Isso Ja Nao me Pertence mais
Essa história já tem quase onze anos, e sempre me abala muito ver certos casais da ficção. Há cenas que sempre me pegam emocionalmente. Acho que isso nunca vai deixar de ferir.
Meu medo é que nunca mais a veja, porque apesar da gente, tecnicamente, ao menos, ainda se falar, ela vive fugindo, e eu sempre sinto que é a última vez. Que o futuro já não nos tem nessa mediocre e indesejada existência.
- Marcela Lobato
Quem Aprende a Minha Música
Já dancei outras canções,
já troquei passos pelo caminho,
já ouvi ritmos diferentes
e aprendi a dançar sozinho.
Já deixei algumas melodias,
já recomecei sem direção,
mas há certas notas antigas
que ainda ecoam no coração.
E talvez seja esse o perigo:
quando o coração quer acreditar,
ele inventa novos sentidos
onde os olhos deveriam enxergar.
Por isso, talvez a dança mais difícil
seja manter os pés sobre o chão,
sem fechar as portas da alma,
sem transformar cautela em prisão.
Quero sentir sem me perder,
quero sonhar sem me enganar;
quero manter o coração aberto,
mas nunca deixar de enxergar.
Não procuro quem já saiba dançar,
nem quem conheça todos os meus passos.
Procuro quem tenha paciência
para descobrir comigo os compassos.
Porque não é sobre chegar pronto,
nem sobre saber qual nota tocar;
é sobre ter sensibilidade
para aprender onde meu coração faz morada.
Há notas que ninguém percebe,
silêncios difíceis de interpretar,
pequenos detalhes escondidos
que só quem realmente escuta
consegue encontrar.
Talvez seja difícil essa companhia,
alguém que consiga acompanhar,
mas talvez seja preciso enxergar além
da música que se pode escutar.
Porque há melodias que não pertencem aos ouvidos,
há ritmos que só a alma consegue ouvir;
e existem pessoas que não precisam
conhecer a canção inteira
para saber quando permanecer.
Já dancei.
Já aprendi novos passos.
Já ouvi novos ritmos pelo caminho.
Talvez só falte uma companhia
que não tenha medo
de aprender o meu ritmo.
Alguém que não tente conduzir sozinho,
nem queira me fazer mudar;
mas que saiba alternar os passos
e, quando a música mudar,
ainda escolha continuar.
Talvez a companhia certa
não seja aquela que sabe a coreografia,
mas aquela que, mesmo sem conhecer a música,
olha nos meus olhos
e diz, sem dizer:
“Eu aprendo.”
E então, quem sabe,
a música deixe de ser procura,
o passo deixe de ser dúvida,
e duas pessoas descubram,
no meio da dança,
que algumas melodias
não precisam ser encontradas.
Precisam apenas ser vividas.
JÁ SOU TUA FÃ
Talvez a natureza, por um instante,
parasse só para contemplar
a beleza que você carrega
sem sequer perceber que sabe encantar.
Talvez qualquer olhar mais atento
encontrasse em você algo diferente,
mas eu tive a sorte de enxergar além:
a pessoa, a essência, a alma…
e foi aí que você me ganhou também.
Não vou negar:
teu corpo chama a minha atenção.
Seria impossível esconder
o que os olhos insistem em dizer
quando o coração começa a querer.
Mas a tua alma…
ah, essa é a minha parte favorita.
É nela que existe o mistério,
o encanto que não sei explicar,
aquilo que me faz querer conhecer
cada pedacinho seu
sem nenhuma pressa de chegar.
Então, se um dia você quiser,
deixa-me conhecer você por inteira.
Sem medo, sem roteiro,
sem precisar transformar sentimento em promessa.
Só deixa acontecer.
Deixa-me ficar por perto,
ser tua segunda a sexta-feira,
a conversa que chega sem motivo,
a companhia leve e verdadeira.
E, se aos finais de semana
você quiser dividir um pouco mais de você,
eu estarei por aqui também.
Não quero antecipar o destino,
nem escrever por nós duas o final.
Quero apenas descobrir, devagar,
se aquilo que parece tão bonito
pode ser ainda mais especial.
Eu quero ficar.
Quero permanecer,
mas sem pressa, sem cobrança,
sem pedir que você seja nada além
daquilo que já é.
Porque eu já sou tua fã.
E talvez o mais bonito de tudo
seja justamente isso:
eu não preciso saber onde vai dar
para gostar da vontade
de continuar.
TALVEZ O VENTO JÁ SOUBESSE
Dizem que o dente-de-leão
guarda desejos que ninguém consegue dizer,
e quando o vento espalha suas sementes pelo chão,
leva consigo aquilo que se deseja viver.
