Jardim das Borboletas Vinicius de Moraes
A loucura já arrastava lentamente cada grão de incerteza que havia em consoante do eu próprio. Diante perfeita escuridão tão longínqua fazia luz o sorriso próximo da própria alma. Pois diante os infinitos pequenos pedaços do tempo, nem mesmo tal eternidade daria fim ao caos que trazia tamanha e bela felicidade. E de tantos fins, inefável era o sentimento ilustre de afinidade com o raro e incomum senso de libertação, não do externo, mas de si mesmo. De tudo que restou, fazia-me completo em meu ser a crescente inexistência de tudo que já não havia mais razão, e dessa forma, veio-me a tão simples e singular plenitude que transcendia o real valor da vida, a incompletude.
Preciso daquela ideia que me impulsiona, daquela voz que move o corpo até objetivo, estar vivo, sorrindo ou chorando, segundo o texto bíblico: estou pecando, quando eu morrer vou nascer em outra forma de vida, a importância do espírito é coletiva, me vendem doenças por prazer, doenças do prazer, só quero a paz de espírito, busco o que está além do corpo, o metafísico, lírico, existencialismo que me induz ao ideal, fratura que espoe fraqueza, acostumados, necessitamos de atenção e de carinho, vou falar disso com alguém, vão dizer que estou mentindo, que isso não importa, então eu sigo rindo e depressivo, alguém me pergunta: o que tenho haver com isso? São minhas escolhas, não importa se fui induzido, iludido, vivi de máscara até esse
momento, é aqui que falo o que eu sinto, o que eu vejo e almejo. Foi no desprezo que percebi que nem sempre saio ileso, me diz o que você tá vendo, vivendo. Eu tô só escrevendo. Tirei a venda dos olhos, vivemos feito foca, mente que desfoca, sufoca, crematório pra não poluir o solo. Energia negativa e positiva me instiga. Animal que respira instinto e desejo. Só quero o que vejo. Nasci dono de tudo. Sou meu próprio mundo. Criei Deus pra me livrar, só quero sonhar, a vida é ocasião predestinada. Meu corpo deseja o que é proibido, instinto primitivo, sou mais do que me mostra o algoritmo, rítmico, mímico, de frente pro abismo acalmando meu espírito, já pensei em me jogar e terminar com tudo isso.
Negeralizo, contabilizo, esses tempos estava mentindo, usei a ocasião para aplicar, o oportunismo, igual ao mister M revelando qual o truque, abra cadabra, vida moderna que me impulsiona pros memes, nunca li o genisis, outra forma de preencher o vazio de não nos conhecermos, igual um prato vazio a espera do alimento, massa sem fermento, alimento no deserto, sendo esperto antes de ser um feto dentro do ovário, o significado da vida está no dicionário, pretenção mais ação, ficção, ficçaçao, demonstração, demonstra-a-ação, faço minhas suas palavras, correntes, vírus que trava, alergia que escarra, da colheita a praga, faca afiada, olho que olha pra dentro, sensibilidade, contato com o vento, livre do tormento, profundidade jamais alcançada, fiz das palavras uma escada, vejo tudo de cima, inveja, alegria e minhas manias, imagine aquele que revela o mistério, desde a época do caderno, agora no brilho da tela, luz que vem de dentro, chuva que penetra no cimento, magos do passado me entristecendo, ações que envergonham quem tá vivendo, sou o brilho do reflexo do que eu tô vendo. Escrevi pra acalmar meu peito.
Influência do momento, usei meu pensamento em prol de um conceito, um conserto, só tenho o que eu mereço, tudo tem seu preço, dedicação, esforço, eu jogo, não torço, franqueza, fraqueza, beleza, suscetível a interpretação, turbulência social, imagem astral, parafernália espiritual, me deixa beber da fonte, ir além do ontem, minha vida são momentos repetidos, amigos?
O silêncio faz eu refletir sobre o que penso, o barulho de fora contrasta com o de dentro, pensamentos, sentimentos, desejos e medos. Tentar eu me atrevo; o problema não é apenas o governo, somos reflexos de espelhos. Viver por prêmio, ser gênio, proêmio ou boêmio? O que quer que seja, no fim da no mesmo: tudo acaba e voltamos pro começo.
Um dia escrevi: "sou surpresa, sou impulso, sou avesso, contradição que faz sentido, ainda sou um, dois, três personagens por dia, não sei viver de média expectativa previsível, sou liberdade, vidro blindado, insaciável, livro que ninguém tem paciência e coragem de ler, a música mais incompreendida e, ainda assim, o filme mais assistido, aguarde sua estréia..." Eu costuma dizer: "o meu nome é Marcos, com S no final, porque sou mais que um, sou plural", sem saber, inconscientemente o autodiagnóstico era apontado: TDI — Transtorno dissociativo de personalidade, quando tomei conhecimento e considerei, as peças se encaixaram e ainda que seja estúpido não atestar com um profissional da psiquiatra, a minha desconfiança do que há em mim, aponta. Que susto?! Um minuto e um impacto na alma, sentimento de traição, como se tudo houvesse se tornado mentira, como se eu não existisse... No entanto, as lágrimas não chegaram a tempo, no segundo minuto o meu socorro me confortou: Deus. Tenho confiança em Deus e deposito em suas mãos a cada dia a minha vida e não tenho que me render, de Deus vem o poder e a força do domínio-próprio; não tenho que dar energia, nome e vez a nenhuma divergência com a retidão, eu sou um e sei muito bem o que é certo; eu sei muito bem o que eu quero ou melhor, o que Deus quer pra minha vida, o meu caminho é iluminado.
Assuma ser o criador da tua própria história. Nega-te desejos que comprometam teu futuro sem deixar de aproveitar a única coisa que tens: o agora.
Em cada página escrita, uma mensagem de outra vida, era num cenário de noite estrelada, vento cantante, observava alguém, num sonho, destroços do passado, ser reiventado, questionou seu próprio enterro, flagelos, esgotados pelo aço entre os cabos. Suor de quem não conhecia outra vida. A não ser por histórias, glórias inventadas, seres domesticáveis, imperativo social, drama ao vivo, sabedoria ancestral, ficção científica, investigação, fuga, prejudicial, frases de efeito, defeito permanente, reflexo de imagens, saberes herméticos. Humanos, primatas isolados em si mesmos, esgotamentos, preconceitos,.
Vi em ti os meu defeitos, usei o único momento que tinha pra falar do que sentia, do que ocultava por dias e noites, pensamentos perseguidos por senhores, doutores, me vi na vida atuando numa cena entre atrizes e atores, eu era o protagonista mesmo sabendo que eram coadjuvantescomo eu era em suas histórias. Viver pela glória, imagem, desejo, sentimento, poder em cada pensamento refletir sobre si mesmo, deixar o subconsciente se abrir pra perceber o que compõem a vida, introduzir mais do que palavras, são a reenterpretaçao de verdades escolhidas, desenvolvidas pela inteligência, criatividade imaginativa, saberes da mente que mente, despretenciosamente, criando pessoas avassaladoras, crises temporarias. A mente cria ou é cria que se cria? A história, a alquimia, processos, investigações, invenções, confirmações, informações… são frutos do acaso ou revelações de uma verdade escondida?
A meta do filósofo, perante o senso comum, não é ser um guru dono da verdade, a meta é aflorar um ceticismo que estimule as pessoas à
fazerem questionamentos que só elas mesmas fariam.
