Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
Como se vai apagando
Uma hora se vai algo pequeno e o pequeno nĂŁo aparece mais, outra hora, outras coisas que o tamanho jĂĄ nĂŁo importa, pois a porta apesar de aberta nĂŁo vĂȘ mais passar por ela coisa alguma que a atravessou um dia, uma hora, um momento. E assim um pontinho vai virando algo irreconhecĂvel, uma nova figura, um novo desenho do lado de fora perdido na imensidĂŁo e do lado de dentro vazio. Palavras sĂŁo ditas, atitudes sĂŁo tomadas, consequĂȘncias inesperadas por mentes pequenas que sĂł conhecem e reconhecem a si mesmas.
Assim a chuva chega e lava e apaga os traços pelo caminho e depois de muito caminho andado nĂŁo se tem como voltar, pois as migalhas demarcadoras jĂĄ nĂŁo estĂŁo lĂĄ. Ă como uma ideia que parecia incrĂvel, fantĂĄstica, de tirar o folego que rapidamente se expressa com o grafite roçando o papel e neste roçar para lĂĄ e para cĂĄ. Freneticamente as linhas vĂŁo sendo escritas seguindo a empolgação que vislumbrou algo incrĂvel no final onde a vista e coração alcançam. A cada palavra sobem os batimentos, emoçÔes se acumulam, prazeres sĂŁo experimentados e vivĂȘncias sĂŁo sentidas.
A pequenez de um ouvido que só ouve a se próprio vai corrompendo os atos, arrancando a empolgação, desmanchando as emoçÔes, desmontando a sensação do que poderia ter sido, mas não foi. Perdido em meio a simulados, desatençÔes, descuidados, elucubraçÔes irreais da falta da justa medida da igualdade da vida. Sentimentos escondidos nos ocos das årvores, mentiras expostas em vitrines coloridas, verdades protegidas por emaranhados espinheiros.
O grafite quebra, a folha rasga, o folego sustenta a corrida para longe, a linha se vai com a borracha, o vislumbre encara frente a frente a realidade e tudo vai se apagando. E tudo vai se transformando, a ĂĄrvore podre cai, o espinheiro sede, e como no fim do carnaval as mascarĂĄs caem.
Tudo limpo, tudo claro, a chuva lava e alimenta, a lua cumpre seu ciclo e o sol deita a energia, o velho se transforma em hĂșmus para alimentar de experiĂȘncia o jardim. Ali entĂŁo começa a surgir novo bosque, mais belo, mais forte, mais verdadeiro e escancarado, sem ocos, sem buracos, sombras belas, linhas novas iniciam novo livro, novos capĂtulos.
Como se vai acendendo (adaptado de como se vai apagando)
Uma figura cheia de contornos e desenhos, alinhava a feição ocupando um espaço repentino na sua frente.
Prazer sou eu, prazer Ă© meu.
Algumas palavras de sons agradĂĄveis e os olhos brilham no cruzar do contato rĂĄpido. Pele agradĂĄvel aveluda o toque. Algumas palavras de conteĂșdo interessante aguçam a curiosidade. O cheiro chega por meio de partĂculas carregadas pelo ar e alerta os sentidos. Uma atitude sobre algo pequeno se destaca, outro momento, outras coisas imperceptĂveis jĂĄ importam. Cria-se a vontade que leva a encontros quaisquer, encontros significativos.
A trilha percorrida impÔe suas dificuldades, mesmo que pequenas, e o que se espera não acontece.
Surpresa interessante desperta.
Na escuridĂŁo repentina uma mĂŁo estĂĄ lĂĄ reconhecida e pronta para confiar e percorrer. Um ouvido a escutar, interesse genuĂno, uma vontade de construir juntos. A atenção aprofunda o conhecimento do outro, suas virtudes e forças, desilusĂ”es e ilusĂ”es, felicidades e tristezas, desnudam-se sentimentos.
Vamos parece algo surreal e vamos.
A trilha nĂŁo Ă© fĂĄcil e mesmo nas lĂĄgrimas sorrisos sĂŁo arrancados. Sorrisos aparecem estimulados pela simples vontade do cuidado.
A porta apesar de fechada vĂȘ passar por ela um filete de luz, num dia, numa hora, num momento. E assim um pontinho vai virando algo que se passa a prestar atenção. Uma nova figura, um novo desenho Ă frente, atrĂĄs, ao lado e o vazio começa a se preencher. Palavras sĂŁo ditas, palavras seguidas de atitudes coerentes, consequĂȘncias refletidas na mente e no coração que se reconhecem tomando o mesmo caminho. Um cuidado, um respeito, um admirar, uma inteligĂȘncia peculiar.
