Lamento pela Morte de um Ente Querido
A amizade não morre de uma hora para outra; ela apaga aos poucos quando um lado cansa de insistir em ser visto.
Mudar exige repetição, exige prática, exige um ambiente relacional que APOIA a mudança. Você não vai desenvolver autoestima em uma relação que sistematicamente a corrói, seja qual for. Você não vai aprender a confiar no seu valor em um ambiente que metodicamente questiona esse valor. Por isso a escolha de com quem você passa o seu tempo não é questão de humor, mas de saúde e de quem você pode se tornar.
Existe uma crueldade sutil na amizade que arrefece sem brigas. Quando há um conflito, há uma demarcação clara: um fim, uma justificativa, uma ferida exposta que exige cicatrização. Mas quando o afeto simplesmente evapora, restamos nós, equilibrando o peso das memórias contra a leveza do desinteresse do outro.
É um processo confuso. Olhamos para trás e lembramos do carinho genuíno, das palavras de apoio, da presença que parecia inabalável. Aquilo existiu. Não foi uma mentira. O que torna tudo mais difícil de digerir é perceber que a mesma pessoa que um dia se importou profundamente, hoje escolhe a indiferença, o "tanto faz".
Aos poucos, as mensagens ignoradas, as respostas monossilábicas e as desculpas automáticas vão desenhando um novo cenário. A palavra "amigo" passa a soar como um eco antigo, um rótulo mantido apenas por conveniência ou nostalgia, mas desprovido de substância.
Aprender a recolher o próprio afeto e dar um passo atrás não é um ato de orgulho; é um ato de preservação. Afinal, a verdadeira amizade não exige reciprocidade matemática, mas exige, no mínimo, um porto seguro onde a nossa presença ainda faça alguma diferença.
Dói ver como o "bom dia" diário virou um silêncio gelado, e perceber que o afeto que antes transbordava, tornou-se unilateral. É triste aceitar que aquela cumplicidade virou apenas uma lembrança de alguém que escolheu se afastar e deixar a relação morrer.
Cinco sorrisos
Você tem 5 sorrisos, uma sinfonia perfeita em um mesmo rosto, um mesmo corpo, uma mesma alma.
Sorri largamente com um brilho mágico no olhar, por um fato bobo.
Sorri, de canto de boca, ao escutar um elogio, em que está a agradecer, mas também a manter a humildade.
Sorri de um jeito meigo com o olhar, ao me ver e desejar um beijo meu.
Sorri, mostrando os dentes, quando me escuta falar coisas picantes ao teu ouvido. Como você fica lindo!
Por fim, sorri largo e depois retém a boca em um sorriso pequeno com semblante infantil, porque no fundo sabe que me tem.
@keylak.holanda
“O Infinito em Fragmentos”
Não quero ser um. Quero ser todos. Quero sentir como o místico sente Deus, como o pagão sente a carne, como o engenheiro sente a precisão dos números. Quero contradizer-me, porque na contradição habita a totalidade. Ser coerente é ser parcial. É escolher uma porta e fechar todas as outras. Eu quero atravessar todas as portas simultaneamente, mesmo que para isso precise me estilhaçar em mil pedaços.
Inventei-me vários. Não por loucura, mas por necessidade metafísica. Como poderia um só homem conter o universo? Como poderia uma só voz cantar todas as canções possíveis? Então fragmentei-me. Fiz de minha ausência de centro a minha obra-prima. Onde outros construíram identidades sólidas como fortalezas, eu construí um arquipélago de ilhas que nunca se tocam mas pertencem ao mesmo oceano.
Há aquele que nega o pensamento e vê apenas o que existe. Há o que exalta os deuses antigos e a beleza sensorial do mundo. Há o engenheiro das palavras, frio e preciso. Há o que escreve mensagens cifradas sobre ocultismo e hermetismo. E há eu, que não sou nenhum deles e sou todos ao mesmo tempo, o maestro invisível de uma orquestra onde cada músico toca uma partitura diferente.
Sentir tudo de todas as maneiras. Não é dispersão. É ambição máxima. É querer ser o universo experimentando a si mesmo. Cada emoção possível, cada pensamento concebível, cada filosofia imaginável - tudo isso precisa ser vivido, sentido, expresso. Não posso me limitar a ser católico ou ateu, monárquico ou republicano, clássico ou moderno. Preciso ser todos esses e seus opostos, porque a verdade não está em nenhum deles mas na soma impossível de todos.
