Lobo
Tem muito lobo vestido em pele de cordeiro. E estou fora de conto de fadas para me sentir a frágil chapeuzinho vermelho. Passa amanhã!
Antes de falar de Deus, limpa o pensamento.
Tem muito lobo orando e muita ovelha apanhando calada.
_Van Escher
" O velho lobo, em ruínas não uiva para o luar
suas garras velhas e cansadas,
não lhes sustentam mais
é hora de partir
quem sabe a lua ainda ria
fazendo graça
iluminando uma estrada que levará ao abismo
ou ao céu...
Lobo solitário, em horas mortas, permeando uma noite preguiçosa e sonolenta preso a uma mente fatigada.
O lobo e a lua
Sentado de frente para o mar a minha única companhia era a lua avermelhada e silenciosa,
buscando repostas uivei por horas sem sequer ser notado,
pensamentos assombrosos, dores profundas, sensação de alma derrotada,
corpo pesado, olhares perdidos, respiração desconfiada dos seus intervalos longos,
implorando por atenção e uns breves conselhos insisti numa conversa com a lua e continuei a uivar sem parar,
apenas os corvos e as serpentes se aproximaram para com certo sigilo vigiar o que poderiam ser os meus últimos atos,
madrugada a dentro, cometas em movimentos, a maré atingiu as minhas patas por três vezes, areia foi jogada no meio fusinho pela força dos ventos,
depois de algum tempo eu entendi que eram respostas da lua em forma de sinais,
o mundo sempre está em movimento, por três vezes deixei as lágrimas me afogarem ao ponto de me deparar com as pontas dos dedos no precipício, a areia ao mesmo tempo que cega, quando bem temperada vira espelho e pode iluminar uma estrada para novos caminhos,
confiante e decidido uivei bem alto em agradecimento a lua por dá novamente significados a minha vida.
Sou um lobo incansável, que protege sua alcateia sem descanso. A família é a raiz de toda sociedade. Sei que a nova geração nem sempre enxerga isso, mas sem um princípio familiar, ela sequer existiria.
O dia que os lobos Uivaram.
O lobo (mau) ele sempre precisou de muito pouco pra sobreviver.
Já a chapeuzinho, ela sempre quis ganhar fácil do pouco que o lobo conquistou na vida pra sobreviver.
E o nosso (estado) que é o caçador...
Esse sempre matará o lobo, para tirar o tão pouco que pertence a o lobo.
O (estado) caçador fará isso apenas para agradar a chapeuzinho vermelho que nada fez para conquistar nada na vida.
E após o (estado) caçador ter matado e tirado a pele e tudo mais do lobo, para beneficiar a chapeuzinho vermelho.
Logo seus irmãos lobos vendo a situação difícil que o lobo mau passou até ser morto pelo (estado) caçador.
Então Seus irmãos lobos percebendo que não depediam da chapeuzinho vermelho pra nada.
Seus irmãos lobos decidiram se tornarem lobos solitários.
E viveram felizes para sempre.
Já a chapeuzinho vermelho...
Quando chegou o inverno ela acabou falecendo de frio e inanição, e por ela não não ter força de vontade para conquistar nada.
E não ter mais o que tirar dos lobos que decidiram viverem sozinhos.
A chapeuzinho vermelho acabou sucumbindo e morrendo.
Se não existe o sagrado
Se não existe o sagrado
O lobo não corre na tempestade, uivando no vento
Se não existe o sagrado
O céu não tinge os olhares intrigados na noite
Se não existe o sagrado
O luar não se derrama pelos trigais amarelos
Se não existe o sagrado
O silêncio nada inspira aos amantes
Se não existe o sagrado
Não há o frescor do orvalho sobre o cansaço da ciência
Se não existe o sagrado
A fúria do mar não nos deixa introspectivos
Se não existe o sagrado
O infinito não é misterioso e revela-se a qualquer tolo
O lobo do púlpito inventou o crime perfeito: ele faz a própria vítima trabalhar de graça para ele como voluntária na igreja, enquanto ele acumula fazendas, emissoras de rádio e patrimônio bilionário.
O maior triunfo dos falsos profetas foi convencer o rebanho de que expor o lobo atrai a fúria do criador, quando na verdade só ameaça o bolso do pastor.
É estranho ver um rebanho que teme o lobo, mas se cala quando o pastor usa o avental de outra irmandade sob a túnica da fé.
Como não haveria de ser eu um lobo da estepe e um mísero eremita em meio a um mundo cujos objetivos não compartilho, cuja alegria não me diz respeito! Não consigo permanecer por muito tempo num teatro ou num cinema. Mal posso ler um jornal, raramente leio um livro moderno. Não sei que prazeres e alegrias levam as pessoas a trens e hotéis superlotados, aos cafés abarrotados, com sua música sufocante e vulgar, aos bares e espetáculos de variedades, às feiras mundiais, aos corsos, aos centros culturais e às grandes praças de esportes. Não entendo nem compartilho dessas alegrias, embora estejam ao meu alcance, pelas quais milhares de outros tanto anseiam. Por outro lado, o que se passa comigo nos meus raros momentos de júbilo, aquilo que para mim é felicidade e vida e êxtase e exaltação, procura-o o mundo em geral nas obras de ficção; na vida parece-lhe absurdo. E, de fato, se o mundo tem razão, se essa música dos cafés, essas diversões em massa e esses tipos americanizados que se satisfazem com tão pouco têm razão, então estou errado, estou louco. Sou, na verdade, o Lobo da Estepe, como me digo tantas vezes — aquele animal extraviado que não encontra abrigo nem ar nem alimento num mundo que lhe é estranho e incompreensível.
Vamos repensar?
Thomas Hobbes — “O homem é o lobo do homem.”
“O maior predador do ser humano não está fora dele, mas dentro dele: uma consciência adormecida capaz de justificar qualquer atitude para satisfazer seus próprios interesses.”
Carlos Eduardo Balcarse
