Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
As mulheres sĂŁo tĂŁo carentes porque para crescerem tiveram de perder o amor da mĂŁe, e, depois, do pai. Os homens ainda procuram o amor da mĂŁe. As mulheres, o que procuram?
Amor
HĂĄ quanto tempo me desejo, mas tinha medo do desejo porque nĂŁo me reconhecia. A solidĂŁo Ă© quando estamos perdidos de nĂłs mesmos. Compreendo o mundo, Ă© como uma garrafa que jogamos no oceano, Ă© a esperança de encontrar maior riqueza alĂ©m de nĂłs, naquilo que nĂŁo viverĂamos se nĂŁo soubĂ©ssemos usar o desejo.
Ăs vezes, a maior prova de amor nĂŁo Ă© insistir, esperar ou tentar convencer alguĂ©m a ficar. Ă aceitar que nem todo sentimento precisa virar uma histĂłria e seguir em frente com dignidade. O que Ă© realmente nosso nĂŁo precisa ser arrancado das mĂŁos de ninguĂ©m.
Gostar de alguĂ©m nĂŁo nos dĂĄ o direito de escolher por essa pessoa. O amor saudĂĄvel nĂŁo controla, nĂŁo cobra e nĂŁo exige reciprocidade. Ele respeita a liberdade do outro â mesmo quando essa liberdade nos leva para longe.
O amor que nĂŁo se conta
HĂĄ amores que nĂŁo se anunciam.
NĂŁo porque sejam pequenos, mas porque sĂŁo grandes demais para o barulho do mundo.
Vivem no silĂȘncio confortĂĄvel do peito, onde ninguĂ©m entra sem permissĂŁo.
Ă um amor que se reconhece no instante do encontro.
Quando os olhos veem a amada, o dia muda de tom.
O tempo desacelera.
O coração que fingia normalidade entrega-se sorrindo.
Esse amor Ă© feliz em detalhes.
No jeito como ela caminha,
na curva distraĂda do riso,
na voz que chega antes da presença.
E quando a noite vem, eu sonho.
Um sonho tĂŁo profundo que acordo com o cheiro dela no ar, como se o sonho tivesse atravessado a realidade.
Ninguém sabe.
E talvez seja por isso que eu seja tĂŁo inteiro.
Quando estou longe, a saudade não pede licença.
Ela se instala no peito como uma casa antiga,
abre as janelas da memĂłria
e deixa o vento passar por tudo o que foi sentido.
Ă uma saudade grande, quase fĂsica.
Daquelas que apertam o coração sem machucar,
porque doem de amor, nĂŁo de ausĂȘncia.
Esse amor nĂŁo precisa de testemunhas.
Ele existe porque vive.
Porque pulsa.
Porque transforma dias comuns em eternidade breve.
à um amor que não se conta a ninguém.
Mas que conta tudo para quem sente.
âAlĂ©m das Medidasâ
O meu amor por ti é maior que a dimensão do mundo. Não cabe nos mapas, não se mede em quilÎmetros nem se pesa em balanças de ouro.
Ă um sentimento que escapa pelas frestas do possĂvel, que transborda os oceanos e se derrama sobre montanhas invisĂveis.
Quando te penso, o universo fica pequeno.
As estrelas sĂŁo apenas pontos tĂmidos comparados ao brilho que carregas nos olhos. A vastidĂŁo dos mares se torna uma poça dâĂĄgua diante da profundidade do que sinto. O mundo gira, mas meu amor permanece fixo, imenso, inalterĂĄvel como uma constelação que sĂł eu consigo ver.
NĂŁo hĂĄ atlas que contenha este sentimento, nĂŁo hĂĄ horizonte que o limite. Ele existe num lugar prĂłprio, numa geografia secreta onde sĂł habitam duas pessoas: eu, que amo, e tu, que Ă©s amada. Ali, nesse territĂłrio sem fronteiras, construĂmos uma dimensĂŁo maior que todas as outras feita de instantes, de silĂȘncios partilhados, de promessas sussurradas ao vento.
