Irmao Nao Va embora
Desabrochar
Eu não fiz nada de extraordinário.
Vivi apenas uma vida simples.
O que fiz, foi fazer do ordinário
uma razão para amar.
Eu sou daquelas pessoas
que não espera milagres
e nem busca o extraordinário.
Não sou melhor que ninguém.
Eu não preciso viver vendo para crer.
Eu vivo crendo que há um motivo para viver.
Tenho uma vida muito ocupada
para fantasiar sinais.
Não espero nada do céu...
A não ser a chuva que
molha minha alma,
e o sol que aquece
meu coração.
Sou semente que morre
a cada dia
e desabrocha
para amar.
Amor em gestos.
Se implora por uma palavra,
não entendeu nada do Amor.
Ele se manifesta por gestos,
só quem ama pode ouvi-Lo.
Se quiser decifrar o Amor,
comece pelo amar.
O Amor não gosta de falar,
está ocupado de gestos.
De ações concretas.
Ouça...
O Amor fala
silenciosamente
nos detalhes da vida.
O Amor não faz força
para ser entendido.
Ele se esforça
por ser sentido.
Quem ama não duvida,
não precisa de palavras,
não espera nada.
Quem ama.
Ama.
O Amor
se basta.
A felicidade não é, pois, a coragem, e sim o destemor, sereno, de olhar franco, capaz de suportar tudo.
Não deixe que o mal o faça acreditar que você poderia guardar segredos diante dele.
Não evito as pessoas para poder viver em paz, e sim para poder morrer em paz.
Aquele que ainda em vida não se acerta com a vida precisa de uma das mãos para, com ela, afastar um pouco o desespero com o próprio destino – o que só se dá de maneira muito incompleta; com a outra mão, pode então registrar o que vê debaixo dos escombros, porque ele vê de outro modo e vê mais que os outros; afinal, morto em vida, ele é o verdadeiro sobrevivente.
Como pode um coração, um coração não muito saudável, suportar tanta insatisfação, tamanha ânsia a dilacerá-lo sem cessar?
Nota: Escrito em 13 de setembro de 1915.
...MaisNão posso fugir da minha vida, nem regressar a tempo ao outro tempo.
Quem diria que as manchas vivem e ajudam a viver? Tinta, sangue, cheiro. Não sei que tinta usar qual delas gostaria de deixar desse modo o seu vestígio. Respeito-lhes a vontade e farei tudo o que perder para escapar do meu próprio mundo.
Criamos personagens para nós desde bebezinhos. Mas nós não somos nenhum deles. Não há um personagem fixo e permanente. Cada experiência que passamos nos modifica. Não há nada fixo. Tudo é impermanente.
É hora de despertar. Já não estamos mais no casulo que foi tão importante para nos gestar. Podemos abrir as asas e voar, livres e interdependentes, sendo o ar e a vida.
Cada vez que percebemos nossos descuidos, erros, faltas, não podemos voltar e apagar o que aconteceu.
Mas podemos nos comprometer a não repetir o erro.
Se não formos capazes de apreciar este instante, não seremos capazes de apreciar nenhum outro momento.
A verdade é indivisível, portanto não pode ter conhecimento de si mesma; quem quer que diga conhecê-la está se referindo a uma mentira.
Já não sou quem fui há um instante. Li um livro, ouvi um pensamento diferente dos meus e morri para quem eu era. Renasci para um novo eu, que também não dura mais do que alguns milionésimos de segundo. Logo já sou outra, e nunca a mesma.
Envelhecer não é apenas tempo de se lamentar, de relembrar, mas também de criar causas e condições para atingir o que ainda não foi atingido, individual e coletivamente.
Não faça o mal e não faça malfeito. Faça o bem, e a todos os seres, incluindo tudo e todos em suas ações, palavras e pensamentos.
Eu queria pintar você, mas não há cores, porque existirem tantas, na minha confusão, a forma concreta do meu grande amor.
