Lembre se que um dia eu te Amei
Pudesse eu desinventar o espaço para te entregar o orbe, mas como só habito o tempo, faço dos meus Cantares o chão onde o mundo, enfim, aprende a ser feliz.
Você me olhava com uma promessa imensa no sorriso, mas suas atitudes nunca saíam do papel. E eu, mergulhado na vontade de dar certo, confundi a sua falta de opção com reciprocidade. Dei palco para as suas desculpas porque queria acreditar que o problema era o tempo, e não a sua falta de querer.
Você usou a minha calmaria para abafar o caos da sua bagunça interna. Validou o seu ego com o meu cuidado, colhendo o melhor de mim enquanto me deixava apenas com as suas sobras. Fez com que eu me sentisse especial na mesma proporção em que me descartava quando a conveniência mudava de direção.
Você dizia que o nosso encaixe era raro, mas preferiu a pressa dos desapegos. Dizia que adorava a minha companhia, mas sumia sempre que a rotina exigia presença. Dizia que tinha medo de me machucar, mas usou justamente esse medo como escudo para não se comprometer.
E sabe o que deixa um nó na garganta?
É dar-se conta de que eu estava construindo bases sólidas para nós dois, enquanto você só queria um abrigo passageiro para os dias de chuva. Eu apostava no que a gente poderia ser, e você só se ocupava em ter certeza de que poderia ir embora a qualquer minuto.
Hoje, eu decido fechar essa porta.
Escolho resgatar a intensidade que gastei com quem era raso.
Escolho a certeza que você nunca soube me dar e a dignidade de não caber mais em espaços tão pequenos. Eu não aceito mais ser o rascunho de alguém que nem sabe o que quer escrever.
Eu queria nunca ter cruzado o teu caminho.
Não porque você tenha sido uma pessoa ruim, mas porque você me fez enxergar um futuro que só existia na minha cabeça.
Você chegou justamente quando eu estava tentando me reconstruir, e, sem que eu percebesse, acabou se tornando o meu norte. Eu mergulhei de cabeça de um jeito que hoje até me assusta. Dediquei a você o meu melhor sorriso, o meu tempo mais precioso, o meu cuidado e toda a minha entrega.
E o que sobrou para mim? Apenas o eco do seu silêncio, a frieza da sua distância e o vazio da sua ausência.
O que mais machuca não é ver você ir embora. É olhar para trás e perceber que, para você, tanto faz se eu estou aqui ou não. Dói ver que a minha presença nunca fez diferença real na sua vida.
Quantas vezes eu deixei os avisos de lado, engoli o meu orgulho, quebrei a cara e insisti... tudo isso para, no final, abrir os olhos e notar que eu era o único lutando por nós dois. Eu estava sustentando sozinho uma ponte que você já tinha abandonado.
Quem sabe o tempo cure e um dia tudo isso faça algum sentido. Até lá, sigo recolhendo os meus pedaços, tentando me refazer e reaprendendo que o amor de verdade não deveria machucar tanto.
Se for resumir o meu caminho, puxa uma cadeira que eu te explico como os tombos viraram técnica de esquiva e como as madrugadas com o controle na mão viraram gestão de crise.
Eu não sei escrever poemas, sei escrever sentimentos,
Vontades não ditas, pensamentos reprimidos,
Desejos escondidos sob uma camada grossa de medo.
Medo das pessoas, medo dos julgamentos, apenas medo.
Poderia dizer que andei por mares e viajei por céus.
Mas não fiz isso, essa é minha verdade nua e crua,
Estou numa sala, em um pequeno apartamento
Escrevendo enquanto minha xicara de café esfria
Escrevendo o quanto eu sinto,
e não consigo falar.
Eu escrevo porque não consigo falar.
As palavras se recusam a sair da minha boca,
então derramam-se no papel.
Queria poder me desfazer em teus braços,
encontrar neles um lugar onde o mundo
parasse de pesar.
Queria que cuidasses de mim,
como o Pequeno Príncipe cuidou de sua rosa.
Queria ser tua.
E, mais do que isso,
queria que escolhesses ser meu.
Não por obrigação,
mas por paixão.
Há quem me corteje.
Há quem tente conquistar meu olhar.
Mas de que me serve qualquer cortejo,
se o único que desejo
é o teu?
Se não tens intenção de permanecer,
tem a delicadeza de partir dos meus pensamentos.
Não é justo.
Toda vez que fecho os olhos,
és tu quem encontro.
Vejo tua postura ereta,
teus dedos ligeiros dançando sobre o teclado.
Revivo o nosso abraço,
o calor do teu corpo envolvendo o meu.
Vejo teus olhos por trás das lentes redondas,
e descubro, mais uma vez,
que teus óculos parecem ter sido feitos
para o contorno do teu rosto.
Então meu olhar encontra teus lábios.
E, nesse instante,
o mundo deixa de existir.
A aflição de não poder responder e dizer que me senti da mesma forma.
Eu também não estava me aguentando de ansiedade de falar e dizer que fiquei tão destreinada a ponto de não saber mais nem como andar.
Eu já disse vai embora, quando eu queria dizer fica aqui comigo,
Eu já disse coisas que machucaram, num ato de me machucar novamente;
Eu já disse nunca mais, quando nunca deixei de querer;
Eu já disse nem pensar, quando tudo era só pensamento;
Eu já disse que cansei, quando eu ainda tinha forças para lutar;
Eu já disse que não amava, quando eu amava perdidamente;
Eu já disse que não me importava, quando eu só me preocupava;
Eu já disse que estava bem, quando eu só chorava;
Mas...Nunca disse que tinha orgulho
E sem orgulho, consegui dizer tudo que sempre quis...
Eu perdi a confiança e então você morreu.
É curioso pensar que hoje eu posso ler algo escrito por alguém que viveu dois séculos atrás e me reconhecer ali, como se aquela pessoa ainda respirasse no mesmo tempo que eu.
Há uma comunhão invisível entre quem escreve e quem lê, uma ponte que desafia a distância do tempo.
Escrever é, de certa forma, se eternizar no efêmero.
Como se o tempo não bastasse
Eu me basto, meu amor!
Como se o tempo não vastasse
Eu me vasto, meu amor!
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