Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
â Do que me resta
Da noite ⊠as sombras.
Da chuva⊠o rio.
Do inverno⊠o frio.
Do vento⊠a brisa.
Do céu⊠um sol sombrio.
Do que me restaâŠ
Do pouco que a vida me emprestaâŠ
Na janela uma fresta.
Do que me resta: esperar acabar a festa.
â Escrevo
Escrevo.
Escrevo pra sobreviver de noites mal dormidas.
Narro meus dias.
Narro-os pra nĂŁo me esquecer das tristezas nem das alegrias.
Conto sobre mim.
Conto sobre os outros.
Conto que os amores nĂŁo sĂŁo poucos.
Descrevo.
Descrevo o que os meus olhos veem.
Descrevo porque nĂŁo quero que nada se apague de minha memoria.
TĂŁo solĂșvel.
E os dias passam.
Alguns lentamente demais.
Outros tĂŁo normais.
escrevo pra sobreviverâŠ
sobreviver a essas ĂĄguas que querem pra sempre me varrer do mapa.
Escrevo pra tornar visĂvel ese fio da minha vida.
Escrevo pra destatuar a dor da minha alma.
Escrevo pois sĂł a escrita me acalma.
â Do começo ao fim
E as coisas vĂŁo ficando para trĂĄs.
VĂŁo sendo largadas pelo caminho.
Melhor assimâŠ
Melhor caminhar sem pesos.
Mochila levinha.
NĂŁo, nĂŁo perdes nada.
A vida Ă© assim:
Coisas vĂŁo pasando.
Coisas novas vĂŁo chegando.
Tudo flui.
E assim do começo ao fim
â A tua paz
Busco a paz do teu olhar.
No teu abraço quero me guardar.
Contigo aprendi o que Ă© o verdadeiro amar.
Tuas mĂŁos as minhas a segurar.
Sinto a tua força a me sustentar.
Teu passo a me guiar.
Ă tĂŁo mais fĂĄcil caminhar se estĂĄs o caminho a me apontar.
Vivo o que vier.
Se junto contigo estiver.
â DistĂąncia
Sou antĂtese do nĂŁo serâŠ
Sou e nĂŁo quero ser.
Procuro-me sem querer me acharâŠ
Encontro-me sem me procurar.
Sou fluxo até transbordar.
Ando pelo caminho sem nenhum passo dar.
Dou passos pelo caminho sem em frente continuar.
Sou finitude trajada de ser.
E hĂĄ vezes em que nem consigo me descrever.
â Choveu o dia todo
Choveu o dia todo.
Agora chove ainda.
Espessas nuvens cobrem o céu.
O vento se transformou em tempestade.
A chuva bate forte na minha janela.
Meu corpo treme.
Ă frio?
Ă medo?
Ă tristeza?
Ă saudades?
Tudo isso Ă© dorâŠ
Ă falta do teu amor.
â InĂ©rcia
SolitĂĄrios...
No porta-retratos.
Sorrisos perenes
eternizando a alegria de um momento
cheios de sonhos.
Na sala corre um risco de vida.
TĂŁo sofrida.
HĂĄ tempos nĂŁo vĂȘ alegria
SĂł... ele sĂł queria reviver o passado...
Poderia ser por um Ășnico dia.
Quem seu passado roubou?
Na vida presente amor ausente.
Quem assim determinou?
NĂŁo era o prometido...
Foi enganado... iludido.
â A quem amar?
NĂŁo sabia quem devia amar.
Amar
no prisma
sonoramente refletido
no mais alto silĂȘncio.
NĂŁo sabia a quem devia amor.
Amor
no corpo espelhado
sem mĂĄscaras
sem fingimento, sem simulação
no vazio do caos
imenso...
entregar o coração.
NĂŁo sabia que deveria amor.
Amor
sem ameaça, sem perigo.
Amor atento e dedicadoâŠ
E, nesta via de mĂŁo duplaâŠ
amar, intensamente amarâŠ
e... ser amad@.
EntĂŁo simplesmente a cada um e a todos decidiu amar.
SĂł uma coisa @ decepcionou: nem todos sabiam amar... nem todos sabiam fazer o amor em amor retornar.
â Paz que me trazes
Em mim te guardo.
Olho-te com ternura.
Amo-te como nunca amei ninguém.