Eu nunca fui de acreditar em sinais,
nem em destinos desenhados no céu;
sempre achei que encontros eram apenas acasos,
até você atravessar o caminho meu.
Você chegou sem aviso ou previsão,
sem promessa, sem hora, sem direção,
e, ainda assim, alguma estranha sensação
fez morada silenciosa no meu coração.
Foi só um olhar — talvez coincidência.
Foi só um sorriso — talvez distração.
Mas certas coisas desafiam a ciência
quando encontram a exata frequência do coração.
Porque existe alguma coisa em você
que eu não consigo simplesmente ignorar;
quanto mais tento não perceber,
mais meu pensamento encontra um jeito de voltar.
E talvez seja isso que me assusta:
não parece apenas vontade de querer.
Existe uma certeza quieta e justa
de que há algo entre nós para acontecer.
Talvez você não tenha percebido,
talvez ainda duvide do que pode ser;
mas há encontros que chegam despercebidos
e mudam tudo antes mesmo de a gente entender.
Eu poderia chamar de acaso,
culpar a lua, o tempo ou o luar;
mas seria covardia esconder o que sinto
atrás de palavras que tentam disfarçar.
Porque, se existe uma pergunta
que insiste em voltar para mim,
não é mais “será que pode dar certo?”,
é “por que não tentar até o fim?”
Não quero prometer um conto perfeito,
nem dizer que não haverá medo ou contramão;
quero apenas mostrar que, se houver um jeito,
eu escolho tentar com o coração.
Se você me der uma chance,
uma brecha pequena, um instante sequer,
eu não prometo saber o que o futuro alcança,
mas prometo descobrir com você o que ele quer.
Porque eu não preciso de certezas absolutas
para acreditar no que sinto por você;
algumas verdades nascem justamente das dúvidas,
e a minha já começou a florescer.
É estranho...
Eu não sei quando começou,
nem em que momento deixou de ser acaso;
só sei que, quando o teu olhar me encontrou,
alguma coisa mudou de lugar dentro do meu espaço.
E se isso for loucura,
que o vento carregue minha razão;
mas se for verdade, que nenhuma dúvida
seja maior que aquilo que diz o coração.
Então, quando encontrar um dente-de-leão
e suas sementes dançarem sem direção,
não pense que é somente o vento em vão —
talvez seja o universo testando uma intenção.
Porque eu já sei qual seria meu pedido
se pudesse escolher uma única coisa para acontecer:
que você me dê uma chance,
não a promessa de ficar,
apenas a coragem de tentar.
Tentar sem saber onde vamos chegar,
mas sabendo que existe algo para descobrir;
tentar sem medo de se entregar ao acaso,
mas com vontade suficiente para insistir.
E talvez, depois de algumas tentativas,
de alguns medos vencidos e noites sem fim,
a gente descubra que certas histórias bonitas
não começam com certeza —
começam com um simples “sim”.
Eu não sei se o destino escreveu teu nome,
nem se o vento já sabia onde te levar;
mas sei que, entre tantos caminhos possíveis,
você foi justamente quem veio me encontrar.
E hoje já não parece apenas desejo,
nem sonho que a manhã pode desfazer.
Há uma certeza escondida em cada ensejo:
eu sinto que é você.
Talvez você seja a pessoa certa,
não porque tudo será fácil ou perfeito,
mas porque, mesmo diante da incerteza,
meu coração ainda escolhe o teu jeito.
E se você também sentir, nem que seja um pouco,
se houver em você a mesma vontade de tentar,
talvez não seja preciso entender tudo agora —
talvez só seja preciso começar.
Deixar o medo para depois.
Deixar o destino respirar.
Dar uma chance para nós duas
e descobrir o que pode se revelar.
Porque talvez o amor não seja uma certeza
que chega pronta para a gente compreender;
talvez seja uma semente delicada
que só floresce quando alguém decide não correr.
Então eu deixo meu desejo voar,
como as sementes que o vento conduz.
Não para pedir que você venha me amar,
mas para pedir que descubra se existe luz.
E, se alguma delas pousar no teu caminho,
talvez você finalmente possa entender:
não era só o vento me trazendo até você.
Talvez fosse você
a pessoa certa
que o meu coração já sabia reconhecer.
E se você me der uma chance,
se permitir que a história comece a acontecer,
eu não prometo que o caminho será perfeito —
mas prometo que vale a pena tentar.
Porque, entre todos os desejos que o vento poderia levar,
existe apenas um que eu escolheria guardar:
você.
E talvez essa seja a única certeza
que eu não precise mais questionar.