O meu amor por ti Ă© maior que a dimensĂŁo do mundo porque criou um mundo prĂłprio, infinito, eterno.
âO Amor Que Nasce em SilĂȘncioâ
Cresce ao teu lado, invisĂvel flor,
Um sentimento puro, de imensurĂĄvel ardor,
Como hera que abraça o muro antigo,
Sem que percebas, eu te sigo.
Ăs cega aos passos do meu coração,
Que bate forte nesta doce ilusĂŁo,
Como lua que beija o mar adormecido,
Meu amor por ti tem florescido.
NĂŁo vĂȘs as raĂzes que plantei,
Neste jardim secreto onde te sonhei,
Cada olhar meu é semente lançada,
Em terra fértil, porém ignorada.
Cresce em mim esta paixĂŁo profunda,
Como aurora que a noite fecunda,
E tu segues teu caminho sereno,
Sem sentir este amor tĂŁo pleno.
Um dia, talvez, possas despertar,
E este sentimento enfim notar,
Que cresceu paciente, ao teu redor,
Esperando apenas por teu calor.
Pois o amor verdadeiro assim se faz:
Em silĂȘncio cresce, discreto e tenaz,
Até que os olhos consigam, afinal,
Ver o jardim que sempre esteve no quintal.
Os Olhos da Alma
Vivemos cercados por grandes discursos sobre amor, relacionamento e conhecimento, como se essas riquezas estivessem escondidas apenas em feitos grandiosos, em declaraçÔes memorĂĄveis ou em momentos raros. Mas a verdade costuma caminhar em silĂȘncio. O essencial quase sempre mora no pequeno, no simples, no que passa despercebido aos olhos distraĂdos.
Muitos procuram o amor como quem busca um espetĂĄculo. Esperam fogos de artifĂcio, promessas eternas, cenas dignas de aplauso. No entanto, o amor verdadeiro frequentemente se revela em gestos que nĂŁo fazem barulho: em uma escuta sincera, em um copo dâĂĄgua oferecido sem pedir, em alguĂ©m que percebe o cansaço do outro e permanece ao lado. O amor nĂŁo precisa gritar para existir. Ele sussurra.
TambĂ©m o relacionamento se perdeu, em muitos casos, na aparĂȘncia. Fala-se em conexĂŁo, mas vive-se distante. Compartilham-se imagens, mas nĂŁo intimidade. Trocam-se mensagens, mas nĂŁo presença real. Um relacionamento nĂŁo nasce da quantidade de palavras ditas, e sim da verdade contida nelas. Ele floresce quando duas almas decidem se enxergar alĂ©m das mĂĄscaras diĂĄrias.
E o conhecimento, esse tĂŁo celebrado, nĂŁo se resume aos livros empilhados ou aos tĂtulos pendurados na parede. HĂĄ sabedoria em quem aprende a ouvir, em quem observa o tempo das coisas, em quem entende a dor alheia sem precisar explicaçÔes longas. HĂĄ mestres anĂŽnimos sentados em bancos de praça, em cozinhas simples, em mĂŁos marcadas pelo trabalho. Nem todo saber veste formalidade.
O problema Ă© que nos acostumamos a olhar depressa. E quem olha depressa, vĂȘ pouco. Passamos por manhĂŁs bonitas sem notĂĄ-las, por pessoas valiosas sem reconhecĂȘ-las, por oportunidades de amar sem percebĂȘ-las. A vida oferece tesouros discretos, mas exige sensibilidade para encontrĂĄ-los.
Ă por isso que precisamos olhar com os olhos da alma.
Os olhos comuns enxergam forma, cor e distĂąncia. Os olhos da alma enxergam intenção, dor, beleza escondida e verdade silenciosa. Eles percebem quando um sorriso pede socorro. Notam quando o silĂȘncio de alguĂ©m Ă© cansaço e nĂŁo indiferença. Reconhecem amor onde outros veem rotina.
Talvez o maior erro humano seja esperar que o extraordinårio venha sempre vestido de grandiosidade. Muitas vezes, ele chega disfarçado de simplicidade: uma conversa breve que cura, um abraço sem palavras, uma lembrança gentil, um perdão concedido, uma presença fiel.
