Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
JĂĄ imaginou qual o limite do carinho? Um homem, 22h da noite num ĂŽnibus lotado, protege o seu buquĂȘ de flores de um terrĂvel fim: ser amassado pelo vaivĂ©m cotidiano dos engravatados, dos bem-arrumados e dos nem tĂŁo bem-arrumados assim. Ele desce da condução e corre loucamente pra casa, esquece o cansaço de um dia inteiro de trabalho, abre a porta e encontra sua namorada arrumando a mesa do jantar.
Ele esquece suas preocupaçÔes, seu dia difĂcil, porque ali, nos braços de quem ama, ele encontrou o seu pedacinho diĂĄrio do paraĂso. As histĂłrias de pessoas comuns, suas vidas simples e sem a mesma emoção de um dublĂȘ de cinema, esconde uma beleza muito sutil e calorosa.
Para o desejar, criou - se o espaço.
O Laço, o nó do embaraço.
Para o bem querer, criou - se o mar.
SĂłbrio, tĂȘnue Ă vagar.
Para o sonho, criou - se o ar.
EssĂȘncia da vida, o mundo a cantar.
Para o carinho, criou - se o chĂŁo.
União dos sentidos, pousar da canção.
E para o amor, criou - se um alguém.
Misterioso, sereno, quando vem se dispersa, se move depressa, conversa.
Quando ama, não quer mais ninguém.
Tudo que hĂĄ, mais do que um ato de amor, foi criado.
Criado, vibrante, brilhante, apaixonado.
"SituaçÔes desesperadas pedem medidas pensadas", disse o rapaz contrariando a versĂŁo original do ditado popular. Mesmo com a camisa branca com resquĂcios de ketchup, a moça ria descontroladamente das medidas nada pensadas, desesperadas e desajeitadas que aquele garoto utilizava para resolver o problema.
Depois de mil e uma fĂłrmulas quĂmicas que ele havia tentado, o resultado final foi uma camisa bem manchada, risos e um brinde a momentos estranhos e Ășnicos como esse.
Molho de tomate era capaz de criar situaçÔes "apaixonantemente" hilårias.
Muitas vezes, elevamos o pensamento atĂ© a reflexĂŁo. E ela nos alcança em lugares improvĂĄveis, atĂ©. Certa vez, estava eu em um ĂŽnibus vazio, avistei dois casais. Um era formado por dois jovens que pareciam ter brigado, e o outro era de dois idosos que pareciam estar juntos a dĂ©cadas. Notava-se ali a voracidade do tempo. A beleza efĂȘmera e passageira, em mĂŁos um pouquinho enrugadas e cuidadosas que seguravam uma a outra, se dispuseram assim por todos os anos de suas vidas. Os jovens notaram aquilo, se olharam e mantiveram silĂȘncio. E mesmo assim a mensagem parecia ter alcançado o coração.
As coisas de momento passam, mas sempre terminariam ali, como aquele casal de idosos que ainda se namoravam como na primeira vez.
Dedicava-se plenamente ao seu ofĂcio como sapateiro. Certa vez, levou trabalho para casa. Um pequeno pote com graxa e um par de sapatos velhos, que desesperadamente imploravam por um brilho, e se possĂvel, solas novas. "SĂł o seu cafĂ© quentinho pra anular esse cheiro de graxa", disse ele, usando uma indireta, jogando um verde.
Ela veio da cozinha, seus passos lentos, pés cansados que se arrastavam, relatos auditivos que evidenciavam a passagem do tempo. No topo de sua cabeça, uma coroa de cabelos brancos.
Décadas de uma mistura nada convencional, que envolvia graxa, café, antigos sapatos e sorrisos que sempre foram exemplos do amor e companheirismo.
Apesar de todos os anos que passaram juntos, a moça ainda se impressionava com a atitude que o rapaz tinha para tomar decisÔes. Sem conhecer os lugares, sua determinação o levava do Oiapoque ao Chuà só para realizar os sonhos de ambos.
"VocĂȘ nĂŁo tem medo de acabar se perdendo nessas viagens de trabalho?", ela sempre o questionava, triste na despedida, vendo-o abrir a porta e partindo pela centĂ©sima vez, de costas e com ombros pesados por saber que era seu dever. Ele parou na porta, olhou para trĂĄs sorrindo e disse: "VocĂȘ vai estar de braços abertos me esperando?"
Sem pestanejar respondeu: "sempre e pra sempre". Aquele rapaz olhou novamente pra frente, e antes de ir ele falou: "entĂŁo mesmo que por instinto, perdido ou nĂŁo, volto pra vocĂȘ".
E partiu...
Ela Ă© fogo, ele Ă© gelo.