Já fui Camelo, carreguei o peso da falsa mora; Transmutei em Leão, quebrei os grilhões e destruí as tábuas da fasa moral e Leis; Após esse processo a última transmutação gerou uma Criança Livre, consciente para viver segundo seus próprios valores e ciente da corrupção do ser.
Sei que o destino empurrou a gente para caminhos completamente diferentes e que você já faz parte de outra história. Não quero invadir sua vida, nem bagunçar o mundo que você construiu, mas eu precisava colocar para fora o que o meu coração grita em silêncio todos os dias.
Você foi, e sempre vai ser, a minha maior inspiração. Cada frase bonita que eu já criei, cada texto de amor que saiu de mim, nasceu daquela luz que você deixou na minha vida. A conexão que a gente teve ainda está viva aqui dentro, intacta, como se o tempo não tivesse conseguido apagar nada. Foi uma sintonia rara, daquelas que a gente só encontra uma vez na vida e depois passa o resto dos dias tentando achar em outras pessoas, sabendo, no fundo, que é impossível. Ninguém nunca vai ser você.
Eu olho para o seu sorriso — mesmo que de longe, por uma tela fria de celular — e aceito essa realidade dura de que nunca vou poder ter você comigo. Mas o que eu sinto por você virou algo maior que presença ou posse. É um amor que aceita ficar no escuro, virando texto e poesia, torcendo de verdade pela sua felicidade, mesmo que para você ser feliz eu precise sumir da sua vida.
Guardo tudo o que a gente viveu como o meu tesouro mais bonito e, ao mesmo tempo, mais cruel. Sei que o seu coração hoje bate por outra pessoa, em outro ritmo, mas o meu continua preso às memórias de nós dois. Às vezes me pego sorrindo sozinho lembrando do seu jeito, das suas manias, mas logo em seguida sinto o peito apertar quando lembro da sua ausência. Amar você, com essa saudade que rasga e não passa, virou parte de quem eu sou.
Se amar de verdade é querer o bem do outro acima de tudo, então eu te amo do jeito mais puro e devastador que existe. Eu durmo e acordo com o seu rosto na minha mente. Aceito essa tortura diária de ser o único a carregar esse amor que nunca vai poder existir para o mundo, mas que fincou as raízes mais profundas na minha alma.
Só que todo sonho uma hora acaba e a gente tem que acordar. E o meu choque de realidade é saber que eu preciso ir embora. Este é o meu ponto final, a minha despedida em silêncio. Estou guardando o que sinto no lugar mais bonito da minha alma e trancando a porta para sempre. Não vai ter outra pessoa, não vai ter um recomeço para o meu coração. Eu aceito essa sentença dolorosa de sentir a sua falta em cada segundo que me resta. Vou viver o resto da minha vida pensando no que a gente poderia ter sido, sabendo que conheci o paraíso no seu abraço, mas fui condenado a passar a eternidade longe dele.
Saiba que, não importa para onde a vida me leve, ninguém nunca vai chegar perto do lugar que é seu. Um pedaço de mim morre hoje aqui, fechando esta carta. Adeus, meu amor. Vou te amar para sempre — em segredo, escondido em tudo o que eu escrever, no silêncio dos meus pensamentos e com todo o respeito do mundo.
Cuide-se. A partir de agora, eu preciso cuidar de mim. Hoje, encerro este ciclo na minha vida que já não me fazia bem. Já doeu muito te perder, mas entendi que dói muito mais me perder tentando segurar um grande amor que já não me quer mais. Preciso seguir em frente.
Sei que tive oportunidades de sair antes e acabei insistindo no que não funcionava, mas não vou mais me culpar por ter tido esperança. Agora, o desafio é reconstruir o que restou. Às vezes tento ser feliz, mas ainda me vejo preso nesse vazio profundo. Só que, desta vez, não vou me trancar nele para sempre. Estou saindo para me encontrar.
Eu já sabia dessa hipocrisia na Assembleia de Deus há muito tempo. É revoltante ver como exploram os fiéis com a cobrança rigorosa do dízimo, mas, na hora em que o membro está desempregado ou passando necessidade, a igreja não estende a mão; dizem que 'é preciso ter fé' enquanto o prato do trabalhador está vazio. Pelo contrário: escravizam as irmãs para limpar o templo e arrumar cadeiras sob o pretexto de ser 'obra de Deus', enquanto o pastor ostenta um salário de, no mínimo, 10 mil reais, carro do ano e vida de luxo. Nessa hora, o discurso muda e dizem que 'o obreiro é digno do seu salário' e que 'ninguém trabalha de graça'. Engraçado que isso só vale para a cúpula, nunca para quem limpa o chão.