GratidĂŁo sempre pela paz que de ti vem.
Nossos caminhos se cruzaram...
Coisas do destino acredito eu.
Agradeço essa força que nos uniu.
Sou tão feliz em poder dizer que tu és meu.
Te guardarei em mim... pra sempre... nosso amor, eu sei, jamais terĂĄ fim.
â Na direção do sol nascente
Olhava a Leste... na direção do Sol nascente... todas as manhãs.
Sua esperança?
Ver voltar seu bem que naquela direção um dia partiu.
Tinha andado léguas e léguas, e não o encontrara.
Sentia a solidĂŁo do tamanho do mundo em cada fim de tarde que retornava.
Não consegue fazer calar seu coração...
à sua alma gritante pedindo licença
Pra ecoar sua razĂŁo: ele nĂŁo deveria ter partido... deveria tĂȘ-la ouvido... as terras Ă Leste sĂŁo longes demais...
Retornar... nĂŁo saberia ele mais?
â RazĂŁo da minha vida
Ăs a razĂŁo de minhas manhĂŁs.
Num momento frĂĄgil,
carente de ternura,
tu enfim chegaste e tudo em poesia transformaste.
Ăs a razĂŁo dos meus dias ensolarados.
O melhor de tudo, pra mim, Ă© estar ao teu lado.
Vejo tanta sinceridade em teus cuidados.
Ăs meu anjo terno e protetor...
Ăs quem Deus pra mim fez pra me abençoar com muito amor.
â Amores...
Um dia me fizeste uma jua: irias me amar por todo o sempre...
Hoje aqui amargurada fico a pensar neste amor que nĂŁo deu em nada.
Onde estĂĄs recordas-te de mim?
Onde vives, pensas um pouquinho em mim?
Por que nĂŁo voltas pra mim?
O desejo por ti me tortura...
Torna minha vida tĂŁo escura.
Faltam-me teus beijos, teus abraços
Era tão bom deitar-me em teu regaço.
Estou aqui, meu amor...
Se voltares, vais encontrar o mesmo amor de sempre... aquele que jurei amar-te eternamente.
â Viver sĂł...
O homem não foi feito para viver só. Todo mundo precisa de alguém... não precisa ser o tempo todo, mas ninguém consegue ficar só o tempo todo.
Todo mundo precisa intercalar momentos de solidĂŁo, com momentos de convivĂȘncia... Ă© a ordem natural das coisas... Ă© assim que deveria ser pra todo mundo. E todo mundo deveria se esforçar pra ser companhia quando estĂĄ na companhia de qualquer um.... nĂŁo importa quem.
Mas não é bem assim, né? Hå gente que vive só sempre, mesmo acompanhado estå só... tão só que då dó. E hå gente que estå acompanhado até quando estå só...
Quando uma pessoa encontra outra... e uma tira da outra a solidĂŁo... Ă© tĂŁo bom. Mas Ă© tĂŁo raro. E olha que companhia nĂŁo Ă© um negĂłcio caro...
Sabe o que eu acho? Acho que no fundo é isto: "O amor começa quando uma pessoa se sente só e termina quando uma pessoa deseja estar só." (Tolstoi)
Triste, nĂ©? Amor Ă© puro egoĂsmo... estar sĂł, ser sĂł Ă© condição humana sĂł... atĂ© virar pĂł... ou atĂ© que o outro vire pĂł...
Entendeu? NĂŁo era pra entender...
â A dor do outro
Sei, sou parte disso tudo.
Mas quantas vezes nĂŁo me encaixo...
Procuro-me, procuro-me e nĂŁo me acho.
Sou parte disso tudo.
Tenho de estar sempre em alguma parte.
Ă estranho essa capacidade de desamor que vejo por aĂ.
O outro caiu e se machucou.
âBem feito!â... foi o que ouvi.
Acho que amo demasiado.
Acho que amo além da conta.
Por isso me espanta essa gente demente... que com a dor do outro fica contente.
â DistraĂda
Estava distraĂda.
Mirava o infinito sem ver nada.
Esperava.
Chegaste com teu melhor sorriso.
Te perguntei quem eras...
jĂĄ sabendo seres tu tudo o de que preciso.
Precioso momento - tua chegada.
Por que demoraste tanto tempo?
Fui jogada pro teu cĂ©u... Ă©s tu meu ParaĂso.
