Irmaos que Brigam muito

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⁠Suponho que, em meio ao avanço exponencial da informação, manter um tabu será, muito em breve, uma escolha — e não uma imposição.


Já vivemos tempos em que Tudo — desde que alicerçado na sinergia da Maturidade, Responsabilidade, Sensibilidade e Respeito — pode ser dito, mas quase nada pode ser realmente escutado.


A informação se multiplica, enquanto a escuta se fragmenta.


É mais fácil focar na liberdade de expressão irrestrita que calar para escutar!


O excesso de dados não nos libertou dos preconceitos; apenas os sofisticou.


Hoje, romper um silêncio é fácil — o difícil é sustentar um diálogo.


E, entre certezas inflamadas e convicções fabricadas, o pensamento sereno passou a ser visto quase sempre como provocação.


Talvez o verdadeiro desafio da era da informação não seja aprender mais, mas aprender a pensar sem medo e sem culpa, a questionar sem ser condenado, e a permitir que o outro exista, mesmo quando ele pensa diferente.


Porque, sem transpor a zona desconfortável de se questionar, talvez seja mais fácil apodrecer que amadurecer.

Em terras abarrotadas de trabalhadores, gente de bem e servos de Deus mijando fora do penico, muito em breve, invocar o Santo Nome de Deus publicamente será blasfêmia.

Aprendi que tudo feito com muito Amor e Carinho dá certo…


Inclusive Brigar!


É raro alguém conseguir Brigar com tanto Amor e Carinho, sem deixar o pincel cair de propósito — só para rabiscar o perdão no meio da discussão.


Porque certas brigas nascem apenas para nos lembrar que o Abraço é o ponto final mais bonito…


Os abraços grandes, os memoráveis, nascem das mãos livres… e dos corações presos — ao desejo de amar.


Com carinho — à prima, Elaine Ferreira.

⁠Com tanto humano latindo, muito em breve, dialogar será privilégio dos cães.

Há um risco, às vezes muito sutil, na romantização dos problemas: aprender a amá-los.


E se é notório que, para alcançar uma Graça, precisamos antes reconhecer a necessidade dela e pedi-la com sinceridade…


Como poderá o Filho do Homem libertar-nos de um fardo que cultivamos, romantizamos e até passamos a chamar de nosso?


Há dores que não nos abandonam, não porque Deus as conserve, mas porque nós as acariciamos como lembranças de estimação.


Há feridas que já não sangram como antes, mas que insistimos em reabri-las, como quem visita um túmulo com flores demais.


O Céu não invade o território onde o coração ainda se acomoda no cárcere das próprias paixões.


E, talvez por isso, certas Graças tardem: porque ainda chamamos de amor, o que, na verdade, é prisão com perfume de afeto.


O doce perfume da prisão não apenas exala o bom cheiro — ele também aprisiona.⁠

⁠Algumas primeiras vezes são realmente muito difíceis, mas todas são inevitavelmente memoráveis.

⁠Citações bíblicas são para acender luzes — não para apagá-las, muito menos para monopolizar a Graça.


Insulto maior não há, que ver tantos se valendo das Sagradas Escrituras para se esconder, aparecer... ou se promover.


Porque Deus jamais teria contribuído com uma única vírgula do livro mais vendido, mais lido — e menos vivido do mundo — para legitimar descuidos, maldade ou caprichos de apaixonados.


A Palavra, quando nasce da Fonte, não busca plateia, busca consciência.


Não pede eco, pede postura.


Nem deseja aplauso, deseja transformação.


Mas há os que a tomam como escudo, sem jamais permitir que ela os atravessasse.


Há os que a declare com fervor, mas não a deixe iluminar a própria sombra.


É há os que a cite de cor — e, ainda assim, não a conheça.


Talvez o maior desafio da fé não seja crer, repetir ou pregar… mas permitir que a Graça nos alcancem onde mais resistimos a ser alcançados.


Porque Escritura não foi dada para amarrar ninguém — foi dada para libertar.


E somente quem se deixa iluminar por ela descobre que a verdadeira luz nunca humilha; revela.


Nunca esmaga; desperta. Jamais separa; reconcilia.


E é justamente aí que a Filosofia reencontra a Fé no ponto mais delicado: o ponto em que ambas exigem do sujeito não a obediência cega, mas a coragem de se encarar.


A Filosofia nos pergunta por que acreditamos; a Fé nos pergunta como vivemos o que dizemos acreditar.


