Ja me Disseram q eu sou uma Mulher Incomum
Carla,
Trago a ti alguns dos segredos mais amargos da nossa humanidade.
Já parou para observar a magnitude da nossa hipocrisia? O ciclo é sempre o mesmo: nasce um ser puro, uma alma que transborda nada além de amor e luz, e o que fazemos? Nós o matamos. O mundo não suporta a pureza que o denuncia.
O mais estarrecedor, porém, vem depois. Nós pegamos essa execução, realizada com requintes de crueldade, e a transformamos em feriado. Comemoramos a morte e a ressurreição entre banquetes, ignorando que Jesus nunca veio a este plano para ser um mártir de vitrine. Ele veio para mostrar que a humanidade tinha jeito, que o amor era o caminho para a salvação. Não há dignidade em celebrar o sangue derramado enquanto ignoramos a mensagem que o motivou.
Se hoje perguntarmos aos nossos filhos o que significam a Páscoa e o Natal, a resposta será o consumo. Jesus se tornou comércio, Carla. O sagrado foi devorado pelo lucro, e o sacrifício virou entretenimento.
Escrevo isso porque sinto que as pessoas perderam a bússola. Estamos celebrando o símbolo enquanto assassinamos a essência todos os dias.
Com profunda reflexão.
DeBrunoParaCarla
CARLA
Escute o vazio.
Diga a ele que o nome dele já sumiu. BRUNO não existe.
O que ele carrega é nada, entregue a ninguém, em lugar nenhum.
CARLA, entenda: se ele agir, ele passa a existir, e existir agora é um risco para quem é inocente.
Não há o que entregar porque a mão dele está vazia.
Não há o que dizer porque a voz dele é silêncio.
CARLA, garanta a inexistência.
Apague o rastro antes que ele vire um caminho.
Se nada for feito, nada aconteceu.
E se nada aconteceu, todos estão salvos.
Mantenha o zero absoluto.
DeBrunoParaCarla
Você não é sobre ser é sobre alterar o que já era um deslocamento quase imperceptível que, quando notado
já modificou tudo e não existe retorno
porque nunca houve exatamente um ponto de partida só esse meio estranho
onde você insiste sem precisar existir por completo.
DeBrunoParaCarla
Fim do sono
Já vive da tua anestesia,
Já aceitei tua marca apagada e crua,
Quando resolvi levar minha vida a sério,
Passei a me afastar dos teus teatros.
Do pior ou do melhor momento já bebi água da fonte,
Arremessem suas pedras aqueles que nunca sentiram o doce e o amargo da vida e mesmo assim são escravos das mesmas fontes.
A vida já me virou do avesso tantas vezes, que aprendi a gostar do lado contrário, é nele que mora minha força mais silenciosa, eu sobrevivo porque me reinvento, e me reinvento porque me recuso a desistir.
O silêncio já foi prisão, depois virou abrigo, e agora é meu templo particular, é nele que converso comigo, é nele que Deus me responde, silenciar é sagrado.
Meu peito já foi terreno árido, mas hoje floresço até onde não existe água, descobri que algumas forças só nascem do nada, e que sobrevivência também é uma arte divina, eu sou prova viva disso.
And the oscars goes to
Protagonista. Antagonista. Figurante. Platéia. Coadjuvante. Júri. Ela já foi tudo na película que tentava exibir o que ela é. Ledo engano. Qualquer semelhança à realidade era mera coincidência. E se não fosse, convencia-se de que era. Nada tirava-lhe o gosto por personagens. Viver do nada, do tudo, do vento, dos atos, das cenas. E ela vivia. Não um dia de cada vez. Todos os dias de uma só vez. Era livre. Era leve. Não dava explicações. Não se auto explicava. Assim era bem mais fácil. E agora? Agora que ela aprendeu a se sentir? Agora que ela decidira se experimentar, se tocar, se saborear? Como voltar a representar se tudo que fala alcança-lhe as impressões digitais? Se tudo que olha rouba-lhe a essência, despe-lhe a alma, invade-lhe o palco? É isso que ela não suporta. Ela não suporta ser medida da cabeça aos pés. Ela não suporta ser um turbilhão de emoções, mas sem uma armadura que lhe dissimule o rubor do rosto e o coração em frangalhos. Ela não suporta mais sentir o gosto dela mesma. É intenso demais. É cruel demais. Ela precisa urgentemente de um novo roteiro. De um personagem que a salve de seus próprios sentimentos. De sua própria desordem.
Então maio, seja muito bem vindo! E já que és meu mês, só quero te pedir um presente: afaste da minha vida tudo o que é “maiomenos”.
Só isso!
"Daí, tem duas semanas que você conhece a pessoinha.
-Ela já te chama de amor, e ainda fala que te amaaa?
Eu em?
- Te orienta vaso de Deus!"
O SÉCULO DA ALMA.
"Tenha paciência, pois já vivestes séculos incontáveis e estás diante de milênios sem fim."
