Lamento pela Morte de um Ente Querido
"A sensação de voltarmos ao passado em um pseudo retrocesso; é engano. O homem social, não ultrapassa o homem mental... O processo nos impõe retornos... A superação é realizar um melhor passado, toda vez que reacontecer."
Me sinto como um jardim sem flores.
O mais esquisito é que esse jardim já foi florido um dia.
Já teve cores, perfumes e vida.
Mas depois que você se foi, percebi que alguma coisa mudou.
O jardim continua no mesmo lugar,
mas já não é o mesmo.
E talvez o mais difícil não seja olhar para as flores que morreram,
mas lembrar de como era bonito quando elas estavam aqui.
Assim como no combate a um vírus, a luta na defesa pela democracia e pela autonomia de um país tem que ser 100%. Se essa luta não for feita com força, de forma individual e coletiva, visando atingir 100%, não iremos conseguir a casa da maioria. Isso significa que a luta tem que ser 100% e o grande êxito, por sua vez, é a eficácia da defesa da democracia e da soberania do nosso país.
O CORONELISMO DO SÉCULO XXI
Um povo entre a mentira, a cegueira e a esperança.
Há um povo que caminha sem saber para onde,
Que aceita a mentira e a verdade esconde,
Que ouve promessas vestidas de ilusão,
E entrega o seu destino às mãos da conveniência e da ambição.
Vive de narrativas, de histórias fabricadas,
De verdades distorcidas, de consciências aprisionadas,
Enquanto a ignorância, coroada de razão,
Transforma o pensamento em refém da manipulação.
Há políticos que ostentam títulos e saber,
Falam como intelectuais, fingem compreender,
Mas trocam princípios por alianças convenientes,
Apertam mãos suspeitas, sorriem para os coniventes.
Não lhes move a dor daquele que padece,
Nem a voz do trabalhador que luta e não enriquece.
O que lhes move é o cálculo, o interesse pessoal,
É manter-se no poder, ainda que o preço seja moral.
E o povo? Ah, o povo, cansado de esperar,
Vê a mesma peça antiga novamente encenar.
Mudam-se os discursos, os rostos e as bandeiras,
Mas permanecem as promessas, as mesmas prisioneiras.
Há uma militância cega, fiel à repetição,
Que confunde lealdade com ausência de razão.
Defende o indefensável, não admite contestação,
Faz do líder um ídolo e da crítica uma traição.
Prometeram novos tempos, anunciaram transformação,
Mas o futuro continua distante do sertão.
A esperança bate à porta, ninguém lhe estende a mão,
E o amanhã permanece refém da velha encenação.
E assim ressurge, em pleno século XXI,
O coronelismo antigo, agora vestido de comum.
Já não precisa da chibata para impor sua vontade:
Basta controlar o discurso e negociar a necessidade.
O voto, que deveria ser instrumento de mudança,
Torna-se moeda de troca, cabresto da esperança.
E quem deveria escolher os rumos da própria história
Vê outros decidirem seu presente e sua memória.
Não há liberdade plena quando o medo dita a escolha,
Nem democracia viva quando a consciência se encolhe.
Não há povo soberano se lhe negam o saber,
Pois quem não pode questionar dificilmente pode escolher.
Mas um povo não nasceu condenado à escuridão,
Nem deve eternamente ajoelhar-se à manipulação.
A ignorância não é destino, a pobreza não é sentença,
E nenhum poder se sustenta para sempre na ausência de consciência.
Que um dia esse povo descubra a força que tem,
Que não deve sua voz a político algum, nem a ninguém.
Que aprenda que ser livre é pensar sem ter senhor,
É cobrar de quem governa, sem submissão ou temor.
Que as promessas sejam julgadas pelas obras realizadas,
Que as alianças sejam vistas, não apenas celebradas.
Que títulos não escondam a falta de honestidade,
E que o poder se curve, enfim, diante da dignidade.
Porque um povo que pensa já não aceita qualquer corrente,
Não se curva a sobrenomes, nem se vende eternamente.
E quando a consciência desperta e a verdade rompe o véu,
Cai o trono dos coronéis, por mais alto que esteja ao céu.
Pois o maior triunfo de um povo não é trocar de governante,
Mas deixar de ser refém de qualquer dono arrogante.
