Lábios

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O sangue escorre sobre meu lábios
Meus sonhos já foram destruídos
mas, sem razão, há um pouco de esperança em mim.
São três da madrugada
e enquanto a lâmina desliza sobre minha pele
minha mente se mutila com uma questão
Por que não pode ser eterno?
Os ponteiros do relógio parece que nem se movem.
Enquanto eu choro
Tudo parece tão distante e impossível
Igual ao seu amor.

É sempre nos meus pulos o limite
É sempre nos meus lábios a estampilha
É sempre no meu não aquele trauma.

Carlos Drummond de Andrade

Nota: in Enterrados Vivos

Procuro pelo seu olhar que tanto desejo sobre mim...
Pelo beijo ardente de seus lábios, pelo toque de suas mãos em meu corpo...
Quero sentir o teu cheiro, e ouvir o sussurro de sua voz nos momentos de amor...
Seus olhos e suas mãos explorando todo meu corpo...
As batidas de seu coração acelerando e sua respiração ofegante durante a explosão do amor...
Não precisa dizer nada, apenas me ame com intensidade, me faça acreditar que possa ser real, e então misture todo o seu desejo ao meu, porque ninguém pode nos tirar um do outro...
Ninguém pode dormir o meu sonho, e o meu desejo pertence ao meu coração...
O meu coração me diz
o quanto te quero, e minha alma se acalenta somente junto a sua...
Me deixa te olhar, te desejar, não me abandone...
Promete ficar, não permite que o tempo nos separe...
Não quero acordar e te ver partir, então entra no meu sonho e permaneça.
Percebi que não devo fingir não te querer, já que se tornou parte de mim, não me permito mais seguir a vida sem a tua presença, então entendi que sem sonhos não vivo, pois você alimenta os meus mais lindos sonhos e desejos."
Roseane Rodrigues

Quando olhares para o horizonte e sentir uma leve brisa tocar seus lábios, saiba que sou eu lhe beijando em silêncio.

Eu agradeço a Deus por sua infinita bondade, por plantar sorrisos em meus lábios, por ser o símbolo e o significado de tudo o que me torna cada dia melhor...

Não se engane, não é porque estou sorrindo que estou feliz, apenas escondo atrás de meus lábios meu verdadeiro sentimento

Queria ao menos te ter ao meu lado, sentir seus lábios aos meus e o teu abraço… Ou quem sabe, apenas sentir tua presença.

O problema, é que não sei aonde te encontrar.

Nossos olhares se cruzam, os lábios se tocam.
O calor, o cheiro e fluidos se fundem a ponto de nos tornarmos um só, enquanto o ambiente se perfuma de amor ao som de dois tambores.
Respiração ofegante, um sorriso suave, nossos corpos suados e trêmulos largados lado à lado; exaustos mas ainda conectados pelos mesmos sentimentos.

Os lábios podem fingir, mas os olhos revelam o coração.

Os lábios do justo ensinam muito
Mas os tolos morrem querendo a sabedoria
A riqueza do homem rico é a sua cidade,
A riqueza do homem justo é o seu Lugar Sagrado,
[...]
Destruição do pobre é a pobreza,
Destruição da alma é a vaidade.
[...]
Mas eu não quero te dar regras
Nem enganá-lo
Nem escolarizá-lo
Sobre coisas que você nunca iria saber

Agora você tem a errada interpretação
Misturada com sua imaginação vã
Tolo do colarinho duro, você se acha legal
Por me negar por minha simplicidade.

O beijo é uma declaração de amor feita com o roçar dos lábios, com o tocar de línguas e o sussurro mudo de dois corações apaixonados.

''No cais dos meus lábios tenho guardado os beijos mais verossímeis aos meus segredos eternos desse amor ainda mascarado. Tenho escolhido as primaveras certas, as flores perfumadas, ornamentando minha alma para quando você voltar. Andei trocando botas com o vento, perguntando por você, descobri que uma andorinha foi enviada com a tarefa de trazer você de volta ao meu coração, para esse jardim que sempre lhe pertenceu, desde as primeiras sementes, as mudas de árvore, que separei.

Tenho chorado pouco, isso é um ótimo sinal; sinal que em meu coração resplandece a esperança, abdicando da vida de fugitiva para fazer morada em mim, ao lado das nossas fotografias grudadas na parede da memória, fincadas em minha pele como proteção do sol. Eu tenho segurado a porta aberta da nossa casa, deixando que qualquer rastro seu adentre nosso mundo – agora apenas meu –, permitindo que qualquer gota de nós se misture com minhas memórias e inunde meu amor, dominando os espaços vagos do meu abrigo, esse meu forte de guerra. Não me incomodo mais com a solidão durante as longas horas noturnas, fico ouvindo as cotovias desleixadas ou uma coruja qualquer a pronunciar palavras em mim, se espalhando pela escuridão do meu quarto, contando as histórias de nós dois.