E, quando caminhamos sem medo, percebemos que essas perguntas são irmãs — não rivais.


A Escritura nos mostra caminhos, mas jamais os percorre por nós.


A consciência é quem decide se cada passo será um gesto de luz ou de vaidade.


Porque não há texto sagrado, capaz de elevar quem insiste em rastejar pelas conveniências.


E não há versículo que enobreça mãos que o brandem como arma enquanto o coração permanece fechado como punho.


Fé sem reflexão vira fanatismo.


Reflexão sem fé vira desespero.


Mas a união das duas — essa, sim, — é o que faz da Palavra uma ponte em vez de trincheira.


Talvez Deus nunca tenha pedido que interpretássemos a Escritura com perfeição… mas que a vivêssemos com honestidade.


Porque a Verdade, quando realmente é luz, não precisa ser defendida — precisa apenas ser deixada brilhar.


Porque a Oração sem Ação não ascende — retorna.


Não toca o Alto — ressoa no vazio de quem a profere.


E, talvez por isso, seu destino seja apenas os ouvidos dos tolos que imaginam que o Céu se move por frases que nem eles próprios se movem para viver.

Com tanto humano latindo, muito em breve, dialogar será privilégio dos cães.




Há uma medonha cacofonia tomando conta do mundo.




Fala-se muito — mas ouve-se quase nada.




As palavras, outrora pontes entre consciências, hoje se erguem como muros de pura vaidade.




Infelizmente, o verbo já está perdendo o dom de unir.




Transformando-se em arma, em ruído, em reflexo de uma humanidade que insiste em confundir — por maldade, descuido ou capricho — tom e volume com a razão.




Cada um late a própria certeza, a própria verdade,
defendendo-a como quem protege um osso invisível.




Nos palcos digitais, nas praças e nas conversas de esquina,
o diálogo virou duelo,
a escuta, fraqueza,
e o silêncio — que quase sempre foi sabedoria —
agora é interpretado como rendição.




Latimos para provar que existimos,
mas quanto mais alto gritamos,
menos presença há em nossas vozes.




Perdemos o dom de conversar
porque deixamos de querer compreender.




Estamos quase sempre empenhados em ouvir só para responder.




Talvez, por ironia divina,
os cães — que nunca precisaram de palavras —
sejam hoje os últimos guardiões do diálogo.




Eles não falam, mas entendem.
Não argumentam, mas acolhem.
Escutam o tom, o gesto, o invisível…




Enquanto o homem se afoga em certezas,
o cão permanece fiel à simplicidade da escuta.




E quando o mundo estiver exausto de tanto barulho,
talvez apenas eles saibam o que significa realmente conversar:
olhar nos olhos, respirar junto,
e compreender o que o outro sente —
antes mesmo de dizer.




Porque, no fim das contas,
o diálogo nunca foi sobre ter razão,
mas sobre ter alma suficiente para ouvir.




E talvez, enquanto o humano retroalimenta o medo do cão chupar manga,
o maior — e único — medo do cão
seja tanto humano latindo.⁠

⁠É muito Feno para tão pouco sal...


Talvez seja melhor temperar com uma boa pá de cal.


Haja sal para a quantidade assustadora de Feno necessário...


Quando a desproporção chega a esse ponto, já não se trata mais de tempero, mas de engano.


Talvez seja mesmo melhor recorrer a uma pá de cal, não para enterrar expectativas, mas para sepultar de vez as ilusões que insistimos em alimentar.


Porque certas mesas, por mais que pareçam fartas, só servem palha; e certos banquetes, por mais barulho que façam, não sustentam ninguém.


No fim, a verdadeira sabedoria está em abandonar o que só ocupa espaço e buscar o que, ainda que pouco, de fato, nos alimente.

⁠⁠Seria muito difícil — ou até impossível — alugar a cabeça de todo um povo, ou parte dele, sem antes comprar algumas.⁠⁠

⁠Talvez seja muito mais fácil lidar com o barulho de quaisquer doenças permitidas por Deus do que com o barulho apressado das suas propagações.


Lidar com o peso silencioso de um diagnóstico permitido por Deus é tão pavoroso quanto lidar com o estrondo apressado dos que o espalham.


Uma enfermidade jamais alcançaria um filho de Deus sem a autorização d'Ele, mas o “disse me disse” — é escolha humana.


E a dor, esta, quando chega, costuma pedir recolhimento, tempo e respeito.


Ela ensina a alma a caminhar devagar, a ouvir o próprio coração e a buscar sentido onde o ruído não alcança.