Curtia seus dias dançando sob a lua, no anoitecer e nas madrugadas. Sempre que possĂvel, festas faziam parte de sua tabela de planejamentos. Enquanto ele pouco saĂa. Gostava de seus livros, da sua prĂłpria bagunça e pensamentos escritos em bolas de papel na lixeira. Certa vez, ele foi atĂ© um barzinho que tocava RaĂșl, Paralamas e outras mĂșsicas que gostava. Levantou - se atĂ© a mĂĄquina e escolheu um mĂșsica.
"Eu amo Engenheiros do Havaii", a voz dela por trås de suas costas, segurando uma moeda (imagino que para utilizar a måquina também) . Sem muita reação, ele confirmou o mesmo.
Após horas de conversa leve e noçÔes sobre o gosto musical, o rapaz que vivia em sua caverna e a moça das baladas e luzes de neon, dançaram juntos.
Fogo e gelo, provaram que os opostos se atraem, de fato.
"Eu acho que isso é ilegal, podemos até ser presos", disse a moça preocupada com o que poderia acontecer caso os dois entrassem na fonte que ficava bem no meio da praça da cidade em um frio de 15°.
Cuidadosamente, ela calculava o peso das açÔes, enquanto ele era completamente desprovido de juĂzo.
"Amor, nesse momento eu sou a lei. Se nĂŁo pular, serei o jure, e logo em seguida o executor, porque eu mesmo vou te jogar aĂ dentro".
Ela gargalhou alto. "NĂŁo me desafie", disse ele. Ambos pularam, riram e se beijaram. CĂșmplices de um "crime" quase perfeito. Que seria eternamente lembrado graças ao frio que sentiram assim que saĂram da ĂĄgua.
Deitados sob o sofå - cama, assistindo um filme de velho oeste, ele se vira para a direção dela e subitamente diz: "eu vou te amar para sempre!".
Ela franziu as sobrancelhas e disse: "Jura? Não sei não, as pessoas sempre dizem isso e até falam de um amor para até depois da vida, mas aà terminam e dizem coisas como: "tÎ livre na pista!" Então faz assim, diz que me ama todos os dias, e a gente vai se amando até quando a vida quiser".
O rapaz olhou, primeiro espantado, depois rindo e disse: "VocĂȘ Ă© meio paranĂłica nĂ©?"
Ambos caĂram na gargalhada atĂ© que ela falou: "Ok, eu me rendo. Vou te amar pra sempre tambĂ©m!"
E assim o "para sempre" foi feito.
Era uma mulher de revirar todos os pontos de equilĂbrio existentes.
O abalava de tal forma, que se sentia nocauteado por um peso-pesado. Sua beleza era um disparate, seu intelecto descompassava um jovem coração inexperiente. Certa vez ela surgiu absolutamente do nada, dizendo: "ei, hoje eu tÎ em casa. Aviso que não vou aceitar um não como resposta, então seria såbio da sua parte se dissesse sim para o meu convite para o cinema."
Apesar de jovem, não era tolo de recusar. Uma moça de olhos que devoravam a alma dos homens, cabelos selvagens como o fogo que incendiava florestas inteiras, e låbios brilhantes e de cor escarlate, intensos como a mais explosiva e ameaçadora das estrelas. "Claro que eu topo", disse ele.
SĂĄbia palavras, garoto. SĂĄbias palavras...
Depois de 1 hora plantada naquele baile de formatura, ela jĂĄ pensava em ir embora, achando que estava sendo completamente ignorada. Apesar de possuir uma beleza Ămpar, desconfiava de seus prĂłprios atributos, e quase nunca sentia-se com a confiança que deveria possuir.
O rapaz, vestindo um belo terno cinza, atravessa o salĂŁo em sua direção, sua postura revelava imponĂȘncia e suavidade, dizendo: "Ei, desculpa pela falta de coragem dos meus amigos. Acho que sua beleza travou todos eles. Mas arrisco ouvir um "nĂŁo" se vc nĂŁo quiser dançar. Acho o risco bem vĂĄlido." Ele diz sorrindo, estendendo a mĂŁo para ela.
"EntĂŁo seria vocĂȘ o cavaleiro de armadura reluzente Ă me salvar?" Ela diz. E sorrindo ele responde: "Eu posso arranjar uma armadura se aceitar o convite."
Ambos riram da situação, dançaram por toda a noite, muita inovação nas histórias de amor que tomariam rumo a partir daquilo.
Depois de 1 hora plantada naquele baile de formatura, ela jĂĄ pensava em ir embora, achando que estava sendo completamente ignorada. Apesar de possuir uma beleza Ămpar, desconfiava de seus prĂłprios atributos, e quase nunca sentia-se com a confiança que deveria possuir.
