Jardim das Borboletas Vinicius de Moraes
Estou decifrando o enigma, propósito de vida, estigma; nem medalha, nem insígnia. Contração da batida. Bem estar ou fadiga. Quando chega à noite é menos um dia.
Vamos conversar sobre o que importa, sobre as mudanças de rota, ou quando a porta se fecha na cara. Colhi o fruto amargo da falta de amor. Reclamei do calor, agora sinto o frio congelante, retirei um livro da estante, tentei resgatar meu semblante. Se dói, então cante. Se levante, ao menos tente. Se não pode sozinho, então peça ajuda. Se sente sozinho? Então se una. Já cansei de tirar a sorte em uma urna, de fazer escolhas, e no fim fazer nenhuma. Percebo o voo leve da pluma. Enquanto alguns lutam, outros contam os dias. Ainda tenho tempo de curar minhas manias. Só não sei qual o critério que discerne minha vida.
Palavras são travas. O silêncio são asas. É imenso a saudade de casa. De ser acolhido, se sentir escolhido - promovido pelo que tem oferecido. Angústia é o preço de quem tem mentido. Nem sempre é fácil dominar o raciocínio. Usar bem os ouvidos. Conservar o sorriso. Manter o equilíbrio. Explorei meus domínios. Alimentei meus fascínios. Fiz da vida meu quadro. Sagrado é o dicionário. Sábio ou milionário? Quem é visionário? É só provocação, provoca-ção, provoca-a-ação. Cabelo de Sanção. Fugi de distração. Dei voz pro coração!
Me sinto péssimo, meu dia é um décimo, preciso de um centésimo, depois de um milésimo, sem metas é tédio, já tentei remédio, subir no topo do prédio, beber tudo os remédios, somos todos pequenos, sabemos o que queremos, nem sempre é desse jeito, olhares atentos, me refiz desse jeito, aprendiz de perfeito. A tristeza também tem sua beleza, depois do prato principal, ela é sobremesa. Sangue não é framboesa. Tento, mas me encontro na mesma. Vou usar minha cabeça, pra que a paz se estabeleça. Pra que o dia se rejuvenesça, saudade é corrente no pensamento, é recorrente entre o aço e o cimento. Sempre fui desse jeito, se é difícil, me ajeito. É mais do que apenas talento, é a alma ama depois é esquecida no tempo, virei a ampulheta de ponta cabeça, antes quero corpo envelheça, se rejuvenesça. Mesmo que eu peça perdão, terei minha sentença.
Observei os atos do mal intencionado. Ele utiliza técnicas de persuasão, entra em sua vida e retira o que é bom.
O condenado é julgado pelo erro do passado. E paga até que seja perdoado. Mesmo tendo o tempo passado, sempre será cobrado. Alterando a sua imagem perante os que fazem o possível para parecerem perfeitos. Estão ocultando seus erros em prol de uma miragem aos olhos alheios.