É escolher o próprio rumo, sem cabresto e sem favor,
Fazendo da consciência sua arma, e da liberdade, seu valor.
Não faça planos para o futuro porque não sabe se haverá um futuro pela frente
O que importa e viver o hoje focando no presente e valorizando o momento atual.
Às vezes, queria mais
Só um pouco mais
Me bastaria enxergar
Mas parece que tudo o que tenho
É o que não posso ver
E sigo me agarrando
Ao que não posso tocar
Porque a verdade é que isto
Nunca foi suficiente pra mim
O que jamais quis
Jamais pôde me bastar.
- Marcela Lobato
Mas de um céu com luar e estrelado
A escuridão é o que vai sobrar
Do que era tão inocente
Tão diferente pensar.
Afinal, quem ou o que é o tão temido Diabo? Como podemos encontrá-lo? Ele é apenas um, ou há vários? Quem é o responsável por todos os nossos erros? Por todas as nossas péssimas escolhas?
Se quiser encontrar o Diabo, há um ritual muito simples, em que ele aparece na sua frente, e poderá encara-lo "olho no olho". Simplesmente, olhe-se no espelho. Fazendo isso, encontrará o tão famigerado "tinhoso", mas se surpreenderá ao ver que ele não é, nada mais e nada menos, que você.
- Marcela Lobato
A natureza pede socorro, e é urgente que a ouçamos. A Terra é nossa única casa. Tantos buscam por um Deus em tantos lugares, mas não entendem que sua maior representação é a natureza. Ela dá e tira a vida. Mata o velho, e faz nascer o novo. Nos dá comida quando plantamos a semente. Quanto mais damos a ela, mais ela nos dá. Toda a vida só existe em decorrência dela.
Porém, há algo que ela não dá, a outra face. Não é covarde. Toda ação gera consequências, e se não reanalisarmos nossas atitudes, sua próxima fúria pode ser a causa da nossa última respiração, ou da de pessoas queridas. Enquanto o capitalismo selvagem mata e destrói, o dinheiro continua sendo o papel vindo das árvores, e segue mantendo-se impossível retirar dele o oxigênio que nos permite ter vida.
Se continuarmos explorando, poluindo, queimando e destruindo Gaya, nada nos restará. Se ignorarmos os alertas, com toda razão seremos engolidos. Se não mudarmos logo, talvez não haja mais como fazer qualquer mudança.
A natureza pede socorro. O planeta pede socorro. Logo, nós pediremos socorro, mas da mesma forma que a ignoramos, ela nos ignorará.
Não há um terrível apocalipse vindo. Não é culpa de nenhum Diabo, e nem algo que não poderia ser evitado. Não aparecerá nenhum suposto deus no céu arrebatando pessoas. Temos que assumir a responsabilidade e mudar as coisas.
Esse é o único caminho.
- Marcela Lobato
Se a gente não puder ser crítico ao cristianismo, ele cria um bando de zombies fanáticos, tenta instaurar uma ditadura, e mata ou tortura todo mundo que não se ajoelhar a ele.
É necessário criticar o cristianismo pela facilidade do fascismo de se criar a partir dele. Querendo ou não, o sistema cristão em si é fascista, porque dita o que fazer, o que acreditar, quem amar, condena ao inferno quem não se curvar e declara morte ao "pecador". Séries como "O Conto da Aia" mostram isso perfeitamente.
Mas não só na ficção vemos isso. As inquisições protestantes e católicas, o que aconteceu na Alemanha na segunda guerra, a escravidão do povo africano, o apartheid... Tudo isso tem o mesmo pano de fundo, o mesmo fundamento, a mesma desculpa e o mesmo motivo: a bíblia e o cristianismo.
Não podemos deixar jamais que calem a nossa voz quanto a isso. Nossa única arma é o conhecimento, o pensamento crítico e nossa humanidade. Por isso chamam de proibido o fruto do conhecimento.
- Marcela Lobato
Odeio farsas, por isso odeio a vida, de certa forma.
Esse mundo é um teatro. É o sadismo de um ser caído. Não posso dizer que sei como é do outro lado, mas espero que seja muito melhor do que aqui.
Aqui é ruim demais. É perverso.