O rapaz, vestindo um belo terno cinza, atravessa o salĂŁo em sua direção, sua postura revelava imponĂȘncia e suavidade, dizendo: "Ei, desculpa pela falta de coragem dos meus amigos. Acho que sua beleza travou todos eles. Mas arrisco ouvir um "nĂŁo" se vc nĂŁo quiser dançar. Acho o risco bem vĂĄlido." Ele diz sorrindo, estendendo a mĂŁo para ela.
"EntĂŁo seria vocĂȘ o cavaleiro de armadura reluzente Ă me salvar?" Ela diz. E sorrindo ele responde: "Eu posso arranjar uma armadura se aceitar o convite."
Ambos riram da situação, dançaram por toda a noite, muita inovação nas histórias de amor que tomariam rumo a partir daquilo.
Fazia um frio assombroso naquela madrugada. A janela, borrada pela neblina, e gotas de ĂĄgua que escorriam, revelavam o quanto era difĂcil sair de baixo das trĂȘs camadas de edredom, e da Ășnica camada de abraço que vinha exatamente dela.
5:00 da manhĂŁ e o dever o chamava.
"SĂ©rio, amor. O frio jĂĄ Ă© desmotivante, se vocĂȘ nĂŁo me deixar ir, eu nĂŁo vou poder trabalhar." Disse ele, que em sua mente confinou o desejo de permanecer ali, naquele abraço angelical.
Ela abre apenas um olho, cara de sono e responde: "Relaxa, hoje Ă© domingo. VocĂȘ esqueceu de desligar o despertador de novo".
"Graças a Deus", ele pensou. Seria um pecado deixar ela sozinha na cama fria, isso o preocupava mais do que um dia de serviço perdido.
Numa cova no chĂŁo, havia uma lĂĄpide com os dizeres: "Aqui jazem os sonhos nunca alcançados". O homem de pĂ©, frente a frente com aquilo, sentiu um gosto amargo na boca. Ali estavam todos os amores irreais, as profissĂ”es nunca alcançadas, as viagens perdidas, os bebĂȘs que nunca saĂram do imaginĂĄrio. Ele anda para os lados atĂ© que lĂȘ o verso da lĂĄpide, onde estava escrito: "EstĂŁo aqui por faltar coragem aos coraçÔes, garra para as conquistas, agir mais que imaginar. Mas aqui nĂŁo Ă© o fim de todos os sonhos se vocĂȘ que estĂĄ lendo nĂŁo se enquadra nesse perfil."
Reflexivo, ele virou-se para frente e saiu do local. Prontamente tratou de resolver aquilo, pegou o telefone e ligou pra ela: "um chopp gelado pra hoje, tĂĄ afim?"
Não perderia mais tempo, recusava-se a ter seus sonhos em qualquer outro lugar que não o altar das realizaçÔes.
Por que vocĂȘs homens viram bebĂȘs grandes quando estĂŁo gripados" ela pergunta enquanto se direcionava atĂ© ele, segurando uma xĂcara de chĂĄ de maçã (seu favorito). O clima louco sempre o afetava. Jogava bola na chuva, abria a geladeira com o corpo quente, andava descalço pela casa, todas aquelas coisas que sua mĂŁe sempre dizia pra ele nĂŁo fazer. "Amor, nĂŁo faça perguntas que eu nĂŁo posso responder. Acho que nĂłs homens odiamos ficar doentes. Quando a oportunidade surge, queremos sĂł um pouco daquele mimo". Ele respondeu. E olhou para ele com uma expressĂŁo bem sĂ©ria, mas depois libertou um sorriso no canto da boca, dizendo: " vai lĂĄ jogar bola na chuva, seu bebezĂŁo! "
Enquanto ela saĂa, ele desmarcava uma partida com os amigos atravĂ©s do celular.
Se uma mulher cuidadava de um homem manhoso, ela merecia total atenção. O que valeu alguns filmes, pipoca e todas as coisas que ela gostava, preparadas por ele, é claro.
Tomava altas doses de esperança, doses cavalares, e pra dificultar as coisas, não tinha pena de misturar. Drinks de suavidade, copos de gentileza, garrafas de charme. Ao preparar a refeição, era muito rigoroso. Uma pitada de temperança, duas colheres surpresa e uma de audåcia.
Gostava de ser exagerado em 60% da vida, e os outros 40% eram mais serenos.