Tudo verdadeiro, honesto e transparente.
Assim, a chuva chega e lava e deixa virgem o chĂŁo para novas trilhas serem traçadas, novas montanhas e novos caminhos. Ă como uma ideia que nasce e vai crescendo, atĂ© tirar o folego que rapidamente se expressa com o lĂĄpis roçando o papel e neste roçar para lĂĄ e para cĂĄ, freneticamente as linhas vĂŁo sendo escritas seguindo a empolgação que vislumbrou algo incrĂvel no final onde a vista e o coração alcançam. A cada palavra sobem os batimentos, emoçÔes se acumulam, prazeres sĂŁo experimentados, gozos sentidos, corpos contorcidos no prazer de se misturarem.
VivĂȘncias sĂŁo sentidas.
A altivez de um ouvido que ouve o outro vai rompendo barreiras e afastando pedras e acalmando rios. Atos impulsionam a empolgação, intensificando emoçÔes, criando a sensação do que poderå ser. E de repente encontra desavisado objetividades, atençÔes, cuidados, viagens da justa medida de dois, da vida.
Sentimentos nĂŁo mais escondidos e enraĂzam como ĂĄrvores amazĂŽnicas.
Verdades expostas em qualquer cenårio, verdades expostas como um soco na cara e um afago no coração.
O lĂĄpis colore, a folha se remenda, o folego sustenta o junto, a linha se refaz, o vislumbre encara frente a frente a realidade.
E tudo vai se acendendo.
E tudo vai se transformando. A ĂĄrvore cresce, as frutas nascem, e como no inĂcio com o big bang cria-se tudo e tudo se ordena na sua mais perfeita imperfeição.
Tudo limpo, tudo claro, a chuva lava e alimenta, a lua cumpre seu ciclo e o sol deita a energia, o novo vem transformar e alimentar de amor e experiĂȘncia o jardim. Ali entĂŁo começa a surgir novo bosque, mais belo, mais forte, mais verdadeiro e escancarado, sem ocos, sem buracos, sombras belas, linhas novas iniciam novo livro, novos capĂtulos que se esperam nunca terminar ou terminar juntos.
Sabe o que eu quero hoje?
O gosto gostoso, marcado, molhado, espalhado, mordido, entrelaçado, estalado, agarrado, demorado, macio dos beijos teus !
Fique na companhia de alguĂ©m que desperte o melhor em vocĂȘ e nĂŁo o contrĂĄrio...
EspĂrito Peregrino
Do prĂłprio e do alheio
NĂŁo se fixe demais ou apenas no que se Ă© dito. Procure observar como caminha, come, trata, ri, chora, troca, senti frio ou calor, carrega suas pedras e as deixa pelo caminho, como os animais te vĂȘem, como silencia (sim, como silencia) ... Esqueça as palavras no começo, elas serĂŁo importantes em outros momentos. Quando fizerem sentido nĂŁo pelo que dizem, mas pelo que explicam sobre o que observou.
No caminho aprende a olhar nĂłs prĂłprios olhos e saber o que diz sem precisar perguntar o que foi. Assim, tambĂ©m, o faça quando outros olhos cruzarem os teus. Ă no silĂȘncio que se aprende, que se encontra e que se aprofunda. NĂŁo importa se vocĂȘ verbaliza suas coisas olhando no espelho, pois elas estĂŁo lĂĄ e tu conheces todas.
Assim saberĂĄ o que Ă© bom e o que nĂŁo Ă©. Caminhe com alguĂ©m que desperte em vocĂȘ o melhor enquanto em silĂȘncio, enquanto palavras que (mesmo que poucas) reforçam as posturas silenciosas.
Ao colidir com um olhar a te olhar jĂĄ hĂĄ algum tempo e se apenas sabes que neste olhar nĂŁo cabe perguntar o que, pois jĂĄ se sabe o que ele diz, mesmo que este nĂŁo esteja ali, tente caminhar a seu lado sem se importar se este olhar Ă© seu ou do alheio.
Caminhar em companhia de alguĂ©m Ă© sempre bom, mesmo que este alguĂ©m seja vocĂȘ e quem sabe na mesma sintonia apareça o alheio.
Ser
Sou apenas o reflexo do que voce Ă© para mim. A sintonia das ondas que recebo de ti. A energia de que voce me alimenta. O calor que voce me entrega. Sou assim como um bumerangue que retorna para ti como voce o lanĂou. Um Ogro no Pantano com um casebre onde a magia esta em refletir o que voce me entrega e desperta em mim.
E o lĂquido que corre, alimenta e salva assim como contamina e mata sendo apenas o veĂculo do traslado do carregamento final resultante da disputa dos que geram a prĂłpria vida no alto do saber e meio do sentir...
