Ja Amei e não fui Amada
Como qualquer um que já passou muito tempo com os gatos já sabem, os gatos têm enorme paciência com as limitações da mente humana.
Como você se sentiria se já tivesse conquistado boa parte do que deseja?
“Imagine e então sinta-se dessa forma!”
Uma pessoa infiel não tem muito do que se orgulhar na vida, pois uma de suas maiores virtudes já foi destruída: o caráter.
Roça
A terra flora! Felicidade!
Choveu na roça! Adeus cidade.
Eu vou-me embora. Eu já vou tarde!
Eu vou agora. Bateu saudade!
Vou pegar trilha, vou tomar banho de rio,
A vida pede pra gente ficar por lá!
A natureza todo o dia está no cio.
Tempo no mato não tem pressa de passar!
Mas como é bom ouvir bom dia todo dia,
Sentir as mão e semear, plantar, colher...
Dormir ao som de uma viola caipira,
Pisar o barro, dar aos pés o dom de ter!
Adeus cidade! Eu vou- me embora!
Eu já vou tarde. Eu vou agora!
Choveu na roça! Felicidade!
A terra flora. Bateu saudade!
Quero o silêncio das manhãs de passarinhos,
Ouvir as folhas, respirar a plantação!
Viver de novo a eternidade de um carinho
Que o meu amor me dá de todo o coração!
Até parece que se volta a ser menino,
A gente lembra que é feliz e ri à toa!
Luar na roça é uma bênção do divino!
Viver na roça! Ai! Meu Deus, que vida boa!
Choveu na roça! Felicidade!
Eu vou-me embora. Adeus cidade!
Eu vou agora. Eu já vou tarde!
A terra flora! Bateu saudade!
Já fiz rima no busão, já fiz show pra multidão
Alquimia, transformação, poder da mente
Meia dúzia de maluco conquistaram um mar de gente
Só mais um grão de areia, até ontem eu era ninguém
Sozinho no caminho eu busquei força e fui além
Somente Deus me tem, somente ele me detém
No lugar onde eu cresci me ensinaram a plantar o bem
Me disseram: seja alguém muleque, a vida encara
Confesso na fraqueza me faltou foi vergonha na cara
Pela manhã, já não vejo o pôr do sol no horizonte,
Quando acordo, é você quem desejo ver.
O vento, ah, este já não sopra como antes!
Quando sopra, recordo-me que é seu perfume que desejo sentir.
O tempo, aquele que não para e nem volta, me mostrou o quão relativo pode ser.
Em sua presença horas são segundos,
Em sua ausência, segundos são horas, dias, meses, anos...
Sensações estas que só rendem-se para a maior das mudanças:
Sem você já não sou metade de mim.
Se é paixão, me nego.
Já resvalei, a alma em pêlo,
nesse áspero despenhadeiro.
Se é paixão, não quero.
Conheço seus espinhos de mel,
sei aonde me conduz
embora prometa os céus.
Se é paixão, desculpe-me, não posso.
Conheço suas insônias
e a obsessão.
Se é paixão me vou, não devo ...
não adianta teus apelos.
Resistirei, porque aí
morri mil vezes.
Paixão é arma de três gumes,
e ao seu corte estou imune.
Se é paixão, me nego
e não receio que me acuses de medo.
Do desvario conheço todos os segredos.
Se é paixão, recuso-me e sinto muito,
pois foi há custo
que saí do labirinto.
Você já se perguntou ‘Onde está o meu destino?’ É tudo sorte ou destino? Ou é um caminho que escolhemos para nós mesmos?
Ele é só um cara e você já esqueceu outros caras antes. É só um cara e não a sua vida.
E não todos os dias da sua história. E não todas as suas lágrimas juntas em um único sábado solitário. Ele não é o destino. É um cara. Existem muitos destinos.E quer mesmo saber? É um cara como todos os outros caras. Esse que te perguntou as horas no meio da rua podia ter sido ele e você nem ligou. O mendigo, o ginecologista, o padre, o dealer. Ele estava ali o tempo todo. E ele não estava. Ele é só um deles. Vários. Uma legião. E ninguém.Ele é só um cara que mal sabe escolher os próprios perfumes. Não sabe sangrar. Não sabe que nome daria a um filho. Não pode ficar mais tempo. Ele é só um cara perdido como muitos outros caras que você encontrou. E perdeu. Ele é só um cara e você já esqueceu outros caras antes.
