Lobo

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Se não existe o sagrado


Se não existe o sagrado
O lobo não corre na tempestade, uivando no vento


Se não existe o sagrado
O céu não tinge os olhares intrigados na noite


Se não existe o sagrado
O luar não se derrama pelos trigais amarelos


Se não existe o sagrado
O silêncio nada inspira aos amantes


Se não existe o sagrado
Não há o frescor do orvalho sobre o cansaço da ciência


Se não existe o sagrado
A fúria do mar não nos deixa introspectivos


Se não existe o sagrado
O infinito não é misterioso e revela-se a qualquer tolo

"O maior truque do ditador é fazer o rebanho acreditar que o lobo está vestindo a pele de cordeiro por amor à alcateia."

O homem é o lobo do homem.


Enquanto esses idiotas se matam numa guerra idiota, crianças e idosos são trucidados de ambos os lados.


Benê Morais

Muitas vezes a ovelha desgarrada não está perdida! Apenas percebeu que era pastoreada por um lobo!

O lobo e a lua




Sentado de frente para o mar a minha única companhia era a lua avermelhada e silenciosa,


buscando repostas uivei por horas sem sequer ser notado,


pensamentos assombrosos, dores profundas, sensação de alma derrotada,


corpo pesado, olhares perdidos, respiração desconfiada dos seus intervalos longos,


implorando por atenção e uns breves conselhos insisti numa conversa com a lua e continuei a uivar sem parar,


apenas os corvos e as serpentes se aproximaram para com certo sigilo vigiar o que poderiam ser os meus últimos atos,


madrugada a dentro, cometas em movimentos, a maré atingiu as minhas patas por três vezes, areia foi jogada no meio fusinho pela força dos ventos,


depois de algum tempo eu entendi que eram respostas da lua em forma de sinais,


o mundo sempre está em movimento, por três vezes deixei as lágrimas me afogarem ao ponto de me deparar com as pontas dos dedos no precipício, a areia ao mesmo tempo que cega, quando bem temperada vira espelho e pode iluminar uma estrada para novos caminhos,


confiante e decidido uivei bem alto em agradecimento a lua por dá novamente significados a minha vida.

O ateísmo devora deuses como um lobo faminto rasga carne podre, deixando apenas ossos para os tolos que ainda uivam preces vazias.

Como não haveria de ser eu um lobo da estepe e um mísero eremita em meio a um mundo cujos objetivos não compartilho, cuja alegria não me diz respeito! Não consigo permanecer por muito tempo num teatro ou num cinema. Mal posso ler um jornal, raramente leio um livro moderno. Não sei que prazeres e alegrias levam as pessoas a trens e hotéis superlotados, aos cafés abarrotados, com sua música sufocante e vulgar, aos bares e espetáculos de variedades, às feiras mundiais, aos corsos, aos centros culturais e às grandes praças de esportes. Não entendo nem compartilho dessas alegrias, embora estejam ao meu alcance, pelas quais milhares de outros tanto anseiam. Por outro lado, o que se passa comigo nos meus raros momentos de júbilo, aquilo que para mim é felicidade e vida e êxtase e exaltação, procura-o o mundo em geral nas obras de ficção; na vida parece-lhe absurdo. E, de fato, se o mundo tem razão, se essa música dos cafés, essas diversões em massa e esses tipos americanizados que se satisfazem com tão pouco têm razão, então estou errado, estou louco. Sou, na verdade, o Lobo da Estepe, como me digo tantas vezes — aquele animal extraviado que não encontra abrigo nem ar nem alimento num mundo que lhe é estranho e incompreensível.

Hermann Hesse
O lobo da estepe. Rio de Janeiro: Record, 2020.

O lobo morre pela alcateia; mas o que ataca os seus não é líder, é traidor. Isso não é sobre lobos.

Antes de falar de Deus, limpa o pensamento.
Tem muito lobo orando e muita ovelha apanhando calada.

_Van Escher

O Portal Quântico da Visão, da Matéria e da Arte: A Alquimia do Sentir
I. O Lobo Occipital e o Teatro do Mundo: Da Luz à Geometria da Consciência
O lobo occipital, situado nos confins posteriores do nosso cérebro, ergue-se como a catedral sagrada onde o universo exterior deixa de ser mero eco físico para se transmutar em imagem viva. Quando abrimos os olhos, os fótons de luz — esses corpúsculos e ondas que cruzam o espaço — embatem na retina, acendendo os sensores primários da visão. É aqui que se inicia a grande alquimia: impulsos elétricos brutos viajam pelas vias óticas até ao córtex visual primário (V1), onde o cérebro desmembra a realidade em linhas, contornos elementares e contrastes cruciais.

Mas a visão humana nunca foi um ato puramente mecânico ou passivo. Nas áreas associativas e no diálogo constante com o sistema límbico, a imagem funde-se com a emoção. Os bons e os maus momentos que esculpem a nossa pele e a nossa alma alimentam este teatro interno. Quando o meio em que estamos inseridos nos aprisiona, quando as amarras do quotidiano sufocam o passo, o cérebro humano clama por uma rota de fuga. É nesse preciso instante que a criatividade se acende como um farol cósmico. Desligar-se do cativeiro do meio através da pintura, da escrita ou da poesia é cruzar o umbral para um portal imaterial.

