Irmao Nao Va embora
Não ter ídolos nem ideologias é tarefa nem sempre das mais fáceis, já que tanto o macro quanto o micro universo se apresentam em permanente mutação. Mas todas as vezes em que nos fixamos em uma única linha - seja ela de pensamento ou de caminho a ser seguido - seremos arrastados para um dos extremos sem que nos demos conta disso.
Não ter receio de buscar a mudança como o melhor critério de avaliação nos previne da ameaça de transformar vícios em algo trivial e rotineiro. Ter coragem para trocar caminhos todas as vezes que se fizer necessário, e ser um camaleão que empresta à própria alma as cores que o ambiente aponta como as mais confiáveis naquele momento, ainda que incompreensível para o observador externo, é a única forma de manter-se fiel a minha própria essência! O ótimo de agora pode ser o péssimo de amanhã, e você será parte dele se recusar-se a olhá-lo de outro ângulo, de modo a perceber se ele continua ou não harmonizado com o melhor que quer para si.
Se não nos permitirmos abandonar o "ismo" de nossas origens, se não reunirmos toda a coragem para romper os tirânicos grilhões das tradições, dos dogmas, das crenças moldadas por outrem, de modo a que não os cristalizemos no alto de um mastro que já não nos representa em toda a plenitude, nos coloca em sério risco de distanciarmo-nos de nós mesmos para entrar num labirinto de um não-ser sem volta!
Não é o igual, mas a novo que oferece sua diferença como acréscimo. A diferença é rica e a igualdade pobre, porque iguais não possuem a capacidade da mútua contribuição, mantendo-se estáticos como se descobriram, e alijados da evolução que o universo nos cobra como regra única e imutável! Tudo o que não muda, fenece! Assim, mesmo quando você não dá a mínima para a própria evolução, quando combate o diferente de si mesmo não sabe que está atentando contra sua própria sobrevivência. Desapareceremos todos – eu e você – enquanto insistirmos em rejeitar o diferente que fatalmente virá, na vã tentativa de transformar o igual em perene, tornar a mudança imutável, submeter às nossas microscópicas leis a lei maior do Macro Universo.
Sua ética não requer que você tenha partidos, integre times ou siga líderes. Ela precisa apenas de sua CONSCIÊNCIA!
Você não tem que ter um deus para andar na linha: precisa é andar na linha se o que pretende é encontrar seu Deus!
O pensamento expresso em prosa não tem compromisso com o lirismo – como num poema – podendo ser direto e preciso quando necessário, sem os aforismos da poesia. Não ficando atrelado aos arreios da forma, do estilo, da rima ou da métrica, segue livre para mexer com emoções e provocar reflexão no leitor pela identificação com algo que ele já sentia, e que apenas precisava ver traduzido em palavras para que se sentisse representado nele.
Fundamentados na crença de que o bom e o ótimo estão sempre do mesmo lado, muita gente não percebe que eles vivem em permanente conflito: tanto a obsessão pelo ótimo impede que você faça o seu melhor – que pode ser bom o bastante em relação ao que já se tem – quanto esse mesmo melhor pode ser péssimo, quando você se acomoda nele e desiste de ir além, já que o ótimo é a perfeição mantida à vista, mesmo que nunca seja atinjida. Não confunda, porém, excelência com preciosismo. Este último é aquela “perfeição” que ninguém precisa, e que não acrescenta absolutamente nada ao seu projeto! Então aprenda: Excelência é fazer o máximo naquilo que se revela essencial e pertinente! Preciosismo é se concentrar em uma “perfeição” que não faz qualquer diferença no resultado que as pessoas estarão esperando de você.
Nada mais improdutivo do que apontar caminho que não se pediu!... Os que já conhecem não precisam, os que não conhecem vão duvidar, e os que não pensam não irão entender. Se quer que outros o encontrem, não vá além de mostrar o uso da bússola!
Para que tua decência se mantenha intacta e – mais precisamente – se mostre LEGÍTIMA, ela não depende de religiões, de igrejas, de heróis nem de um deus que te aponte o caminho. Não abre mão, simplesmente, de teus PRINCÍPIOS! Eles, sim, é que te mostrarão a necessidade de reforço pela religião, de apoio da igreja, da inspiração através de algum herói ou da harmonização com tudo o que teu Deus espera de ti.
A idade nos traz o entendimento de que não cabe mais radicalizar no que quer que seja, mesmo quando o convívio com o absurdo nos subtrai a esperança no mundo e o extremismo das soluções defendidas nos produz revolta ou, no mínimo, perplexidade.
Minha luta incansável não é contra as soluções "fora da caixa" propostas por quem quer que seja, mas contra o radicalismo ideológico usado como meio de se chegar lá por qualquer desses agentes.
Basta de se tentar combater violência com ações extremistas! Por esse método não apenas se corrobora com ela quanto a agravamos, pois que violência gera mais violência. O que se precisa é atacar as origens para muda-las, não suas consequências, que são automáticas e se constituem muitas vezes na única forma percebida de sobrevivência.
É bem verdade que são as pessoas, e não os livros, que mudam o mundo. Mas também se sabe que é nos livros que elas descobrem como fazer isso!
Não se confunda ignorância com estupidez. Ignorante é quem não teve acesso ao conhecimento – não raro por falta de oportunidade – e censurá-lo por isso não só se mostra injusto quanto preconceituoso. A estupidez, diferentemente, é própria de quem foi brindado com o conhecimento, mas não faz qualquer uso dele para analisar as situações com que se depara – por reles comodismo frente à lógica mais rasteira – o que se mostra profundamente irritante para quem pensa. Daí porque não é difícil encontrar ignorantes cujo instinto os tornou sábios, e letrados cujo descaso os tornou idiotas.
A moldura imperfeita não se revela um obstáculo para que a sensibilidade do apaixonado pela arte identifique a obra prima trazida a destaque por suas dimensões físicas. Assim, o corpo atrelado à alma que descobrimos amar pode realçar-lhe a beleza, mas é a magia do artista colocada na tela a essência que irá atrair, como um ímã, os olhos de Eros. E então, em dado momento, a atenção antes voltada unicamente para a obra descobre a harmonia da moldura à sua volta – até desprezada a princípio – e desperta para o conjunto absolutamente perfeito que forma com a arte pela qual nos apaixonamos. É quando descobrimos que ela se mistura às cores da tela e lhe dá a ênfase que faltava para que pudéssemos absorver – sem limites – a plenitude da obra.
Você não é admirado somente pelas idéias que brotam de sua inspiração,
mas também pelas pessoas que o inspiram dentre aquelas que admira.
