Ja Chorei de tanto Rir
Em nosso continente
algo bem antes
de três de agosto
no meu peito já previa:
a Bolívia noite e dia
está lutando para
(resgatar a democracia).
Falo o quê dá
para falar
aquilo que não há
como calar.
Em nosso continente
algo muito antes
de tudo isso no meu
peito já previa
que em cada rincão
a noite escura chegaria
(com ou sem pandemia).
Escrevo o quê dá
para escrever
aquilo que não há
como se esquecer.
Em nosso continente
a orfandade tem residência
em cada uma de nossas tribos,
em Pindorama se tornaram
(um oceano de perseguidos).
Canto porque não
dá para gritar,
quem sabe alguém
há de me escutar.
Em nosso continente
há um outro continente
de tribunais fechados
há mais de 140 dias,
um General preso injustamente,
uma tropa e civis tratados irregularmente,
até que me provem o contrário
isso não me sai da minha mente:
um continente dentro de outro continente.
A insistência
cochala agrediu
Cochabamba,
E o mundo que
já conhecia
este filme fingiu
que não viu,
Quase fizeram
com quem teve
a casa revirada
e não estava
para os seus
pertencer defender,
porque foi forçado
ao exílio para a sua
própria vida proteger.
É golpe! É golpe!
Não me canso
do golpe na Bolívia
ao mundo denunciar,
O povo indígena
nas mãos
desses terroristas
correm perigo,
Se o continente
não se mobilizar.
Algo de pesado
ronda o continente,
Que mantém soltos
os culpados e presos
muitos inocentes
como a tropa
e o General que foi
preso há quase
dois anos no meio
de uma reunião
pacífica no dia
treze de março,
E todo o dia não
me canso de por
cada um deles
continuar a me queixar.
A prisão do
General que
dura já dura
há mais de
um ano e meio,
E não se fala
mais nada,
Desde o tal dia
13 de março,
A justiça foi
em arribação,
Como intuia
que a falta
de satisfação
seria total:
fiz nascer
a epopéia da
tropa que foi
de maneira
vil silenciada.
Uns coronéis
com igual
número da carta
de tarot que
representa
o mundo
foram a retiro,
Não se sabe
o porquê disso,
Sinto que há
um quê
de intrigante
e místico,
Algo me diz
que não foi
por premiação.
Um coronel
já deveria
ter sido
libertado,
Foi solto
e viveu
na pele uma
brincadeira
de mau gosto:
ele foi de novo
aprisionado,
Essa é uma
das formas
de fazer
a vida virar
um vero calvário.
Não se fala
em outra coisa:
surgiu um
Estado-Maior
em exílio,
Ninguém mais
se entende
parece feitiço,
Sinal que houve
pouco ou
nenhum diálogo,
Tudo isso
não deveria
ter acontecido,
Um bom
entendimento
já para ter ocorrido.
Perdida no escuro,
só escuto o silêncio:
a juíza segue presa,
e os estudantes
já nem mais sei;
onde estão o Estado
de Direito e a Lei?
Não basta o Governo
pedir a justiça
precisa ter cabeça
para pensar,
olhos para ver,
ouvidos para ouvir,
boca para falar,
braços fortes
e pernas para agir.
E pelo desaparecimento
forçado do General
que foi preso inocente
e de tantos outros
por eles eis o meu lamento:
até quando tanto sofrimento?
não só os meus olhos,
mas o mundo está atento
porque dessa história
não esqueço nem
das vítimas da guarimba
o duro padecimento.
Neste mau
tempo que
não anda
para frente
e para trás,
Já fazem
34 dias
que a família
do General
não está
em paz,
São poucos dias,
mas suficientes
para preocupar
a todos demais.
Não vou
deixar perder
a crença,
Até mesmo
se houver
qualquer
sentença,
Porque
culpa todos
sabem
que não há;
Essa prisão
é fruto de
uma cruel
injustiça
que ali está.
