Jardim das Borboletas Vinicius de Moraes
Invisíveis
Não posso fechar os meus olhos,
a cada esquina que passo sempre vejo o descaso,
em cada olhar vazio,
sinto um pouco da esperança aos pedaços.
São tantas pessoas,
tantas vidas procurando algum calor,
em meio a chuva, em meio ao frio,
permanecem invisíveis.
Os invisíveis somos nós,
os insensíveis nunca andam sós,
quem não enxerga os problemas reais,
não enxerga a própria razão de existir.
(César Jardim)
Sempre Juntos
Amor,
sei que às vezes não sou perfeito,
Mas eu te amo do meu jeito,
Não quero que o tempo acabe,
Não quero que a vida apague
O desenho da tua existência.
Amor,
sei que às vezes eu erro,
E quando eu te pedir perdão,
Olhe nos meus olhos,
Algumas vezes me perco,
Mas acabo voltando a ti
Meu grande amor,
Mesmo que o dia acabe,
Tenho a certeza que quero,
Viver cada passo ao lado seu,
Conquistando teu puro amor.
Meu amor,
Estou sempre de braços abertos,
e sempre te espero a cada momento,
mesmo que a vida seja difícil,
e você não consiga mais caminhar,
te carregarei no colo,
para que eu nunca fique longe do teu olhar.
(César Jardim)
Vida
Quando a gente se sente envolvido por um sentimento,
as vezes não podemos fugir, nem fingir que não ligamos,
O que não podemos é perder tempo, pois os bons momentos,
devem ser aproveitados, não devemos amar o que perder,
e nem perder a quem amar.
Quem foge do seu destino, muitas vezes se arrepende,
mas ai aprende e se prende a pensar, que cada dia na vida é importante,
mesmo que seja passageiro, um minuto pode durar uma vida inteira.
Não sabemos se estaremos aqui, hoje ou amanhã,
talvez eu tenha filhos, talvez eu plante uma árvore,
um dia sentirei saudades de pessoas que estão sempre ao meu lado,
e por isso não deixemos nunca de aproveitar a vida,
pois uma das maiores lições da vida é viver.
(César Jardim)
Mentira
A primeira flor caiu,
Veja as nuvens ao redor do sol,
no horizonte,
sei que ainda espera por mim.
Renasci do fogo,
meu primeiro passo foi tão curto,
no silêncio,
ainda ouço a sua voz.
Depois da luta,
a verdade vem,
quem bate a porta é o meu passado,
o amor.
Se eu fugi,
apenas foi coragem,
a hora certa,
A escolha errada.
Longe de você,
longos são meus dias,
tão pouco me restou,
apenas a mentira.
(César Jardim)
Amor em alto mar
Navego em alto mar,
calmaria das ondas,
maresia me sinto a distâncias,
ao alto balanço,
apenas as manhas das marés.
Mas assim como em outros tempos,
bem lá quando eu era menino,
nas histórias das sereias,
que ao canto mais bonito,
ao marinheiro apaixonar.
E de encantos preenchendo,
as lacunas do destino,
vivendo entre as profundezas,
no qual dos sonhos o mais lindo.
E vivo sempre na esperança,
de um dia encontrar,
a lenda viva permanece,
em cada onda que eu cruzar.
(César Jardim)
Caminho
A correnteza leva embora,
o que traz de longe,
Por que não seguimos como antes,
o que começamos hoje?
A nossa vida segue,
como o rumo da paixão,
eu voo com as asas da liberdade,
pra encontrar seu coração.
Vamos escrever em cima,
das páginas do livro da vida,
andar sobre as flores despedaçadas,
entre as pedras em um caminho.
Não temos a beleza dos pássaros,
Apenas o tempo em nossas mãos,
o tempo que crio é coragem,
e o que perco é ilusão.
(César Jardim)
O tempo passou e fui me acomodando e me conformando com injustiças. Cometia erros sozinho, tornei-me só mesmo, a ilha excluída de seu arquipélago.
Meu Coração
Eu tenho um coração um século atrasado
ainda vive a sonhar... ainda sonha, a sofrer...
acredita que o mundo é um castelo encantado
e, criança, vive a rir, batendo de prazer...
Eu tenho um coração - um mísero coitado
que um dia há de por fim, o mundo compreender...
- é um poeta, um sonhador, um pobre esperançado
que habita no meu peito e enche de sons meu ser...
Quando tudo é matéria e é sombra - ele é uma luz
ainda crê na ilusão, no amor, na fantasia
sabe todos de cor os versos que compus...
Deus pôs-me um coração com certeza enganado:
- e é por isso talvez, que ainda faço poesia
lembrando um sonhador do século passado
Há muito tempo perdi o pássaro da minha vida; Fiz das minhas mãos gaiola para prendê-lo; Mas parecia não mais possuir dedos pra contê-lo; E no desespero fatal, esmaguei-o de afetos, de / carinho... Matei o pássaro dos meus sonhos! Matei o pássaro do meu ninho!
20 de Junho de 1942
Tenho vontade de escrever, e tenho uma necessidade ainda maior de tirar todo o tipo de coisas de dentro do meu peito.
O verbo amar
Te amei: era de longe que te olhava
e de longe me olhavas vagamente...
Ah, quanta coisa nesse tempo a gente sente,
que a alma da gente faz escrava.
Te amava: como inquieto adolescente,
tremendo ao te enlaçar, e te enlaçava
adivinhando esse mistério ardente
do mundo, em cada beijo que te dava.
Te amo: e ao te amar assim vou conjugando
os tempos todos desse amor, enquanto
segue a vida, vivendo, e eu, vou te amando...
Te amar: é mais que em verbo é a minha lei,
e é por ti que o repito no meu canto:
te amei, te amava, te amo e te amarei!
(Do livro - Bazar de Ritmos - 1935)
Coisas boas acontecem
Um dia nublado também vale
Um desafeto também faz parte
A zona de conforto te salva
Nem tudo é para ser levado a sério
Não é certo, mas no momento é o certo a ser feito
Já é tarde, mas pode ser refeito
Riso
Às vezes nem precisa de motivo
É a tal felicidade que não cabe no peito e transborda
De certo sentir que "de repente do pranto, fez-se o riso"
O descontrole físico que não passa despercebido, cada passo, gesto, berro, é belo aos olhos de quem pode enxergar
O contentamento de ser o que se é, sem nem perceber
A risibilidade volátil existente na linha tênue que é viver
Implacável e maçante para quem não consegue entender que nem todo dia é dia de prantear.
Saia da luz e posicione-se à frente de uma porta aberta para uma sala escura. O medo é o medo de sentir medo. O medo não existe, é ilusão.