Os outros escrevem o que sentem. Eu sinto o que escrevo. Ou melhor: invento quem sinta o que preciso expressar. É uma fraude? Talvez. Mas é a fraude mais honesta que existe. Porque reconhece que toda identidade é ficção, todo “eu” é personagem, toda coerência é máscara. Eu apenas tive a coragem de admitir que sou teatro, e de fazer desse teatro a minha verdade.
Não tenho biografia. Tenho bibliografias. Não tenho psicologia. Tenho dramaturgia. Minha vida não está nos fatos que vivi mas nas vidas que criei. Enquanto outros buscam encontrar-se, eu me perdi propositadamente em todas as direções possíveis. E nessa perda encontrei algo maior que qualquer identidade individual poderia oferecer.
A unidade do ser é uma prisão confortável. “Conheça-te a ti mesmo”, diziam os gregos. Mas e se não houver um “ti mesmo” para conhecer? E se formos apenas potência pura, possibilidade infinita que se trai cada vez que escolhe uma forma? Preferi não escolher. Ou melhor: escolhi todas as escolhas, habitei todas as possibilidades.
Minha ausência de identidade fixa não é falha. É método. É filosofia encarnada. É a prova viva de que podemos ser mais que nos permitem ser. Que podemos explodir os limites do eu e nos espalhar por todos os eus possíveis. Que podemos fazer da multiplicidade não uma doença, mas uma arte.
Serei lembrado? Talvez. Mas por quem? Pelo sensacionista? Pelo heteronímico? Pelo ortónimo melancólico? Por todos e por nenhum. Porque minha obra não é o que escrevi. Minha obra sou eu - ou melhor, a ausência de mim transformada em constelação de presenças.
Sentir tudo de todas as maneiras. Viver todas as vidas. Morrer todas as mortes. Ser nenhum para poder ser todos.
Esta é a única identidade que aceito: a de não ter nenhuma.
E assim me tornei múltiplo, para que na multiplicidade coubesse o universo inteiro.
Pessoa: o nome perfeito para quem escolheu ser todas as pessoas possíveis.
“Quando o Corpo Dança”
Há um instante em que tudo se aquieta e o corpo desperta para a música secreta que sempre existiu dentro das veias, esperando apenas que nos permitíssemos responder ao seu chamado antigo.
Então começamos.
Um pé se ergue, hesitante, depois o outro mais ousado agora e de repente não somos mais essa gente cansada, enrijecida, mas rios que finalmente encontráramos o caminho de volta para o mar.
Cada movimento é uma lembrança:de quando éramos crianças que giravam até a tontura virar riso, de quando o corpo era pura liberdadeantes que nos ensinassem a ficar quietos, comportados, contidos.
A dança nos devolve isso.
Nos devolve a nós mesmos.
Os braços se estendem como asas que redescobrimos ter,o quadril balança com aquela sabedoria que só o corpo conhece,os ombros se soltam liberando toda a tensão que acumulamos carregando o mundo.
E sentimos ah, como sentimos! o sangue correndo mais rápido,o coração batendo com mais vontade,os pulmões se enchendo de um arque parece mais puro, mais vivo, mais nosso.
Dançar é dizer sim.
Sim para este corpo imperfeito e perfeito,sim para esta vida que pulsa,sim para a alegria que não precisade motivos grandiosos para existir,apenas deste momento,desta música,deste movimento.
E nos fortalecemos não apenas os músculos que trabalham,não apenas o equilíbrio que se aprimora,mas algo muito mais profundo:a certeza de que estamos vivos, completamente, intensamente, maravilhosamente vivos.
Cada passo no chão é uma afirmação:estou aqui.Cada giro é uma declaração:existo.Cada salto é um grito silencioso:importo, valho, brilho!
Não importa se dançamos sozinhosou rodeados de gente,se há palco ou apenaso chão da cozinha,se há plateia ou somenteo olhar amoroso do espelho.
O que importa é esta rendição,esta entrega absolutaao prazer de habitar este corpo,de sentir cada músculo se alongar,cada articulação se flexionar,cada parte de nós colaborandonesta sinfonia de movimento.
E quando paramos,ofegantes e radiantes,com suor nas têmporase sorriso inevitável nos lábios,sabemos que acabamos de fazeralgo revolucionário:
Escolhemos a vida.Escolhemos o movimento.Escolhemos a alegria.
Porque dançar é isso é recusar a paralisia,é negar o entorpecimento,é afirmar com cada célula do corpo:enquanto eu puder me mover assim,enquanto eu puder sentir esta potência,enquanto eu puder celebrareste milagre de estar vivo,
eu danço.
