Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
Era como se aquele beijo tivesse me condenado à prisão dos teus låbios; sou réu culpado desse amor proibido.
O amor e inesperado e, Ă s vezes, Ă© tĂŁo intenso que nos entregamos sem nos importarmos com sua real profundidade...
âQUASE AMORâ
Rauzi de Carvalho Pereira
Obrigado por me deixar com saudades...
Pois assim, impulsiona meu coração e acelera a minha paixão.
Obrigado por me fazer sofrer, pois com a saudade que me faz sentir, preenche esse maduro coração bradicårdico, que estava tão oco, antes de te reencontrar.
Obrigado por preencher meu coração de ilusĂŁo, pois mesmo iludido, sinto-me feliz ao saber que tambĂ©m despertei suas dĂșvidas.
Obrigado por me deixar descobrir suas dĂșvidas, pois intensifica a minha Ăąnsia de insistir em tentar fazer vocĂȘ me amar.
Obrigado por nĂŁo me amar, pois se me amasse, acabaria com a minha razĂŁo para querer tanto e veementemente, vocĂȘ.
Mas mesmo assim, obrigado por nĂŁo me querer, pois tenho certeza, de que seria mais um erro que cometerĂamos, na nossa longa carreira de âquase amorâ
Me disseram que o amor Ă© uma "plantinha" que vocĂȘ cuida todos os dias. Que vocĂȘ aduba, limpa, rega, etc.
A pessoa que cuida desta "planta" (amor) tem que estar bem para poder cuidar bem dela. EntĂŁo, este homem ou
mulher que cuida da "plantinha" também precisa ser bem cuidado(a) pelo seu companheiro(a).
O amor Ă© uma via de duas mĂŁos, ida e volta. O amor Ă© sentimento que existe entre duas pessoas onde os dois sĂŁo responsĂĄveis em o manter bem.
Se, quando um deles estiver mais frĂĄgil e precisar da força do outro e for abandonado ali nĂŁo hĂĄ amor. Mas egoĂsmo e falta de coragem em ajudar o seu prĂłximo.
Ă fĂĄcil ajudar quem nĂŁo convive com vocĂȘ ou simplesmente querer que o outro seja perfeito. DifĂcil Ă© amar o outro quando lhe Ă© revelado o humanismo. Pois o humanismo Ă© imperfeito.
VocĂȘ jĂĄ viu amor jogado nas ruas? Eu jĂĄ, vi tambĂ©m a alegria, o companherĂsmo inabalĂĄvel, exemplos de uma vida simples e o fim da solidĂŁo. Tudo isso e muito mais embalados em um triste cĂŁo abandonado louco pra fazer aquilo que ele mais sabe, fazer alguĂ©m feliz.
" - Procura viver. Lembrar Ă© para os mais velhos - dizia ele.
Talvez o amor nos faça envelhecer antes da hora e nos torne jovens quando a juventude jå passou"
Se o amor Ă© um verbo comece conjugando na primeira pessoa do singular, e depois acrescente o meu nome.
Faz parte da jornada ter que encarar decepçÔes, mas faz parte também se vestir com a couraça do amor!
Permaneci
Estes dias, fomos amor.
A quilĂłmetros de distĂąncia, no meio de uma pandemia
Despimos a alma
Deitamos as entranhas de fora, para amar.
Acreditamos estar certo que o longe era, na realidade, perto
e que podĂamos germinar.
Apostamos. Jogamos tudo. Por dentro das horas da noite.
Através de plåsticos brilhantes
ouvidos atentos e coraçÔes quentes.
E achamos que era o verdadeiro eu que estava no centro.
Mas nĂŁo Ă© a distĂąncia que mata. NĂŁo Ă© o vĂrus que tememos.
Ă a fuga das palavras pesadas que magoam.
Ă a perda do tino por dentro.
Ă o confronto gratuito e vazio.
Ă o desrespeito que poderia ter sido eterno destino.
E entĂŁoâŠ
estes dias, estive contigo, dor.
Entrei dentro de ti e senti-te a fundo.
Ouvi-te e percebi o que querias dizer.
Ouço-te plenamente. Sinto-te profundamente.
Contudo, não entrarei nas tuas estranhas entranhas, façanhas.
O meu eu permanece. Tu não és o EU.
Eu tenho-te, dor. Eu nĂŁo sou a dor.
Pela primeira vez consigo te avistar sem me perder em ti.
Saboreio-te, porque és dor de amor.
Talvez a melhor dor de sempre para sentir.
Perdi amor, ganhei dor, mas permaneci em mim.
Patricia Araujo,
Portugal In Antologia "Quarentena-Memorias de um paĂs confinado" - Chiado Editora
Muitos acham que o oposto do amor Ă© o Ăłdio. NĂŁo... o Ăłdio Ă© apenas um rival barulhento e fraco, ferindo mais rĂĄpido quem o abriga. Abrangente e poderoso Ă© o egoĂsmo. Este sim, faz a mais longa e insistente oposição ao amor. Silencioso, se infiltra na mente, achando uma permissĂŁo inicial... se instala como se fosse o rei! Mas Ă© vĂrus, egovĂrus, alterando todo o sistema operacional original. Para o fabricante, nĂŁo hĂĄ como aceitar essa disfuncionalidade na sua engenharia.
EgoĂsmo e amor sĂŁo antagĂŽnicos o tempo todo lutando pelo centro das decisĂ”es. Um, oferece a satisfação das vontades em primeiro lugar. O outro, oferta atĂ© o infinito, mas requer paciĂȘncia antes, pois considera as circunstĂąncias, o melhor momento e lugar. O amor respeita e espera. O egoĂsmos, afobado e ansioso, atropela.
O planeta segue Ă deriva no ar de disputas dos voluntarismos imediatos. Mais cedo ou mais tarde, o fabricante passarĂĄ um anti-vĂrus... ou reformatarĂĄ tudo!
Uns dizem que toda forma de amor vale a pena. Outros dizem que nem toda forma de amor vale a pena.
No que devo acreditar afinal?!
