Irmao Nao Va embora

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⁠Ventos do inverno

O vento do inverno ameaçava congelar seu coração...
Era uma vez... ou não era não...
Porque todas as histórias têm de começar assim...
Por que tudo tem de ter fim?
E o vento continuava sua jornada,
congelando tudo o que encontrava pela frente...
atravessou a noite e
o futuro desintegrou-se sem aviso prévio...
memórias partidas com tantas idas.
Extinto o futuro,
não haveria mais nenhuma despedida...
Com o futuro implodido
foi-se tudo o que poderia ter sido.
Foi-se... sem ter acontecido.

Inserida por RosangelaCalza

⁠Pé na estrada

Pé na estrada...
é madrugada,
uma longa caminhada,
não paro por nada...
eu chego lá,
o primeiro passo acabei de dar...
não sei qual é o segundo,
só sei que há um mundo
me esperando,
vou caminhar,
todas as amarras vou soltar
nada me prende
nem me surpreende
se você, no fim de tudo,
estará lá a me esperar.

Inserida por RosangelaCalza

⁠Meu choro

Não choro, não, não choro...
Mas nem sempre fui assim,
houve épocas em que eu morria,
morria de pena de mim.
Eu chorava,
as lágrimas não controlava,
deixava-as correr pelo rosto,
mostrava todo o meu desgosto.
Hoje eu engulo meu choro...
não choro.
Prendo minhas lágrimas
com força dentro de mim...
e sorrio, sorrio sim.
Às vezes, não consigo todas controlar
e uma consegue escapar...
e eu finjo 'é apenas um cisco'
a me machucar...
Sabe o que é trágico?
Meu choro? Não...
Meu fingimento? Não...
O trágico é todo mundo acreditar...
que um cisco está a me maltratar...
Não há sequer um movimento no ar...
Sempre alguém se oferece pra soprar,
do meu olho o cisco tirar...
... assopra, e assopra, e vê o cisco sair (?)
junto com outra lágrima dos olhos cair...

Inserida por RosangelaCalza

⁠Prazer miserável

Há dias em que ele mergulha numa solidão miserável.
Não é justo o que este mundo injusto dele exige...
Ele merece mais, ele é tudo demais...
Por que tão pouco a vida de volta lhe traz!?
Fechado entre as quatro paredes do que é seu quarto,
Olha ao seu redor, nada do tudo que vê poderia ser pior...
A cama desarrumada...
... desdenhosa ri...
A cortina esvoaçante...
À meia luz...
A imagem que o seduz murmura provocante
Preso estás... só porque pro MEU prazer eu te prendi.

Inserida por RosangelaCalza

⁠Caminhos

Caminho sinuoso.
Caminho perigoso.
Vida lutas registra.
Não há paz à vista.
A dor se faz infinita.
Uma fresta na janela.
Um abismo vejo por ela.
Vencidos todos os medos.
Revelo os meus segredos.
Revejo o ponto de partida.
Escolho melhor ponto meridiano.
Reinvento-me na vida.

Inserida por RosangelaCalza

⁠Pra você me guardei...

Na margem oposta
vejo que você aposta.
Esconde nas sombras uma dor.
Não quer mais saber de amor.
O rio corre para o mar.
Isso ninguém pode mudar.
Seu coração tão carente
Precisa de gente… urgentemente.
Um roçar de leve.
Um olhar suave.
Na margem de cá
Na hora certa… passo pra lá.

Inserida por RosangelaCalza

⁠Do tempo

O tempo nunca desaparece.
O tempo não envelhece.
O tempo não é o que parece.
O tempo…
anoitece… amanhece.
O tempo…
é irreal.
As coisas é que têm começo, meio e ponto final.
O tempo não aparece.
Nem nunca desaparece.
O que é o tempo, afinal?

Inserida por RosangelaCalza

⁠Mapas

Rasguei o mapa.
Agora qualquer caminho me serve.
Não tenho ponto de chegada.
Apenas sigo mais um dia por esta estrada.
Não quero o futuro desvendar.
Não quero placas pra me guiar.
Na dança da vida rodopio.
Não importa que esteja presa por um fino fio.
Se encontro um desvio, me desvio.
Sigo o leito do rio… ou não.
Sigo na mão.
Me perco na contramão.
Se precisar dou voltas.
Faço o caminho de volta.
Perco-me.
Encontro-me.
Nas esquinas da vida.
Sigo.
Entro em becos sem saída.
Deixo a vida me levar.
Deixo a chuva me lavar.
Deixo a vida me parir…
sem medos, sem dores
abismo profundo: eu sempre a cair… a cair…
no fundo, no fundo só vejo flores.

Inserida por RosangelaCalza

⁠Minha palavra

Minha palavra dobrou a esquina.
O que tenho para dizer não cabe em um linha reta.
Tudo pra mim vira poesia.
O que acontece de noite.
E o que acontece de dia.
Minha palavra rola solta.
Atravessa a rua.
Veste-se… fica nua.
Minha palavra muda de calçada.
Voa… dá um nó.
Segue, falando só.