E assim
contando
outras histórias
latinoamericanas
de agonia
para tentar
manter vivas
as memórias.
Perguntando
sem parar
nenhum minuto
até saber:
se o General está
desaparecido,
e se está vivo,
onde é que
ele foi parar?
Se preciso for
tenho poesia
até o meu
último suspiro
para perguntar
onde é que
o General foi parar.
Não escrevo
para agradar
a ninguém,
Para o poeta
escrever já é
a tão almejada
vantagem,
Escrevo para
contar sobre
fatos sem
conexão com
o General,
Mas que fazem
parte do que
vem ocorrendo
na Nação dele;
Porque para ele
só peço mesmo
é a libertação.
Se o quê levou
o General
a prisão foi
uma única
mensagem
em questão,
Já deveriam
ter pedido
ajuda ao relator
da liberdade
de expressão;
A vida pede
de todos nós
desembaraço
e compaixão.
Faço-me eco
da voz da irmã
que nada sabe
do General
há um mês,
Só se sabe que
ele se encontra
incomunicado;
Por favor, mesmo
que as minhas
palavras para ti
nada representem,
Peço que me
ouça gentilmente
e colabore,
Não nos deixe
em dúvida se
ele se encontra
até mesmo
não mais vivo,
Porque mesmo
distante aqui
há um coração
que por ti sente.
O tenente que não
teve nada a ver
com o episódio
da tanqueta
já estava preso,
Há tanta gente
que nem deveria
estar presa,
e não tem previsão
de ver o sol
da justiça,
E tudo continua
por isso mesmo;
Os desertores
passaram
para a condição
de despejados
porque acreditaram
em quem não merecia.
Não deveria estar
me metendo,
Mas eu sigo mesmo
assim pedindo
pela vida e liberdade
da tropa injustiçada,
Por todos os fatos
que estamos vendo
já deveria ter
sido inocentada.
Um helicóptero caiu
e levou sete guerreiros,
Eis aqui as mais
sentidas condolências
de quem que já
viu esse filme,
Não entendo como
nessas horas ainda
exista gente que
consegue fazer
piada com tragédia,
Por isso o meu apelo
é pela paz, pela vida
e por um destino
novo neste século.
Sei que já deveria
ter me calado,
Mas não vi nenhum
passo favorável
em defesa do General
que é inocente,
Pergunto onde
foi parar a cabeça
dessa gente?
Sei que cada militar
é capaz de dar
a vida pela Pátria,
Mas eu quero cada
filho de Bolívar
vivo e reconciliado,
Para que tenham
vida para desfrutar
de um País recuperado.
No bailar
do tempo,
completam
nove meses,
disseram
até absurdos
e que os
bombardeiros
já se foram,
é fato que
muitos são
os receios
que ficaram.
Nem o direito
de se cuidar
e o acesso
para a
inocência
comprovar,
não foram
cumpridos,
e não se
fala em
outra coisa:
que os abusos
contra ele seguem
consecutivos.
É inegável que
se trata de um
pesadelo sem
data e hora
certos para
terminar,
as perguntas
continuam
sem respostas,
o General foi
preso sem provas.
O meu coração
está triste faz
algum tempo,
A repressão
já ultrapassou
além do limite,
Porque em si
já era para ser
taxada de crime,
De tão engenhosa
que é: estamos
viciados nela.
Não sei
dos generais,
Da tropa não
falam mais,
Há flores
no calabouço.
O beltrano
e seu calote
premeditado
em Pindorama,
Da paz escutei
que houve
fracasso.
Ao mundo ele
não mais engana.
Quando penso que perdi
o embalo do tempo,
Terrivelmente lembro
que já se passaram
quatro fatais meses
gritando por causa
dessa prisão injusta,
o oceano não tem culpa.
Mas a impressão que tenho
é que os meus gritos estão
sendo levados pelo vento
e abafados pelas ondas do mar.
E assim quando
penso em desistir
a poesia convida
o verso para
esticar a estrofe
e não parar de remar.
