Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
â Ressurreição
Naquela praça
Entreguei meus medos
Quietos
Em segredo
Esperei que me amasse
Amassado
Sem medo de perder a viagem
Oferecia-te tudo
O amor maior no mundo
JĂĄ nĂŁo era dĂĄdiva dos deuses
(âŠ)
Minha dor cativa
Logo
Tornou-se luto
E a carne
JĂĄ fria
Ganhou vida
Na igrejinha de São José.
Para Isac Silva do Nascimento, na Praça da Paróquia de São José;
Araraquara, 19 de novembro de 2021 (25 anos do autor).
â A infĂąncia
Sempre recordamos nossas infĂąncias
Lembramos das flores
E encaixotamos as dores
Negligenciadas
As flores
Murcham
Apodrecem
E morrem
Quase sempre solitĂĄrias!
JĂĄ aquelas dores...
Inquietas
Naquela caixinha
TĂŁo apertada
Crescem
Consomem
Matam
Mas nunca morrem!
TrĂȘs de novembro
No mĂȘs em que a primavera se despede,
e o sol, mais manso, faz-se presente,
floresciam dias de ouro e espera,
prenĂșncio de encontros, docemente.
Foi na estação de brisa e lume,
quando as folhas murmuram segredos,
que nos achamos sem alarde,
em cores tĂȘnues, sem medos.
Caminhavas jĂĄ em meus sonhos,
estrada traçada em silĂȘncio,
onde o murmĂșrio do vento sussurra
o amor que arde em denso, intenso.
O mundo, em sua dança vasta,
girou em cĂrculos de espera,
até que em ti se fez acalanto,
porto certo, luz sincera.
Achei-te na dobra do tempo,
onde o aleatĂłrio se curva Ă sina.
Outros conheci por Ăłcio e acaso;
a ti, encontrei porque eras divina.
Outros, passos soltos, vento;
tu, raiz, urgĂȘncia, beijo,
entre ecos e risos, enfim,
vi que ao teu lado me pertenço.
â Feliz Natal!
Natal Ă© renascimento...
Ă© uma nova oportunidade de ser.
Ă mais significado que festa.
Ă ver sacralidade na rotina de um jantar.
Ă memĂłria que volta ao presente:
os passos do avĂŽ, a voz da mĂŁe,
as mãos entrelaçadas ao redor da mesa
e a fé que se estende além do tempo.
Ă o convite para acolher o estranho,
para enxergar o outro com olhos de amor.
Natal Ă© verbo que se faz atitude:
é ser Deus no abraço de quem estende a mão.
Ă convite para que sejamos neste dia,
como o menino em seu berço singelo:
pequenos na matéria, grandes no afeto,
humanos no gesto, divinos na entrega.
Ă quando Deus se limitou a um sĂł lugar.
Ă prova que o finito pode conter um infinito.
Ă sentir Deus em um menino.
Ă repartir esse Deus em fatias de pĂŁo.
Natal é época de se repartir e sempre sobrar.
â Quando abraço alguĂ©m, fecho os olhos e demoro pelo menos uns trinta segundos antes de soltar. Neste tempo, consigo ouvir exatamente cada pulsar do coração. Acredito que cada coração tem um ritmo, como se fosse um timbre vocal. Convido-te a ouvir! Para isso, Ă© preciso que eu saia da superficialidade dos sentidos. No Ășltimo abraço que dei, pude escutar as palavras mudas de um coração: "Obrigado por estar aqui."
â Certa vez, revoltado por sucessivos
infortĂșnios amorosos,
com a Ăris acinzentada de dor,
matei uma flor.
Matei apenas porque ela era flor.
Matei somente porque eu era dor.
Matei porque vi nela amor.
Em retaliação,
a flor,
em ato agonizante,
perfumou-me.
â Ăs margens do teu ser.
Meu mar doce,
represĂĄ-la?
NĂŁo posso.
Ăs livre, mar...
Navegantes?
SĂł os que permites,
mas
nĂŁo hĂĄ ainda quem
te desbrave.
Ăs livre, mar,
de
ondas curvilĂneas,
poente de toda luz.
Povoas a mente dos homens,
morada do desejo.
Ăs livre, mar,
a ti, tenho
apenas
um pedido:
Afoga-me.
âȘâTodo amante Ă© insaciĂĄvel, pois mesmo quando utiliza o toque Ă© barrado pelas paredes do corpo, nunca atingindo assim seu real objetivo; a alma do ser amado.â âŹ
Meu mar doce,
represa-la?
NĂŁo posso.
Ăs livre mar...
Navegantes?
SĂł os que permitiu,
mas
nĂŁo hĂĄ ainda quem
o desbrave.
Ăs livre mar,
de
ondas curvilĂneas,
poente de toda luz.
Povoa a mente dos homens,
morada do desejo.
Ăs livre mar,
a ti, tenho
apenas
um pedido.
Afoga-me.
Antes de julgar ame primeiro, pois ninguém pode dar o que nunca recebeu. As vezes falta ao outro o amor com que amar.
"Olhando para a cruz percebo que por mais difĂcil que seja a situação, quem ama nĂŁo desce do seu compromisso."
FĂȘnix
Assim como HesĂodo
testemunhei,
a bela ave renascer
das prĂłprias cinzas que sobraram de si.
A mais forte e misteriosa,
FĂȘnix.
A cada morte mais vida ela adquiriu.
Ela Ă© como o amor
Fogo incendiĂĄrio
que até morre, mas nunca acaba.
Sempre ressurge.
E o fogo que a tudo prova,
a purificou das memĂłrias
das cinzas.
E como poesia,
renasceu.â
Amar o prĂłximo
âEm suma, mesmo que nĂŁo a assumamos, existe uma cadeia cĂclica que quando rompida faz com que a vida perca sentido de potĂȘncia. A vida serve para servir.â
"Namorar Ă© vencer a transitoriedade do ter, imposta pela paixĂŁo, transformando toda experiĂȘncia fĂsica em formas de linguagem.
Ă transformar a voz doâ
outroâ
emâ
letra, aâ
falaâ
emâ
verso,â
oâ
carinho em verbo,â
para assim torna-lo presente, mesmo longe, sempreâ
quando for recontado. Por isso cada casal cria seu prĂłprio vocabulĂĄrio, para conjugar o outro em todos os tempos verbais. No namoro Ă© onde acontece a gestação deâ
umaâ
histĂłriaâ
de amor!"
"Feliz é aquele que encontrou alguém
que fala coisas bonitas, mesmo dormindo.
Certas pessoas sĂŁo o prĂłprio poema."