Inserida por RosangelaCalza

Por que voltou?⁠

Não fez nada pra evitar
que triste eu fosse ficar.
Um dia partiu.
Meu coração partiu.
Estilhaçado,
chorou desesperançado.
Não fez nada pra evitar
uma dor que eu não queria sequer relembrar.
Meu maior castigo?
Não foi você partir…
Foi você voltar.

Inserida por RosangelaCalza

⁠A caixa

Entrei mais uma vez em uma caixa.
Só que dessa vez não era uma caixa de brinquedos…
era uma caixa de escuridão.
Tateie por toda ela.
Demorei pra entender onde eu estava.
Adormeci.
O melhor a se fazer na escuridão é adormecer.
Dormi profundo.
Dormi até o fim do mundo.
E olha que a escuridão não tem fim.
Pobre de mim.

Inserida por RosangelaCalza

⁠Escrevo

Escrevo.
Escrevo pra sobreviver de noites mal dormidas.
Narro meus dias.
Narro-os pra não me esquecer das tristezas nem das alegrias.
Conto sobre mim.
Conto sobre os outros.
Conto que os amores não são poucos.
Descrevo.
Descrevo o que os meus olhos veem.
Descrevo porque não quero que nada se apague de minha memoria.
Tão solúvel.
E os dias passam.
Alguns lentamente demais.
Outros tão normais.
escrevo pra sobreviver…
sobreviver a essas águas que querem pra sempre me varrer do mapa.
Escrevo pra tornar visível ese fio da minha vida.
Escrevo pra destatuar a dor da minha alma.
Escrevo pois só a escrita me acalma.

Inserida por RosangelaCalza

⁠Experiência

Acabou não sendo como querias…
E acabou…
Mas não deves pensar que fracassaste.
Fracassado terias se não tivesses feito.
Se tivesses deixado os braços cruzados.
Se tivesses deixado passar como se não existisse.
Fizeste.
Não saiu como querias…
Mas agora tens a experiência…
Sabes de algo que do contrário não saberias.

Inserida por RosangelaCalza

⁠Tua mão

Sigo caminhando.
Passos leves.
Não tenho mais a arrogância de quem tem muito…
Nem a ansiedade de que quem pouco tem.
Sigo leve.
Miro um ponto à minha frente.
Nascente ou poente…
Não sei…
Só sei que há luz.
Em paz.
Aperto tua mão.
Tão suave ela me conduz .

Inserida por RosangelaCalza

⁠Te amarei

Falha a minha voz.
Fraqueja meu passo.
Da dança não sei mais o passo.
Olhos marejados.
O sol que não brilha mais.
Que falta você me faz.
Volta.
Esquece o mal que causei.
Lembra que sempre falei: não importa o que acontecer… sempre te amarei.

Inserida por RosangelaCalza

⁠Quem poderá?

Titubeio.
As palavras já não se fazem mais.
Tudo está coberto por uma luz fraca.
Os passos vão para frente, voltam para trás.
Desencontros… descompassos.
O pulso palpita,
A alma grita.
Não há mais saídas.
O espelho reflete um corpo
alquebrado.
Olhos estatelados.
Não há mais dúvidas.
Sobraram apenas as certezas.
A calamidade da certeza me assombra.
Um corpo sem sombras.
Uma mente sem dúvidas.
Quem me poderá desanuviar a mente?
Quem me ensinará a ver a verdade em quem mente?

Inserida por RosangelaCalza

⁠Distância

Sou antítese do não ser…
Sou e não quero ser.
Procuro-me sem querer me achar…
Encontro-me sem me procurar.
Sou fluxo até transbordar.
Ando pelo caminho sem nenhum passo dar.
Dou passos pelo caminho sem em frente continuar.
Sou finitude trajada de ser.
E há vezes em que nem consigo me descrever.

Inserida por RosangelaCalza

⁠Se o sol não brilhar

Dias assim...
Há dias que são noite o dia inteiro.
O Sol não aparece,
o calor não aquece,
nenhuma palavra conforta...
só uma dor que o coração corta.
Há dias assim...
A chuva não para,
o frio não vai embora,
a felicidade não existe,
o mundo todo é tão triste...
Você, então, quase desiste.
Há dias bem assim...
Mas, mesmo esses dias chegam ao fim...
Da saída você encontra a porta...
O dia passou...
pra trás o passado ficou,
e isso é que no fim importa.

Inserida por RosangelaCalza

⁠Penso em ti

Penso em ti.
Não entendo por que te perdi.
Quero te reencontrar
O fruto de nosso amor te mostrar.
Quero te contar de cada instante que vivi.
Quero te mostrar o mundo que vivo.
Um mundo novo... completamente transformado pela tua passagem por aqui.
Quero que conheças o Ser do nosso tanto nos querer... do nosso tanto nos amar...

Inserida por RosangelaCalza

⁠(Des)iludida

Um abismo interno.
Um vazio cada vez maior.
Sonhos que não se concretizam.
O amor que de ilusão não deixa de ser.
Pra que correr...
nas calçadas da fama da vida
em busca de guarida?
Nada nos pode dar acolhida.
Nenhum amparo, nem abrigo.
O vento frio... um açoite.
Nesta gélida noite.
Um vácuo interminável.
Meus gestos não encontram eco.
Viver se tornou abominável.

Inserida por RosangelaCalza