Filosofando com rabiscos sobre a destemperança dos relacionamentos frugrais Ă base de tons elevados pela quĂmica alcoĂłlica onde Janis Joplin se pĂŽs a considerar uma transposição para outras dimensĂ”es universais e espirituais, deixemos nossa vĂŁ filosofia aflorar e libertar as mentes aprisionadas pelos coraçÔes perdidos e desenhemos letras que juntas se fazem entender o que aquele que pulsa se recusa a perceber....
Estou começando a ficar bĂȘbado e isto nĂŁo Ă© bom
Me faz lembrar
Me faz sofrer
Me faz chorar
Estou começando a perder os sentidos
Sentido do que me fez
Sentido do que escolhi
Sentido do que sangra
Estou começando a deixar
Deixar vazar, escorrer, me perder
Eu disse vou me embora
Me fui
Me perdi
Me encontrei
Estou aqui bebendo e invejando casais
Vendo o amor escorrer
Vendo o amor esconder
Vendo o amor nĂŁo responder
Por que, por que, por que
Que não pode ser como o que começou a ser
Deixou de ser
Deixou-me ser
Ser nĂŁo sou mais
Estou aqui a entregar
A ser livre e deixar livre
A mudança não é em mim
Mudou-se e nĂŁo sei pra onde
Pra onde as escolhas
Escolhas nĂłs levam
E eu no espaço a cultivar estou
Nada faz sentido
Tudo sentido faz
Amor estou, estava
Amor se foi
Amar nĂŁo soube
Só soube padrÔes repetir
E agora pergunta porque fui me embora
Faltou-me amor
Amor verdadeiro
Adaptado de
Paisagem da Janela
Beto Guedes
Da janela lateral do quarto de dormir
Vejo a natureza um sinal de glĂłria Vejo muitas ĂĄrvores e no vĂŽo um pĂĄssaro
Vejo um agrado e um velho sinal Mensageiro natural, de coisas naturais
Quando eu falava dessas flores belas
Quando eu falava desse arrepio
Quando eu falava desta chuva linda VocĂȘ nĂŁo escutou
VocĂȘ nĂŁo quer acreditar, mas isto Ă© tĂŁo normal
VocĂȘ nĂŁo quer acreditar, e eu apenas era ... Cavaleiro marginal, lavado em ribeirĂŁo
Cavaleiro negro que viveu mistérios Cavaleiro branco e senhor de årvores
Sem querer descanso nem dominical
Cavaleiro marginal banhado em ribeirão Conheci as serras e os morros intrépidos
Conheci as ĂĄguas e suas cachoeiras
Quando olhava da janela lateral Do Quarto de Dormir
Em tempos do CĂąncer do politicamente correto, de mĂĄscaras, falsidades e hordas estĂșpidas gritando pela travestida diversidade com todo seu radicalismo vazio e autoritĂĄrio, onde as pessoas tentam seguir seus grupos e unanimidades burras, me parece que o melhor seria simplesmente deixar o outro ser o que ele quiser. NinguĂ©m muda ninguĂ©m e se o que o outro Ă© nĂŁo te atende, desrespeita e/ou te faz mal afaste-se. Siga seu caminho sozinho ou no grupo que melhor lhe aprouver. Aceite que existem outros diferentes e que estes tem o direito de existir.
Neste movimento procure nĂŁo se enrijecer (ou se quiser se torne pedra e se lance aos outros) e busque escutar o outro nas suas âverdadesâ, posicionamentos e atitudes, palavras, sentimentos e o carvalho a quatro...
Pessoas sĂŁo diferentes, pensam diferente, sentem diferente, se comportam de forma diferente, tem atitudes diferentes, falam diferente, se relacionam de forma diferente, gostam de forma diferente, gostam de coisas diferentes.
Opinar Ă© essencial, escutar Ă© fundamental, concordar nĂŁo Ă© necessĂĄrio, nem mesmo entender, mas se posicionar Ă© crucial e significa apenas que vocĂȘ pensa e Ă© alguĂ©m Ășnico. E mais, nĂŁo concordar ou ter uma opiniĂŁo diferente Ă© o que faz com que cresçamos como seres humanos diversos e falar ou expressar estas diferenças nĂŁo significa que estamos julgando ninguĂ©m. Apenas que temos opiniĂ”es diferentes. Aqui a forma como nos posicionamos, na educação que nosso pai e mĂŁe nos deu, Ă© o que importa.
âOuvirâ o outro nĂŁo significa necessariamente âconcordarâ com ele. O fato de eu discordar de alguĂ©m nĂŁo quer dizer que eu me recusei a escutĂĄ-lo. Eu ouvi, escutei, refleti e nĂŁo concordei, discordei.