Rosangela Calza
â Palavras de arte
Um caminho colorido
De poesias por todo lado florido...
Um perfume no exala no ar...
Minha vontade Ă© grande de viver a poetar.
Fazer poesia Ă© meu vĂcio.
Meu divĂŁ... meu hĂĄbito profilĂĄtico...
Continuo semeando rosas...
Faço isso em verso em prosa.
Assim venço os espinhos.
Semeio amor pra todo lado.
Venço a guerra...
Apago as tristezas...
Mostro da vida todas as suas belezas.
Com métrica e rima as palavras vão nesta tela branca aparecendo...
Nunca me canso desse afĂŁ...
Poetizando... pelo caminho da vida sementes de arte vou semeando.
â Uma tristeza tĂŁo grande
Fecho lentamente meus olhos.
Trago pra bem perto as lembranças...
Saudades daquele tempo
Em que viver era tão leve... era como ser eterna criança.
O aroma do perfume.
Nos lĂĄbios do mel o sabor.
EmoçÔes à flor da pele...
TĂŁo lindo esse meu primeiro amor.
Hoje uma vontade imensa de para trĂĄs ir...
Pra dentro de um forte abraço
Meu primeiro amor trazer...
Olhar em seus olhos... sorrir um eterno sorrir.
Fecho os olhos.
NĂŁo quero ver ao que ao meu redor agora estĂĄ.
Ă uma tristeza tĂŁo grande...
Pouco a pouco se diverte ela em me matar.
Olhando de retrospectiva, tudo fica mais fĂĄcil de resolver: por que disse sim? Por que disse nĂŁo? Por que isso? Por que aquilo? Olhando daqui nĂŁo teria feito nenhuma escolha trocada, errada?
Retrospectiva. Ficar remoendo, no baĂș das memĂłrias remexendo? Que nada... olhe para frente, siga somente em frente, serĂĄ igual ou diferente. Que diferença faz se vocĂȘ olhar para trĂĄs? O que passou, passou. Ăguas passadas nĂŁo movem moinhos.
Passado. Claro, nunca deixarĂĄ de existir no rolo de filme da histĂłria do Universo. EstĂĄ lĂĄ, vocĂȘ e eu, em prosa e em verso. EstĂĄ lĂĄ em um lugar que sĂł com a memĂłria a gente consegue alcançar. O que estĂĄ feito, estĂĄ feito, nĂŁo dĂĄ para mudar.
Cena um quinquilhĂŁo e alguma coisa: nossa histĂłria... que hoje Ă© sĂł memĂłria... mas foi a nossa histĂłria - vocĂȘ e eu aconteceu... e isso tambĂ©m ninguĂ©m pode mudar, nem apagar, nem trocar de lugar...
Presente: muito obrigada por ter se feito tão presente, por ter me feito sentir tão diferente... tão gente... muito obrigada por ter comigo compartilhado... contracenado nas cenas boas, nas ruins segurado-me em seus braços... muito obrigada pelos muitos abraços.. pelos sorrisos, pelas gargalhadas altas madrugadas... pelos banhos de chuva... pelas flores... pela estrada... encantada.
Se eu mudaria algo do que entre nĂłs aconteceu? Nenhuma vĂrgula - curti cada momento, compartilhei e comentei... vocĂȘ e eu... 'que seja esterno enquanto dure', jĂĄ dizia o poeta.
Isolou-se...
como uma ilha no meio do oceano
isolada...
isolado..
nada em todos os lados.
Decepção, dor...
dormĂȘncia total,
torpor.
Dorme seu coração
só, sem ninguém,
sem nada no meio do nada.
Ă isso que faz uma vida sem amor.
Madruguei...
Abri os olhos o mais devagar possĂvel...
Olhei pela janela que me vi ontem:
uma nĂtida imagem do mais possĂvel impossĂvel.
Assim, vocĂȘ perto de mim!
NĂŁo tĂŁo assim... vocĂȘ longe de mim...
A imagem do possĂvel: esse amor tĂŁo secreto... tĂŁo (in)visĂvel... amor invencĂvel...
IncrĂvel...
... essa minha imagem sempre tĂŁo poĂ©tica â€ïž
Fechei a janela... fechei meus olhos nĂŁo tĂŁo devagar...
... vou continuar a sonhar
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