Irmao Nao Va embora
Meus passos...
Sigo de passo em passo
às vezes, não passo.
Passos longos
nas tempestades
apagados pela chuva,
pelas ondas,
pelo vento
lá longe ficou meu tormento.
Passos curtos
nos dias ensolarados
riso escancarado
felicidade
curto
cada passo dado.
Passos solitários
um depois do outro
só um
sem o outro.
Passos vagarosos
cansados
caminhos dispersos
só prosa...
sem cantos... sem versos.
Passos aqui... outros ali
por aqui e por aí
ao acaso
descaso
pegadas da vida
não encontro nenhuma saída.
Se não consigo da vida correr,
o único jeito é viver.
Sepultei? Não! Pra sempre enterrei
bem enterrado
no buraco mais fundo
um amor maior que o mundo.
Cobri-me com um preto véu,
desci a ladeira
num passo lento,
joguei suas lembranças ao vento...
Um corpo na cova,
como se fosse desova
de quem não serve pra nada mais...
com o corpo foram-se as provas
de um amor que não se fez jamais.
Enterrei... enterrado,
coberto de terra
um cadáver...
um mau cheiro exalado.
Mais uma decepção...
Não, não aprendo.
Continuo a confiar,
a acreditar,
a buscar,
e a esperar...
Um dia o vento trará,
eu sei que sim,
trará alguém igual a mim.
Confiança aos meus pés depositará.... essa é minha maior esperança...
ou minha esperança... é confiança nos pés de quem me guiará?
E ele se foi
assim como veio.
Não pediu licença pra entrar
não avisou que ia sair.
Não se importou em me ver chorar.
Não ligou por eu não mais sorrir.
E ele se foi
como o vento forte
deixando tudo pelo chão...
Nem se importou em ver quebrado meu coração.
A incerteza é fatal...
remédio mortal...
veneno total.
Talvez,
quem sabe,
pode ser,
não dá pra dizer.
A neblina me fascina
só se muito fina.... muito fina.
O nevoeiro denso me alucina,
me faz perder a direção,
o senso, o uso da razão.
Incerteza é a única certeza da vida...
o resto... bem, o resto é tudo ilusão.
Ir por aí...
você sempre tem essa opção...
ou não.
Subir a montanha mais íngreme,
descer ao vale mais profundo,
chegar ao topo do mundo,
cair no buraco mais fundo,
sair... ou não.
Você sempre tem mais de uma opção:
não ser igual a todo o mundo...
ou não...
Ir por aí
sem plano, projeto,
sonho... ilusão...
viver sua vida
... ou não.
A convicção do não
faz você sofrer?
O não só mostra
o que você tem de deixar de querer.
A convicção do não
é bênção, não maldição.
A sua simples menção
faz doer seu coração?
E o sim...
Sempre tudo bem pro sim?
Nem sempre pra mim...
há sins que incomodam
se não no começo, no fim.
Talvez.... tudo isso
seja só o que você merece.
O que quer dizer diz.
Não se esconde atrás do silêncio
aquele que quer algo dizer...
diz e é feliz.
O que quer ser feliz diz.
Diz o que o faz feliz
não se esconde atrás
do que não diz...
não perde a felicidade por um triz.
Então... diz!
Quando você chegar
já vai me encontrar dormindo.
Quando você chegar
já não vai mais me ver sorrindo.
Quando você chegar
já vai me ver partindo...
Quando você chegar
vai desejar não ter vindo.
E isso de ser somente o que se é...
é pouco, não é? Não, não é.
Pois é... você é o que é,
punto e basta.
E o tempo passa e você não gasta.
Você ontem, hoje e/ou amanhã.
Tudo passa, tudo dura.
Tudo igual, tudo diferente...
Nem vem.... nem se reinvente.
Tudo é o que é
e só é o que realmente é...
Queria ser mais, ser diferente? Nem tente...
Você só é o que é: igual e diferente a toda gente.
Cuidado comigo,
não sou de fazer amigos.
Cuidado, não sou normal...
sou um doente mental.
Vivo em crise,
sei... a vida não tem reprise...
não vivo bem, vivo mal
sou do meu corpo refém.
Um morto vivo
pelo desconhecido sigo
riscando os dias e as noites
vivo uma vida infernal...
surreal...
mal bem real!!
Quero ler sua mente!
Ah! nem tente...
você não tem ideia do que vai encontrar.
São labirintos sem fim,
cantos escuros, obscuros...
curvas sinuosas, perigosas,
arame farpado por todo lado!
Você só vai se arranhar.
Mantenha distância...
nem tente se aventurar.
Asseguro:
não sou nenhum porto seguro.
Minha mente: abismo profundo..., no fundo,
impossível decifrar!
Há dias em que é noite o dia todo.
O sol teima em não aparecer,
o sorriso a não se fazer,
a dor a doer.
As lágrimas anuviam o olhar.
A dor lá só pra te lembrar.
O medo a te sufocar.
O amor a se esconder...
e a vida tem de continuar
Você acredita que as mesmas dores não se repetem
Tenta se convencer inutilmente,
mas elas voltam
de forma diferente (ou da mesma forma...), em outro momento... com outra gente.
Daí você pensa: por essa já passei
vou tirar de letra,
pois o caminho e como lidar com ela
eu já sei.
Ledo engano!
São outras lágrimas...
São outros medos..
e você percebe (+ uma vez) quão é humano...o que É ser humano.
Você já conhece o começo, o meio e o fim
Está na sua memória...
faz parte de sua história... é a mesma dor, enfim!
Mas, a dor é outra,
é uma dor diferente
a que agora você sente...
Por que? Porque envolve outra gente!
"Há dias que é noite toda
Há dias em que
o sol teima em não aparecer
as lágrimas, a escorrer....
... A dor... tá lá só pra lembrar
que a felicidade brinca de se esconder.
Mas... sua vida tem de continuar.
E você, magoada, enganada, desesperançada,
sabe que não há saída
àquele dia que teima em ser noite tem de se acostumar...simplesmente aceitar
nem adianta não querer acordar.
Pois sua vida não pode parar!"
Hoje me agasalhei bem
pra não tremer de solidão,
pra esquecer um bem querer que partiu meu coração...
me agasalhei bem...
Frio!? Não passo não!
Eu sei... minha hora vai chegar
desde sempre está marcada
quem garante que não será a hora errada.
A decisão não é minha...
Talvez, por mim, jamais tomaria tal decisão,
ou a tomaria na hora errada
ou antes da hora... ou depois da hora
quando a nunca coisa que resta é ir embora.
Há hora certa?
Verei o sol amanhã?
Quem garante?
A única garantia: alguém não o verá...
Quem será?
A história de cada um é sem começo...
vai se desenvolvendo de qualquer jeito
não há um manual - você já reparou?
Nada que indique como fazer perfeito
o que você nem sabe como começou.
E o fim? Conta pra mim... quando lá você chegar.
Enquanto você vai, eu... eu fico aqui no meio... perdida...
certa de que a história de cada um acaba em um beco sem saída.
To perdida aqui no meio... mas daqui não saio não.
No rastro... uma lembrança do que não existe mais.
Lembrança do que nunca existiu...
Como se consegue isso?
Há um rastro de você
como poeira sideral
impregnado em todos os cantos das minhas lembranças
um você que teria sido tão lindo
se tivesse sido... se tivesse querido
mas não quis.
E eu aqui agora só com uma lembrança infeliz: você nunca me quis.
Ah! se eu tivesse insistido!