Já o barulho da divulgação precipitada não cura, não consola e não edifica — apenas expõe, rotula, espalha o caos e multiplica feridas.


Há sofrimentos que são sagrados demais para virar assunto, estatística ou opinião.


Deus, em Sua permissão, conhece a medida exata do fardo que cada um pode carregar; as pessoas, em sua pressa, conhecem raramente a medida do silêncio necessário.


Entre o diagnóstico e a esperança, existe um santuário de silêncios onde só cabem a misericórdia, a oração e o cuidado.


Talvez o verdadeiro amor não esteja em falar rápido, mas em calar na hora certa.


Porque há dores que Deus confia ao coração… e há barulhos que o mundo faz sem jamais ter sido autorizado a fazê-lo.


Em que pese a fome apressada de informações, interesse e curiosidade coexistem, mas gritantemente se diferem.


Enquanto a curiosidade chega metendo os pés na porta, o interesse se oferece para trabalhar o caos nos cômodos que se apresentam.


Que nenhum diagnóstico se confunda com sentença, nem a informação com a exposição!
Amém!

⁠Confundir Grosseria com Franqueza é muito fácil, difícil é convencer o outro a aceitar a agressão deliberada.


E essa confusão caprichosa nada mais é do que um atalho tentador para quem não quer atravessar o terreno da responsabilidade.


A franqueza exige compromisso com a verdade e com o outro; a grosseria se basta no impacto e se esconde atrás da desculpa da “sinceridade”.


É fácil chamar de honestidade aquilo que foi cuidadosamente temperado para ferir.


Difícil é sustentar que agressão deliberada seja virtude — ainda mais quando se exige do ferido maturidade, compreensão ou o famoso “jogo de cintura”.


A franqueza jamais precisa levantar a mão para se fazer ouvir.


Quem precisa subir o tom para sustentar uma ideia, não tem ideia alguma para sustentar — mas caprichos.


Quando a palavra nasce para machucar e não para esclarecer, já não é verdade: é descarga.


E não, não cabe ao agredido aprender a aceitar o golpe para que o agressor se sinta autêntico.


Isso não é franqueza…


É grosseria pedindo absolvição.


Num mundo onde quase tudo se confunde, qualquer um pode confundir Grosseria com Franqueza, mas não esperar que ela flerte com a minha misericórdia.


Para as ofensas deliberadas, talvez só a Deus caiba o perdão…


Quem vive tentando ser mais humano também cansa!

Um coração grande não é aquele que tem muito espaço, mas aquele que consegue se dividir e entrar em muitos corações.

A visão e a indignação seletivas dizem muito menos sobre o mundo
e muito mais sobre quem olha para ele.


Pensar isso é reconhecer que, muitas vezes,
a indignação não nasce da injustiça em si,
mas da conveniência.


Indigna-se quando dói no próprio território,
silencia-se quando o dano beneficia, protege ou confirma crenças.


A visão seletiva é uma forma sofisticada
de cegueira:
olha, mas não vê;
vê, mas escolhe esquecer.


E o que dizer?


Que a indignação seletiva não é ética,
é estratégia.
Não é consciência,
é cálculo moral.
Não é empatia,
é espelho.


Ela grita contra certos absurdos
enquanto cochicha cumplicidades
diante de outros.


Aponta o dedo com uma mão
e tapa os próprios olhos com a outra.


Talvez a frase mais honesta seja esta:


Quem escolhe quando se indignar
já escolheu de que lado não está.


✍©️@MiriamDaCosta

Sonhe!
Sonhe muito!
Quem sonha é mais rico de cores,
De liberdade... de amores.

Uns dias, princesa; outros dias, bruxa...
Mas são, todos, dias muito bons!

⁠Tenho muito medo de tudo que faz, eu perder meu tempo e não tornar este tempo em que vivo, um lugar mais digno, colorido, justo, feliz e com amor.

⁠A escola da vida, ensina muito sim mas só para aqueles que tenham paz no coração e muita humildade para aprender.

Fico sempre muito feliz quando consigo ver um pouco alem da tímida imagem que a nova pessoa a mim se apresenta mas ao mesmo tempo fico ainda um pouco triste por que tantos escondem por medos invisíveis, o seu jeito bom, humano, bonito e sensível de ser.

Amar a Amazônia, como ela é muito alem de como conseguimos vê-la... me alertava meu querido amigo, mestre o artista e intelectual amazonense Moacir Andrade. Amar verdadeiramente selvagem para entende-la.