Quem aprende a ver assim nunca mais chama de pequeno aquilo que carrega eternidade.
Porque o amor estĂĄ nas entrelinhas do cotidiano. O relacionamento estĂĄ no cuidado constante. O conhecimento estĂĄ na humildade de aprender com tudo. E a vida, em sua mais pura grandeza, continua acontecendo nos detalhes que sĂł os olhos da alma conseguem notar.
âOde ao Amor Eternoâ
Na vastidĂŁo do tempo que transcorre,
Encontrei-te, minhâalma geminada,
E em teus olhos o universo corre,
Constelação de luz apaixonada.
Teu corpo Ă© verso que minha pele escreve,
Poema vivo em cĂĄlida prosĂłdia,
Onde cada carĂcia se atreve
A compor sinfonias de melodia.
Ăs tu o porto da minha errĂąncia,
O farol que ilumina meu destino,
Em teus braços encontro a bonança,
E mergulho em ĂȘxtase cristalino.
Quando nos fundimos em ardente enlace,
O mundo some em nossa intimidade,
E o tempo, suspenso, jĂĄ nĂŁo passa,
Somos um sĂł na eternidade.
Teu sussurro Ă© prece que me embala,
Teu toque Ă© bĂȘnção que me consagra,
Em cada beijo, a alma se revela,
Em cada abraço, o amor se sagra.
Ăs a musa que inspira meu viver,
A poesia feita carne e essĂȘncia,
E amar-te Ă© renascer, Ă© transcender,
Ă encontrar na entrega a transcendĂȘncia.
Para sempre serĂĄs minha verdade,
Meu recomeço e minha conclusão,
O amor que habita na imensidade
Do mais profundo verso do coração.ââââââââââââââââ
âSe tudo o que vocĂȘ ofereceu nĂŁo foi suficiente,
ofereça sua ausĂȘncia.â
Se o seu amor nĂŁo foi percebido,
se o seu cuidado virou costume,
se a sua presença deixou de ser encontro
e passou a ser apenas conveniĂȘncia,
vĂĄ.
NĂŁo como quem castiga.
Não como quem deseja vingança.
Mas como quem finalmente compreendeu
que também merece ser escolhido.
VocĂȘ ofereceu tempo,
e tempo é pedaço de vida.
Ofereceu colo,
quando o mundo do outro desabava.
Ofereceu silĂȘncio,
quando nenhuma palavra poderia curar.
Ofereceu perdĂŁo,
até para feridas
que jamais deveria ter recebido.
E ainda assim,
nĂŁo foi suficiente.
Então não ofereça mais.
HĂĄ momentos em que permanecer
Ă© uma forma silenciosa
de abandonar a si mesmo.
E nenhum amor merece
que vocĂȘ desapareça de si
para continuar existindo
na vida de alguém.
Por isso, vĂĄ.
Leve consigo aquilo
que o outro nĂŁo soube reconhecer:
a sua delicadeza,
a sua lealdade,
a sua maneira inteira de amar.
Talvez somente no vazio
a sua presença seja finalmente percebida.
Talvez seja no silĂȘncio da casa,
na cadeira vazia,
na mensagem que nĂŁo chega,
no telefone que nĂŁo toca,
que alguém descubra
o tamanho daquilo que tinha.
Mas nĂŁo vĂĄ esperando que sintam sua falta.
VĂĄ porque vocĂȘ finalmente
sentiu falta de si mesmo.
Porque chega um momento
em que o Ășltimo presente
que podemos oferecer a quem
não soube cuidar da nossa presença
Ă© exatamente este:
a nossa ausĂȘncia.
Criar um filho Ă© a eterna busca pelo equilĂbrio; entre o desejo de agradar dizendo 'Sim' e o amor escondido na preocupação de cada 'NĂŁo'.
*Relacionamento moderno: trĂȘs meses de amor, dois minutos de texto,
uma vida de bloqueio.*
â Van Escher
