Lembrança

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Mente falhando,
Memória curta,
Palavras desaparecem,
Lembranças se distorcem,
A visão se embaraça.
E o medo...
Já não sei mais quem sou.

O tempo, inconsciente,
Roubou-me as palavras,
Apagou as lembranças.
Perdi tudo,
Afundado nesse vai e vem
Cruel do amor.

⁠Velhice é como uma conta
Bancária só de lembrança
Que a gente depositou
Alegria e confiança,
Pra quando idoso estiver
Sacar tudo o que puder
Pro saldo da esperança.

⁠Na madrugada, frequentemente recordo algo ao despertar; contudo, ao retornar ao sono, a lembrança desse exato pensamento se esvai. Com o amanhecer, tudo se desvanece na obscuridade dos meus pensamentos. Coisas da minha mente que se dissipam com a luz do dia.

Algumas lembranças existem apenas para nos confundir, como se o passado brincasse de esconder o que realmente aconteceu.

Enquanto a lua pintava a sombra do sol perdido, o silêncio aprendia a dançar com as lembranças.

A música é meu segundo idioma.

A música é uma viagem no tempo.

Lembranças do passado.

Emoções no presente.

E Sonhos do futuro.

Ser lembrar, é um sinal que você foi visto antes, mas a lembrança pode ser boa ou ruim.

Lembranças boas de momentos vividos,
Vividos aqui dentro de mim;
Realidades de mundos distantes,
De sensações tão próximas;
Próximas de mim,
Por ter vivido;
Vivido o que hoje lembro,
Lembro de viver os momentos;
De realidades de mundos diferentes,
De sensações tão parecidas,
Parecidas comigo,
Por viver;
Viver esse momento.

Lembranças


Lembrei-me de você
Tão longe, longe de mim.
Eu faço barcos de papel
Que vão pelos mares a ti,
Como uma lembrança.


Lembre de nós, quando crianças,
Juntos a brincar, a sorrir.
O mundo era nosso:
Você a lua e eu o sol,
Com olhares inocentes.


Quem ouvir o nosso pranto
Vai entender que não queremos
Ouvir a palavra "adeus".
Se algum dia nos unirmos,
Falaremos a sós
Nossos segredos:
Essa nossa dor por não ter
A quem amamos.


O Sorvete que Virou Saudade

Algumas lembranças têm gosto.
A minha tem gosto de chocolate.

Todo Dia das Mulheres
eu chegava com um Magnum na mão.
Era simples, quase bobo para quem via de fora.

Mas para mim
era uma maneira silenciosa de dizer
tudo aquilo que às vezes os filhos
não sabem falar direito.

Eu entregava o sorvete
e dizia que a amava.

Ela sorria.
E naquele sorriso
o mundo ficava em paz por alguns segundos.

Eu não sabia
que um dia aquele gesto tão pequeno
viraria uma das maiores saudades da minha vida.

A gente nunca imagina
que os momentos comuns
estão, na verdade, se tornando eternos.

Hoje o Dia das Mulheres chega
e eu sinto falta daquele caminho simples:
comprar o sorvete,
bater na porta,
ver o sorriso dela.

O sorvete ainda existe.
O dia ainda existe.

Mas agora
o amor que eu levava nas mãos
precisa viajar pela memória
para chegar até ela.

E às vezes eu penso…

se o céu tiver pequenas alegrias humanas,
talvez em algum lugar
minha mãe ainda esteja sorrindo
enquanto eu chego com um Magnum na mão.

— Sariel Oliveira ✍️

O Último Magnum

Existem coisas que a gente faz sem imaginar
que um dia vão virar lembrança sagrada.

Todo Dia das Mulheres
eu aparecia com um sorvete Magnum na mão.

Era o favorito dela.

Eu entregava como quem entrega algo simples,
e dizia:
“mãe, eu te amo.”

Ela sorria.
E naquele sorriso
havia uma paz que eu nem sabia explicar.

Naquele tempo
eu achava que estava apenas dando um sorvete.

Hoje eu sei
que estava vivendo um dos momentos mais puros da minha vida.

Porque a gente só entende o valor
das coisas simples
quando elas deixam de acontecer.

Hoje o Dia das Mulheres chega…
e minhas mãos estão vazias.

Não tem mais o caminho até a porta,
não tem mais o sorriso esperando,
não tem mais aquele instante pequeno
em que o mundo ficava em silêncio
só para caber o amor de uma mãe e de um filho.

E às vezes isso dói.

Dói saber
que o último Magnum que eu levei
foi o último
sem que eu soubesse.

Mas existe algo que o tempo não levou:

o amor que cabia naquele gesto.

E hoje,
quando a saudade aperta,
eu fecho os olhos
e imagino que ainda estou chegando com o sorvete na mão.

E digo, como sempre disse:

“mãe… eu te amo.”

— Sariel Oliveira

Meu olhar se perde triste nas lembranças de nós dois.
Momentos que ficaram na fotografia e na memória antiga.

A surpresa da tua presença inesperada me trouxe uma breve lembrança do gosto de estar perto de mim.
É curioso como eu sempre me perco no que sei, para encontrar o que realmente preciso descobrir.


Eu já tinha te visto, mas nunca tinha te encontrado.
Incapaz de decifrar o teu olhar, torço para que eu possa caminhar até você sem medo.
Mesmo que seja breve, eu quero sentir esse gosto de mim —
e, quem sabe, encontrar um vestígio do caminho de volta.


Entre toques disfarçados, sorrisos escondidos e a mentira da verdade,
eu senti algo.
Não sei o quê, mas algo que me trouxe o medo…
e aquela sensação de volta.


Analiso teus passos na minha mente enquanto minha confusão cresce.
Tua silhueta me chama.
Eu tento não perder meus sentidos,
mas vejo teu disfarce —
e torço para que você decifre o meu.


Para que então eu possa atravessar nossa linha,
mesmo que às vezes pareça que não há nenhuma.
Quem sabe ela só exista na nossa cabeça.


Me ajuda a te entender…
o que queres que eu faça?




( ..legra )

Existem dores que remédio algum pode conter.
Existem lembranças que jamais queremos ter.
Porém, existem dores que o remédio é a lembrança.
Algo que não queremos esquecer e temos como herança.
Boas lembranças são verdadeiras heranças de amor.
Somente elas podem trazer um alento na hora da dor.

"Me trate como opção, viro lembrança."

Não fosse o saudosismo, nem as más lembranças de você sobreviveriam.

Não acumule
apenas riquezas,
acumule lembranças.
Momentos fazem
história, dinheiro
apenas números.

NEGRITUDE

O olhar do negro
Tem o tamanho de todas as estrelas,
As lembranças de arrastar correntes,
Tem a tortura de todos os troncos,
O olhar do negro
Veleja navio negreiros
Na saudade das savanas de sua liberdade,
O olhar do negro
Se perde nos canaviais, nos engenhos,
O olhar do negro
Tem a solidão ímpar de todas as noites,
Tem a angústia de todos os órfãos,
A dor de todas as humilhações,
A revolta de todos os mares,
O olhar do negro
Tem todas as angústias da colônia,
Tem traumas silenciosos,
De mães e irmãs abusadas,
O olhar do negro
Tem a ansiedade dos quilombos,
Tem a valentia do zumbi...
E uma saudade que urra, que brame, que zurra
Que agita manadas, alcateias, bandos e tribos
Da negritude que ainda corre em seu sangue...

⁠A rigidez do pensamento lógico e racional, fará com que a existência seja uma mera lembrança.