Nos relacionamentos, de qualquer tipo, o que a mim parece dar certo Ă© estar aberto a escutar e disposto a falar em um caminho de mĂŁo dupla. Ser honesto consigo mesmo e com a outra parte tentando ser o mais prĂłximo possĂvel de quem se Ă© de verdade ou seja, vocĂȘ mesmo sem mĂĄscaras ou personagens criados.
E se a diferença e a diversidade sĂŁo o contexto, busque seguir seu caminho com aqueles cujas diferenças sejam parecidas com as suas. Parece contraditĂłrio, mas aceitar as diferenças nĂŁo significa ter de praticĂĄ-las ou de se envolver com o que ou quem vocĂȘ nĂŁo concorda e que nĂŁo te faz bem. Aqui tudo se resolve com a velha e boa educação.
Ter opiniĂŁo prĂłpria e expressa-la Ă© essencial. Se adaptar sem perder ou âvenderâ seus valores e princĂpios faz parte da evolução.
Liberte o outro para ser ele mesmo. Se nĂŁo lhe faz bem, afasta e segue com o que te faz feliz.
Vou arrumar uma moça boa e de famĂlia para amar infinitamente nas trilhas e montanhas, numa casinha branca de SapĂȘ. Acordar de manhĂŁ e fazer um cafĂ© quentinho antes de sair e escalar umas rochas para sentarmos no alto e ver o sol nascer....
Hoje acordei com vontade de me casar com vocĂȘ. Mulher linda, especial, diferente de tantas outras comuns que estĂŁo por aĂ.
SĂł falta agora vocĂȘ aparecer. Se existir!
Enquanto isso segue a vida subir e descer montanhas.
A viagem
A viagem transpassa
Passa pelo palpĂĄvel
Apalpa o intocĂĄvel
Toca o tangĂvel
Tange o imponderĂĄvel
A viagem Ă© fĂsica
Ă mental
Sentimental
A viagem Ă© movimento
Se move estanque
Voa na imaginação
Contorce e alivia no coração
A viagem experimenta sentidos
Toques externos
Percursos internos
Ă tudo a um sĂł tempo
Percebido ou nĂŁo
Viagem profunda
Aprofunda
Esbarra no raso
Ă movimento mesmo parado
A viagem haje em
Ir ou ficar
Se tiver que ir e ficar
Que vĂĄ ficar
LĂĄ, acolĂĄ
Aqui ou lĂĄ
Ficar estando lĂĄ
Ir estando cĂĄ
NĂŁo vĂĄ querendo ficar
Nem fique estando lĂĄ
Se ficar Ă© o que pretendes
Pretenda entĂŁo nĂŁo lĂĄ ficar
Se ir Ă© o que definirĂĄ
EntĂŁo vĂĄ para lĂĄ ficar
Ficar para quem vai
Ă ir sem ficar
Ir para quem fica
Ă ficar sem ir
Ficar ou ir nĂŁo Ă© ir e ficar
A menina
Tornou-se pedra
Pedra e rocha
Vou lĂĄ agarras instalar
E escalar esta menina
Que rocha se tornou
Para o prazer do escalador
Vou guiando a cada movimento
Fazer um boulder
E um ataque aos lĂĄbios dela
Top rope e bivaque
Me arriscar no crux
Encadenar este corpo
Conquistar a rocha
E por fim portaledge para nĂłs dois
Amar
Adaptado de Francisco el hombre - Triste, louca ou mĂ
Triste, louco ou mau
serĂĄ qualificado
ele quem recusar
seguir receita tal
a receita cultural
do marido, da famĂlia.
cuida, cuida, financia
sĂł mesmo rejeita
bem conhecida receita
quem nĂŁo sem dores
aceita que tudo deve mudar
que uma mulher nĂŁo te define
sua casa nĂŁo te define
sua carne nĂŁo te define
vocĂȘ Ă© seu prĂłprio lar
que uma mulher nĂŁo te define
sua casa nĂŁo te define
sua carne nĂŁo te define
ele desatinou
desatou nĂłs
vai viver sĂł
eu nĂŁo vejo a palavra
FĂȘmea
conformada vĂtima
Prefiro queimar o mapa
traçar de novo a estrada
Ver cores nas cinzas
E a vida reinventar.
e uma mulher nĂŁo me define
minha casa nĂŁo me define
minha carne nĂŁo me define
eu sou meu prĂłprio lar
ele desatinou
desatou nĂłs
vai viver sĂł"
#tbt Serra Fina Tijuco Preto
PĂŽr do sol
Fim do dia
Noite espreita
Lua na Serra
Na rede tudo para
Para tudo embalar