No efeito cão correndo
Atrás do rabo já
Se passaram 100 dias,
E até nada que console
A maldita agonia
De quem espera obter
A liberdade por justiça.
E como dialogar ainda
Se encontra inacessível,
A última notícia é que
Cedo, tarde ou nunca
Virá a anistia,
Mas faço votos que
Ela venha o quanto antes
Em nome do diálogo
Que dizem que existe
Do que onde há coroa,
A honra não deve ser
Equilibrada numa canoa.
Na vida quem assume
A condução do destino
De um povo não deve
Se permitir ficar alienado,
E se incomodar à toa
Só porque há quem seja
E pense diferente,
Ele deve se abrir e escrever
No livro da vida da melhor
Forma que pode para ser
Honrado para sempre.
Quarta-feira
É quarta-feira
e logo logo
é sexta-feira,
e já dá para
ir preparando
a beleza para
a próxima gafieira.
...
Quarta-feira
ligeira que só ela,
pão quente e café
na mesa e paz
na minha consciência
....
Quarta-feira poética
para abraçar
devagar a semana
que está na metade,
que logo vem
o fim de semana
que sempre deixa saudade.
Entre Rios
Os teus povos kaingang
e tupi-guarani ali já
estavam antes dos pioneiros
que denominaram a terra
de Toldo dos Índios,
E sob o respeito ergueu-se
a Entre Rios das etnias
que orgulha com o convívio
entre o artesanato indígena
e o valente garimpo,
orgulhando Santa Catarina
e escrevendo a História todo o dia.
Entre Rios, meu poema cidade,
é no Salto Saudade contigo
me encontro para dizer que
de ti só me orgulho e enamoro.
Entre Rios, minha cidade poema,
tenho orgulho do teu povo
e desta cativante essência brasileira.
Rodeio na Quinta-feira
Rodeio na quinta-feira
já acorda alegre
porque amanhã é Sexta-feira,
Minha Rodeio trigueira,
a tua paz e o teu aconchego
em meio ao Médio Vale do Itajaí,
sempre compensa morar aqui.
Onde tem muita gente falando alto,
se for para levantar a voz que seja só para cantar. A vida já está bastante estressante para todo mundo
e o cérebro só retém aquilo que nos faz mais leves e receptivos.
A sua falta de tato
numa data especial,
apenas confirmou
o quê eu já sabia:
você é uma alma fria.
A sua ironia ainda
será a sua armadilha,
eu sou poetisa e o seu
menosprezo me soa:
'amanhã será outro dia'.
A sua ausência serviu
como borracha para
apagar da memória
quem mostrou desde
o início que não prestava.
A sua falsa inteligência
só deu pista sobre pista,
ela foi tão precisa que
fez com que eu queira
de ti para sempre distância.
Percorri toda a estrada
do sofrimento feminino,
Já não mais conheço
o caminho de volta,
O silêncio já é a resposta
como a noite de Lua Cheia.
Com a cátedra de quem
passou por esta estrada,
Posso dizer a vontade
que com as lágrimas de
uma mulher em nenhuma
circunstância da vida
se produz um bom perfume.
Por consciência terrena
optei ver toda a cena
pelos olhos de James Webb,
com a cara lavada e sem retórica:
O berçário de estrelas
e a magnífica dança cósmica.
Poligráfico é este poema
porque não cabe a mim
e a ninguém adentrar
histórias que não fazem
parte da própria biografia;
Claríssimo é o sentimento
que fez alcançar este momento
de dizer o quê mereceu ser dito.
O quê já era predestinado
brilhou como nácar raro
em nosso caminho,
O amor estava no destino
e hoje por nós é celebrado.
A sociedade já está bastante quebrada para incutirem que existe relação de autoridade entre os casais. O casal que se ama simplesmente cumpre o quê faz parte do amor cada qual fazendo o seu papel.
Não quero fazer o papel do homem e não quero que ele faça o meu papel.
