Jardim das Borboletas Vinicius de Moraes
Sabe quando você não quer, mas precisa conversar, e não se sente à vontade de falar disso com ninguém e também não sabe nem por onde começar? Então…
Ele: O que você leva nessa bolsa?
Ela: Coisas de menina.
Ele: Tipo o que?
Ela: Ah, de tudo. Maquiagem, um pente e meu diário...
Ele: Diário? O que meninas escrevem num diário?
Ela: O que os meninos causam nelas.
Ele: Posso ler o seu?
Ela: Não, você vai encontrar muitas páginas com seu nome.
Chega uma hora que a gente escolhe se afastar de todo mundo pra esperar a dor passar… e quando você se afasta, você sabe que pode chorar à vontade. Mas quando tudo passa, você pensa que se alguém estivesse com você, a dor seria menor. Mas está tudo bem. Agora sabemos que é melhor pensar no resultado que uma escolha pode causar… em todos os sentidos!
Nesses dias tão frios de chuva… é que eu queria seus braços ao meu redor, me protegendo dos medos e do frio.
Se você sente vontade de expor verdades, de brigar e jogar tudo na cara dele, obviamente, você ainda tem sentimentos por ele e não pode negar.
Era como tentar encher um saco grande sem fundo… um trabalho contínuo e que não teria fim, mas mesmo assim eu estava lá e aguentei até o fim, por motivos que hoje não fazem sentido.
Eu vi pessoas indo embora, e eu ali, sem poder fazer alguma coisa pra impedir. Dói quando as pessoas tem que te deixar, mas dói ainda mais quando elas estão por perto, e te deixam por algo que elas julgam mais importante.
E eu? Bom, eu sou um erro no percurso, uma curva mal feita, a batida do carro, um grito de desespero, sou a visão de um cego, a audição do surdo, sou o espinho da rosa, a guerra na faixa de Gaza, sou aquela lágrima que não cai, a angústia, sou as palavras não ditas, sou o adeus, a ida, a partida, o não voltar mais. Sou aquilo que incomoda, pesa, dói e machuca.
Eu sou tão fraca, tão estúpida, tão tola, tão nada, tão ninguém. Não aceito você me amar. Como pode amar alguém assim?
Eu não preciso de ajuda, nem de palavras de consolo e nem mesmo de um abraço. Eu não preciso de nada. Agora vai embora e encontre o tudo que você merece. Eu estou bem.
Eu sou aquele tipo de pessoa fachada. Você sempre vai me ver sorrindo, conversando animada, ouvindo atentamente o outro e fazendo o impossível para ajudar. Mas aqui dentro tem uma grande escuridão, tem uma pessoa que esfriou, uma flor morta, uma borboleta sem asas, um alma doente, que de vez em quando escapa por ali ou por aqui.
Vou ser importante pra mim, não vou ser mais discreta e nem mais ousada. Vou ser sempre como uma borboleta, que se transforma dentro do casulo e conserva sua essência até se sentir preparada para mostrar-se para os outros.
