Guilherme de Almeida, Azul e Outras Cores

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Passei muito tempo fazendo querer
E nada querendo fazer

Guilherme de Almeida, Azul e Outras Cores

Estava morrendo sufocado
E mesmo assim
Insisti em soprar meu ar
Nos seus pulmões

Guilherme de Almeida, Azul e Outras Cores
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(...)Por fora ela era todas as cores
Mas no fundo
Lá no fundo
Ela era azul

Guilherme de Almeida, Azul e Outras Cores
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Você não pode se doar a ninguém, se você nunca quis comprar a si mesmo.

Guilherme de Almeida, Azul e Outras Cores

Somente quando ela perdeu suas asas
Soube que o que mais amava na vida
Era voar

Guilherme de Almeida, Azul e Outras Cores
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Eu me afogo
Me afogo no vazio do meu peito
E sigo em queda
No infinito constante de mim mesmo

Guilherme de Almeida, Azul e Outras Cores

Estou cercado de enfermos
Que insistem em dizer
Que a doença está em mim

Guilherme de Almeida, Azul e Outras Cores

Ela sabe que você a teme
E por isso ela está sempre a ganhar

Guilherme de Almeida, Azul e Outras Cores
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Quanto mais eu digo
Que não sinto nada
Mais e mais eu me deixo
E desabo em um penhasco infinito
De puro sentimento

Guilherme de Almeida, Azul e Outras Cores

Despertar

Todo o meu medo
Todo o meu horror
O frio
A dor

Toda minha angústia
E meu tormento
Do ócio ao ódio
Virando desprezo

Tudo parte de mim

E talvez
Nada esteja errado
E todo o mal que eu enxergo
Estava todo em mim
Enterrado

Guilherme de Almeida, Azul e Outras Cores

Sinta

Não há porque tentar
A fuga é inevitável
Todos os caminhos
Todas as escolhas
Nada pode evitar o único destino possível

Não importa o sentimento
Não importa o quanto doa
Você precisa fechar os olhos
Precisa viajar em você mesmo
Precisa saber
Não a porque mentir
Você precisa
Sentir

Guilherme de Almeida, Azul e Outras Cores

A incerteza é o pior
Ela corta o futuro
Destroe os caminhos
Queima as possibilidades

Deixo de respirar no agora
Me paraliso
Porque penso demais
Questiono demais

O 'talvez' me assusta
O 'quem sabe' me aterroriza
E me afogo em angústia
Preso no medo de um futuro que talvez nunca aconteça

Guilherme de Almeida, Azul e Outras Cores

Eu Devia

Não
Porque não posso
Porque não sei
Não consigo
Não devo

Respiro
Penso
Tento
Não consigo
Não devo

Paro
Engulo
Abro os olhos
Mas eu nao consigo
Nao devo

Então eu me afundo
Me derramo
Perco
E no silêncio
Eu percebo

Eu poderia
Eu sabia
Eu conseguiria
Eu devia

Então volto a respirar
Volto a ver
Volto a pensar
E as coisas são claras agora

A vida
Nada mais é que uma grande aposta
Em que um grande homem diz que você pode
Mas você vive dizendo que não
E acaba ganhando a aposta
Por medo de estar errado.

Guilherme de Almeida, Azul e Outras Cores
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Ao Mar

Eu me lanço ao mar

Um mar de incertezas
Um mar de desafios
Um mar turbulento
O mar mais violento que ja conheci

E ele me leva pro desconhecido
Para terras assustadoras
Terras de problemas sem solução
Terras de tempestades eternas

E eu gosto

Guilherme de Almeida, Azul e Outras Cores
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Vivo

Eu caí
Me deixei cair
E fui absorvido por tudo
Um oceano de sentimentos
Um oceano de sensações
E foi bom

Porém
Algo estava errado
Não conseguia me mexer
Não conseguia respirar
Estava engasgando

Invadiu meus pulmões
Já não podia mais respirar
Já não podia mais ver
Ja não podia mais sentir
Me afoguei

Mas
Nada me puxa para o fundo desse oceano infinito
Então porque eu continuo a descer?
Porque continuo negando que posso voltar a superfície?
Porque não consigo me permitir?

