominar por informações inúteis, concentre-se nos sentimentos que te incomodam, depois transforme esse momento em nada, ai preencha o vazio com coisas boas, busque seus objetivos... se não era o que esperava comece de novo e jamais diga a você mesmo “eu não posso” e sim “eu vou tentar”, pois e melhor viver errando em busca de acertar do que vegetar a espera da única certeza... a morte!

A vida é curta, aproveite-a. O amor é raro, agarre-o. A raiva é ruim, jogue-a fora. O medo é ridículo, enfrente-o. Memórias são doces, saboreie-as. Não as jogue fora.

Deixe o tempo te ensinar que os tombos te fortalecem, que os ventos te levam e que a vida te molda da maneira que bem quer. Não tente entender, tente viver. Poucos conseguem.

Há dias em que tudo o que você quer é o colo quentinho da pessoa amada, só pra ter aquela sensação de proteção e cuidado.

Sei que a maioria das pessoas me diz: “menina, abre teu coração mais uma vez e segue em frente, não para de sonhar, um dia isso tudo passa.” Mas esse discurso, que já ouvi algumas vezes, não me convence e nem atinge quando o tema é você e todas as sensações e mudanças que você causou em mim.

(...) todos os relógios estão parados, não sei se é ontem, se hoje ou amanhã, se é sempre, e nunca mais, estou solta aqui, completamente só, não há relógios, não há relógios e o tempo avança liberto, sem fronteiras nem limitações, uma bola de arame farpado, o sentimento vai se adensando em mim, transborda dos olhos, das mãos, sai pela boca em forma de fumaça, sinto meus lábios ressequidos, machucados, o gosto amargo, a bola cresce estendendo tentáculos, no meio dela eu me encolho cada vez mais, presa num círculo que cresce até explodir na vontade contida de gritar bem alto, bem fundo, rouca, exausta, correndo, esmagando as folhas de um outro outono, de um outro tempo, ainda este, o tempo, o outono, a tarde, o mundo, a esfera, a espera em que estou pra sempre presa.
Caio Fernando Abreu, in Inventário do ir-remediável

A gente viveu, cresceu, aprendeu. Sofreu e riu. Mas saiu mais vivo.

Mantenha a sinceridade no fundo de seu coração. Mantive. Tenho mantido.

Como é triste lembrar do bonito que algo ou alguém foram quando esse bonito começa a se deteriorar irremediavelmente.

De repente ele começou a sambar bonito e veio vindo para mim. Me olhava nos olhos quase sorrindo.

Em frente ou enfrente. Você me entende?

Guarda tua felicidade.
Não corra por aí espalhando a novidade.
Fique quietinho, sorria em silêncio.
Felicidade sem platéia dura mais...

Dá licença, medo? Minha felicidade quer passar.

A partir de então, tudo ficou ainda mais complicado. E mais real.

E tem gente maravilhosa que, de repente, vai ficando longe, difícil de ver – e aí dança. Mas também acho que aquilo que é bom, e de verdade, e forte, e importante – coisa ou pessoa – na sua vida, isso não se perde. E aí lembro de Guimarães Rosa, quando dizia que “o que tem de ser, tem muita força.

Por mais flores e risos, e beijos e carinho e, droga, compreensão mútua e ma-tu-ri-da-de. por mais apaixonado, por mais legal. para mim, nunca.

...e então eu disse que sim, que estava disposto, que eu teceria. Que eu teço.