Porém aquele era um dia especial, tentava aceitar tudo com cuidado, perfeição e um par de taças bem representativas. Ao ouvir os cachorros, corre para a sala, apaga as luzes e com o abrir da porta ele diz: "Feliz 2 anos de namoro! Espero que não tenha achado o terno meio exagerado, eu juro que se achou eu desfaço tudo e vamos passar o nosso dia vendo TV"
Ela nĂŁo conseguia responder, em sua mistura de lĂĄgrimas, risos e beijos. Percebeu que era sĂł o segundo ano de toda vida ao lado da pessoa certa.
Tomava altas doses de esperança, doses cavalares, e pra dificultar as coisas, não tinha pena de misturar. Drinks de suavidade, copos de gentileza, garrafas de charme. Ao preparar a refeição, era muito rigoroso. Uma pitada de temperança, duas colheres de surpresa e uma de audåcia.
Gostava de ser exagerado em 60% da vida, e os outros 40% eram mais serenos.
Porém aquele era um dia especial, tentava ajeitar tudo com cuidado, perfeição e um par de taças bem representativas. Ao ouvir os cachorros, corre para a sala, apaga as luzes e com o abrir da porta ele diz: "Feliz 2 anos de namoro! Espero que não tenha achado o terno meio exagerado, eu juro que se achou eu desfaço tudo e vamos passar o nosso dia vendo TV"
Ela nĂŁo conseguia responder, em sua mistura de lĂĄgrimas, risos e beijos. Percebeu que era sĂł o segundo ano de toda vida ao lado da pessoa certa.
"Olha, nĂŁo me leva a mal. Eu jĂĄ gostei de alguns caras antes e sĂł saĂ com as piores experiĂȘncias. Que garantias eu teria de que vocĂȘ nĂŁo Ă© igual a todo mundo?"
Uma simples caminhada mudou de tom, ele percebia nos olhos dela aquela vontade de querer acreditar que ele era o cara certo, que em todos os karmas que cruzaram seu caminho, aquele rapaz era sua luz no fim do tĂșnel.
Ele suavizou seus passos, sorriu e disse: "Bom, primeiramente, minha mĂŁe sempre dizia que eu nĂŁo sou todo mundo. Em segundo lugar, nĂŁo posso te dar garantias. Eu posso prometer que meu desejo Ă© de fazĂȘ-la feliz hoje, serĂĄ o meu desejo amanhĂŁ, e depois de amanhĂŁ tambĂ©m. A Ășnica promessa que posso fazer Ă© que farei o meu melhor sempre."
Ela não soube responder, ao faltar palavras, cobriu a situação com o ato do primeiro beijo. Decidiram descobrir juntos, até onde a vida os levariam.
"Olha, nĂŁo me leva a mal. Eu jĂĄ gostei de alguns caras antes e sĂł saĂ com as piores experiĂȘncias. Que garantias eu teria de que vocĂȘ nĂŁo Ă© igual a todo mundo?"
Uma simples caminhada mudou de tom, ele percebia nos olhos dela aquela vontade de querer acreditar que ele era o cara certo, que em todos os karmas que cruzaram seu caminho, aquele rapaz era sua luz no fim do tĂșnel.
Ele suavizou seus passos, sorriu e disse: "Bom, primeiramente, minha mĂŁe sempre dizia que eu nĂŁo sou todo mundo. Em segundo lugar, nĂŁo posso te dar garantias. Eu posso prometer que meu desejo Ă© de fazĂȘ-la feliz hoje, serĂĄ o meu desejo amanhĂŁ, e depois de amanhĂŁ tambĂ©m. A Ășnica promessa que posso fazer Ă© que farei o meu melhor sempre."
Ela não soube responder, ao faltar palavras, cobriu a situação com o ato do primeiro beijo. Decidiram descobrir juntos até onde a vida os levariam.
Sentados num banco de praça, surgiu uma pergunta intensa. "Por que as pessoas expressam o quanto estão felizes para as outras? Por que o mundo estå radiante ao nosso redor, no momento em que vivemos em miséria? Quando o amor é sentido no ar, e a paixão pode ser vista em cada esquina e beco mas não nos alcança."
Uma pergunta tĂŁo bem fundamentada, precisaria de uma resposta Ă altura. Mas ele nĂŁo tinha nenhuma para ela. Se sentia vivendo naquele enigma, que talvez nem a prĂłpria Esfinge seria capaz de responder.
"NĂŁo faça perguntas difĂceis, garota. Quando o mundo cheirar a amor, sorria, quando cheirar a paixĂŁo, sorria mais ainda. Acho que se vocĂȘ consegue sentir esses sentimentos com tanta intensidade, talvez eles estejam mais prĂłximos de vocĂȘ do que imagina."
Ela percebeu a indireta, segurou a mĂŁo dele, colocou o cabelo por trĂĄs da orelha e sorriu.
"Talvez tenha razão..." Disse a moça, percebeu que o mundo era cheio de surpresas.
