Lágrimas
Quando as lágrimas insistirem,
nublando o teu olhar, tenha esperança,
aquiete a alma, enxugue os olhos,
em breve o sol novamente irá brilhar
Um rio vem da nascente,
seja ela de onde for,
as lágrimas que brotam na gente,
quase sempre são por amor!
Quando uma lágrima solitária e teimosa,cisma em descerpelo meu rosto, ignoro-a, porque já não tenho mais a ansiedade da espera e nem o temor da ausência !
Sigo o rasto das minhas lágrimas até ao meu choro interno, reparo que quem chora não são os meus olhos mas, sim a felicidade.
As lágrimas são substâncias líquidas, condensadas pelo coração, onde as pálpebras narram o posfácio dos sentimentos.
As tempestades internas ensinam-nos que as lágrimas exigem desaguar para alcançarmos a foz da tranquilidade.
A Sobrevivente e Espessa Lágrima.
A dor é uma ilusão de carne.
É uma abstinência à insensibilidade,
como um consumo que circula na alma.
O álgido olhar que consome a vida
alimenta-se da estrábica melancolia,
descerra o escudo da existência.
Golpes suspensos nas pupilas,
marcham exaustos e condenados
num acrómico álbum de sal.
Revolta-se um pedaço de esperança,
cospe o grito pungente na valsa do chão
e ergue-se a sobrevivente e espessa lágrima.
Calafetado Poema
Os cílios cerrados do agudo penhasco
derramam lágrimas de vento e granizo
no terreno arborizado dos cinco sentidos
antes do combate entre a fecunda existência
e a íntima e persistente irrealidade.
O declive inalterável das horas abana os dias
onde os vagos versos caídos no calafetado poema
não dizem uma sílaba: escorrem as dores mudas do Amor.
No leito fundo do meu coração de carne
Navega, à bolina, a intrépida canção da sereia.