Minha última gota de força me faz subir
E começo a sentir meus dedos
Minhas pernas
Meus braços
Consigo me mover novamente

Sinto o peso esvair de mim
E o ar enche meus pulmões
Respirar dói
Como da primeira vez

Mas agora
Tudo é diferente
Posso ver
Estou vivo
Como nunca estive antes

Guilherme de Almeida, Azul e Outras Cores
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Ele era a faca mais afiada que eu ja conheci
E decidi enfia-la no meu peito
Porque ingenuamente achei que não iria doer

Senti a pontada por todo o meu corpo
Mas eu não queria acreditar que doía
Por mais que o sangue já me encharcasse inteiro

E quando você estava quase me transpassando
Eu tirei você de mim
E doeu ainda mais

Mas pelo menos agora eu sei
Que por mais que a dor seja horrivel
A ferida pode finalmente cicatrizar

Guilherme de Almeida, Azul e Outras Cores
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Se vá

Quando nós nos olhamos pela primeira vez
Ela disse que eu a olhava como ninguém jamais fez
E é verdade
Ela era diferente

E ela dizia
"Você é linda e nunca vou deixar você ir embora"
Ela viu uma beleza que eu não enchergava em mim mesma
E eu não quis me ir

E quando acabou
Ela me ignorou
Me abandonou
Fugiu de tudo o que tinhamos

Ela disse que não me deixaria ir embora
Mas ela mesma foi

Guilherme de Almeida, Azul e Outras Cores
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deixei que ela me moldasse
e me tornei uma obra de arte
que eu mesmo não compraria.

Guilherme de Almeida, Azul e Outras Cores
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Paro e penso
E penso em parar
Mas percebo
Que só parei de pensar

Guilherme de Almeida, Azul e Outras Cores
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Todos diziam
Que eu era frio
Que tinha um coração de pedra
Que não tinha sentimentos

Os sentimentos só machucam as pessoas
E eu simplesmente deveria guardar meu coração num armário escuro
Mas nao adianta fingir que la ele estaria imune
Ele só estaria escondido

Coisas escondidas mofam
E estragam
Por isso deixei ele bater
Mesmo se sangrar

Porque quando algo sangra
Significa que ele funciona
E se doi
Significa que eu sinto

Eu sou quente
Meu coração é de carne
Eu tenho sentimentos, até demais
Eu estou vivo

Guilherme de Almeida, Azul e Outras Cores
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Chuva

Ela lava-me a alma
E sinto o peso me esvaindo
Me derramo
E me sinto

O ar está leve agora
Tudo está leve
Inclusive meu peito
Que já pode encher-se novamente

A leveza está no seu eu
E o seu eu é pura leveza
Que é embalada
Pelo som da chuva

Guilherme de Almeida, Azul e Outras Cores
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não saem de mim
estão sempre ali
fazendo-me reviver tudo
fazendo-me não suportar meu eu

e questionar o porquê de coisas
que não se respondem
pois nunca
se perguntaram

Guilherme de Almeida, Azul e Outras Cores
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Tudo posso

QUERO GRITAR
ESVAZIAR O PEITO DE UMA SÓ VEZ
TIRAR TODO O PESO DE MIM
mas nada posso

QUERO CORRER
DEIXAR TUDO PRA TRÁS
FUGIR DESSA ANGÚSTIA
mas nada posso

QUERO BATER EM ALGO
USAR O PUNHO COMO MINHAS PALAVRAS
GOLPEAR ALGO COM FORÇA PARA ESMAGAR A DOR
mas nada posso

Só me resta fechar os olhos
Respirar o mais fundo que o meu peito permite
E enquanto mergulho dentro do meu eu...
Tudo posso

Guilherme de Almeida, Azul e Outras Cores
Inserida por azuleoutrascores

Coloco o copo sobre a mesa
Estou satisfeito
Bebi demais dessa sua necessidade
De querer ser vinho
Quando não passa de um pacote de kissuco

Guilherme de Almeida, Azul e Outras Cores
Inserida por azuleoutrascores