Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
O AMOR QUE SE DESFAZ
Amor Ă© desconexo e abstrato.
Hoje, sĂł me resta o vazio
e a velha certeza:
esse sentimento invisĂvel
fere a alma
e sangra o peito,
facada a facada,
quando retorna ao nada.
Ecoam promessas murchas
na boca de quem diz âeu te amoâ:
veneno suave, imperceptĂvel.
O amor é farsa disfarçada de bondade,
cheia de uma maldade silenciosa
que corrĂłi a alma ingĂȘnua
de quem acredita no impossĂvel.
Ă o inverso do afeto,
o golpe que transforma Ăąmago em amargo,
o gelo que incendeia por dentro
na desmoralização lenta do sentir.
Esse maldito nĂŁo existe â
mas devasta.
E quando parte,
desfaz-se ao vento
como teia frĂĄgil de ilusĂŁo.
A quem acredita no vago,
resta a navalha da dor,
o desespero que rĂłi os ossos,
o abismo que engole cada palavra doce
em nome de um amor-ferida,
que sangra abstração.
Ă armadilha cruel,
voto que se desfaz sem nascer.
NĂŁo acredito no amor â
pois nada sobra
quando o desejo evapora
e revela a realidade nua.
O inexistente amor,
complexo e rasgante,
Ă© o que mais dilacera a alma,
transformando sonhos em desilusĂŁo.
Ă mentira que se sustenta entre nĂłs
até que morram a lealdade e a confiança.
Primeiro sentido,
depois abstrato,
depois veneno.
Ser pobre nĂŁo impede o amor.
Quem acolhe um animal sĂł precisa de humanidade.
Status nĂŁo aquece, nĂŁo cuida, nĂŁo ama.
â Aprendi que todos os homens vivem nĂŁo do cuidado consigo mesmos, mas do amor.
Eu jamais me permitiria ser tocada sem amor.
Porque, por mais que seja bom se entregar apenas ao prazer,
isso Ă© vazio.
NĂŁo tem propĂłsito,
nĂŁo tem sentido.
Quando a entrega acontece com sentimento,
tudo se expande além do comum.
Tudo ganha sentido,
tudo encontra propĂłsito.
E eu nĂŁo estou disponĂvel
para usar o sentimento alheio
como forma de me sentir viva.
Entre Amor e DistĂąncia
MĂŁe, Ă s vezes penso em nĂłs:
dias em que somos jardim,
outros em que tudo se perde.
Confesso, Ă s vezes tenho medo.
Quando abro o coração,
minhas palavras voltam
como se nĂŁo tivessem lugar.
Cansa viver assim.
Talvez por isso eu sonhe em partir,
buscando leveza
para um peso que Ă© da alma.
Faz tempo que não ouço
um elogio seu,
nem encontro no seu olhar
algo de bom em mim.
Eu sei que a senhora sofreu
e carrega muitos medos,
mas amar nĂŁo deveria ser
querer controlar.
Ainda assim, uma verdade fica:
eu te amo, mĂŁe.
Mas hoje,
meu coração jå não encontra
paz em estar perto.
Eu fui um amor ausente na sua vida; me perdi pelo caminho, em outros braços e outros laços, me enrolando. Aos poucos fui me distanciando do seu coração.
Sem saber o caminho de volta, bati em outras portas, mas nenhuma tinha o seu cheiro nem os seus abraços.
Foi entĂŁo que entendi que, ao procurar outros laços, perdi o seu abraço â que era o que mais importava para mim.
Fez-se o amor um ofĂcio, um fardo frio,
Rotina vã de um coração vazio.
Cobramos foros dessa vĂŁ saudade,
Tratando afeto como vulgaridade.
"Dai-me atenção", o peito assim implora,
Rogando carinho, suplicando clemĂȘncia
Quero o calor que chega sem cobrança,
Pois no amor servil não hå esperança.
â â
QUINTANA E O AMOR
Muitas vezes nessa vida
Confesso que jĂĄ chorei!
JĂĄ chorei por coisas bobas
JĂĄ chorei por quem amei
Lhes juro, a dor Ă© grande
O tamanho eu nĂŁo sei
Eu sĂł sei que quem jĂĄ amou
Sabe do que eu falei...
E quem nĂŁo quiser chorar
Creia, eis a solução:
NĂŁo procures o amor
Endureça o coração
Tu sĂł nĂŁo vai experimentar
A mais linda emoção
O mais lindo sentimento
A incrĂvel sensação
Vais parecer que flutuas
Na leveza da paixĂŁo.
E por falar em sentimento
Me lembro de um senhor
Que morou no meu Rio Grande
Da vida era doutor
Escreveu as coisas mais lindas
Soube a paixĂŁo expor
MĂĄrio de Miranda Quintana
O professor do amor...
Eu aprendi com o Quintana,
Exaltar o amor...
Pra meus filhos lembrarem
Quando eu me for
E vĂŁo tornar a falar
Assim como eu falei:
âEu aprendi com papai,
Exaltar o amor...
Thiago Rosa Cézar
Nó do lenço
Em Veneza, o amor era um porto,
Onde o Mouro, de guerras cansado,
No olhar de DesdĂȘmona,enfim, achou conforto,
Um reino de paz, por ela outorgado.
Mas a sombra do lago, em silĂȘncio, tecia
A teia de aranha que o peito consome.
A dĂșvida, o verme que a alma vicia, Sussurrava mentiras em volta de um nome.
O lenço caĂdo, bordado em morangos,
Tornou-se a prova de um crime inexistente.
Otelo, perdido em sombrios fandangos, Cegou para a luz da amada inocente.
Onde havia ternura, nasceu o tormento,
O ciĂșme Ă© o monstro que a si prĂłprio devora.
Um travesseiro abafa o Ășltimo alento,
E a verdade sĂł chega na Ășltima hora.
Ă, General, que venceu mil batalhas,
Mas caiu diante de um falso confidente!
No quarto de Chipre, entre mortalhas,
Dorme o amor que foi morto injustamente.
" Senhor derrama a tua graça eteu amor
que eu sinta a tua presença, que teus anjos estejam aqui, que a tua luz inunde esse lugar
â que assim seja â
que assim se faça, que assim se cumpra
Que Deus me abençoecom paz e sabedoria
todos os dias, Amen."
â
"Um amor me fez amar,
uma dor me fez chorar,
um desejo me fez querer,
um amor que nĂŁo faz sofrer.â
"Meu silĂȘncio nĂŁo Ă© falta de amor,
meu silĂȘncio Ă© apenas um tempo,
um tempo que eu preciso ter
para poder acalmar o meu coração."
