Interior
"O mal alimentado
instabiliza e destrói
a alma gerando caos
interior em delirante
trajetória da vida."
Enquanto a chuva cai do céu, a paz interior nos brinda com a sua visita e, o folgar é absolutamente sublime.
O meu interior, meu mundo, minhas leis, o meu céu, minhas foices. Neste meu mundo eu mesmo é que não me esquivo do que pode se dizer "justo".
Eu mesma me condeno, eu mesma me liberto.
ZÉ VOLANTE E MERCEDINHA – "A PRIMEIRA VIAGEM"
Depois de viajar pelo interior da 1313 e conhecer seus comandos e compartimentos, fui convidado pelo meu pai, "Zé Volante", para ajudá-lo numa entrega de cestas básicas aos desabrigados de uma enchente.
Fiquei eufórico e contente, mas triste pelo sofrimento daquela gente. Minha primeira viagem, sobravam sentimentos. Ajudei nos preparativos, observando os procedimentos. A carga, a amarração, o roteiro e a segurança da gente.
Tudo nos conformes, escutei o ronco do motor e a longa estrada em nossa frente. Agradecemos a Deus, rezamos o Pai Nosso e seguimos em frente. Eram dias de estrada, mas tudo me deixava contente.
Os momentos tristes vinham quando pensava no sofrimento daquela gente. Próximo ao destino, um grande engarrafamento. Muitas pessoas andando sem rumo, fugindo da enchente. Um guarda rodoviário nos informou que uma ponte desabou, e por isso não seria possível o acesso da gente.
Meu pai argumentou: "Levo comida, e nada vai me impedir de entregar àquela gente”. Diga outro caminho que seguimos o destino em frente. O guarda disse: "Existe uma passagem,
porém perigosa. Se o caminhão não for bom, é melhor aguardar, para evitar acidentes”.
“Não seja por isso, me dê o trajeto que a 1313 assume o risco”, insistiu meu pai. Pegamos o novo destino e seguimos contentes. Passamos por barreiras, andamos na beira de precipícios, cruzamos margens de rios e chegamos à cidade inesperadamente.
Distribuímos as cestas, ajudamos na reconstrução. Ainda hoje, sinto um aperto no coração, mas voltamos para casa com orgulho e satisfação. Agradecemos a Deus por nos ter ajudado a cumprir essa missão.
A|
A letra, a, sozinha num verso
...É assim o interior desse poema
Bastante espaço no quarto verso...
Curiosidade pra casa toda
Porta pro universo; a letra a range
dobradiças de possibilidades...
Janela pra pensar com a própria cuca
E banho de ideias
Em dias frio e quente...
Esse poema foi pensado
Pra pegar o luar de boa |
O poeta é um vendendor de momentos
agradáveis |
— E em espécie
Esses versos tá na mão.
| Pagando com curiosidade
Poesia gera juro/
Invista uma letra
Saque a tenção
Contando palavras...
Abra imaginação
A máquina da linguagem
pede biometria desde os áureos tempos de Camões...
(Leonardo Mesquita)
Depois da guerra interior, até o simples torna-se majestoso.
O silêncio vira abrigo.
A presença torna-se milagre.
E respirar deixa de ser automático para tornar-se gratidão.
A MENINA QUE AINDA MORA EM MIM
Minha criança interior grita.
Grita tão alto que, às vezes, eu sinto sua voz presa na garganta.
Como se ela estivesse ali, atrás do choro que não sai, atrás do suspiro que se interrompe, atrás desse nó que aperta o peito e me faz perguntar, em silêncio:
Quem foi que eu me tornei?
Ela me olha.
E talvez, por um instante, sorria orgulhosa e diga:
— Cara… você chegou lá.
Você cresceu.
Você venceu.
Você se tornou uma mulher incrível.
Mas, logo depois, seus olhos parecem entristecer.
— Que pena…
Que pena que, no caminho, você deixou de ser um pouco de quem era.
Você era apaixonada pela vida.
Apaixonada por tudo.
Pelas pequenas coisas, pelos grandes sonhos, pelas pessoas, pelas possibilidades.
Você era verdadeira.
Exuberante.
Autêntica.
Você sentia sem pedir licença.