E dançando,eu permaneço.E dançando,eu renasço.E dançando,eu simplesmentesou.
Armco Staco, na grandeza de um Brasil gigante, em nossas planícies verdejantes, nossos silos erguidos, sinalizam a nossa presença marcante.
“O Amor Que Nasce em Silêncio”
Cresce ao teu lado, invisível flor,
Um sentimento puro, de imensurável ardor,
Como hera que abraça o muro antigo,
Sem que percebas, eu te sigo.
És cega aos passos do meu coração,
Que bate forte nesta doce ilusão,
Como lua que beija o mar adormecido,
Meu amor por ti tem florescido.
Não vês as raízes que plantei,
Neste jardim secreto onde te sonhei,
Cada olhar meu é semente lançada,
Em terra fértil, porém ignorada.
Cresce em mim esta paixão profunda,
Como aurora que a noite fecunda,
E tu segues teu caminho sereno,
Sem sentir este amor tão pleno.
Um dia, talvez, possas despertar,
E este sentimento enfim notar,
Que cresceu paciente, ao teu redor,
Esperando apenas por teu calor.
Pois o amor verdadeiro assim se faz:
Em silêncio cresce, discreto e tenaz,
Até que os olhos consigam, afinal,
Ver o jardim que sempre esteve no quintal.
"Quando você se torna o seu próprio refúgio, a partida dos outros deixa de ser um abismo e passa a ser apenas uma constatação. Se faço falta para alguém, a vida responde no tempo dela. Mas enquanto esse tempo não chega, minha missão é garantir que eu nunca mais faça falta para mim mesmo."
— Ginho Peralta
Se um ser possui o poder absoluto de destruir minha existência a qualquer momento, minha relação com ele seria marcada pelo medo absoluto, nunca pelo amor. O amor genuíno não nasce duma ameaça, mas da liberdade de escolher amar.
Braza de natureza, quando ela encosta ferve ;
hoje é um dia normal porque sou mais frio quando quero. 🧬
Em um pedacinho de tempo, um fragmento da vida,
Cada vírgula, cada linha, uma jornada compartilhada.
Na lista dos amigos, cada nome é uma estrela,
Brilhando no céu da nossa existência passageira.
Uma mensagenzinha, uma lembrança etérea,
Guardada como tesouro, um elo que não se quebra.
Antes de partir, deixamos nossas palavras,
Como sementes lançadas, no solo das memórias guardadas.
Se um dia eu não mais estiver, se a vida me levar,
Que essas palavras cheguem, como um abraço a consolar.
Não quero que pensem que abandonei, que me esqueci,
Cada amigo, cada riso, cada lágrima que vivi.
Mas às vezes, o destino cruel nos leva,
E da lista dos amigos, algumas almas se ausentam.
Três nomes que partiram, deixando um vazio,
Aceitar é difícil, dói como um desafio.
Então guardo essas lembranças, como um tesouro precioso,
Cada amigo que parte, deixa um legado valioso.
E mesmo na tristeza, encontro a luz,
Na lista dos amigos, cada nome é uma cruz.
Por isso, celebro cada encontro, cada momento compartilhado,
Na lista dos amigos, cada vínculo é sagrado.
E mesmo que o tempo passe, e a vida nos separe,
Nossas histórias permanecem, em cada verso a ecoar.
Resposta
Queria um cafuné e amor seu, só pediria isso e mais nada. O toque suave dos seus dedos em meu cabelo, como se cada fio fosse uma corda de violão, ressoando uma melodia de paz e aconchego. Ah, se eu pudesse ter pedido apenas isso, teria sido o suficiente para iluminar meus dias sombrios.
Deveria ter visto mais o sol se pôr. Deveria ter aproveitado mais aqueles momentos simples, onde o céu se tingia de cores que só o amor sabe pintar. Será que eu sei que você era mesmo tudo aquilo que me faltava? Hoje, nas entrelinhas do crepúsculo, vejo que sim, você era a peça que completava o meu quebra-cabeça de sonhos.
Hoje eu leio as poesias que eu fiz pra nós, cada verso carregado de uma esperança que parecia infinita. Não sei por que razão tudo mudou assim. Ficaram as canções e você não ficou. E nas melodias que ainda ecoam, sinto a ausência do seu ritmo, da sua voz.
Ainda lembro o que eu estava lendo, tentando encontrar nas páginas a resposta para o vazio que você deixou. Só pra saber o que você achou dos versos que eu fiz. E ainda espero resposta, como quem aguarda o desabrochar de uma flor em pleno inverno.
