Ja Chorei de tanto Rir
Já veterano, ter sonhos e a vontade de realizá-los é o que dá sentido e metas ao futuro. Pode ser até para um o futuro tão próximo quanto o dia de amanhã. Não tê-los é perder seu comprovante de vida.
O ser humano não precisa de nada para ser feliz, até o ar que respiramos já é uma dádiva divina para a felicidade
Fabio Alexandre da Silva
Estudante.
Estão vestindo outras doenças de gripe suína... De tal forma, que a nova gripe já nem é gripe... É griffe suína.
Serra cresce e Dilma frisa
que a partir de agora é guerra;
já na próxima pesquisa,
Dilma cresce e José serra.
Depois de tantos caminhos e vivências pelos labirintos do fazer cultural, já posso arriscar a minha máxima: Quase nada é tão superficial quanto a crítica especializada, nos casos em que apenas pretende abonar e desabonar publicamente as artes, a literatura e seus fazedores. No meu conceito nenhum ator, músico, artista plástico, escritor, bailarino ou fotógrafo é menos ou mais talentoso porque alguém o rotulou e ao seu produto. O termômetro que determina o sucesso e a eficiência de uma apresentação, mostra ou lançamento é a do público ou clientela, seja por consumo, aplauso, visitação, acesso (...).
O que tenho a dizer de relevante a todo fazedor cultural que sofre com as perseguições renitentes da crítica, não obstante o alcance de seus feitos e o reconhecimento popular, é algo bem simples. Tão simples quanto notório, contundente ou redundante: Se o seu fazer é consciente, não fere a cidadania nem o direito alheio, continue se apresentando para expectadores; cantando para ouvintes; escrevendo para leitores; expondo para visitantes reais, que sabem sentir com os olhos e analisar com o coração.
Quanto a crítica tendenciosa, deixe-a de lado. Sequer critique os críticos, pois no fim das contas, eles têm alguma utilidade: São figuras essenciais para os indivídos que precisam de quem goste ou desgoste por eles.
A única prova de que aprendemos com os nossos erros é a não repetição dos que já cometemos. Os erros estão em nós como sinais de nascença. Isso repete o lugar-comum de que errar é humano, erraremos sempre, mas acertar também é. Estúpido e desumano é repetirmos erros como prova irrefutável de que não aprendemos nada.
VIDA PLENA
Demétrio Sena
Cheguei ao ponto em que o ponto
já não exclama, interroga
nem salienta.
Estou em câmera lenta
e meu sorriso, meu pranto
vão ficando à meia-luz.
Cheguei ao ponto em que o ponto
faz ponto cruz.
Porque no fundo me sinto
alguém ou algo já pronto
pra dar partida.
Pois tive tudo que a vida
pudesse dar de mais vário,
agora o tempo me gasta.
Cheguei ao ponto em que o ponto
é ponto e basta.
SIMPLES EU
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Já me basta um conforto mediano;
sobre a mesa, o que atrai meu paladar;
fazer planos modestos e ter sonhos
que me façam voar sem me perder...
Nada cause um tormento na minh´alma;
todo amor seja sempre por viventes;
prezo a calma de um tempo reservado
pra ser gente; pessoa; simples eu...
Um projeto não vire uma corrida
pela vida vulgar de um "vencedor",
pelos pódios guardados pros "heróis"...
Quero carro somente pra transporte;
celular com função de celular;
ter um lar palpitando em minha casa...
Demétrio Sena, Magé - RJ.
É algo bastante cômodo combater inimigos de neon, já previamente vencidos pelo mito da cruz. Um herói dessa estirpe não precisa de coragem, pois peleja contra nada e ninguém.
GENTE MAL PASSADA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Muitos ficam na idade já vencida;
Não se lembram do embarque pro futuro;
Dão à vida o bilhete de passagem,
Mas não vencem o medo de voar...
Muita gente não sai do aeroporto,
Vive apenas pra ver os aviões,
Recompõe os senões do seu estágio
E jamais efetiva o caminhar...
Vai o tempo, as carcaças desprovidas
Gastam vidas vazias de vivências;
Frutos podres que nem foram maduros...
Tantos viram estátuas semi-vivas,
Monumentos tombados para os pombos;
Reis e divas de limbos defumados...
PRESSA DO TEMPO - Demétrio Sena, Magé - RJ.
O ano passou tão rápido que quando março abril já era dezembro.
BEM OU MAL
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Já briguei contra o mundo e não deu certo;
fui pregar no deserto e foi a esmo;
provoquei multidões mas deu em nada,
minha voz foi partida em mil silêncios...
Descobri que os vilões não são os outros,
afinal me reprimo além do justo,
pois me veto, me susto, e podo as asas
de voar para fora do meu limbo...