Não precisava dizer que me amava
Já haviam me contado
“Como pode? Nunca disse!”, ele falava
Acho que estava enganado.
Tua feição ao meu lado brilha desguarnecida
Teu sorriso acende com o meu falar
Teu olhar entristece a cada despedida
Cada gesto teu me mostrava o teu amar.
Uma flor, um chocolate, um ursinho
Uma música, um passeio ou um sorriso
Sorte a minha estar com teu carinho
O teu sentimento não precisava de aviso.
Amor não se diz, não se declara, se sente
E o que eu sinto já me deixa bem contente.
Adicionado em 22/07/2009 por Ernesto Martins Faria (ernestomf@ibmecsp.edu.br)
Já estou chegando, ou já cheguei, à altura da vida em que tudo de bom era no meu tempo.
Para o Zé
Eu te amo, homem, hoje como
toda vida quis e não sabia,
eu que já amava de extremoso amor
o peixe, a mala velha, o papel de seda e os riscos
de bordado, onde tem
o desenho cômico de um peixe — os
lábios carnudos como os de uma negra.
Divago, quando o que quero é só dizer
te amo. Teço as curvas, as mistas
e as quebradas, industriosa como abelha,
alegrinha como florinha amarela, desejando
as finuras, violoncelo, violino, menestrel
e fazendo o que sei, o ouvido no teu peito
para escutar o que bate. Eu te amo, homem, amo
o teu coração, o que é, a carne de que é feito,
amo sua matéria, fauna e flora,
seu poder de perecer, as aparas de tuas unhas
perdidas nas casas que habitamos, os fios
de tua barba. Esmero. Pego tua mão, me afasto, viajo
pra ter saudade, me calo, falo em latim pra requintar meu
[gosto:
“Dize-me, ó amado da minha alma, onde apascentas
o teu gado, onde repousas ao meio-dia, para que eu não
ande vagueando atrás dos rebanhos de teus companheiros”.
Aprendo. Te aprendo, homem. O que a memória ama
fica eterno. Te amo com a memória, imperecível.
Te alinho junto das coisas que falam
uma coisa só: Deus é amor. Você me espicaça como
o desenho do peixe da guarnição de cozinha, você me
[guarnece,
tira de mim o ar desnudo, me faz bonita
de olhar-me, me dá uma tarefa, me emprega,
me dá um filho, comida, enche minhas mãos.
Eu te amo, homem, exatamente como amo o que
acontece quando escuto oboé. Meu coração vai
[desdobrando
os panos, se alargando aquecido, dando
a volta ao mundo, estalando os dedos pra pessoa e bicho.
Amo até a barata, quando descubro que assim te amo,
o que não queria dizer amo também, o piolho. Assim,
te amo do modo mais natural, vero-romântico,
homem meu, particular homem universal.
Tudo que não é mulher está em ti, maravilha.
Como grande senhora vou te amar, os alvos linhos,
a luz na cabeceira, o abajur de prata;
como criada ama, vou te amar, o delicioso amor:
com água tépida, toalha seca e sabonete cheiroso,
me abaixo e lavo teus pés, o dorso e a planta deles
eu beijo.
"O objetivo essencial da arte, já dissemos, é a busca e a realização
da beleza; é, ao mesmo tempo, a busca de Deus, uma vez que Deus
é a fonte primeira e a realização da beleza física e moral".
Já te fiz muita canção
São quatro, ou cinco, ou seis, ou mais
Eu sei demais
Que tá demais
Eu chego com um violão
Você só tá querendo paz
Você desvia pra cozinha
E eu vou cantando atrás
Hoje eu falei
Pra mim
Jurei até
Que essa não seria pra você
E agora é
Hoje eu falei
Pra mim
Jurei até
Que essa não seria pra você
Se juntar cada verso meu
E comparar
Vai dar pra ver
Tem mais você que nota dó
Eu vou ter que me controlar
Se um dia eu quero enriquecer
Quem vai comprar esse CD
Sobre uma pessoa só?
Hoje eu falei
Pra mim
Jurei até
Que essa não seria pra você
E agora é
Hoje eu falei
Pra mim
Jurei até
Que essa não seria pra você
E agora é
– Tudo bem. Pronto, já te soltei, a porta está aberta. Vai. Pode ir. Anda. Vá atrás do seu homem de verdade. Amores de plástico te esperam. Sorte, garota.
(Cactos)