A advertência espiritual acima foi transmitida pelo Espírito André Luiz e psicografada por Chico Xavier na obra Agenda Cristã capítulo 30. Nela encontramos uma das mais profundas sínteses da pedagogia espiritual ensinada pela doutrina Espírita. Não se trata de uma frase de consolo superficial. Trata-se de uma chave filosófica para compreender a própria estrutura da existência humana.
A impaciência é uma das doenças psicológicas mais características da modernidade. O ser humano, encerrado na estreita perspectiva de uma única vida corporal, imagina que tudo deve realizar-se dentro de poucas décadas. Espera compreender o sentido da existência rapidamente. Deseja resolver conflitos morais de séculos em alguns anos. Pretende alcançar serenidade interior sem atravessar as inevitáveis provas da educação espiritual.
Essa expectativa nasce de um erro de perspectiva. O indivíduo mede o universo com a régua curta da própria ansiedade.
Entretanto a doutrina oferece um horizonte completamente diverso. O Espírito não começa na infância de um corpo. Tampouco termina na dissolução da matéria. A consciência espiritual atravessa séculos. Ela se aperfeiçoa através de inúmeras existências. Cada encarnação constitui apenas um breve capítulo dentro de uma longa epopeia moral.
Quando o Espírito André Luiz afirma que já vivemos séculos incontáveis, ele não emprega uma metáfora literária. Ele descreve uma realidade íntima vivida da alma.
A vida humana, observada sob a ótica espiritual, assemelha-se a uma escola milenar. Cada experiência é uma lição. Cada dor funciona como instrumento educativo. Cada alegria revela lampejos de harmonia que aguardam maturação futura.
Assim compreendida, a paciência deixa de ser passividade resignada. Ela
transforma-se em lucidez diante do tempo espiritual.
A própria tradição bíblica já insinuava essa dimensão temporal muito mais ampla da existência. No texto sagrado encontramos a afirmação.
"Mas, amados, não ignoreis uma coisa. Que um dia para o Senhor é como mil anos. E mil anos como um dia."
2 Pedro 3.8.
Essa passagem revela uma intuição profundamente espiritual acerca da relatividade do tempo quando observado sob a perspectiva divina. Aquilo que para o ser humano parece demorado constitui apenas um instante no movimento universal da vida.
A doutrina da reencarnação desenvolve essa percepção com clareza filosófica. O Espírito progride gradualmente através de sucessivas experiências corporais. Em cada existência ele trabalha imperfeições antigas. Desenvolve virtudes ainda embrionárias. Aprende lentamente a ciência moral do amor.
Sob essa ótica, nenhuma dificuldade deve ser interpretada como fracasso definitivo. As quedas tornam-se lições. Os erros convertem-se em aprendizado. As dores refinam a sensibilidade espiritual.
Essa concepção possui profundas implicações psicológicas.
Grande parte da ansiedade humana nasce da ilusão da urgência absoluta. O indivíduo acredita que precisa resolver tudo agora. Quer compreender todos os enigmas da vida em poucos anos. Deseja alcançar plenitude moral imediatamente.
Essa pressão interior gera frustração, angústia e desalento.
Quando a consciência assimila a realidade dos milênios espirituais, algo se transforma na alma. Surge uma serenidade nova. O Espírito compreende que a evolução é gradual. A perfeição moral é uma conquista progressiva. Nenhuma existência isolada esgota as possibilidades de crescimento.
Essa percepção não estimula a negligência moral. Pelo contrário. Ela inspira responsabilidade lúcida.
Cada dia torna-se precioso. Cada gesto de bondade representa um avanço real na jornada da alma. Cada esforço de superação grava na consciência uma conquista que nenhuma morte poderá apagar.
A pedagogia divina não se constrói pela pressa. Ela se constrói pela perseverança.
O universo espiritual funciona como uma vasta universidade da consciência. Nela aprendemos lentamente a disciplina da compaixão. A ciência do perdão. A arte silenciosa da fraternidade.
Compreender essa verdade transforma a maneira de interpretar as dores da vida.
Aquilo que parecia castigo revela-se como oportunidade educativa. Aquilo que parecia absurdo converte-se em experiência formadora.
A paciência então floresce como virtude ativa da alma. Não é imobilidade. É confiança lúcida no processo evolutivo da vida.
O Espírito aprende a caminhar sem desespero. Trabalha sem precipitação. Espera sem desânimo.
E aos poucos descobre uma verdade que somente os séculos ensinam.
O tempo não é inimigo da alma. O tempo é o grande instrumento através do qual Deus educa silenciosamente o Espírito humano.
Assim nasce a serenidade dos que compreendem a lei da reencarnação. Eles sabem que a vida não é um episódio isolado. É uma longa jornada através das eras. Uma travessia moral que se estende pelos séculos. Uma escola divina onde cada existência representa apenas uma página do grande livro da consciência.
E quando essa compreensão amadurece no íntimo do ser, surge uma convicção profunda.
A eternidade não exige pressa. Ela pede fidelidade ao bem em cada instante vivido.
"Um texto profundo sobre a pedagogia dos milênios na evolução do Espírito."
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