Irmao Nao Va embora

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Não morre aquele que pela virtude perece.

As leis mantêm-se em vigor não por serem justas, mas por serem leis.

A liberdade é um bem comum, e se todos não desfrutam dela, não serão livres nem os que se julgam como tal.

Os amigos da verdade são aqueles que a procuram e não os que se vangloriam de a ter encontrado.

Quando não se possa escolher senão entre a cobardia e a violência, aconselharei a violência.

CANÇÃO

Viver não dói. O que dói
é a vida que se não vive.
Tanto mais bela sonhada,
quanto mais triste perdida.

Viver não dói. O que dói
é o tempo, essa força onírica
em que se criam os mitos
que o próprio tempo devora.

Viver não dói. O que dói
é essa estranha lucidez,
misto de fome e de sede
com que tudo devoramos.

Viver não dói. O que dói,
ferindo fundo, ferindo,
é a distância infinita
entre a vida que se pensa
e o pensamento vivido.

Que tudo o mais é perdido.

A vasta noite
não é agora outra coisa
se não fragrância.

A morte não é um tormento, é o fim de um tormento.

O que enobrece o homem não é o seu ato mas o seu desejo.

Os indivíduos só são heróis quando não podem agir de outra maneira.

Não é forte quem derruba os outros; forte é quem domina a sua ira.

Há enganos tão bem elaborados que seria estupidez não ser enganado por eles.

Nada contribui mais para a serenidade da alma do que não termos qualquer opinião.

Não posso acreditar que Deus nos colocou nessa terra para sermos ordinários.

O direito não é nada além do mínimo ético.

Considero a família e não o indivíduo como o verdadeiro elemento social (arriscando-me a ser julgado como espírito retrógrado).

O mais grave no nosso tempo não é não termos respostas para o que perguntamos - é não termos já mesmo perguntas.

Vergílio Ferreira
FERREIRA, V., Pensar, Bertrand, 1992

Canção de Primavera

Eu, dar flor, já não dou. Mas vós, ó flores,
Pois que Maio chegou,
Revesti-o de clâmides de cores!
Que eu, dar, flor, já não dou.

Eu, cantar, já não canto. Mas vós, aves,
Acordai desse azul, calado há tanto,
As infinitas naves!
Que eu, cantar, já não canto.

Eu, Invernos e Outonos recalcados
Regelaram meu ser neste arrepio…
Aquece tu, ó sol, jardins e prados!
Que eu, é de mim o frio.

Eu, Maio, já não tenho. Mas tu, Maio,
Vem com tua paixão,
Prostrar a terra em cálido desmaio!
Que eu, ter Maio, já não.

Que eu, dar flor, já não dou; cantar, não canto;
Ter sol, não tenho; e amar…
Mas, se não amo,
Como é que, Maio em flor, te chamo tanto,
E não por mim assim te chamo?

José Régio
Filho do Homem

O homem nasceu para o prazer: ele sente-o e não precisa de mais provas. Ele segue assim a razão, entregando-se ao prazer.

Não ser amada é uma desventura; mas deixar de sê-lo é uma afronta.