- Marcela Lobato
O cristianismo, em uma análise fria e realista, é um câncer social. Algo que legalizou a barbárie, e desumanizou milhões de pessoas. Criou a ideia de céu e inferno, um deus "todo bom", apesar de perverso, ególatra, infanticida, misógino, ditador e facilmente enfurecido por não ser amado, adorado e obedecido por todos, assim como um diabo maligno que o "todo poderoso" não teve a capacidade de destruir.
A partir daí surgiram as pessoas "de deus" e as "do diabo", ou seja, os humanos "de bem" contra os monstros, os demônios, os demoníacos. Não importa se esses "diabólicos" não fizeram mal a ninguém, por serem quem são, devem ser mortos, torturados, queimados vivos.
A verdade, quando se lê a bíblia, é que aqueles textos não tem amor, muito menos um deus amoroso. A maioria dos cristãos são fascistas e apoiam até mesmo chacinas em favelas, não por acaso. O cristianismo nunca foi sobre amor, por mais que haja uma minoria de cristãos que o levam dessa forma, e a esses todo o meu respeito apesar das divergências que temos de filosofia, crenças, e outras coisas.
Mas o cristianismo em si, é a religião do ódio. A maioria deles reproduz o deus bíblico de fato. Um ser enfurecido por sua pequenez, narcisista, megalomaníaco, que precisa urgentemente de um terapeuta. Um ser que nega sua história, sua origem. Que se sente tão minúsculo que precisa fingir que é gigante. Ele mesmo se coloca como todo o bem e todo o mal no velho testamento.
As pessoas tentam romantizar o cristianismo, mas o próprio Jesus em uma passagem do chamado "novo testamento" faz uma parábola comparando-se ao rei e seus seguidores aos súditos desse rei, que afirma que todos que forem contra "a coroa" devem ser mortos. O amor cristão é uma farsa ideológica. Eles só tem amor por aquilo que é igual, que segue suas regras. O diferente sempre será "do Diabo", um "monstro" a ser combatido. Quem não se ajoelha, sempre será o demônio pra eles, desumanizado, odiado, que deve ser queimado sem dó nem piedade. Pelo ponto de vista humano, no melhor sentido da palavra, o cristianismo, assim como seu deus, é o verdadeiro maligno.
- Marcela Lobato
Tudo é extremamente passageiro. Estamos aqui em um instante, e no seguinte não há mais nada. Mas não tenha medo, nem apresse as coisas. Deixe seu coração fluir, sua verdade permanecer, e ao final, seja como for, terá valido a pena.
- Marcela Lobato
A Peça da Minha Vida
Às vezes sinto fome de vida, sabe? Sinto um enorme desejo de realizar meus sonhos, ganhar o mundo. Às vezes, até penso em alongar meu tempo, mas tenho receio de que toda essa dor física, que piora conforme a idade avança, me leve à loucura, ou pior, me impeça de ser dona da minha vida, assim como da minha morte.
A morte assistida não é sobre desistir da vida, mas sim não aceitar desistir dela! Não aceitar viver uma vida sem propósito ou possibilidade. Não aceitar, justamente por se amar muito, sentir tantas dores físicas a mais, além do risco de estar sozinha no pior, sem ter uma mão a quem recorrer no desespero, seja físico, emocional, ou ambos. É sobre não aceitar perder a minha autonomia, tornando a vida, verdadeiramente, insuportável a cada segundo.
A minha decisão não tem haver com tristeza, apesar de sentir tanta dor física afetar sim o nosso emocional em algum nível, ainda que sutil. Tem haver com razão, com racionalidade, além de verdadeiro amor, empatia, respeito e carinho por mim. Não quero correr o risco de viver um insuportável ainda pior do que todos os já vividos até aqui. Não quero sofrer tantas perdas, o que, infelizmente, é tão inevitável na vida. Não quero o sofrimento, porque já sofri demais. E não quero uma morte dolorosa como a vida foi, mas sim digna, humana, indolor. Me recuso a ter uma vida não vivida, infeliz.
Quero realizar, viver! A vida não é medida, ao menos por mim, pela quantidade. Para mim, o mais importante, e a única coisa que vale medir, que vale a pena, literalmente, é a qualidade, não a quantidade. Às vezes vivemos uma eternidade em pouquíssimos anos, e não vivemos nada em mais de um século. Se sou apenas eu por mim, que eu tenha a melhor e mais épica vida! Que nos poucos anos que me restam, eu tenha uma eternidade de realizações, conquistas, e deixe o meu legado. Que eu me orgulhe ao ver o fechar das cortinas, e possa me despedir das pessoas que mais amo. Que seja um sucesso a peça da minha vida!
