Jardim das Borboletas Vinicius de Moraes
Quanta ansiedade... Hoje em dia quanta demanda de nós mesmos... são informações demais, apelos de consumo demais, escolhas demais... e tempo de menos.
Gabriel suspirou profundamente.
- Vou ser expulso do Paraíso amanhã, Beatriz. Nossa única esperança é que você me encontre depois. Procure por mim no Inferno.
"- Ela disse: 'Estou com tanto medo...' E eu perguntei: 'Porquê?' Aí, ela respondeu: 'Porque estou me sentindo profundamente feliz, Dr. Rasul. E uma felicidade assim é assustadora.' Voltei a perguntar por quê, e ela prosseguiu: 'Só permitem que alguém seja assim tão feliz se estão se preparando para lhe tirar algo', e eu disse: 'Agora, chega. Já basta dessas tolices'."
A incerteza é o pior
Ela corta o futuro
Destroe os caminhos
Queima as possibilidades
Deixo de respirar no agora
Me paraliso
Porque penso demais
Questiono demais
O 'talvez' me assusta
O 'quem sabe' me aterroriza
E me afogo em angústia
Preso no medo de um futuro que talvez nunca aconteça
"Este povo, que andava nas trevas, viu uma grande luz", afirmou o profeta Isaías, "aos que habitavam na região da sombra da morte, nasceu-lhes o dia."
Posso responder resumidamente: o homem só é feliz se puder desenvolver e utilizar todas as suas capacidades e possibilidades.
Portanto, toda e qualquer decisão unilateral deve ser recusada. Se Aristóteles vivesse hoje, talvez ele dissesse que a vida de uma pessoa que só cultiva o corpo é tão unilateral - e portanto tão lacunosa - quanto a vida de outra que só usa a cabeça. Ambos os extremos são expressão de um modo errado de viver a vida.
"A diferença de ser um lider ou ser um ditador, é que o lider, respeita seus liderados e busca desenvolver o maximo do potencial destes, mesmo que seja para superá-lo na liderança. Já o ditador, não suporta a idéia de que qualquer um debaixo da sua liderança ou que de alguma forma está sujeito a ele, possam desenvolver seus potenciais, e muito menos ao ponto de ser supera-lo".
E, à medida que a existência corria, tornava-se mais oca, mais tola. “É como se eu estivesse descendo uma montanha, pensando que a galgava. Exatamente isso. Perante a opinião pública, eu subia, mas, na verdade, afundava. E agora cheguei ao fim – a sepultura me espera."
…“Naquela mesma noite escrevi minha primeira história…era um pequeno conto meio soturno sobre um homem que encontra um cálice mágico e fica sabendo que, se chorar dentro dele, suas lágrimas vão se transformar em pérolas. Mas, embora tenha sido sempre muito pobre, ele era feliz e raramente chorava. Tratou então de encontrar meios de ficar triste para que as sua lágrimas pudessem fazer dele um homem rico. Quanto mais acumulava pérolas, mais ambicioso ficava. A história terminava com o homem sentado em uma montanha de pérolas, segurando uma faca na mão, chorando incosolável dentro do cálice e tendo nos braços o cadáver da esposa que tanto amava…
… sacudi Hassan, para acordá-lo, e perguntei se queria ouvir uma história…Li a história para ele na sala de visistas, perto da lareira de mármore…Hassan era o público perfeito, em todos os sentidos: inteiramente absorto na narrativa, a expressão de seu rosto ia se modificando de acordo com os tons que a história ia assumindo. Quando li a ultima frase, ele fez com as mãos o gesto do aplauso sem som.
- Mashallah, Amir jan, bravo!- disse ele radiante.
- Gostou? – indaguei eu, esperando sentir pela segunda vez o sabor, e como era doce, de uma apreciação positiva.
Hesitou um pouco , então, como se estivesse prestes a acrescentar algo. Pensou bem as palavras e pigarreou.
- Mas posso perguntar uma coisa sobre a história? – indagou envergonhado.
- Claro.
- Bem…- principiou ele, mas logo parou.
- Pode falar, Hassan – disse eu. E sorri, embora, de repente, o escritor inseguro que havia em mim não subesse muito bem se queria ou não ouvir o que ele tinha a dizer.
- Bem… - recomeçou ele – o que eu queria perguntar é por que o homem matou a esposa. Na verdade, por que ele precisava estar triste para derramar lágrimas? Será que não podia simplesmente cheirar cebola?
Fquei pasmo. Um detalhe como esse, tão óbvio que chegava a ser absolutamente estúpido, não tinha me ocorrido. Movi os lábios sem emitir som algum. Parecia que na mesma noite em que eu tinha aprendido qual era um dos objetivos da escrita, a ironia, ia ser apresentado também a uma de suas armadilhas: os furos da trama. E, entre todas as criaturas do mundo, Hassan é que foi me ensinar isso. Hassan que não sabia ler e nunca tinha escrito uma única palavra em toda sua vida.
Não se trata de tocar
bem ou mal, é como
se sente a respeito do
que você toca.
O importante é sentir
a musica que toca.
