Ja Chorei de tanto Rir
Vida para de brincar, já pode me soltar, eu só quero estar em outro lugar, povoar a solidão, dar luz a escuridão...
Todas as boas pessoas estão partindo muito rápido e já não tenho mais lágrimas pra chorar. Eu já não consigo sentir o luto pelas boas pessoas porque derramei todas pelas últimas, até que entendi realmente, e já não consigo diante disso mais me surpreender. A verdade, é que os bons são eternos! E a partida já é um descanso, um alívio entre um eterno dormir!
- Posso me sentar aqui? – perguntou ele, já puxando a cadeira e fazendo com que ela sentisse o cheiro de hálito fresco que saía de sua boca bonita.
- Mas não precisa ficar tão perto... – gaguejou ela, um tanto quanto constrangida, tirando-lhe um quê de contentamento com todo aquele embaraço...
- Desculpe...- ele sorriu, deixando transparecer a covinha em seu rosto másculo.
Ela retribuiu o sorriso. Ele continuou no mesmo lugar e...
- Qual o seu nome?
Script, frases de efeito, bebidas na mesa, (ah, ela não bebia nada alcoólico!), elogios, toque nas mãos (de vez em quando!), olhos nos olhos, promessas nos olhos, nas palavras! E ela ali, extasiada, inebriada, indefesa com tanto carinho, tanto respeito, tanta sorte em encontrá-lo!
Mãos nos cabelos, carinho no rosto, carícia na nuca, olhos fechados, boca na boca! Beijo longo, devagar, saboreado! Mais abraços, mais toques sutis, mais beijos, mais palavras! Ela realmente encontrara um príncipe encantado!
Algum tempo depois...
- Qual é mesmo o seu nome? – perguntou ele com o celular em mãos, pronto para anotar o número de seu telefone, mas já se despedindo e recolocando a cadeira ao lugar de outrora.
- Ma...Mas...É Maria Flor. Esse é o meu nome – acabou por repetir, ainda que sentindo um indigesto e apertado nó na garganta.
Como alguém poderia esquecer um nome desses em tão pouco tempo?
Mesmo assim, ela lhe passou o número. E até hoje aguarda a ligação de um príncipe encantado de covinhas no rosto e hálito fresco.
(...)
- Posso me sentar aqui? – perguntou ele, já puxando a cadeira e fazendo com que ela sentisse o cheiro de hálito fresco que saía de sua boca bonita.
Ela o olhou de cima a baixo, examinou cada parte do seu corpo, e, antes que a cadeira lhe caísse aos pés, puxou-a para perto de si, deixando-o indefenso quando sentiu o calor da proximidade daqueles seios lindos a roçar-lhe, de leve, o braço.
Visivelmente perturbado, disfarçou, tentou sorrir, mas as palavras não lhe saíam completas da boca. Tremia, suava, gaguejava, se desculpava, e ela ali, a olhá-lo como se nada do que dissesse a tocasse! Simplesmente não sabia como agir...
Bebidas à mesa, sorriso descontraído, palavras soltas, despretensiosas, e ela, aos poucos, trouxe-lhe um quê de fantasia de que ela poderia ser dele. Então ele continuava ali, mesmo confuso, atordoado com a energia daquela mulher que não se permitia ser a caça da noite.
- Qual é o seu...?
Foi quando o silenciou com um beijo ardente, insaciável, longo, desejado, desesperado, devorado! Promessas nos toques, nos sussurros, nos olhos, nos poros, na carne! Mais beijos, mais sorrisos, mais toques, mais desejo, mais carícias, mais cheiro, cheiro de mulher!
Ele continuava ali, extasiado, inebriado, indefeso, com tanta desenvoltura, tantos sorrisos leves, tanta vida, tantas promessas de prazer eterno, tanto prazer por prazer! Ele realmente encontrara a mulher da sua vida!
E ela sabia que ele a procuraria todos os dias, todas as noites, todas as horas, em todos os cheiros, em todas as mulheres. Ela sabia que, mesmo sem dizer-lhe o nome, ficara impregnada na pele, na alma, no coração. Ela sabia que ele a esperaria. Mas sabia também que ela não mais se deixaria encontrar...
E o tempo vai me lapidando, a vida me moldando, e, bem lá no fundo, eu até já estou conseguindo ouvi-la dizer: - Talvez não seja mesmo por aí, loira!
Dá um medo danado a possibilidade de ser feliz por completo.
Dá um medo danado perder o que já estivesse completo...
Horário de verão é igual ex vitalício. O relacionamento termina, mas a gente já fica apreensiva porque ano que vem sabe que vai voltar!
Eu te feri por legítima defesa. Eu só te feri porque você não percebeu que eu já sangrava há muito tempo!
Eu só falei porque meu coração já começava a disputar espaço com as palavras em minha garganta.
Sairia um ou o outro.
Eu optei pela saída das palavras!
Quando você enterra um amor que já morreu, passado o luto, você se descobre vivo(a) novamente. Quando você tenta matar um amor enterrando-o vivo, você morre, e ele nunca!
Sabe quem menos está preocupada(o) se eu me casei, se eu já tive filhos, se estou rica, se alguém me banca?
Eu.
Já parou pra pensar que quando você puxa o tapete de alguém, geralmente sobe muita poeira e ela vai toda para trás, exatamente onde você está? Cuidado com os pulmões.
Você já parou pra constatar que todas as vezes em que alguém ou a vida me puxa o tapete, eu aproveito para fazer uma coisa que eu adoro: voar!
Já parou pra pensar que você não voa porque suas asas podem estar atrofiadas pela inveja?
Nós somos iguais.
Ambos temos asas.
Tente usar as suas, quem sabe você para com essa mania chata de me olhar de baixo pra cima!
Eu já falei tantas vezes que uma viagem cura tudo e tem gente que não aprende!
Me irritou porque saiu escondido com os amigos?
Me paga uma viagem, nem precisa de acompanhante, para o Carnaval do Rio de Janeiro, que fica tudo bem!
Me colocou uma "galha"?
Me presenteia com uma viagem para a Europa, também sem acompanhante, por três meses, com todas as despesas pagas, que eu volto boazinha, boazinha...
Para o Brasil, não pra você!
Tão simples, e as pessoas com essa mania boba de complicar as coisas!
