Luis Fernando Verissimo poemas Sonhos
Parece-me agora, tanto tempo depois, que as partidas-dolorosas, as amargas separações, as perdas-irreparáveis costumam lavrar assim o rosto dos que ficam.
Porque não suportava mais todas aquelas coisas por dentro e ainda por cima o quase-amor e a confusão e o medo puro.
Ficar falando no que a gente podia ter sido não é bom. Dá uma sensação de… fracasso. (…) Ninguém vai falar no que podia ter sido e não foi.
Não foi por causa das nossas muitas brigas ou diferenças, foi porque desistimos de ser aquilo que sempre fomos, não querendo estragar o que já tínhamos sido sem erro algum. E se isso vai te fazer feliz, então seja. Mas não vai ser comigo.
Ah, no fim destes dias crispados de início de primavera, entre os engarrafamentos de trânsito, as pessoas enlouquecidas e a paranóia à solta pela cidade, no fim destes dias encontrar você que me sorri, que me abre os braços, que me abençoa e passa a mão na minha cara marcada, no que resta de cabelos na minha cabeça confusa, que me olha no olho e me permite mergulhar no fundo quente da curva do teu ombro. Mergulho no cheiro que não defino, você me embala dentro dos seus braços, você cobre com a boca meus ouvidos entupidos de buzinas, versos interrompidos, escapamentos abertos, tilintar de telefones, máquinas de escrever, ruídos eletrônicos, britadeiras de concreto, e você me beija e você me aperta e você me leva para Creta, Mikonos, Rodes, Patmos, Delos, e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo, tudo bem. O telefone toca três vezes. Isto é uma gravação deixe seu nome e telefone depois do bip que eu ligo assim que puder, 0K?
Proibido (...) passear sentimentos desesperados de cabeça para baixo, proibido emoções cálidas, angústias fúteis, fantasias mórbidas e memórias inúteis.
Você é um idiota. E mesmo assim é em você que eu penso, é de você que eu gosto e é pra você que eu volto.
Uma saudade que faz os olhos brilharem por alguns segundos e um sorriso escapar volta e meia, quando a cabeça insiste em trazer a tona, o que o coração vive tentando deixar pra trás.
Não adianta insistir na beleza de alguém que é vazio de sentimentos. Bonito mesmo é alguém que te arranca sorrisos, não suas esperanças.
Andei pensando coisas sobre amor, essa palavra sagrada. O que mais me deteve, do que pensei, era assim: a perda do amor é igual à perda da morte. Só que dói mais. Quando morre alguém que você ama, você se dói inteiro (a) mas a morte é inevitável, portanto normal. Quando você perde alguém que você ama, e esse amor - essa pessoa - continua vivo(a), há então uma morte anormal. O nunca mais de não ter quem se ama torna-se tão irremediável quanto não ter nunca mais quem morreu. E dói mais fundo - porque se poderia ter, já que está vivo(a). Mas não se tem, nem se terá, quando o fim do amor é: never.
Ele não queria entrar noutra história, porque doía. Ele não queria entrar noutra história, porque doía. Ela tinha assumido seu destino de Mulher Totalmente Liberada Porém Profundamente Incompreendida E Aceitava A Solidão Inevitável. Ele estava absolutamente seguro de sua escolha de Homem Independente Que Não Necessita Mais Dessas Bobagens De Amor.
O fato é que ela possuía uma graça especial, talvez o modo como se debruçava à janela, ou mesmo o jeito oblíquo de sorrir apertando os lábios, como se temesse revelar no sorriso todo o seu mundo interior.
A mentira disse à verdade:
"Vamos tomar um banho juntas,
a água do poço é muito bonita."
A verdade, ainda desconfiada, experimentou a água.
E descobriu que ela era muito bonita.
Então elas se despiram e tomaram banho.
Mas de repente
a mentira saiu da água e fugiu,
usando as roupas da Verdade
A verdade, furiosa,
saiu do poço para recuperar as roupas.
Mas o mundo, vendo a verdade nua,
desviou o olhar, com raiva e desprezo.
A pobre verdade voltou ao poço
e desapareceu para sempre,
escondendo sua vergonha
Desde então, a mentira gira pelo mundo.
vestida como a verdade,
satisfazendo as necessidades da sociedade.
Porque o mundo não alimenta nenhum desejo
de conhecer a verdade nua.
(Pintura: A verdade saindo do poço, de João Leon Geroma, 1896.)
Eu troço...
Eu torço para que um Dia os q vão Salvar o Brasil entre no poder e restrinjam o acesso ao Sistema básico de Saúde, aos remédios, aos programas sociais, aos benefícios trabalhistas q a muito foram conquistados... Torço para que o retrocesso Retorne e que cada um possa estar em seu lugar o Pobre viajar de ônibus o Rico de Aviação, não existir o Enem porque pobre não precisa de oportunidade ele tem escola de qualidade como a do Estado de São paulo q foram e é geridas pelo Psdb durante anos... Que Pobre não possa andar de Carro e sim de ônibus, trem e metro... por que o Pobre acaba Tomando a vaga do Rico na Avenida...
Eu troço para que um dia quando seus olhos abrirem de vdd, seja tarde demais...
Os ipês amarelos continuam belos, sempre estarão.
Talvez o amarelo não seja mais como antes.
A cada passo da caminhada sinto as pernas mais pesadas.
Os sinais já não tão discretos em meu rosto e em meu cabelo me fazem perceber a marcha apressada e sorrateira do tempo,
Que vai me levando as lembranças, as vontades, as pessoas que amo.
A vela acesa para proteção nas viagens, pela proteção da alma e corpo, incandesce eternamente agora,
É a centelha que aquece meu coração, clareia minha mente e se tornou minha luz divina.
O vento repentino de outono me assopra cantigas de ninar,
Faz-me perder no tempo, dos dias em que minha vida era completa,
Quando o alimento materno me nutria e sarava as dores de meu peito...