- Marcela Lobato
Toda vez que vejo um desconhecido
Um perfil fake, uma conta estranha
Lá no fundo, torço pra ser você
Descobrir que está me acompanhando
Que comentou algo
Que de alguma forma se lembra
Do presente e do passado
Que escuta as milhões de músicas
Meus versos dramáticos, exagerados
Onde não há exagero ou drama.
Apenas a verdade.
- Marcela Lobato
A única vantagem de ter um corpo físico é a capacidade de sentir prazer. Nós vivemos para isso. Espíritos não sentem os prazeres que a carne proporciona, então já que é pra estar nesse inferno que chamamos de mundo, universo, existência, que gozemos de todas as formas possíveis! Inclusive, cozinha e saúde não se misturam!
Aproveite, porque depois acaba, e aí já era, independentemente de se houver ou não vida após a morte. Então, faça o que deseja e não perca tempo! Seja você, deixe a sua marca nesse mundo, ainda que seja e deseje ser uma pessoa anônima. Faça a diferença apenas por existir em sua mais deslumbrante autenticidade. Seja uma pessoa única, não por querer ser, mas por ser. Não perca o que é bom e não aceite o que não quer. Transforme este inferno no seu paraíso.
- Marcela Lobato
A música é vital, e tem um poder absoluto em nossas vidas, principalmente para quem compõe com a alma. Ela tem um jeito único de nos fazer, em momentos decisivos, naqueles mais difíceis, onde estamos mais bagunçados emocionalmente, de nos impedir de afundar em nosso próprio abismo. De naufragar em nossos oceanos internos. De sufocar com as palavras não ditas.
E mais do que isso, a música, muitas vezes, nos mostra o que nem mesmo nós sabíamos haver no nosso peito. Nos revela a nós mesmos. É a ferramenta mais poderosa de autoconhecimento quando você se permite desnudar através dela, sem censura, apenas deixando fluir. Ela escancara o que machuca, o que dói, o que não superamos, não suportamos, as mentiras que nos contamos, o que mais nos importa, e até o que mais amamos. Tira a nossa máscara e fotografa sem que nenhum filtro possa esconder as marcas, cicatrizes e feridas abertas ainda sangrando. Ela nos leva em uma viagem interna, ao centro do nosso coração. Nos vemos no espelho em carne viva, e descobrimos tudo o que somos e sentimos quando ninguém pode nos ver ou ouvir. Nesse momento, gritamos ao universo, e nesse grito mudo, até as estrelas tremem.
O artista não pode fugir de si mesmo, pois vive a beira do abismo, nos raros momentos onde não está imerso nele. Há sempre um lembrete para nós, de que jamais seremos iguais. Jamais seremos de plástico. Jamais nos encaixaremos! Jamais viveremos a mentira, pois a nossa arte sempre jogará em nossas caras a verdade nua e crua, sem dó nem piedade. Isso é ser um artista de alma. O preço é a nossa alma. A recompensa é a mais pura e cruel realidade, escondida em uma pedra que lapidamos sangrando até se tornar um diamante, sem pintar, esconder ou enfeitar o que foi antes, assim como o nosso sangue, se fundindo ao brilho transparente da matéria prima. O tesouro escondido na escuridão da noite mais escura.
- Marcela Lobato
Animais valem mais do que qualquer pessoa poderia valer. Se tivesse que escolher entre salvar um animal ou um ser humano, se o humano fosse uma boa pessoa, torceria pra alguém chegar pra salva-lo, porque não conseguiria viver com o fato de ter deixado um animal pra qualquer coisa ruim acontecer, mesmo sabendo que não teria como salvar os dois. Já um ser humano, poderia me sentir mal, mas seria bem mais fácil lidar com isso.
Animais são totalmente inocentes e são mais vulneráveis até do que crianças. São totalmente dependentes em situações de risco, além de serem os mais leais, fiéis e saberem amar como um ser humano nunca foi e nem será capaz. Tem gente que fala como se a vida animal valesse menos, porém a verdade é que ela vale mais. Vale muito mais!
- Marcela Lobato
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