Amava sem fazer contas.
Confiava sem imaginar o depois.
Mergulhava inteira nas pessoas, nos sonhos, nos lugares, nas palavras, nos abraços, nos amores.
Você tinha uma sensibilidade tão bonita… tão nítida… que conseguia enxergar beleza onde quase ninguém via.
E agora?
Agora, quem é você?
A menina pergunta.
E eu não sei responder.
Talvez porque, em algum momento, eu tenha começado a me abandonar para caber.
Para agradar.
Para não decepcionar.
Para não perder pessoas.
Para ser forte.
Para ser aquilo que esperavam de mim.
E fui me adaptando tanto, tanto, que um dia percebi que algumas partes minhas já não sabiam mais onde morar.
Eu me traí.
Não de uma vez.
Foi aos poucos.
Cada vez que engoli uma palavra que queria dizer.
Cada vez que sorri quando queria chorar.
Cada vez que disse “está tudo bem” quando dentro de mim nada estava.
Cada vez que aceitei menos do que merecia para não parecer difícil.
Cada vez que me calei para preservar relações que não preservavam a mim.
E minha criança viu tudo.
Ela viu.
Ela guardou.
Ela esperou.
E agora ela grita.
Grita porque está cansada de assistir à minha própria ausência.
Ela percebe que aquilo em que eu antes confiava passou a ser motivo de desconfiança.
Que os olhos que antes mergulhavam no amor agora hesitam diante dele.
Que os olhos que não tinham medo de acreditar aprenderam a se proteger.
Aprenderam a recuar.
A observar.
A desconfiar.
A não se entregar.
E talvez seja por isso que meu corpo trema às vezes.
Talvez seja por isso que minha garganta se feche.
Talvez seja por isso que exista esse cansaço que não é apenas do corpo.
É um cansaço de alma.
Um cansaço de quem passou tempo demais tentando ser forte.
E minha criança me olha novamente.
Dessa vez, não cobra.
Só pergunta:
— Você ainda se lembra de mim?
E eu quero dizer que sim.
Que me lembro daquela menina que inventava mundos.
Que se encantava.
Que ria alto.
Que sonhava sem pedir autorização.
Que acreditava que a vida poderia ser bonita simplesmente porque estava viva.
A menina que não precisava se explicar o tempo inteiro.
A menina que era inteira.
A menina que se apaixonava pela vida antes mesmo de saber o que era paixão.
Ela ainda está aqui.
Eu sei.
Só está cansada.
Está escondida em algum lugar dentro de mim, esperando que eu tenha coragem de voltar.
Não para ser quem eu era.
Mas para recuperar aquilo que nunca deveria ter perdido.
Minha verdade.
Minha espontaneidade.
Minha capacidade de sentir.
Minha coragem de sonhar.
Minha autenticidade.
Minha capacidade de amar sem me abandonar.
Talvez eu não precise voltar no tempo.
Talvez precise apenas voltar para mim.
Porque aquela menina não morreu.
Ela apenas se calou.
E talvez o choro que hoje aperta minha garganta não seja o fim dela.
Talvez seja o começo da sua volta.
Então, se ela me perguntar novamente:
— Quem é você agora?
Talvez eu finalmente consiga responder:
Sou a mulher que sobreviveu a tudo aquilo que tentou me afastar de mim.
E estou aprendendo, devagarinho, a voltar para casa.
Para dentro de mim.
Para onde aquela menina ainda espera.
De braços abertos.
Com os olhos cheios de sonhos.
E, quem sabe, quando eu finalmente chegar até ela, ela sorria e diga:
— Agora sim… eu reconheço você.
A literatura conserva aquilo que a história costuma perder: a experiência interior dos acontecimentos.
Toda pessoa possui uma vida interior que nenhuma plataforma deveria transformar em propriedade estatística.
- Relacionados
- 57 frases positivas curtas para despertar a felicidade interior
- Força Interior
- Mulher determinada: frases para fortalecer sua confiança interior
- Paz Interior
- Frases sobre evolução pessoal que refletem seu crescimento interior
- Frases da roça que exaltam a simplicidade do interior
- Frases de amadurecimento que mostram sua evolução interior