Eu deixei de ser caravela ao notar que ser porto é mais saudável, mais eterno. Quem sabe um dia o senhor desaponte no horizonte, lançando um olá tão distante, voltando a ser meu, e finque seus pés em minha areia, fazendo das minhas terras o seu refúgio, da minha ilha seu lar, sem mais partidas, sem mais recomeços, sendo somente continuidade.
Eu deixei de ser mulher para o mundo, para continuar sendo a sua bailarina de porcelana, presa em sua caixinha de música, esperando suas mãos para dar corda a minha solitária dança ao som dos meus lamentos eternos. Eu deixei de ser mar e me tornei vento à sua espera. Hoje, eu sou palavra à espera de quando voltará a me pronunciar.''

Saboreio este dia,
Fruto roubado no pomar do tempo.
Sabe-me a novidade,
Deixa-me os lábios doces.
Tem a polpa de sol, e dentro dele
Calmas sementes de outro sol futuro.
Cheira a terra lavrada e a maresia.
E tão livre e maduro,
Que quando o apanhei já ele caía.

Lágrima

"Orvalho salgado descendo dos olhos aos lábios; gosto conhecido de momentos e sentimentos opostos."

O mundo está mudado porque você é feito de marfim e ouro. As curvas de seus lábios reescrevem a História.

Teus beijos ainda os sinto em meus lábios...em meu corpo quente como se esse tempo não tivesse sido capaz de tirar teu cheiro de mim...a verdade é que ainda tas em mim...como uma tatuagem...impregnado nos meus passos como um vício...dos sentimentos que nutro por ti o que mais machuca é a saudade...a falta das tuas verdades que hoje são tão minhas...a falta da tua paz, a paz das tuas palavras, a paz do teu riso...é tão determinante o que de ti aprendi mesmo longe tento por em prática, juro eu tento...
No caminho que escolhi quando olho pra trás já não enxergo teus passos, consegui andar o suficiente para não mais os vê...mas um dia quem sabe num atalho eles reapareçam livres...livres ao encontro dos meus.Só quero parar de desejar teu colo...parar de fechar os olhos e nos ver...só quero parar de ser tua, pois nunca foste meu...mas quando não canto nossa canção minha alma grita...quando não penso em você minha manhã escurece...quando não sonho com você tenho sede...uma sede angustiante de nós...
Hoje o meu maior desafio é lembrar de nós e rir...rir das nossas lições...rir dos nossos planos...rir dos nossos erros infantis...rir dos encontros que nunca aconteceram...rir do que a paixão nos permitiu ser...enfim ser feliz mesmo que pra isso eu dependa das tatuagens que tuas lembranças me deixaram...

Beber toda a ternura
Não ter morada
habitar
como um beijo
entre os lábios
fingir-se ausente
e suspirar
(o meu corpo
não se reconhece na espera)
percorrer com um só gesto
o teu corpo
e beber toda a ternura
para refazer
o rosto em que desapareces
o abraço em que desobedeces

(Em "Raiz de orvalho e outros poemas". Lisboa: Editorial Caminho, 1999. Fonte: elfikurten.com.br)

Certa vez ele sugou Com um longo beijo, toda a minha alma através Dos meus lábios, como a luz do sol bebe o orvalho

Se eu de ti me esquecer

Se eu de ti me esquecer, nem mais um riso
Possam meus tristes lábios desprender;
Para sempre abandone-me a esperança,
Se eu de ti me esquecer.

Neguem-me auras o ar, neguem-me os bosques
Sombra amiga, em que possa adormecer,
Não tenham para mim murmúrio as águas,
Se eu de ti me esquecer.

Em minhas mãos em áspide se mude
No mesmo instante a flor, que eu for colher;
Em fel a fonte, a que chegar meus lábios,
Se eu de ti me esquecer.

Em meu peregrinar jamais encontre
Pobre albergue, onde possa me acolher;
De plaga em plaga, foragido vague,
Se eu de ti me esquecer.

Qual sombra de precito entre os viventes
Passe os míseros dias a gemer,
E em meus martírios me escarneça o mundo,
Se eu de ti me esquecer.

Se eu de ti me esquecer, nem uma lágrima
Caia sobre o sepulcro, em que eu jazer;
Por todos esquecido viva e morra,
Se eu de ti me esquecer.

Bernardo Guimarães
GUIMARÃES, B., Cantos da solidão, Tip. Americana de José Soares de Pinho, 1858, RJ

Diz o meu nome
pronuncia-o
como se as sílabas te queimassem os lábios
sopra-o com a suavidade
de uma confidência
para que o escuro apeteça
para que se desatem os teus cabelos
para que aconteça

Porque eu cresço para ti
sou eu dentro de ti
que bebe a última gota
e te conduzo a um lugar
sem tempo nem contorno

Porque apenas para os teus olhos
sou gesto e cor
e dentro de ti
me recolho ferido
exausto dos combates
em que a mim próprio me venci

Porque a minha mão infatigável
procura o interior e o avesso
da aparência
porque o tempo em que vivo
morre de ser ontem
e é urgente inventar
outra maneira de navegar
outro rumo outro pulsar
para dar esperança aos portos
que aguardam pensativos

No húmido centro da noite
diz o meu nome
como se eu te fosse estranho
como se fosse intruso
para que eu mesmo me desconheça
e me sobressalte
quando suavemente
pronunciares o meu nome

Mia Couto, in 'Raiz de Orvalho'