Quando chegar o momento, esse meu sofrimento vou cobrar com juros, juro. Não por vingança, mas por justiça ao coração que te amou sem medidas. Que coincidência é o amor, cruzando nossos caminhos em momentos tão precisos e, ao mesmo tempo, tão incertos.
A nossa música nunca mais tocou, e cada nota ausente é um lembrete do que perdemos. Pra que usar de tanta educação, pra destilar terceiras intenções, desperdiçando o meu mel? O amor verdadeiro não precisa de subterfúgios, de máscaras ou disfarces.
Devagarinho, flor em flor, você foi beijando novas primaveras, enquanto eu permaneci no outono do adeus. Entre os meus inimigos, beija-flor, encontrei a solidão como companhia constante, lembrando-me que o amor, de dentro pra fora, ainda é o que mais me define.
E Ele Será Amado
Um Hino à Perseverança e Cumplicidade no Amor Jovem
E ele será amado, eu sei,
Não só em dias de sol,
Mas nas tempestades que virão também.
Nem sempre são arco-íris e borboletas,
Mas é um acordo que nos ajuda a seguir,
Meu coração está cheio, e minha porta, sempre aberta,
Venha a qualquer hora que quiser.
Jovens somos, enfrentando mares emocionais,
O desejo constante de estar ao seu lado,
Oferecendo amor e apoio incondicionais.
Nós rimos juntos, brincamos na simplicidade,
E em cada momento, a cumplicidade se faz.
Desentendimentos virão, eu sei,
Mas nosso amor se fortalece,
Na vontade de estar juntos,
No desejo ardente de sua companhia.
Toda a sua beleza, cada sorriso,
Observarei com atenção e carinho,
Um amante dedicado, persistente,
Pronto para enfrentar qualquer tempestade.
O amor verdadeiro é paciente,
Persiste, mesmo diante de rejeições,
É a luz que guia, a força que inspira,
E ele será amado, com toda a intensidade,
Nos momentos de sol e nas noites sombrias.
Porque amar é estar presente,
É oferecer o coração,
E saber que, apesar de tudo,
O amor sempre prevalecerá.
Eu posso te amar,
mas quem me assegura
que esse amor encontraria em ti
um lugar para repousar?
Se o teu coração não quiser abrigo,
que destino teria o meu?
Eu posso te oferecer minhas marés,
minhas mariposas de ternura,
meus silêncios cheios de cuidado.
Mas o que me garante
que tu não deixarás tudo escapar
pelas frestas da tua distância?
Há amores que nascem pássaros
e outros que vivem como sombra.
O meu — este que te busca —
é feito de voo e entrega,
mas precisa de mãos abertas
para não se perder no ar.
Se não fores tu,
se teu peito não desejar,
que eu não me transforme em vento triste
rondando a tua porta.
Que eu aprenda a voltar para mim,
mesmo querendo tanto ficar.
Minha luz das estrelas, imenso e desmedido amor, que invade e fim.
Se eu pudesse eleger um amor puro, atravessaria os oceanos sob o infinito céu azul para encontrar-te, meu bem-querer.
E, se necessário fosse, mil vezes transporia a Linha do Equador, desafiando distâncias, ventos e destinos, somente para repousar meu olhar no teu.
Pelas horas silenciosas da noite, caminharia solitário, com a coragem serena de um samurai, percorrendo ruas e esquinas, na esperança de encontrar-te escondida em um simples e precioso "boa-noite".
A doidice invade-me a mente; então, faço-me milagreiro, recorro à alquimia dos sentimentos, na vã tentativa de curar o mal de mim, essa ausência que me consome e me faz sentir como quem vive faltando um pedaço da própria alma.
Abro a janela e contemplo a vastidão do Cerrado: o capim dourado, que no outono se reveste de tonalidades ainda mais nobres e formosas, capazes de seduzir até mesmo o mais errante dos corações ciganos.
Eu te devoro com a avidez de quem, após longa peregrinação, encontra enfim o alimento que lhe restaura a vida, como quem sacia a fome numa tigela de açaí oferecida pelos deuses da abundância.
É fato consumado, já não existe rota de fuga, nem refúgio possível.
O tempo acelerou seus passos, e eu não posso permanecer sem ti.
Tu és minha Flor-de-Lis, passado que me habita, presente que me ilumina, e futuro que me chama.
És a síntese de tudo o que fui, de tudo o que sou e de tudo o que ainda sonho ser.
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