A hipocrisia é sem limites. Usam o nome de Deus para impor medo e exercer um controle psicológico que invade a liberdade individual, vigiando a roupa que a mulher veste e o que o fiel faz em casa, chegando ao ponto de ditarem em quem as pessoas devem votar. Transformaram o altar em palanque político e o dízimo em faturamento empresarial.
Para completar o descaso, muitos templos se recusam a deixar que o corpo de um membro seja velado na igreja, alegando normas internas ou falta de tempo. É um sistema que lucra com o suor dos humildes enquanto eles têm saúde para trabalhar e dinheiro para ofertar, mas nega até o último gesto de dignidade e acolhimento no momento do luto. É uma 'família' que te acolhe pelo que você tem no bolso, mas te descarta assim que você não serve mais para os interesses deles. Pregam o céu, mas vivem um império de ganância aqui na terra. Afinal, para esses líderes, a fé é apenas um meio de vida, e o fiel é apenas um meio de lucro.
Já rodei todo esse mundo procurando encontrar algo que desse sentido aos dias cinzas. Eu era aquele que, por muito tempo, olhou para os lados e sentiu que o amor era um privilégio alheio, uma conspiração do destino contra o meu próprio peito. Eu guardava comigo os meus sonhos de criança, aqueles planos puros de formar uma família como era a dos meus pais, com mesa cheia, risadas na sala e um porto seguro para ancorar a alma.
Mas o tempo foi passando e a coisa mudou. O relógio não perdoa e, confesso, a solidão foi se chegando e se acostumou a sentar ao meu lado no sofá. Houve dias em que a chuva parecia ser a única visita, e a desilusão tentou assombrar os meus sonhos mais bonitos.
No entanto, há algo em mim que não se apaga. De uma coisa eu não desisto, sou fiel e não abro mão: a esperança de ter o meu lugar no mundo. Quero os filhos, os amigos, a companheira e os irmãos celebrando a vida. Pois se essa vida é bonita, ela é feita pra sonhar, e cada tropeço só aumenta o meu desejo de, afinal, te encontrar.
O que eu não me acostumo é com a solidão. Ela é uma visita barulhenta demais no meu silêncio. Por isso, sigo firme. Sei que essa tal felicidade, hei de encontrar, e não importa o caminho ou a demora: mesmo se eu tiver que aguardar, se eu tiver que esperar, eu estarei pronto.
Porque eu sei que, no momento em que eu vir o teu rosto, a dúvida vai embora. Um pedaço do seu beijo ou o seu coração já serão o suficiente para me fortalecer e me fazer delirar. Eu me tornarei, finalmente, um crente no amor.
Dizer sim para você foi a melhor decisão que já tomei. Hoje, nego a solidão e me rendo a esse sorriso que ilumina tudo. O nosso amor é lindo porque é real, é fiel e é o meu lugar favorito no mundo. Que a nossa vida seja sempre esse pedacinho do céu que a gente constrói de mãos dadas.
Dizem que sou jovem e que o mundo ainda vai me ensinar muito, mas a verdade é que eu já aprendi o suficiente com a gente. Aprendi que o amor não é esse conto de fadas que os tolos insistem em celebrar. Para mim, ele se revelou como uma nuvem carregada: pesada, escura e cheia de uma chuva que não limpa, só inunda.
O amor fere. E o meu coração, por mais que eu quisesse que fosse feito de aço, não foi forte o suficiente para aguentar tanta dor. Você foi a chama que ardeu bonito no começo, mas que acabou me queimando quando o fogo ficou alto demais para eu controlar.
Olho ao redor e vejo pessoas buscando essa tal "felicidade e união", e confesso que sinto uma mistura de pena e cansaço. Elas estão se enganando. Eu sei a verdade agora, e ela é amarga: o amor parece uma mentira bem contada, desenhada apenas para nos deixar tristes no final.
Não estou dizendo isso com raiva, mas com a clareza de quem finalmente parou de tentar se enganar. Minhas cicatrizes são a prova de que eu estive lá, de que eu tentei, mas que saí ferido.
Talvez um dia eu mude de ideia, mas hoje, tudo o que sei é que dói. E eu preciso de silêncio para ver se essas marcas param de sangrar.
É estranho como o coração demora tanto para entender o que os olhos já cansaram de ver: que o nosso 'nós' virou apenas saudade acumulada.
Ainda vou te mostrar, com o tempo e com gestos, a verdade que o meu silêncio já gritava: eu sempre fui o grande amor da sua vida.
Se o tempo é um ciclo, tenho certeza de que já te encontrei antes. O nosso amor é a prova de que algumas histórias são escritas para serem eternas.
Deixei a vingança de lado quando entendi que algumas pessoas já nasceram com a própria ruína contratada.
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