Jardim das Borboletas Vinicius de Moraes
Em um mundo em que as mudanças são constantes e ininterruptas, acreditar que o planejamento centralizado, elaborado por cientistas, políticos e burocratas estatais, é mais eficiente do que a ordem espontânea da cooperação humana na busca de soluções para as doenças, para as alterações climáticas e para a erradicação da pobreza é algo tão intensamente ingênuo que até a pureza de uma criança pareceria mais sensata.
Eu nunca duvido da capacidade de uma boa ou de uma má gestão. Ambas têm altíssima probabilidade de ser assertivas.
Alegrar-se com o sucesso do outro representa um dos mais altos estágios de maturidade espiritual, pois revela alguém que compreendeu a verdadeira essência da vida.
Ninguém jamais retorna do topo de uma montanha da mesma forma que partiu. Quase nada é previsível; tudo é mutável. A montanha expõe limites externos e internos e desafia a capacidade individual de superação, registrando de forma indelével na mente do montanhista a certeza de que é sempre possível ir além.
O montanhismo é um esporte especial. Além do planejamento, do esforço físico e do trabalho em equipe, comuns às modalidades coletivas, ele proporciona aprendizados constantes e experiências que se eternizam na memória e no coração daqueles que vivenciam essa aventura.
Maldito seja eu pelos meus pecados.
Tão distante da perfeição estou que, ainda assim, destruo-me todos os dias, na esperança de, ao menos um dia, alcançar um ponto em que exista em mim o mínimo de fé para acreditar que posso ser santo.
Mas, como esse dia tarda, continuo a me destruir — dia após dia, noite após noite.
E, a cada amanhecer, reconstruo-me… apenas para, mais tarde, destruir-me novamente, repetindo esse ciclo até o fim da minha vida.
Vinicius Monteiro Tito
Se são os desafios que mantêm viva a energia de viver, as montanhas de Minas Gerais traduzem isso como nenhum outro lugar.
A chuva é passageira,
o orvalho da manhã seca,
as flores murcham, e a nossa beleza
se vai. Já o amor e a intensidade…
Eles permanecem, assim como as
estações do ano: às vezes mais
quentes, às vezes mais frios,
mas sempre existem.
Solitude
Outrora se preocupava,
cuidava, honrava.
Planejava o amanhã por
convicção.
Desmoronado pelo recurso da alma
corrompida, e com a dor brutal
encontrou solitude.
Entrega
Entregar-me é obrigação;
pela metade, seria falta de convicção.
E, nas notas intensas de um solo,
derreto-me como aço vencido pelo fogo.
Pai
Sempre amando, educando,
apoiando e disciplinando.
Exemplo a ser aplaudido
e jamais esquecido.
Notas não servem,
adjetivos seriam pequenos.
O que falar da grandeza do homem
franzino.
Nas noites, meu colo
Meu provedor, meu protetor.
Assumiu o que poucos assumem,
coragem que muitos não tem.
Essa grandeza apenas ele tem.
Dos de fora, meu pai.
Para mim vai além, o amigo.
Na imensidão do te amo,
fico na certeza que ainda é pouco.
Sentimento maior e mais puro que
não encontro adjetivos.
Para meu pai: Julio César Lourenço
Não sejas tu a causa da dor.
Dor que afugenta e que um dia passa,
mas a da alma permanece, não se apaga.
Atitudes
Na busca por sinais, encontrei atitudes.
No silêncio do seu olhar, descobri a verdade.
Tão profundo é esse olhar,
que nele encontro a certeza: é real.
Não seja a causa da dor de alguém.
O tempo pode silenciar o sofrimento
mas nem sempre apaga
as marcas deixadas na alma.
— Como você está hoje?
— Como eu estou? Você quer a resposta genérica ou a real?
Quer ouvir a verdade ou uma frase pronta?
“Está tudo bem.”