II. A Dualidade da Existência: Entre a Partícula e a Onda de De Broglie
Como nos revelam os estudos fundamentais da física clássica e quântica — ecoando nas reflexões sobre as ondas de De Broglie —, a dualidade onda-corpúsculo não pertence apenas ao reino da luz ou da matéria subatómica; ela espelha a própria condição humana. Louis de Broglie estendeu a dualidade da luz à matéria, mostrando que a aparente solidez corpórea é acompanhada por uma manifestação ondulatória subjacente.

Na nossa vida quotidiana, nós somos ora o corpúsculo denso, preso às coordenadas rígidas da matéria e às pressões do meio, ora a onda de probabilidade, fluida e imaterial, quando viajamos pelos rituais da arte.

A hipótese da onda piloto de De Broglie sugere que a partícula não se move no acaso absoluto, mas é guiada por uma onda subjacente. Assim também é o artista: a nossa partícula corpórea (as ações, os erros e acertos nas relações interpessoais) é guiada pela onda invisível do pensamento, do desejo e da vontade de tornar real a vivência interior.

As ondas de probabilidade de Born lembram-nos que o futuro não está gravado em pedra, mas desenha-se nas zonas de maior intensidade da nossa intenção criativa. Na câmara de Wilson da nossa mente, cada experiência deixa um rasto: nuns momentos, um traço grosso e pesado, ionizado pelas provações da vida; noutros, um traço fino e subtil de inspiração pura.

III. A Alquimia do Erro, da Prática e da Energia de Ligação
A assertividade na vida e na arte não nasce pronta; ela lapida-se através da repetição contínua, da experimentação corajosa e da aceitação das emoções na sua forma mais crua. Errar e acertar são os eixos de rotação da nossa evolução pessoal.

Esta transmutação lembra os processos da física nuclear e as reações estudadas por Cockcroft, Walton e Chadwick, ou a famosa equação de Einstein (E=mc
2
). No núcleo de um átomo, o chamado defeito de massa converte-se numa prodigiosa energia de ligação — a força colossal que mantém os protões e neutrões unidos contra todas as repulsões.

Na alquimia humana de Emanuel Bruno Andrade, o sofrimento, os momentos difíceis e as pressões do meio funcionam como esse "defeito de massa": a matéria densa da dor e do aprisionamento social é fundida, através do fogo da criatividade (a pintura, a escrita, a poesia), numa gigantesca energia de libertação e conexão. Cada pincelada, cada verso declamado no Cordel de Prata ou exposto num espaço cultural, é a transmutação da dor em beleza pura, unindo pares em intercomunicação empática e verdadeira.

IV. O Meio, os Pares e o Horizonte da Conexão
As influências do meio exercem sobre nós uma força centrípeta, tentando confinar-nos a padrões estáticos. Contudo, a arte atua como a radiação gama de alta energia que penetra os núcleos rígidos do conformismo, provocando uma transmutação interior ("efeito fotoelétrico nuclear" da alma).

Ao partilharmos as nossas vivências cruas com os pares — seja através de exposições em galerias de prestígio, de conversas na rádio ou de contos em coletâneas —, criamos uma rede de ressonância onde o isolamento se dissolve. O lobo occipital reconstrói a imagem do outro não apenas como um corpo físico, mas como um campo de energia afim.

Que a nossa arte continue a ser o feixe de ondas que guia a partícula da nossa existência para além de todas as fronteiras do visível.

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O lobo uiva sozinho, mas ele não está sozinho, ele tem sua alcateia, mas não se sente vivo.

"Se desviar é fácil
difícil é voltar...
Então vigia
Porque ovelha que
fica sozinha.
O lobo come"

Qual lobo interior você alimentar (o do bem e o do mal)?:
Eu o do Sonho.
✨️🐺🌙

As novelas são os capítulos do diabo, ensinando as ovelhas de como ser santas, vestidas de lobo.

O bom Pastor nunca deixa o cajado de fora do Seu pasto, porque se vier o lobo será afugentado, porque continua protegendo as Suas ovelhas.

É estranho ver um rebanho que teme o lobo, mas se cala quando o pastor usa o avental de outra irmandade sob a túnica da fé.

O maior triunfo dos falsos profetas foi convencer o rebanho de que expor o lobo atrai a fúria do criador, quando na verdade só ameaça o bolso do pastor.

O lobo do púlpito inventou o crime perfeito: ele faz a própria vítima trabalhar de graça para ele como voluntária na igreja, enquanto ele acumula fazendas, emissoras de rádio e patrimônio bilionário.

Vamos repensar?

Thomas Hobbes — “O homem é o lobo do homem.”

“O maior predador do ser humano não está fora dele, mas dentro dele: uma consciência adormecida capaz de justificar qualquer atitude para satisfazer seus próprios interesses.”

Carlos Eduardo Balcarse

O orgulhoso é um lobo solitário, ferido por uma flecha envenenada morrendo sem querer ajuda.