Só depois de me amar tal qual mereço
cobrarei o meu preço ao vasto espelho
da magia do cosmo; do infinito...
Ser feliz é o reflexo do interno;
todo céu, todo inferno que se tem
são do bem ou do mal que nos fazemos...
IMPUNIDADE
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Matemática e fuja,
que a própria história já trata
de acelerar sua data;
sua geografia...
E logo tudo é matéria,
é tratado, é uma tese
que sai na urina e nas fezes
da sociologia.
REPOEMA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Já não resta o que dizer
sobre seja lá o que for,
solidão, espinho, flor,
que alguém mais não tenha dito...
Todo mundo já cantou
este mundo em verso e prosa,
o amor, o bege, o rosa
dos quais se pintam palavras...
Mas podemos refazer
a magia do sentido
que redizer já não faz...
A saudade, guerra e paz
se renovam nos engenhos
de remastigar a vida.
JÁ GANHOU!
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Decisão de ganhar é perder o temor;
ter amor e vontade na medida exata;
ir ao céu é saber se conduzir no chão
e manter o motivo para prosseguir...
Já ganhou a partida quem entrou em campo,
quem venceu a preguiça e se atirou na vida,
viu que o tempo tem asas, o sonho decola,
como a bola do mundo é pra chutar pro gol...
Aprender a sorrir é vencer a tristeza;
é chorar com certeza da manhã seguinte
sobre a noite que a lua deixará pra trás...
Quem fez mais do que ver como tudo passou,
e bateu, apanhou, mas os fez com decência,
já ganhou de nascença; nem houve placar...
SUCESSO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Já me basta o sucesso brando, silencioso e profundo. Aquele de foro íntimo e de ordem estritamente pessoal. Fazê-lo perante os olhos da sociedade, os espasmos e delírios do mundo, pode ser bem-vindo... mas não essencial.
VÍCIO DO TEU VÍCIO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Já me cansa te olhar e só ver sombras,
procurar o teu rosto e me perder
nos escombros de alguém que nunca está;
ou está, mas no fundo nunca é...
Piso em falso nas órbitas do amor
que não sabe trazer felicidade,
cuja flor não supera seus espinhos
nem se livra das grades do pesar...
Vencerei o teu vício de sofrer,
deixarei o meu vício desse vício,
passarei a viver, pois estou vivo...
Eu me canso da espécie de ninguém
sob alguém que me aluga mas não mora;
não me ocupa nem quer desabitar...
SONHO DE AMOR
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Essa lua já foi o nosso lustre;
seus luares banharam nossos olhos,
deram luz às promessas hoje turvas
entre as curvas incertas da saudade...
Muitas noites teceram fantasias
das mais belas verdades provisórias;
uma colcha de sonhos momentâneos
numa história com tons de para sempre...
Foram tantas as nossas madrugadas
de suave cansaço e rendição
à canção de ninar da natureza...
Fomos raios de sol; de renascença;
uma crença ilusória no amanhã
que já veio embalado pra ser ontem...
DNA LITERÁRIO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Nestes tempos em que parece que tudo já foi dito e feito, é bom tomarmos muito cuidado com as nossas ideias originalmente "geniais"... e até que se prove o contrário, originais. Como temos as facilidades da web, não custa nada pesquisarmos para saber se alguém já não teve as mesmas ideias.
Bem recentemente aconteceu comigo algo meio frustrante: compus um texto inicialmente "genial", na minha secreta opinião, pela suposta originalidade na construção vertiginosa do mesmo. Feliz da vida, mas responsável, decidi pesquisar. Não demorei a me surpreender com a constatação de que o texto, embora fosse original na escrita, ou na redação, tinha o mesmo engenho de um poema já famoso. Não houve plágio nem cópia, mas a construção de minha escrita fazia lembrar o poema famoso do qual estava esquecido havia tempo... mas habitava o meu inconsciente.
Ler ambos os textos era como ouvir as músicas Esqueça, de Roberto Carlos, e Pense em mim, gravada pela dupla sertaneja Leandro e Leonardo. Ou assistir ao clássico mundial O mágico de Oz e à minissérie brasileira Hoje é dia de Maria. À eterna escolinha do Chaves e a também eterna escolinha do Professor Raimundo. Cada qual com seu texto e construção; recursos universais. Sem cópias ou plágios; porém, todos bebendo em fontes parecidas. Pondo carnes diferentes em esqueletos semelhantes.
Pela consciência de não ter copiado nem cometido plágio, publiquei o texto. No entanto, me senti mal. Desconfortável. Não demorei a retirar. Devo desconstruí-lo, tirar da forma em comum, reconstruí-lo e criar um esqueleto próprio para suas carnes. Toda alma reclama um corpo seu. Somente seu.
